O líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia, deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), criticou, no sábado 06/06/2026, novas manifestações atribuídas ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) sobre a Ponte Salvador-Itaparica, projeto de infraestrutura considerado estratégico pelo Governo da Bahia. Em tom duro, o parlamentar afirmou que o oposicionista voltou a “agourar” o empreendimento e o acusou de atuar politicamente contra uma obra apresentada pela gestão estadual como eixo de integração logística, mobilidade regional e desenvolvimento econômico para Salvador, Ilha de Itaparica, Recôncavo, Baixo Sul e outras regiões baianas.
A declaração de Rosemberg Pinto foi divulgada em meio ao acirramento do debate político em torno da Ponte Salvador-Itaparica, obra que se tornou um dos principais símbolos da disputa entre governo e oposição na Bahia. Segundo o líder governista, ACM Neto estaria recorrendo às redes sociais para questionar o projeto por falta de propostas concretas para o estado.
“Sem propostas e sem compromisso com o progresso da Bahia, resta a ACM Neto torcer contra a Ponte Salvador-Itaparica”, afirmou Rosemberg. O deputado também disse que o ex-prefeito de Salvador estaria “sem ter o que fazer pelo povo baiano” e teria voltado a tentar desacreditar o empreendimento.
A crítica se insere em um contexto de pré-campanha e reorganização das forças políticas baianas, no qual obras estruturantes, alianças municipais e capacidade de articulação com prefeitos passaram a ocupar papel central na disputa narrativa entre o grupo do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e a oposição liderada por ACM Neto.
Deputado afirma que oposição tenta desacreditar projeto de infraestrutura
Rosemberg declarou que a Ponte Salvador-Itaparica representa uma intervenção capaz de alterar a dinâmica social e econômica da Bahia. Para o parlamentar, o projeto tem dimensão superior à disputa partidária e deve ser tratado como iniciativa de interesse público, por seus potenciais efeitos sobre mobilidade, turismo, logística, circulação de mercadorias e integração territorial.
Na avaliação do líder governista, ACM Neto estaria insistindo em uma estratégia de desqualificação do projeto por razões políticas. Ele afirmou que o ex-prefeito age com “soberba” ao tentar diminuir o governador Jerônimo Rodrigues e ao questionar uma obra defendida pelo governo como uma das mais relevantes da infraestrutura baiana.
O deputado também associou o discurso oposicionista a uma postura que, segundo ele, não corresponderia à ideia de mudança defendida por ACM Neto. “Como é que um homem desse que não consegue se mudar fica com esse discurso de mudança?”, questionou Rosemberg, ao sustentar que a oposição repete práticas e atitudes já conhecidas no cenário político estadual.
Ponte Salvador-Itaparica é tratada pelo governo como obra estratégica
A Ponte Salvador-Itaparica é apresentada pelo Governo da Bahia como parte do Sistema Viário Oeste, concebido para conectar Salvador à Ilha de Itaparica e reduzir distâncias entre a capital baiana e regiões como Recôncavo, Baixo Sul, Vale do Jiquiriçá e Oeste do estado. O empreendimento inclui a ponte propriamente dita, acessos viários, intervenções na ilha e obras complementares.
Segundo informações públicas do governo estadual, a ponte terá 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar e deverá integrar uma malha de acessos destinada a reorganizar parte da mobilidade regional. O projeto é defendido pela gestão estadual como vetor de desenvolvimento econômico, com impacto esperado sobre transporte, turismo, serviços, circulação de cargas e valorização de áreas atualmente dependentes de deslocamentos mais longos.
O Tribunal de Contas do Estado da Bahia registrou, em março de 2026, cronograma apresentado pelo governo com previsão de início das obras em junho de 2026. O investimento estimado gira em torno de R$ 11 bilhões, valor que reforça a relevância fiscal, administrativa e política do empreendimento.
Embate expõe disputa por narrativa sobre desenvolvimento da Bahia
A manifestação de Rosemberg Pinto evidencia que a Ponte Salvador-Itaparica deixou de ser apenas uma pauta de infraestrutura e passou a ocupar lugar central na disputa de narrativas sobre o futuro da Bahia. Para o governo estadual, o projeto simboliza capacidade de execução, integração territorial e planejamento de longo prazo. Para setores da oposição, o debate envolve questionamentos sobre custo, viabilidade, prazos, modelagem e prioridades administrativas.
Nesse ambiente, a crítica do líder governista busca enquadrar ACM Neto como adversário de uma obra considerada estruturante. Ao afirmar que o ex-prefeito “torce contra” a ponte, Rosemberg tenta vincular a oposição a uma postura de resistência ao desenvolvimento regional, tese frequentemente utilizada em disputas políticas sobre grandes obras públicas.
Por outro lado, a oposição tende a explorar atrasos, custos e dúvidas sobre execução como argumentos para contestar a condução do projeto. Esse tipo de embate é recorrente em empreendimentos de grande porte, especialmente quando envolvem concessões, financiamento bilionário, impacto territorial amplo e forte exposição eleitoral.
Rosemberg cita Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro em ataque político
Além da Ponte Salvador-Itaparica, Rosemberg Pinto ampliou a ofensiva contra ACM Neto ao mencionar a relação do ex-prefeito com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o deputado, o oposicionista precisaria explicar ao eleitorado baiano o recebimento de mais de R$ 5,5 milhões por uma suposta consultoria. A afirmação foi feita no contexto do ataque político do líder governista e deve ser lida como declaração atribuída ao parlamentar.
Rosemberg também citou o apoio a Flávio Bolsonaro, afirmando que o senador teria proporcionado a ACM Neto tempo relevante de rádio e televisão durante a campanha. Com isso, o deputado procurou associar o oposicionista a alianças nacionais e a temas de maior desgaste público, deslocando o debate da obra para o campo mais amplo das relações políticas e financeiras.
A estratégia discursiva do líder do governo combina defesa da Ponte Salvador-Itaparica, crítica ao comportamento de ACM Neto e tentativa de pressionar o adversário a responder sobre vínculos políticos e profissionais. Trata-se de uma movimentação típica de pré-campanha, em que obras públicas, alianças eleitorais e controvérsias pessoais passam a compor a disputa pela opinião pública.
Governo e oposição disputam prefeitos, agenda municipal e capital político
Rosemberg também afirmou que ACM Neto estaria “cada dia mais rejeitado pelos prefeitos”. A declaração busca atingir um dos pontos sensíveis da política baiana: a relação com lideranças municipais, fundamentais para a capilaridade eleitoral no interior do estado.
A interlocução com prefeitos é historicamente decisiva na Bahia, onde a força política dos grupos estaduais depende da presença em municípios de diferentes portes. Apoios locais influenciam agendas de obras, articulação parlamentar, mobilização eleitoral e capacidade de formar redes políticas duradouras.
Ao vincular ACM Neto a uma suposta perda de apoio municipal, Rosemberg reforça a tentativa do governo de demonstrar força territorial e isolar a oposição no debate sobre desenvolvimento. A ponte, nesse contexto, funciona como símbolo de uma agenda administrativa que o governo pretende apresentar como concreta, enquanto a oposição é retratada pelo líder governista como resistente ou descrente.









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