Luiz Mercês Júnior defende renovação empresarial e fortalecimento da CDL Jovem em Feira de Santana

Na terça-feira (02/06/2026), em Feira de Santana, o empresário Luiz Henrique Mercês Santos Junior, presidente da CDL Jovem, presidente da Associação de Lojistas do Boulevard Feira e diretor comercial do Grupo Mersan, concedeu entrevista a Carlos Augusto, editor do Jornal Grande Bahia, na qual defendeu a renovação das entidades empresariais, a formação de novas lideranças, o fortalecimento do associativismo e a adaptação do comércio local às transformações digitais, sem perder de vista a tradição varejista que consolidou o município como um dos principais polos econômicos do interior da Bahia.

Perfil do entrevistado

Luiz Henrique Mercês Santos Junior tem 41 anos e atua no setor empresarial em Feira de Santana e em outras cidades do interior baiano. Ele é diretor comercial do Grupo Mersan, rede varejista voltada aos segmentos de calçados, confecções e acessórios. O grupo também opera franquias de marcas como Leves, Arezzo e Usaflex.

Além da atuação empresarial, Mercês Júnior ocupa a presidência da CDL Jovem e da Associação de Lojistas do Boulevard Feira, o que o coloca em posição de interlocução entre o varejo tradicional, os centros comerciais, os jovens empreendedores e as entidades representativas do comércio.

Durante a entrevista, ele afirmou que a CDL Jovem não é uma iniciativa isolada de Feira de Santana, mas parte de um movimento ligado ao sistema nacional das Câmaras de Dirigentes Lojistas. Segundo o empresário, a proposta central é rejuvenescer o associativismo e atrair novas gerações para o debate coletivo sobre desenvolvimento econômico.

CDL Jovem busca atrair sucessores e empreendedores iniciantes

Carlos Augusto — Qual é a principal missão da CDL Jovem na atual fase do comércio de Feira de Santana?

Luiz Mercês Júnior — A principal missão da CDL Jovem é rejuvenescer o associativismo. Hoje, as principais CDLs do Brasil têm movimentos jovens, e a ideia é trazer o jovem empreendedor para dentro das entidades. Existem dois perfis muito claros: o empreendedor sucessor, que já tem uma empresa familiar e está sendo preparado para assumir esse negócio, e o jovem empreendedor que começa do zero.

Segundo Mercês Júnior, esses dois grupos exigem abordagens diferentes. O sucessor empresarial precisa compreender a estrutura já existente, preservar o legado familiar e, ao mesmo tempo, modernizar a gestão. Já o empreendedor iniciante demanda apoio mais básico em temas como planejamento, gestão financeira, formalização, tecnologia e mercado.

Ele afirmou que a CDL Jovem pretende aproximar esses perfis do associativismo porque, em sua avaliação, muitas mudanças dependem de ação coletiva. Para o empresário, o comércio só consegue ampliar sua capacidade de influência junto ao poder público e à sociedade quando atua de forma organizada.

Associativismo enfrenta dificuldade de renovação

Carlos Augusto — Há uma crítica recorrente de que as entidades empresariais, no Brasil, enfrentam dificuldade de renovação de lideranças. Como o senhor avalia esse cenário?

Luiz Mercês Júnior — Essa renovação é difícil em todas as áreas. O associativismo é doação para o bem comum. Na maior parte das vezes, não é remunerado. As pessoas estão muito preocupadas com seus negócios, suas empresas e seus interesses pessoais. Abrir mão do tempo da própria empresa para se dedicar a uma entidade é algo difícil.

O empresário comparou a atuação associativa ao trabalho de um síndico de condomínio: uma função necessária, mas que exige tempo, disposição e capacidade de lidar com conflitos. Para ele, a baixa participação de novos empresários não decorre apenas de resistência das entidades, mas também da dificuldade de convencer as pessoas a pensarem coletivamente.

Mercês Júnior reconheceu, contudo, que houve um salto geracional no associativismo. Segundo ele, muitas entidades passaram décadas sem formar quadros jovens de maneira sistemática, o que elevou a média de idade das lideranças e reduziu a renovação de ideias.

Posse da CDL Jovem e foco em inovação

Carlos Augusto — A nova diretoria da CDL Jovem tomou posse em maio de 2025 com foco em inovação, formação e protagonismo empresarial. Como esses objetivos estão sendo colocados em prática?

Luiz Mercês Júnior — É um trabalho lento, de formiguinha. Estamos trazendo mais pessoas, buscando ampliar a participação e fazer com que os empresários mais jovens se sintam representados pelas entidades. A CDL Jovem tem participado dos eventos da CDL e também de agendas institucionais, como a Missão Brasília.

O empresário informou que a diretoria da CDL Jovem conta atualmente com 12 integrantes, mas ressaltou que o objetivo é ampliar a participação de jovens empresários nas atividades da entidade. Ele explicou que a CDL Jovem não possui uma base associativa separada, pois os associados integram a mesma instituição jurídica da CDL.

Mercês Júnior também destacou que a renovação não deve ser compreendida apenas pelo critério etário. Para ele, o conceito de juventude empresarial está relacionado à mentalidade inovadora, à disposição para aprender e à capacidade de propor novas soluções para problemas antigos.

Sucessão empresarial é desafio estratégico para Feira de Santana

Carlos Augusto — Os jovens empresários de Feira de Santana estão mais preparados para liderar negócios familiares ou mais expostos a novos segmentos da economia?

Luiz Mercês Júnior — Feira de Santana tem jovens empreendedores nos dois perfis. Há muitos negócios novos surgindo com empresários jovens e também existem casos de sucessão bem-sucedida. Mas também há empresas sem sucessão, que acabam sendo vendidas ou encerradas.

