Governo Jerônimo concentra ações do primeiro semestre de 2026 em educação, saúde, infraestrutura e segurança na Bahia

Na quarta-feira, 17/06/2026, o Jornal Grande Bahia ao avaliar as principais ações do governador Jerônimo Rodrigues no primeiro semestre de 2026 verificou uma agenda concentrada em educação em tempo integral, regionalização da saúde, obras de infraestrutura, mobilidade, segurança pública, combate à fome, abastecimento de água, desenvolvimento rural e articulação federativa, com entregas e autorizações distribuídas pela capital e pelo interior da Bahia. O recorte, ainda parcial porque o semestre se encerra em 30/06/2026, reúne medidas anunciadas pelo Governo do Estado e por suas secretarias em áreas consideradas estratégicas para serviços públicos, integração territorial, atividade econômica e redução de desigualdades regionais.

Investimentos e coordenação administrativa

O primeiro semestre foi marcado por uma tentativa do Governo da Bahia de organizar sua comunicação institucional em torno de um eixo de entregas simultâneas e de descentralização dos investimentos. Em abril, a gestão anunciou um pacote de obras e entregas para os 27 territórios de identidade, envolvendo escolas, creches, abastecimento de água, estradas, habitação, cultura e turismo. A estratégia apresentada pelo Executivo estadual buscou associar presença territorial, cooperação com o Governo Federal e execução de projetos estruturantes.

No mesmo período, o governo realizou reunião de balanço com secretários e parlamentares no Centro Administrativo da Bahia, em Salvador. O encontro apresentou intervenções em infraestrutura, saúde, economia e educação, além de apontar a existência de mais de 2.600 obras concluídas ou em andamento no estado. A reunião também teve caráter político-administrativo, ao aproximar secretarias, bancadas parlamentares e prefeitos em torno de convênios, licitações e autorizações de obras.

Outro dado relevante para o contexto fiscal e administrativo foi a divulgação de que os investimentos estaduais teriam alcançado R$ 24,04 bilhões na atual gestão, somando os exercícios de 2023, 2024 e 2025. Segundo a Secretaria da Fazenda da Bahia, a média anual de investimentos do período chegou a R$ 8 bilhões, com aplicação em hospitais, policlínicas, escolas de tempo integral, segurança pública, rodovias, sistemas hídricos, urbanização e mobilidade.

Educação: escolas, creches e valorização do ensino público

A educação apareceu como uma das principais vitrines administrativas do primeiro semestre. O cronograma anunciado pelo Governo da Bahia previu a inauguração de 95 novas escolas em tempo integral até junho de 2026, com unidades dotadas de salas modernas, quadras poliesportivas e estrutura voltada à permanência dos estudantes no ambiente escolar.

Em junho, o governo anunciou mais de R$ 211,5 milhões em investimentos na educação de 47 municípios, com 60 convênios para construção de colégios, reformas, ampliações, creches, quadras cobertas, aquisição de equipamentos e mobiliário. O pacote incluiu 15 novas escolas, 16 reformas e ampliações, 9 creches, 7 quadras cobertas e 13 ações de equipamentos e mobiliário. A medida reforça a política de cooperação com prefeituras, especialmente em municípios de menor capacidade fiscal.

Entre as entregas simbólicas, o Governo do Estado inaugurou o Colégio Estadual de Tempo Integral Geovânia Nogueira Nunes, em Itatim, com investimento de R$ 32,1 milhões e atendimento estimado a cerca de mil estudantes. A unidade passou a ofertar ensino médio regular, integral e profissional, com laboratórios, biblioteca, sala de música e estrutura de inclusão. Em Barra, no Território Velho Chico, foi inaugurado novo colégio estadual de tempo integral, com investimento de R$ 32,2 milhões, além da entrega de ônibus escolar e anúncios na área da saúde.

Magistério e rede municipal

A política educacional do semestre também incluiu a valorização do magistério estadual. O governador encaminhou à Assembleia Legislativa da Bahia projeto de lei para atualizar o vencimento da carreira do magistério público estadual, em conformidade com o Piso Salarial Profissional Nacional. A medida alcança professores e coordenadores pedagógicos, ativos e aposentados, e reforça a centralidade da folha da educação no planejamento estadual.

No âmbito municipal, os convênios firmados indicam que o governo buscou combinar obras físicas com apoio às redes locais. A construção de creches, reformas escolares e aquisição de mobiliário mostra que a política educacional não se restringiu à rede estadual, alcançando também a infraestrutura básica necessária para ampliar matrículas, permanência escolar e condições de aprendizagem.

Saúde: regionalização, PAC Saúde e produção de medicamentos

Na saúde, o primeiro semestre foi marcado por entregas vinculadas ao Novo PAC, à regionalização da assistência e à estratégia de fortalecimento da produção farmacêutica. Em fevereiro, a Bahia recebeu mais de R$ 300 milhões em investimentos do PAC Saúde, com veículos, equipamentos e tecnologias voltados ao Sistema Único de Saúde. O pacote incluiu 1.030 kits para Unidades Básicas de Saúde, 420 kits de Telessaúde, 32 Unidades Odontológicas Móveis e 107 ambulâncias do SAMU 192, contemplando centenas de municípios.

A regionalização da saúde também ganhou destaque com o Hospital Estadual do Litoral Norte, em Alagoinhas, apresentado como o primeiro hospital do Novo PAC a ser entregue no Brasil. A unidade foi projetada com 190 leitos, serviços de alta complexidade, atendimento oncológico, UTI pediátrica e capacidade estimada de aproximadamente 250 mil atendimentos anuais, além de expectativa de mais de mil empregos diretos.

Outro movimento relevante ocorreu na agenda internacional do governador na Índia. O Governo da Bahia formalizou parceria para produção, por meio da Bahiafarma, de quatro medicamentos de alta tecnologia e complexidade, incluindo fármacos utilizados no tratamento contra o câncer. A iniciativa envolve transferência de tecnologia e articulação com empresas estrangeiras e brasileiras, com objetivo de reduzir dependências externas e ampliar o acesso a tratamentos pelo SUS.

Policlínicas e equipamentos regionais

No interior, o governador autorizou a publicação do edital de licitação para construção da Policlínica Regional de Saúde de Barra, com investimento estimado em R$ 25,7 milhões, por meio do Novo PAC. A agenda incluiu ainda entrega de kits UBS, equipamentos hospitalares, ambulância e incremento do teto financeiro da Média e Alta Complexidade para o município.

Em Senhor do Bonfim, a saúde integrou um pacote mais amplo de obras, com estadualização do Hospital Dom Antônio Monteiro, entrega de ambulância, kits UBS, equipamentos para UPA 24h e autorizações para construção de serviços especializados, como CAPS III e Centro Especializado em Reabilitação. O conjunto evidencia a tentativa do governo de reduzir deslocamentos longos e ampliar a capacidade de atendimento fora da capital.

Infraestrutura, mobilidade e integração territorial

A infraestrutura foi outro eixo central do semestre. Em junho, Jerônimo Rodrigues autorizou e assinou um conjunto de ações de mais de R$ 135,8 milhões para fortalecer infraestrutura viária, mobilidade e serviços públicos em diferentes regiões da Bahia. As medidas beneficiaram municípios como Esplanada, Itanhém, Jacobina, Maraú, Vera Cruz, Mutuípe e Valença, com licitações, ordens de serviço, pavimentações, melhorias urbanas e construção de unidade escolar.

A obra de maior peso político e simbólico foi a Ponte Salvador–Itaparica. Em 15/06/2026, o governo autorizou o início das intervenções da etapa em terra, em Vera Cruz. O empreendimento, com 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos, integra o Sistema Rodoviário Salvador–Itaparica e inclui vias estruturadas em Salvador, via expressa na Ilha de Itaparica e duplicação de trecho da BA-001. A gestão estadual apresenta a ponte como projeto de integração entre capital, Ilha de Itaparica, Baixo Sul e outras regiões.

Na mobilidade urbana, o VLT do Subúrbio Ferroviário realizou viagem-teste com moradores no trecho Calçada–Lobato, em Salvador. O teste permitiu avaliar o sistema em operação com passageiros e marcou uma etapa relevante de um projeto que combina transporte, requalificação urbana, drenagem, recuperação de estruturas e integração futura com outros modais.

Estradas, aeródromos e logística produtiva

No Litoral Sul, o governo assinou ordem de serviço para pavimentação da BA-653, entre Serra Grande e Uruçuca, com investimento estimado de R$ 50,1 milhões. A intervenção foi apresentada como obra voltada ao escoamento agrícola, ao turismo e à conexão regional entre municípios como Ilhéus, Itacaré, Itajuípe, Itabuna, Aurelino Leal e Ubaitaba.

