Palácio Rio Branco terá restauro de R$ 250 milhões, visitação pública e hotel de alto padrão em Salvador

O Palácio Rio Branco, um dos edifícios mais simbólicos da história política da Bahia e situado na Praça Thomé de Souza, no Centro Histórico de Salvador, será restaurado, reaberto à visitação pública e transformado em hotel de alto padrão após concessão do imóvel à iniciativa privada pelo Governo do Estado. A ordem de serviço para início imediato das obras foi assinada na segunda-feira (01/06/2026) pela Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA), pela Mata Holding, responsável pelo empreendimento, e pela construtora André Guimarães, encarregada da execução do projeto. A implantação do Hotel Allard, anunciado com classificação seis estrelas, prevê investimento de R$ 250 milhões, criação de 90 suítes e geração de 2,5 mil empregos diretos, em uma intervenção que associa turismo de luxo, preservação patrimonial e requalificação urbana no núcleo histórico da primeira capital do Brasil.

Palácio Rio Branco será restaurado após concessão à iniciativa privada

O projeto prevê a recuperação do Palácio Rio Branco e sua adaptação para abrigar um empreendimento hoteleiro de alto padrão. Segundo a Setur-BA, a iniciativa integra a estratégia do Governo da Bahia de ampliar o uso turístico de prédios públicos localizados no Centro Antigo de Salvador, área de grande valor histórico, arquitetônico e cultural.

O secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar, afirmou que o palácio será devolvido restaurado e reaberto à visitação pública. Segundo ele, o empreendimento qualifica o destino Bahia ao atrair turistas de maior poder aquisitivo, com potencial de ampliar a movimentação econômica e gerar novos empregos para os baianos.

A concessão do imóvel à iniciativa privada insere o Palácio Rio Branco em um modelo de reuso de patrimônio histórico que exige equilíbrio entre exploração econômica, preservação arquitetônica e acesso público. A proposta busca combinar a operação de um hotel de luxo com a manutenção do valor simbólico de um prédio diretamente associado à formação administrativa de Salvador e da Bahia.

Edifício ocupa área central da história política e administrativa do Brasil

O Palácio Rio Branco está localizado na Praça Thomé de Souza, espaço vinculado à fundação de Salvador em 1549 e ao início da administração colonial portuguesa na América. A cidade foi a primeira capital do Brasil, condição mantida até 1763, quando a sede administrativa foi transferida para o Rio de Janeiro.

A origem do palácio remonta ao antigo centro de governo da cidade. A edificação primitiva foi associada à instalação do poder administrativo português na então capital colonial, quando Salvador foi planejada para concentrar funções políticas, militares, religiosas e comerciais. Por isso, o imóvel ocupa posição singular na memória institucional brasileira.

Ao longo dos séculos, o edifício passou por reformas, reconstruções e mudanças de uso. Tornou-se antiga sede do governo baiano e recebeu o nome de Palácio Rio Branco em homenagem ao Barão do Rio Branco, uma das figuras centrais da diplomacia brasileira. Sua trajetória mistura poder político, arquitetura pública, memória administrativa e episódios marcantes da história baiana.

Bombardeio de 1912 marcou a história do Palácio Rio Branco

Um dos episódios mais dramáticos da história do Palácio Rio Branco ocorreu em 10 de janeiro de 1912, quando Salvador foi bombardeada durante uma crise política envolvendo forças federais e disputas locais pelo controle do governo estadual. O palácio foi severamente atingido, com danos estruturais e perda de parte relevante de seu acervo.

Após a destruição, o edifício passou por processo de reconstrução e foi reinaugurado em 1919, já com a configuração arquitetônica que consolidou sua imagem pública no século XX. A reconstrução deu ao prédio uma feição monumental, compatível com a linguagem arquitetônica de edifícios oficiais da época.

Esse histórico torna o atual projeto de restauração especialmente sensível. A intervenção não envolve apenas a recuperação física de um imóvel antigo, mas a preservação de um marco institucional que testemunhou disputas políticas, mudanças administrativas e transformações urbanas decisivas para Salvador.

Centro Histórico de Salvador é Patrimônio Mundial desde 1985

O Palácio Rio Branco está inserido no Centro Histórico de Salvador, conjunto urbanístico tombado pelo Iphan em 1984 e reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial em 1985. A área reúne igrejas, conventos, praças, casarões, edifícios públicos e espaços urbanos que expressam a formação da cidade e a presença portuguesa na América.

Esse enquadramento patrimonial aumenta a responsabilidade técnica do projeto. Qualquer intervenção em edifícios históricos localizados nesse perímetro exige cuidados específicos de conservação, respeito à volumetria, preservação de elementos arquitetônicos e compatibilização entre uso contemporâneo e memória cultural.

A presença de um hotel de luxo em um bem histórico pode ampliar a circulação turística e atrair investimentos para o Centro Antigo, mas também exige fiscalização permanente. O interesse econômico não pode se sobrepor à função pública do patrimônio, sobretudo em um edifício que pertence à memória política da Bahia.

Hotel Allard terá 90 suítes e equipamentos de alto padrão

O empreendimento prevê a implantação de 90 suítes, sendo 27 no Palácio Rio Branco e as demais em área anexa ao prédio histórico. A estrutura planejada inclui piscina com vista para a Baía de Todos-os-Santos, spa internacional, três restaurantes e academia.

A Mata Holding, plataforma global de hospitalidade responsável pelo projeto, afirma que Salvador reúne atributos valorizados pelo turismo contemporâneo, como cultura, espiritualidade, história e autenticidade. Para o fundador do grupo, Alexandre Allard, a escolha da capital baiana decorre da combinação entre esses elementos e a força simbólica de um palácio vinculado às origens da cidade.

A proposta posiciona o Hotel Allard como empreendimento voltado ao turismo de luxo. Esse segmento busca experiências associadas à arquitetura, gastronomia, serviços exclusivos, paisagem urbana e identidade cultural. No caso de Salvador, a Baía de Todos-os-Santos, o patrimônio histórico e a tradição cultural da cidade formam ativos relevantes para esse mercado.

Obras devem gerar 2,5 mil empregos diretos

Segundo a Setur-BA, as obras de implantação do hotel devem gerar 2,5 mil empregos diretos. O número inclui postos associados à construção, restauração, engenharia, arquitetura, serviços técnicos, logística e outras atividades necessárias à execução do empreendimento.

Além da fase de obras, a operação futura do hotel tende a criar demanda por profissionais de hotelaria, gastronomia, manutenção, segurança, turismo receptivo, eventos, transporte, limpeza, atendimento e gestão de serviços. O impacto econômico poderá alcançar também fornecedores locais e pequenos negócios do entorno.

A expectativa oficial é que o empreendimento contribua para ampliar o fluxo de visitantes de maior poder aquisitivo e fortalecer a economia turística de Salvador. Para que esse efeito se consolide, será necessário integrar o hotel a políticas urbanas mais amplas, voltadas à segurança, mobilidade, conservação do espaço público e valorização da cultura local.

Construtora estima conclusão em 18 a 24 meses

A execução do projeto ficará sob responsabilidade da construtora André Guimarães. O CEO da empresa, Daniel Sande, afirmou que a proposta busca unir padrão internacional de hospitalidade à preservação de um patrimônio emblemático.

Segundo Sande, a expectativa é concluir a obra em prazo estimado entre 18 e 24 meses, respeitando os cuidados exigidos pelo restauro de uma edificação histórica. O cronograma, contudo, dependerá da complexidade técnica das intervenções, das exigências patrimoniais e do acompanhamento dos órgãos competentes.

Projetos de restauração em imóveis históricos costumam demandar atenção a elementos estruturais, fachadas, pisos, esquadrias, ornamentos, circulação interna, acessibilidade, segurança contra incêndio, instalações elétricas e hidráulicas. A compatibilização desses requisitos com a operação de um hotel de alto padrão será um dos principais desafios técnicos da obra.

Reabertura à visitação pública será ponto decisivo

A promessa de reabertura do Palácio Rio Branco à visitação pública é um dos pontos centrais do projeto. Essa dimensão será decisiva para avaliar se a concessão preservará a função pública do edifício ou se limitará o acesso social a um bem de relevância histórica.

Ainda precisam ser detalhadas informações como áreas visitáveis, horários, gratuidade, necessidade de agendamento, roteiro museológico, permanência do Memorial dos Governadores, regras de acesso e integração com programas culturais do Centro Histórico. Esses elementos serão fundamentais para garantir transparência e controle social.

A visitação pública não deve ser tratada como contrapartida simbólica. Em edifícios dessa relevância, o acesso da população ao patrimônio precisa ser regulamentado de forma clara, permanente e verificável. A credibilidade do projeto dependerá, em parte, da capacidade de conciliar hotelaria de luxo com fruição pública da memória histórica.

Projeto reforça debate sobre turismo, patrimônio e uso de bens públicos

A transformação do Palácio Rio Branco em hotel seis estrelas recoloca em discussão o uso econômico de bens públicos históricos. Em tese, a concessão pode garantir investimento privado, recuperação arquitetônica e nova função urbana para um imóvel de alto valor simbólico.

A iniciativa se insere em uma agenda mais ampla de revitalização do Centro Antigo de Salvador. A recuperação de um edifício isolado, embora relevante, não substitui políticas públicas continuadas para o território. O impacto positivo dependerá da conexão com ações de segurança, habitação, transporte, cultura, conservação urbana e dinamização econômica do entorno.

Vista da Cidade Alta, com Elevador Lacerda e Palácio Rio Branco, conhecido também como Palácio da Vista do Palácio da Aclamação, em Salvador.
Vista da Cidade Alta, com Elevador Lacerda e Palácio Rio Branco, conhecido também como Palácio da Vista do Palácio da Aclamação, em Salvador.

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