Nesta terça-feira (14/07/2026), o deputado estadual Bobô (PCdoB) acusou aliados do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), de utilizarem politicamente a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma postagem nas redes sociais. A peça, divulgada pelo ex-prefeito de Jacobina Tiago Dias, reúne Lula, ACM Neto e o ex-ministro João Roma (PL), integrante da chapa oposicionista estadual, e foi classificada pelo parlamentar como uma tentativa de induzir o eleitorado a acreditar em uma aliança que, segundo ele, não existe.
De acordo com Bobô, a publicação busca aproximar simbolicamente o presidente da República de lideranças que integram o campo de oposição ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). O deputado classificou a iniciativa como “uma farsa política” e sustentou que a composição visual pretende explorar a popularidade de Lula entre os eleitores baianos.
“Lula está fechado na Bahia com o governador Jerônimo Rodrigues. É uma vergonha que ACM Neto e o bolsonarista João Roma, que vivem a atacar o presidente da República, agora queiram enganar os eleitores de Lula.”
O parlamentar, que exerce o terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa da Bahia e integra a Federação Brasil da Esperança, afirmou que a presença de Lula na peça não corresponde aos alinhamentos políticos defendidos publicamente pelos grupos envolvidos na disputa estadual. Bobô é filiado ao PCdoB desde 2011 e ocupa posição de vice-liderança da maioria na ALBA.
A postagem questionada foi atribuída a Tiago Dias, ex-prefeito de Jacobina que, em junho de 2026, anunciou adesão ao projeto eleitoral liderado por ACM Neto. Dias havia mantido relação política com setores ligados ao Governo do Estado antes de migrar para o grupo oposicionista.
João Roma integra chapa estadual de oposição
A presença de João Roma na publicação também foi criticada por Bobô. Presidente estadual do PL, Roma foi ministro da Cidadania durante o governo de Jair Bolsonaro e concorreu ao Governo da Bahia em 2022, quando se apresentou como candidato associado ao então presidente da República e adversário tanto do PT quanto de ACM Neto.
Em março de 2026, no entanto, Roma passou a integrar formalmente a composição política liderada pelo ex-prefeito de Salvador. A chapa oposicionista apresentada em Feira de Santana reúne ACM Neto como pré-candidato ao governo, Zé Cocá (PP) como vice e João Roma e Angelo Coronel como pré-candidatos ao Senado.
A aproximação entre ACM Neto e João Roma representa uma recomposição de forças após os confrontos travados entre os dois durante as eleições de 2022. Naquele pleito, Roma afirmou que a disputa estadual reproduzia a polarização nacional entre Lula e Jair Bolsonaro. O ingresso de Roma na chapada de ACM Neto vincula a aliança entre magalhismo e bolsonarismo.
Para Bobô, a inclusão de Roma em uma peça que também exibe Lula amplia a contradição política da publicação.
“Só pode ser o desespero batendo mais uma vez. Em 2022, ACM Neto fez a mesma coisa. A surpresa dessa vez é João Roma, que certamente não será perdoado pelos bolsonaristas por participar dessa farsa.”
Declaração sobre “surra” em Lula ocorreu em 2005
Ao criticar o histórico político de ACM Neto, Bobô mencionou a declaração em que o então deputado federal afirmou que poderia dar uma “surra” em Lula. O episódio, entretanto, não ocorreu nas últimas eleições, mas em novembro de 2005, durante a crise política enfrentada pelo primeiro governo petista.
Na ocasião, ACM Neto afirmou que reagiria caso Lula ou integrantes do governo interferissem em sua família. A declaração foi retomada durante a campanha municipal de Salvador em 2012, quando o político reconheceu o excesso e se retratou publicamente. O episódio voltou a ser explorado pelos adversários na eleição estadual de 2022.
Bobô utilizou o registro histórico para questionar a coerência política da oposição e argumentar que a trajetória de embates entre ACM Neto e o presidente seria incompatível com a associação visual promovida na publicação.
“Agora querem posar de aliados de quem sempre combateram. O povo baiano sabe quem esteve ao lado de Lula e quem fez campanha contra ele.”
Disputa pelo capital político de Lula na Bahia
A controvérsia ocorre em um cenário no qual a vinculação das candidaturas estaduais aos principais nomes da política nacional tende a ocupar posição central na campanha de 2026. Lula mantém histórica presença eleitoral na Bahia, enquanto Jerônimo Rodrigues busca a reeleição apoiado pela base formada por PT, PCdoB, PV e partidos aliados.
Em 2022, Jerônimo venceu ACM Neto no segundo turno com 52,79% dos votos válidos, contra 47,21% do candidato do União Brasil. João Roma terminou o primeiro turno na terceira colocação, com pouco mais de 9% dos votos válidos.
A eleição consolidou a aliança eleitoral entre Lula e Jerônimo, apresentada pela base governista como elemento fundamental para a continuidade do grupo que governa a Bahia desde 2007. A oposição, por sua vez, tenta ampliar sua inserção entre eleitores que votam no presidente, mas demonstram insatisfação com a administração estadual.
Essa disputa explica por que imagens, slogans, cores e referências associadas a Lula passaram a ocupar espaço no confronto entre os grupos. Dias antes da acusação de Bobô, integrantes do PT também haviam afirmado que peças da pré-campanha de ACM Neto reproduziam elementos visuais empregados em materiais políticos do presidente.
Bobô reafirma alinhamento entre Lula e Jerônimo Rodrigues
Ao concluir sua manifestação, Bobô afirmou que o palanque eleitoral do presidente na Bahia permanece vinculado ao governador Jerônimo Rodrigues e aos partidos da base governista.
“Não adianta recorrer a montagens e peças de propaganda para reescrever a história. A posição de Lula é pública, conhecida e consolidada no estado.”
A publicação ocorre durante a fase de pré-campanha das Eleições Gerais de 2026. Conforme o calendário aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral, as convenções partidárias serão realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, período em que partidos e federações escolherão oficialmente seus candidatos e definirão coligações. A propaganda eleitoral no rádio, na televisão e na internet estará autorizada a partir de 16 de agosto de 2026.







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