Reveja as cinco fases da Operação Compliance Zero, investigação que avançou do Banco Master ao núcleo político; Esquema atinge membro do Centrão no Congresso Nacional

A quinta fase da Operação Compliance Zero, conduzida nesta quinta-feira (07/05/2026) pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal, chegou à quinta fase com o cumprimento de mandados contra o senador Ciro Nogueira e pessoas ligadas ao entorno do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação, iniciada em 2024 e deflagrada ostensivamente em novembro de 2025, apura suspeitas de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional, emissão de títulos de crédito sem lastro, lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e possíveis vínculos entre operadores financeiros, executivos de bancos públicos e agentes políticos. A nova etapa, deflagrada em 07/05/2026, consolidou a ampliação do caso para além do Banco Master e do BRB, alcançando o campo da influência política e da eventual atuação parlamentar em favor de interesses privados.

Investigação começou com suspeita de títulos falsos e carteiras de crédito sem lastro

A origem da Operação Compliance Zero está na apuração sobre a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Segundo a Polícia Federal, esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada. A investigação foi aberta em 2024, após requisição do Ministério Público Federal.

O caso ganhou dimensão nacional em 2025, quando a Polícia Federal passou a tratar o episódio como uma investigação ampla sobre crimes praticados contra o Sistema Financeiro Nacional. A apuração deixou de se limitar à regularidade formal de operações bancárias e passou a examinar a existência de um possível esquema estruturado, com circulação de ativos, movimentação patrimonial, uso de operadores e influência sobre instituições públicas.

A liquidação do Banco Master, a prisão de Daniel Vorcaro e o avanço das diligências sobre o Banco de Brasília ampliaram o impacto institucional do caso. A partir desse ponto, a investigação passou a envolver não apenas a suposta criação de ativos financeiros sem correspondência real, mas também indícios de corrupção, lavagem de dinheiro, manipulação de mercado e pagamentos indevidos.

Primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025

A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em 18/11/2025, com o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. A Polícia Federal cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares, no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.

Nessa etapa, a investigação concentrou-se no núcleo financeiro do caso. Os crimes inicialmente investigados incluíam gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. A operação mirava a estrutura que, segundo os investigadores, teria viabilizado a emissão, negociação e substituição de títulos de crédito suspeitos.

A primeira fase também resultou em prisões de executivos e pessoas ligadas ao Banco Master, entre elas Daniel Vorcaro. A partir das provas recolhidas nessa etapa, a Polícia Federal passou a ampliar a apuração para outros núcleos, incluindo familiares, operadores financeiros, intermediários jurídicos e gestores públicos.

Segunda fase ampliou bloqueios e mirou movimentação patrimonial

A segunda fase ocorreu em 14/01/2026, com o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, e a Polícia Federal informou que a etapa apurava suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

A Justiça também determinou medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores superiores a R$ 5,7 bilhões. Segundo a PF, o objetivo era interromper a atuação da organização criminosa, assegurar a recuperação de ativos e dar continuidade às investigações.

Essa segunda etapa marcou a ampliação do caso para o rastreamento patrimonial. A investigação passou a buscar não apenas os responsáveis pela suposta criação dos ativos irregulares, mas também os caminhos percorridos pelo dinheiro, os beneficiários das operações e eventuais mecanismos de blindagem patrimonial.

Terceira fase incluiu corrupção, lavagem e invasão de dispositivos

A terceira fase foi deflagrada em 04/03/2026, com o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. A investigação contou com o apoio do Banco Central do Brasil e passou a examinar a possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por organização criminosa.

Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio de bens no montante de até R$ 22 bilhões. A PF afirmou que as medidas tinham o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.

Com essa etapa, a Operação Compliance Zero deixou ainda mais evidente sua natureza multifacetada. O caso passou a envolver, simultaneamente, crimes financeiros, lavagem de dinheiro, possíveis tentativas de interferência na apuração e suspeitas de atuação coordenada para proteger ativos, pessoas e interesses empresariais.

Quarta fase atingiu o BRB e levou à prisão de Paulo Henrique Costa

A quarta fase, deflagrada em 16/04/2026, aprofundou a apuração sobre as relações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Foram presos preventivamente o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do esquema atribuído a Daniel Vorcaro.

Segundo a Agência Brasil, somadas as quatro primeiras fases, a PF havia prendido 13 pessoas, cumprido 96 mandados de busca e apreensão em seis unidades da Federação e obtido decisões judiciais de bloqueio ou sequestro de bens até o limite de R$ 27,7 bilhões. A operação, nessa altura, já havia ultrapassado o campo estritamente bancário e alcançado gestores de instituição pública, operadores jurídicos e estruturas de lavagem.

A Reuters informou que decisão do ministro André Mendonça, do STF, apontou indícios de um esquema para viabilizar a fabricação, venda e transferência de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB. A decisão também citou suspeita de propina estimada em R$ 146,5 milhões em imóveis atribuída a Paulo Henrique Costa, informação contestada pela defesa, que negou a prática de crime.

Quinta fase chegou ao núcleo político e teve Ciro Nogueira como alvo

A quinta fase foi deflagrada em 07/05/2026. A Polícia Federal informou o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A decisão judicial também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores no total de R$ 18,85 milhões.

Segundo a PF, essa etapa busca aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A novidade política da fase está no fato de a apuração ter alcançado o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro.

A Reuters informou que Ciro Nogueira foi alvo de mandado de busca e apreensão e que a decisão do ministro André Mendonça registrou indícios de que o parlamentar teria atuado em favor de Daniel Vorcaro “em troca de vantagens econômicas indevidas”. A defesa do senador negou irregularidades, afirmou que ele colaboraria com as autoridades e disse que estaria à disposição para prestar esclarecimentos.

Linha do tempo da Operação Compliance Zero

2024 — Início da investigação

A investigação começou em 2024, após requisição do Ministério Público Federal. O foco inicial era apurar a possível fabricação de carteiras de crédito sem lastro, posteriormente vendidas a outra instituição financeira.

18/11/2025 — Primeira fase

A PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras. Foram cumpridos sete mandados de prisão, 25 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares em cinco unidades da Federação.

14/01/2026 — Segunda fase

A segunda fase cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados. A Justiça também determinou sequestro e bloqueio de bens e valores superiores a R$ 5,7 bilhões. Os crimes investigados incluíam organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

04/03/2026 — Terceira fase

A terceira fase cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. A investigação passou a abranger suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, com bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões.

16/04/2026 — Quarta fase

A quarta fase atingiu diretamente o BRB. Foram presos preventivamente Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco público do Distrito Federal, e Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro. A etapa aprofundou suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro nas negociações entre Banco Master e BRB.

07/05/2026 — Quinta fase

A quinta fase alcançou o núcleo político da investigação. A PF cumpriu dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, além de bloqueio de R$ 18,85 milhões. Ciro Nogueira foi alvo de busca, em uma etapa que ampliou a apuração para a possível atuação política em favor de interesses ligados ao Banco Master.

Pontos centrais da investigação

A Operação Compliance Zero está estruturada sobre cinco eixos principais:

  • Fraudes financeiras: suspeita de emissão e negociação de títulos de crédito falsos ou sem lastro.
  • Banco Master e BRB: apuração sobre a transferência de carteiras de crédito e ativos financeiros entre as instituições.
  • Lavagem de dinheiro: investigação sobre movimentação e ocultação de recursos supostamente ligados ao esquema.
  • Corrupção: suspeitas de vantagens indevidas a gestores públicos e agentes políticos.
  • Influência política: apuração sobre eventual atuação parlamentar em favor de interesses privados vinculados ao Banco Master.

Investigação expõe riscos de governança no sistema financeiro

A expansão da Operação Compliance Zero revela a vulnerabilidade de operações financeiras complexas quando elas envolvem carteiras de crédito de difícil verificação, estruturas empresariais intermediárias e instituições públicas. A suspeita de que ativos sem lastro tenham sido negociados entre bancos coloca em discussão a qualidade dos mecanismos internos de controle, auditoria, compliance e supervisão regulatória.

O envolvimento do Banco Central como órgão de apoio à investigação e a autorização das medidas pelo Supremo Tribunal Federal demonstram a dimensão institucional do caso. A apuração não se restringe a uma disputa empresarial ou a uma crise de liquidez de uma instituição financeira. Trata-se de uma investigação que alcança a integridade do Sistema Financeiro Nacional e a relação entre capital privado, bancos públicos e agentes com poder de decisão.

Outro ponto relevante é a sucessão de bloqueios patrimoniais. Os valores citados nas diferentes fases — R$ 5,7 bilhões, R$ 22 bilhões, R$ 27,7 bilhões acumulados até a quarta fase e R$ 18,85 milhões na quinta etapa — indicam que a investigação tem forte componente de recuperação de ativos e preservação de valores que podem estar associados às práticas apuradas.

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