Deputado Rosemberg Pinto critica evento de ACM Neto sobre educação e questiona aproximação com modelo de gestão privada

O líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Rosemberg Pinto (PT), criticou nesta terça-feira (02/06/2026) o evento “SOS Educação”, promovido pela Fundação Índigo, em Salvador, e classificou a iniciativa como parte de uma estratégia política de ACM Neto (União Brasil) para reposicionar o debate educacional na Bahia. Segundo o parlamentar, o ex-prefeito precisa responder por resultados de sua gestão na capital baiana antes de apresentar propostas para a educação estadual, especialmente diante de críticas relacionadas à alfabetização infantil, ao déficit de creches municipais e à estrutura da rede pública.

Rosemberg vê motivação eleitoral em evento sobre educação

Rosemberg afirmou que o fórum promovido pela Fundação Índigo tem caráter eleitoreiro e busca associar ACM Neto a uma agenda de modernização da educação. Para o deputado, porém, o histórico administrativo do ex-prefeito em Salvador deve ser submetido a análise antes de qualquer formulação de modelo para a Bahia.

O parlamentar apontou como ponto central a situação da alfabetização infantil na capital baiana. Segundo ele, Salvador teria sido deixada por ACM Neto com indicadores negativos entre as capitais brasileiras, além de um déficit relevante na oferta de creches municipais.

A crítica ocorre em um ambiente de antecipação do debate eleitoral de 2026, no qual a educação tende a ocupar espaço relevante na disputa política estadual. O tema envolve indicadores de aprendizagem, financiamento público, infraestrutura escolar, municipalização de responsabilidades e modelos de gestão.

Evento reuniu nomes associados a políticas de gestão educacional

O evento contou com a participação do secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder, e do ex-ministro da Educação Mendonça Filho. Para Rosemberg, a presença dos dois reforça uma agenda que ele define como privatista, voltada à ampliação da participação da iniciativa privada em políticas públicas educacionais.

Agora ele promove um evento com o secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder, e o ex-ministro da Educação Mendonça Filho, que reforça a defesa de um modelo privatista que está mais preocupado em transformar a educação em oportunidade de negócio do que em fortalecer a escola pública”, afirmou Rosemberg.

Segundo o líder governista, o discurso de modernização pode encobrir uma concepção que trata a educação como campo de mercado. Para ele, propostas de gestão baseadas em soluções tecnológicas, parcerias privadas e metas de desempenho precisam ser avaliadas com cautela, principalmente quando envolvem recursos públicos e redes de ensino com desigualdades estruturais.

Crítica mira aproximação entre ACM Neto e Renato Feder

Rosemberg sustentou que a aproximação entre ACM Neto e Renato Feder sinaliza preferência por um modelo de gestão educacional que prioriza ferramentas administrativas, tecnologia e participação privada. O deputado afirmou que experiências atribuídas a Feder em outros estados foram alvo de questionamentos e controvérsias.

Entre os pontos citados estão o uso de tecnologia em sala de aula, a condução de indicadores educacionais e o papel de empresas privadas no fornecimento de soluções para redes públicas. A crítica do parlamentar se concentra na possibilidade de que a agenda de inovação seja usada para deslocar o foco de questões básicas, como infraestrutura, valorização dos profissionais da educação e ampliação da rede pública.

Rosemberg também contestou a ideia de que a simples digitalização das escolas seja suficiente para garantir avanço pedagógico. Segundo ele, a incorporação intensiva de telas, plataformas e instrumentos digitais deve ser acompanhada de evidências sobre aprendizagem, formação docente e impacto na convivência escolar.

Falhas no uso de tecnologia na educação,

O deputado afirmou que diversos países europeus vêm revendo o uso intensivo de telas em sala de aula diante de estudos e debates sobre atenção, aprendizagem e socialização dos estudantes. A observação foi usada por Rosemberg para questionar propostas que associam modernização educacional quase exclusivamente à digitalização.

A controvérsia envolve um ponto sensível do debate contemporâneo: a tecnologia pode ampliar acesso, gestão e acompanhamento pedagógico, mas também pode gerar dependência de plataformas, aumento de custos e perda de controle público sobre dados e processos educacionais.

Na avaliação do parlamentar, políticas educacionais precisam preservar a centralidade da escola pública, dos professores e da formação humana. Ele argumenta que soluções tecnológicas não podem substituir investimentos em infraestrutura, carreira docente, material pedagógico e acompanhamento presencial dos estudantes.

Falhas na gestão municipal e baixo desempenho escolar

Rosemberg também criticou programas que ampliam a presença do setor privado na educação. Segundo ele, iniciativas como o “Pé na Escola” e experiências semelhantes em outras localidades levantam dúvidas sobre controle social, aplicação de recursos públicos e prioridades de investimento.

O parlamentar defende que qualquer parceria ou política de gestão deve ser analisada a partir de critérios de transparência, fiscalização, impacto pedagógico e compromisso com a rede pública. A preocupação central apresentada por ele é que recursos destinados à educação sejam direcionados para soluções de mercado sem enfrentar problemas estruturais das escolas.

Rosemberg afirmou que ACM Neto precisa responder a críticas relacionadas à sua gestão educacional em Salvador antes de apresentar propostas para a Bahia. Entre os pontos citados estão infraestrutura escolar, oferta de ensino em tempo integral, ampliação de creches e fornecimento de serviços básicos nas unidades de ensino.

O deputado argumenta que a experiência administrativa do ex-prefeito na capital baiana deve ser examinada como referência concreta. Para ele, não basta apresentar fóruns e propostas com especialistas se os resultados locais da gestão anterior permanecem sujeitos a questionamentos.

A crítica também se apoia no debate sobre alfabetização infantil. Salvador foi apontada em 2024 como a capital com pior índice de crianças alfabetizadas nas redes públicas, com percentual de 36,75%.


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