O entrevistado afirmou que a CDL Jovem pretende desenvolver ações específicas voltadas à sucessão empresarial. Segundo ele, esse tema exige orientação especializada, pois a passagem de comando em empresas familiares envolve questões técnicas, emocionais e administrativas.

Para Mercês Júnior, tratar o sucessor da mesma forma que o empreendedor iniciante seria um erro. O primeiro já atua em uma empresa estruturada e precisa aprender a conduzir uma transição. O segundo, por sua vez, necessita de suporte para construir a base do negócio. Nesse processo, o Sebrae foi citado como parceiro importante.

Comércio físico segue dominante, mas tecnologia ganhou força

Carlos Augusto — O comércio de Feira de Santana avançou o suficiente em vendas digitais, redes sociais, marketplaces e atendimento omnichannel?

Luiz Mercês Júnior — O comércio de Feira de Santana é muito forte no físico. Temos empresas muito fortes na venda em loja. Mas essas empresas já usam ferramentas de tecnologia para atender o consumidor da forma como ele quiser. O atendimento por WhatsApp assistido é utilizado pela maior parte das empresas. A venda pelo Instagram e pelo WhatsApp é muito maior do que a venda por site.

O empresário afirmou que o perfil do varejo feirense influencia a forma de adoção do comércio digital. Segundo ele, muitas empresas locais atuam como revendedoras de produtos de terceiros, especialmente em segmentos como calçados e confecções. Isso dificulta a competição nacional por meio de sites próprios, sobretudo por causa do custo logístico.

Na avaliação de Mercês Júnior, o comércio eletrônico nacional favorece empresas que possuem marca própria ou produtos exclusivos. Já negócios multimarcas enfrentam concorrência direta de varejistas de todo o país, o que torna a proximidade geográfica com o consumidor um fator relevante para reduzir custos de entrega e preservar competitividade.

Santana Valley pode aproximar varejo e inovação

Carlos Augusto — Como pequenos lojistas podem competir com grandes plataformas nacionais e internacionais?

Luiz Mercês Júnior — Feira de Santana tem um núcleo chamado Santana Valley, formado por startups de tecnologia que podem dar suporte ao empresário feirense. Esse modelo permite que empresas menores tenham acesso a tecnologias que antes não tinham. Hoje, qualquer tamanho de empresário pode ter tecnologia suficiente para fazer o que precisa.

Mercês Júnior afirmou que a CDL Jovem busca aproximação com o Santana Valley para desenvolver projetos em comum. Ele citou iniciativas já realizadas em parceria com o Sebrae e núcleos de inovação, com foco em tendências, tecnologia e gestão.

Segundo o empresário, ferramentas de inteligência artificial, automação, aplicativos de venda, gestão de dados e soluções digitais podem ser incorporadas por empresas de diferentes portes. O desafio, na avaliação dele, é transformar essas possibilidades em projetos práticos, acessíveis e ajustados à realidade do varejo local.

Varejo digital ainda não substitui força da loja física

Carlos Augusto — O consumidor jovem migrou para compras digitais e shoppings ou ainda frequenta o comércio do Centro?

Luiz Mercês Júnior — O digital representa um percentual de venda muito menor do que o físico, ainda no mundo inteiro. O que dá uma falsa sensação de perda para a internet é o desaquecimento econômico. O consumidor está com poder de compra menor, renda mais comprometida e consumo retraído.

Para o entrevistado, a redução do movimento em lojas físicas não pode ser atribuída exclusivamente ao avanço do comércio eletrônico. Ele avalia que a desaceleração econômica, o endividamento das famílias e a perda de poder de compra têm papel decisivo na percepção de queda das vendas presenciais.

Mercês Júnior afirmou que, em uma economia aquecida, haveria espaço para o varejo físico, para o digital, para shoppings e para o comércio de rua. O problema, segundo ele, está no ambiente econômico nacional, marcado por juros elevados, renda comprimida e baixo crescimento.

Formação de lideranças exige ponte entre tradição e inovação

A entrevista evidencia que a CDL Jovem busca atuar como ponte entre a experiência acumulada pelas gerações anteriores e as demandas de modernização do comércio. Para Mercês Júnior, não se trata de romper com a tradição empresarial de Feira de Santana, mas de formar novas lideranças capazes de preservar o legado existente e incorporar instrumentos contemporâneos de gestão.

Essa visão dialoga com a própria história econômica do município. Feira de Santana consolidou-se como entreposto comercial, espaço de circulação regional e centro de serviços. A preservação dessa vocação, contudo, depende de adaptação permanente a novos padrões de consumo, tecnologia, crédito, logística e gestão urbana.

O desafio central, segundo a linha defendida por  Luiz Mercês Júnior, é convencer jovens empresários de que o associativismo não é apenas uma instância protocolar, mas um instrumento de defesa coletiva do comércio, de interlocução institucional e de construção de políticas para o setor produtivo.

Leia +

Empresário Luiz Mercês Júnior aponta desafios do Centro de Feira de Santana, defende Zona Azul e critica custo Brasil no varejo

Empresário Juscelino Brito avalia queda no desempenho do comércio e aposta em campanha junina de 2026 para estimular vendas em Feira de Santana


Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Avatar de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

Valorize o jornalismo crítico, plural, rigoroso e comprometido com a verdade factual, a democracia, o Estado de Direito e o interesse público, escolha o Jornal Grande Bahia (JGB) como uma de suas fontes preferidas no Google. Clique aqui, selecione o JGB e acompanhe as notícias com mais destaque em suas buscas e recomendações.


Deixe um comentário


Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo