O deputado estadual Bobô (PCdoB) criticou neste sábado (13/06/2026) a proposta apresentada pelo ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), de criar uma estrutura permanente do governo estadual no Oeste baiano, afirmando que a medida atenderia prioritariamente aos interesses da elite econômica da região. A declaração ocorreu no contexto da Bahia Farm Show 2026, realizada em Luís Eduardo Magalhães, e ampliou o embate político entre a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e a oposição em torno das prioridades de desenvolvimento regional, infraestrutura, agronegócio e políticas públicas para populações em situação de maior vulnerabilidade.
Bobô acusa ACM Neto de priorizar empresários do agronegócio
Integrante da base de apoio do governador Jerônimo Rodrigues na Assembleia Legislativa da Bahia, Bobô afirmou que a proposta de ACM Neto representaria um aceno direto aos setores mais ricos do Oeste baiano, especialmente aos empresários ligados ao agronegócio. Segundo o parlamentar, o ex-prefeito teria utilizado a agenda na Bahia Farm Show para reiterar compromisso com grupos econômicos de maior poder político e financeiro na região.
De acordo com Bobô, ACM Neto “prometeu, se for eleito governador, criar uma estrutura de governo para favorecer os milionários do Oeste”. A fala insere a disputa eleitoral de 2026 em um debate sensível: a relação entre desenvolvimento econômico, presença do Estado, atendimento às demandas produtivas e responsabilidade social em áreas marcadas por forte desigualdade regional.
O deputado também questionou quais seriam as propostas da oposição para a população do semiárido e para comunidades que, segundo ele, concentram maiores necessidades sociais. Na avaliação do parlamentar, o discurso de ACM Neto estaria excessivamente voltado aos segmentos empresariais já beneficiados pela expansão econômica do Oeste, enquanto regiões historicamente carentes continuariam dependentes de políticas públicas estruturantes.
Proposta de ACM Neto prevê presença administrativa permanente no Oeste
A crítica de Bobô tem como pano de fundo a defesa feita por ACM Neto de uma estrutura permanente do governo estadual no Oeste da Bahia. O ex-prefeito argumentou que a distância territorial em relação a Salvador dificulta a formulação e a execução de políticas públicas ajustadas às demandas da região.
Pela proposta apresentada pelo pré-candidato da oposição, a nova estrutura teria a função de coordenar investimentos em infraestrutura, acompanhar demandas locais, atrair novos negócios e articular ações voltadas ao crescimento econômico regional. A justificativa central é aproximar o governo estadual de um território estratégico para a economia baiana, especialmente pela força da produção agrícola, da cotonicultura, da soja, do milho, da pecuária, da agroenergia e dos serviços associados ao campo.
Embora a proposta tenha sido apresentada como medida de descentralização administrativa, Bobô a interpretou como uma iniciativa politicamente direcionada aos grandes produtores e empresários do agronegócio. Para o deputado, o Estado já atua no Oeste por meio de investimentos em saúde, educação e infraestrutura, sem necessidade de criação de uma estrutura específica com o perfil defendido por ACM Neto.
Debate ocorre em meio à Bahia Farm Show 2026
A Bahia Farm Show 2026 consolidou Luís Eduardo Magalhães como centro das articulações econômicas e políticas do agronegócio baiano durante a semana. O evento reuniu autoridades, empresários, produtores rurais, entidades setoriais e representantes institucionais em torno de temas como tecnologia, crédito, logística, energia, infraestrutura e competitividade.
A feira, considerada uma das maiores do setor agropecuário no Norte e Nordeste, expõe a relevância econômica do Oeste baiano, mas também evidencia disputas sobre o modelo de desenvolvimento regional. De um lado, há a defesa de políticas voltadas ao fortalecimento da competitividade produtiva; de outro, cresce a cobrança por maior equilíbrio entre investimentos no setor agropecuário e políticas sociais destinadas à população de menor renda.
Nesse ambiente, a declaração de Bobô buscou deslocar o debate da agenda empresarial para a pauta social. O deputado afirmou que Jerônimo Rodrigues tem levado “água, escolas em tempo integral e hospitais” a regiões que mais precisam, enquanto ACM Neto estaria preocupado em “melhorar mais a vida de quem não precisa”, em referência aos empresários do agronegócio.
Parlamentar associa proposta à disputa política nacional
Bobô também associou a movimentação de ACM Neto à presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Bahia Farm Show. O deputado afirmou que o ex-prefeito buscaria fazer “média com a elite de Luís Eduardo” e relacionou essa elite ao apoio político ao senador.
A declaração amplia o alcance da crítica, pois conecta a disputa estadual ao cenário nacional e à aproximação entre lideranças da oposição baiana e setores ligados ao bolsonarismo. A estratégia discursiva de Bobô busca vincular ACM Neto a uma base política conservadora e empresarial, em contraste com a narrativa governista de atenção às regiões mais vulneráveis.
O ponto sensível, contudo, está na necessidade de separar fato, interpretação política e disputa retórica. A presença de lideranças nacionais na Bahia Farm Show confirma a dimensão política do evento, mas as acusações sobre favorecimento a grupos econômicos devem ser tratadas como manifestação de um parlamentar da base governista, não como conclusão factual independente.
Governo Jerônimo tenta marcar presença institucional no agronegócio
A ofensiva de Bobô ocorre em um momento no qual o governo estadual também procura demonstrar presença no Oeste baiano. Durante a abertura da Bahia Farm Show 2026, Jerônimo Rodrigues participou de agendas vinculadas a obras viárias, investimentos no setor produtivo, fortalecimento da cadeia do algodão e ações de infraestrutura.
Esse contexto enfraquece uma leitura simplista de oposição entre governo e agronegócio. A gestão estadual busca dialogar com o setor produtivo, ao mesmo tempo em que parlamentares aliados procuram sustentar a narrativa de que o governo mantém prioridade social em áreas como saúde, educação, abastecimento de água e infraestrutura pública.
A disputa, portanto, não se limita à existência ou não de investimentos no Oeste. O centro do debate está na forma de presença do Estado: se por meio de uma estrutura administrativa permanente, como propõe ACM Neto, ou por políticas setoriais e programas já executados pelo governo Jerônimo, como argumenta Bobô.








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