No sábado (02/05/2026), em Irecê, no centro-norte da Bahia, o secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, criticou declarações recentes do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e classificou a mudança de posição do oposicionista como “oportunismo eleitoral”. A manifestação ocorreu durante uma Plenária de Juventude da pré-campanha de Jerônimo Rodrigues, que reuniu cerca de mil jovens de mais de 20 municípios da região, em meio ao avanço do debate nacional sobre a redução da jornada semanal de trabalho, tema que ganhou força no Congresso Nacional e passou a ocupar espaço central na disputa política baiana. A Câmara instalou, em abril de 2026, uma comissão especial para analisar propostas relacionadas ao fim da escala 6×1, enquanto o governo federal defende a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.
Debate sobre escala 6×1 entra na disputa política da Bahia
A controvérsia teve início após ACM Neto se manifestar favoravelmente à mudança na escala de trabalho 6×1. Segundo publicações locais, o ex-prefeito defendeu alterações na jornada, mas associou a medida a um debate mais amplo sobre redução da carga tributária e estímulo à geração de empregos.
A posição abriu espaço para reação de aliados do governador Jerônimo Rodrigues. Durante a plenária em Irecê, Felipe Freitas afirmou que a pauta da redução da jornada sem redução salarial tem origem histórica em movimentos de esquerda, sindicatos e partidos ligados à defesa de direitos trabalhistas.
“A redução da jornada de trabalho sem redução de salário é uma pauta histórica do PT e da esquerda brasileira. […] ACM Neto é o candidato da direita, o candidato de Bolsonaro, e quando eles governaram o Brasil o que se viu foram ataques sistemáticos contra os direitos dos trabalhadores. Agora ele vem com essa conversa de ano de eleição”, declarou o secretário.
A fala de Freitas buscou associar a manifestação de ACM Neto a uma tentativa de reposicionamento político diante de um tema com forte apelo social. No material divulgado, o secretário sustenta que o ex-prefeito teria adotado uma postura incompatível com seu histórico político e com o campo partidário ao qual está vinculado.
Plenária em Irecê reuniu juventude e lideranças regionais
O evento em Irecê foi apresentado como uma mobilização voltada à juventude e à articulação política regional em torno da pré-campanha de Jerônimo Rodrigues. Segundo as informações fornecidas, a plenária reuniu aproximadamente mil jovens de mais de 20 municípios, além de lideranças políticas de diferentes regiões da Bahia.
Nesse ambiente, Freitas afirmou que a defesa recente de ACM Neto ao fim da escala 6×1 seria uma resposta ao crescimento da popularidade dos governos Lula e Jerônimo no estado. A crítica teve como eixo a disputa pela narrativa sobre quem representa, de forma efetiva, os interesses dos trabalhadores.
“Após ver as pesquisas e assustado com a aprovação majoritária do presidente Lula na Bahia, ACM Neto finge que está ao lado dos trabalhadores, mas sabemos que ele e o seu partido representam os super-ricos do país. Não adianta nada tentar enganar o povo”, afirmou Felipe Freitas.
A declaração reforça o esforço do campo governista de enquadrar o debate sobre a jornada de trabalho como uma pauta social vinculada ao projeto político do PT, ao mesmo tempo em que tenta caracterizar a oposição como aderente tardia a uma bandeira trabalhista.
Fim da escala 6×1 avança como tema nacional
A discussão sobre o fim da escala 6×1 deixou de ser apenas uma pauta sindical e passou a integrar a agenda política nacional. Em abril de 2026, a Câmara dos Deputados instalou comissão especial para analisar propostas sobre o tema. O relator, deputado federal Leo Prates, defendeu a redução da jornada sob o argumento de que a mudança pode ampliar o tempo de descanso, favorecer o convívio familiar, o lazer e os cuidados com a saúde.
O governo federal também passou a tratar o assunto como prioridade. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, a proposta encaminhada pelo presidente Lula ao Congresso prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, garantia de dois dias de descanso remunerado e proibição de redução salarial.
No Dia do Trabalhador, a Agência Brasil publicou reportagem destacando relatos de trabalhadores sobre a expectativa de mais tempo para descanso e convivência familiar caso a medida avance. O tema, portanto, combina impacto econômico, reorganização das relações de trabalho e elevado potencial de mobilização eleitoral.
Governistas acusam oposição de mudança estratégica de discurso
Para Felipe Freitas, o posicionamento de ACM Neto não representa uma adesão programática à pauta trabalhista, mas uma tentativa de aproximação com setores populares em ano pré-eleitoral. O secretário argumenta que a oposição baiana estaria buscando neutralizar uma agenda associada ao governo Lula e ao campo progressista.
A crítica se apoia na ideia de contradição entre o histórico político da direita brasileira e a defesa da redução da jornada de trabalho. Freitas vinculou ACM Neto ao bolsonarismo e afirmou que, durante o governo Jair Bolsonaro, houve orientação de flexibilização de direitos trabalhistas, tese frequentemente utilizada por lideranças de esquerda para contrapor a agenda econômica do período anterior.
A declaração também evidencia que o debate sobre a escala 6×1 será incorporado à disputa estadual de 2026. Embora a proposta dependa de tramitação no Congresso Nacional, seus efeitos políticos já se projetam sobre a Bahia, onde governo e oposição disputam a identificação com os trabalhadores, a juventude e os segmentos urbanos de baixa e média renda.
ACM Neto tenta reposicionar discurso trabalhista
Do lado oposicionista, a defesa do fim da escala 6×1 foi apresentada em publicações locais como parte de uma proposta mais ampla, que inclui mudanças na jornada e redução de impostos. Esse enquadramento busca associar a pauta trabalhista a uma visão de estímulo ao emprego e à atividade econômica.
Esse ponto é relevante porque diferencia duas abordagens políticas sobre o mesmo tema. Enquanto o campo governista enfatiza a redução da jornada como direito social e avanço civilizatório nas relações de trabalho, a oposição tenta vincular a medida à necessidade de compensações econômicas para empresas e empregadores.
A tensão entre essas leituras tende a crescer à medida que o debate avance no Congresso. A principal questão será saber se a redução da jornada será tratada como política pública de proteção ao trabalhador, como medida condicionada a ajustes tributários ou como bandeira eleitoral apropriada por diferentes campos políticos.
Juventude aparece como público estratégico
A escolha de uma plenária de juventude em Irecê como palco da declaração não é casual. O público jovem está entre os grupos mais sensíveis ao debate sobre precarização do trabalho, informalidade, jornadas extensas e dificuldade de acesso a empregos formais com remuneração estável.
Ao falar diante de jovens de mais de 20 municípios, Felipe Freitas buscou conectar a pauta nacional da jornada de trabalho à realidade regional. Municípios do interior baiano enfrentam desafios ligados à empregabilidade, renda, qualificação profissional e permanência da juventude em suas cidades de origem.
A presença de lideranças políticas estaduais reforça o caráter estratégico do evento. A plenária serviu não apenas como espaço de mobilização, mas também como arena de disputa discursiva sobre trabalho, juventude, direitos sociais e projetos políticos para a Bahia.











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