A presidente do PT de Salvador, Ana Carolina, afirmou nesta Sexta-feira (22/05/2026) que a vinda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Bahia, prevista para duas agendas no mês de junho, tem como objetivo estreitar relações políticas com ACM Neto (União Brasil) e tentar recompor a imagem do pré-candidato à Presidência da República em meio aos desgastes provocados pelo caso Banco Master. A dirigente petista avaliou que a movimentação ocorre em um estado historicamente favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao campo governista baiano, transformando a agenda em novo capítulo da disputa nacional e estadual de 2026.
PT associa agenda de Flávio Bolsonaro à tentativa de recomposição política
Ana Carolina afirmou que a Bahia “não é laboratório para aventuras da extrema direita” e classificou a visita de Flávio Bolsonaro como uma tentativa de sustentar um projeto político que, segundo ela, estaria “desgastado” por crises e rejeição. A declaração foi feita nesta sexta-feira (22/05/2026), no contexto das articulações eleitorais que envolvem o PL, o União Brasil e lideranças da oposição ao PT no estado.
A presidente do PT de Salvador também vinculou a agenda do senador à aproximação com ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e principal nome da oposição ao governo Jerônimo Rodrigues na Bahia. Reportagens publicadas em março e abril apontaram avanço nas tratativas entre ACM Neto, o PL e aliados de Flávio Bolsonaro para a formação de palanque eleitoral no estado em 2026.
Segundo Ana Carolina, a tentativa de fortalecer uma aliança entre o bolsonarismo e ACM Neto não deve alterar a correlação política na Bahia. A dirigente sustentou que o eleitorado baiano, nas últimas disputas presidenciais, manteve votação expressiva em Lula e em candidatos associados ao campo petista, e afirmou que o estado deverá responder novamente nas urnas com apoio ao presidente e ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Caso Banco Master amplia pressão sobre Flávio Bolsonaro
A declaração da presidente do PT ocorre em meio à repercussão nacional do caso Banco Master, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. A Reuters informou que Flávio Bolsonaro admitiu ter buscado recursos junto a Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas negou irregularidades e afirmou que a tratativa teria ocorrido por meio de contrato privado.
A agência também publicou que Flávio Bolsonaro estaria buscando uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, em meio a uma crise em sua campanha presidencial provocada pela repercussão de seus vínculos com Vorcaro. Segundo a Reuters, o episódio ocorre em momento de queda nas pesquisas e de reorganização da estratégia eleitoral do senador.
Levantamento Apex/Futura citado pela Folha de S.Paulo apontou recuo de 4,7 pontos de Flávio Bolsonaro e vantagem de Lula em cenário de segundo turno, após a divulgação de mensagens relacionadas ao caso Vorcaro. A pesquisa, divulgada em 22/05/2026, mostrou Lula com 47,7% contra 42,2% do senador bolsonarista em uma simulação presidencial. A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-06529/2026.
Bahia se consolida como território estratégico para 2026
A Bahia deve ocupar papel central na disputa presidencial de 2026 por reunir três fatores relevantes: peso eleitoral, histórico de votação majoritária em Lula e presença de uma oposição estadual organizada em torno de ACM Neto. Nesse contexto, a movimentação de Flávio Bolsonaro no estado pode ser interpretada como tentativa de ampliar capilaridade política no Nordeste e reduzir a resistência ao bolsonarismo em uma região onde o PT preserva forte influência eleitoral.
ACM Neto, por sua vez, tenta administrar uma equação complexa. De um lado, precisa consolidar o apoio da direita e do PL para viabilizar uma candidatura competitiva ao governo da Bahia. De outro, enfrenta o desafio de associar sua imagem a uma candidatura presidencial bolsonarista em um estado onde o sobrenome Bolsonaro encontra forte resistência eleitoral, segundo avaliações publicadas sobre o cenário baiano.
A fala de Ana Carolina busca enquadrar politicamente essa aproximação como aliança entre a extrema direita e grupos tradicionais da política baiana. A dirigente afirmou que “não será agenda de festa junina nem articulação de bastidor” que apagará a memória política do eleitorado nordestino, numa referência à disputa simbólica em torno de programas sociais, democracia, combate à fome e políticas públicas associadas aos governos petistas.
Disputa envolve Lula, Jerônimo e o palanque da oposição baiana
A presidente do PT de Salvador afirmou que a Bahia continuará sendo “símbolo de resistência democrática” e de enfrentamento ao autoritarismo, às oligarquias e ao retrocesso. A declaração reforça a estratégia petista de nacionalizar o debate estadual e vincular a eventual aliança entre Flávio Bolsonaro e ACM Neto ao legado político do governo Jair Bolsonaro.
A oposição, por outro lado, tenta construir um palanque capaz de reunir o eleitorado conservador, setores empresariais e grupos descontentes com a gestão estadual petista. A articulação com o PL tem peso eleitoral e simbólico, pois pode garantir estrutura partidária, tempo político e aproximação com a base bolsonarista na Bahia.
A disputa, portanto, tende a ocorrer em dois planos simultâneos: o estadual, com a provável tentativa de ACM Neto de enfrentar o grupo de Jerônimo Rodrigues; e o nacional, com Flávio Bolsonaro buscando consolidar-se como alternativa presidencial à direita em meio às pressões provocadas pelo caso Banco Master.








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