Em Senhor do Bonfim, o pacote de junho incluiu o novo aeródromo regional, pavimentação de acessos, abastecimento de água e apoio à produção leiteira. A agenda reuniu infraestrutura logística, saneamento, desenvolvimento rural e equipamentos para cooperativas, demonstrando a opção por pacotes integrados nos municípios-polo do interior.

Segurança pública e prevenção à violência

Na segurança pública, o semestre combinou investimentos em estrutura policial e divulgação de indicadores de redução da violência. Em março, o Governo da Bahia apresentou metas do Bahia Pela Paz, com previsão de ampliar os Coletivos Bahia Pela Paz para 24 unidades até o fim de 2026. Segundo os dados divulgados pelo governo, os doze coletivos já implantados somaram mais de 22 mil atendimentos em 2025, com acompanhamento psicossocial, encaminhamentos à rede pública e ações formativas.

Em junho, a Secretaria da Segurança Pública informou queda de 20,3% nos crimes graves contra a vida entre janeiro e maio de 2026, considerando homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte. A capital teria registrado redução de 30,7%, enquanto Feira de Santana apresentou recuo de 12,9%, Camaçari de 41,8% e Juazeiro de 49%. Os dados foram vinculados pelo governo à integração policial, ao uso de inteligência e às ações transversais do Bahia Pela Paz.

Também houve entregas físicas. Em Feira de Santana, o governador inaugurou a primeira Vila Policial Militar fora de Salvador, com investimento superior a R$ 10 milhões. O complexo reúne sedes do Comando de Policiamento da Região Leste, Batalhão Tático, Batalhão de Policiamento Rodoviário e estruturas da Ronda Maria da Penha e Ronda Escolar. A entrega foi apresentada como reforço à interiorização das estruturas de segurança.

Assistência social, combate à fome e habitação

Na área social, o Bahia Sem Fome ampliou sua rede de cozinhas comunitárias e solidárias. Em maio, foram inauguradas cinco cozinhas em Cajazeiras, Salvador, com investimento de R$ 1,716 milhão. A previsão divulgada foi atender cerca de mil pessoas e distribuir aproximadamente 156 mil refeições em um ano, com funcionamento em pontos de Cajazeiras, Uruguai, Plataforma, Cassange e Ilha Amarela.

A política habitacional também apareceu no conjunto de ações do semestre. Em março, o Governo da Bahia participou da entrega de 148 unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida no Residencial Vila Concórdia I, em Dias d’Ávila. A entrega integrou cerimônia simultânea com participação do Governo Federal e foi apresentada como parte da ampliação do acesso à moradia para famílias em situação de vulnerabilidade.

O eixo social revela uma característica recorrente da gestão no semestre: a combinação de programas estaduais com iniciativas federais. Essa articulação aparece em saúde, habitação, segurança alimentar, infraestrutura e educação, permitindo ao governo ampliar a escala de anúncios e entregas, mas também exigindo maior transparência sobre cronogramas, origem dos recursos, execução física e impacto mensurável das ações.

Desenvolvimento econômico, agricultura e agenda internacional

No desenvolvimento econômico, Jerônimo Rodrigues buscou associar a Bahia a temas como transição energética, minerais críticos, saúde, agronegócio e atração de investimentos. Durante o Fórum Empresarial Índia-Brasil, em Nova Délhi, o governador apresentou a Bahia como maior estado do Nordeste em território, litoral, economia e investimentos, destacando liderança em geração eólica e solar centralizada, matriz elétrica majoritariamente renovável e potencial em minerais estratégicos.

A agenda internacional também se conectou à Bahiafarma e à produção de medicamentos. A cooperação com empresas indianas e brasileiras sinaliza uma aposta em cadeias produtivas de maior valor agregado, especialmente na saúde. Ao mesmo tempo, a reunião com empresários do setor agrícola indicou interesse em ampliar parcerias em insumos, sementes e tecnologias para o campo.

No interior, a agricultura familiar foi contemplada por entregas de equipamentos, caminhões, contratos de aquisição de alimentos e apoio a cooperativas. Em Feira de Santana, o governo autorizou contratos da chamada pública centralizada para aquisição de gêneros alimentícios da agricultura familiar destinados a unidades escolares, com investimento superior a R$ 50 milhões e alcance estimado de 670 mil estudantes em 1.662 escolas de 417 municípios.


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