Rogério Costa contesta prefeito Tiago Dias e diz que Governo da Bahia autorizou obra da rodoviária de Santo Estêvão

O ex-prefeito de Santo Estêvão Rogério Costa, filiado ao PT e atual diretor da Urbis Habitação, rebateu a manifestação pública do prefeito Tiago Dias, do União Brasil, após a solenidade do Governo da Bahia realizada na quinta-feira (11/06/2026), no Parque de Exposições, em Salvador. O episódio envolve a autorização de obras estaduais, entre elas a requalificação do Terminal Rodoviário de Santo Estêvão, e expôs uma tensão institucional entre o gestor municipal e representantes do governo estadual.

Em carta aberta dirigida a prefeitos e prefeitas da Bahia, Tiago Dias afirmou ter sido convidado oficialmente para o evento pela Secretaria de Infraestrutura da Bahia — Seinfra —, mas relatou que, por volta das 21h da véspera da solenidade, recebeu novo contato informando que o convite havia sido cancelado por suposto “equívoco”. Mesmo assim, o prefeito compareceu ao ato e declarou ter constatado que Santo Estêvão estava entre os municípios contemplados com investimentos estaduais.

A nota da assessoria de Rogério Costa, por sua vez, afirma que a crítica do prefeito não se sustentaria diante dos fatos, pois o governador Jerônimo Rodrigues teria assinado, no próprio dia 11 de junho, a licitação para a obra de requalificação da rodoviária municipal. Para o grupo político ligado ao ex-prefeito, a situação teria sido explorada pela oposição para produzir desgaste político contra o Governo da Bahia.

Carta aberta de Tiago Dias aponta quebra de tratamento institucional

Na carta, Tiago Dias sustenta que a demanda pela reforma da Estação Rodoviária de Santo Estêvão foi formalizada pela Prefeitura junto ao Governo do Estado, por meio da Seinfra, com encaminhamento de documentos oficiais pelo Gabinete do Prefeito. Segundo o gestor, houve ainda visita técnica da equipe da secretaria ao município, acompanhada por ele, para avaliação da estrutura existente e da necessidade de intervenção.

O prefeito afirma que sua indignação não se dirige à realização da obra, que classificou como importante para a população, mas ao que considera ausência de tratamento institucional compatível com o cargo de chefe do Executivo municipal. Para Tiago Dias, uma obra destinada ao município e decorrente de demanda apresentada pela Prefeitura deveria preservar a representação formal do prefeito eleito.

Após perceber que sua presença havia sido identificada pelos organizadores da solenidade, o gestor decidiu não ocupar o palanque nem participar do ato oficial. Segundo ele, a atitude foi tomada como forma de protesto contra uma postura considerada inadequada nas relações entre Estado e Município.

Rogério Costa diz que oposição tentou criar crise política

A assessoria de Rogério Costa adotou tom crítico em relação à manifestação do prefeito e classificou o episódio como uma tentativa da oposição de transformar a requalificação da rodoviária em crise política. A nota associa Tiago Dias ao grupo político do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, principal liderança do União Brasil na Bahia, e afirma que a narrativa de exclusão teria sido desmentida pela autorização da obra.

Segundo a manifestação, enquanto o prefeito reclamava publicamente de suposta exclusão, o Governo do Estado avançava na licitação de uma intervenção aguardada pela população de Santo Estêvão. A nota afirma que o ato assinado por Jerônimo Rodrigues demonstraria que o município não foi prejudicado no pacote de investimentos estaduais.

Rogério Costa declarou que a conquista seria resultado de articulação política e diálogo institucional em defesa da obra.

Essa conquista é resultado de muita luta, diálogo e articulação. Defendi esse projeto com dedicação porque sempre acreditei na importância dessa obra para o desenvolvimento da nossa cidade e para a melhoria da qualidade de vida da nossa população”, afirmou o ex-prefeito.

Obra da rodoviária entra no centro da disputa política

A requalificação do Terminal Rodoviário de Santo Estêvão passou a ocupar o centro da divergência entre governo municipal e grupo governista estadual. Para Tiago Dias, o ponto central é o respeito à institucionalidade e à representação municipal. Para Rogério Costa, a autorização da obra desmonta a tese de exclusão política e comprova que o Governo da Bahia atendeu a uma demanda relevante para a cidade.

A intervenção deverá melhorar as condições de funcionamento do terminal, com impactos esperados sobre segurança, acessibilidade, mobilidade, atendimento a passageiros, trabalhadores do setor de transporte e moradores que dependem do equipamento público.

Embora ambos os lados reconheçam a importância da obra, a divergência reside na condução política do anúncio. O prefeito reivindica reconhecimento institucional da Prefeitura no processo; o ex-prefeito destaca a atuação do Governo do Estado e sua própria articulação para viabilizar o investimento.

Prefeito levou caso à UPB antes de divulgar manifestação

Na carta aberta, Tiago Dias afirma que, antes de tornar pública a manifestação, procurou a União dos Municípios da Bahia — UPB. O prefeito relatou ter compartilhado o episódio com o presidente da entidade, o prefeito Wilson Cardoso, a quem agradeceu pela atenção e disposição em ouvir sua versão.

O gestor argumenta que a defesa do municipalismo não pode ocorrer apenas no discurso e que práticas capazes de fragilizar a representação municipal precisam ser discutidas publicamente. Para Tiago Dias, o episódio não deve ser tratado como disputa partidária, mas como questão de respeito institucional aos municípios e aos prefeitos eleitos.

Caso revela tensão entre municipalismo e disputa partidária

O episódio em Santo Estêvão revela uma tensão recorrente na política baiana: a disputa entre o protagonismo municipal e a centralidade do governo estadual na entrega de obras públicas. Quando investimentos estaduais chegam aos municípios, a disputa pela autoria, pela articulação e pelo capital político tende a ganhar força, especialmente em cidades administradas por partidos de oposição ao Palácio de Ondina.

No caso específico, há duas narrativas em confronto. A primeira, apresentada por Tiago Dias, sustenta que o convite cancelado e a ausência de tratamento formal ao prefeito ferem princípios republicanos e a harmonia entre entes federativos. A segunda, defendida pela assessoria de Rogério Costa, afirma que a obra foi autorizada, que Santo Estêvão foi contemplado e que a oposição tentou converter um ato administrativo em crise política.

A prudência jornalística exige separar os fatos documentados das interpretações políticas. Está posto que o prefeito divulgou carta pública relatando o cancelamento do convite e questionando o tratamento institucional recebido. Também está posto que a nota de Rogério Costa sustenta que a licitação da obra foi assinada pelo governador Jerônimo Rodrigues, o que, na avaliação do ex-prefeito, esvaziaria a acusação de exclusão do município.

Linha do tempo

Meses anteriores ao evento: Prefeitura de Santo Estêvão formaliza junto à Seinfra pedido de reforma da Estação Rodoviária do município.

Após o pedido: Equipe técnica da Seinfra visita Santo Estêvão para avaliar a estrutura do equipamento.

Véspera da solenidade: Tiago Dias afirma ter sido convidado oficialmente para o evento e, depois, comunicado de que o convite havia sido cancelado por “equívoco”.

11 de junho de 2026: Prefeito comparece ao Parque de Exposições, em Salvador, mas decide não ocupar o palanque nem participar do ato oficial.

Após o evento: Tiago Dias divulga carta aberta a prefeitos e prefeitas da Bahia.

Na sequência: Assessoria de Rogério Costa rebate a manifestação e afirma que Jerônimo Rodrigues assinou a licitação para a requalificação da rodoviária.

Leia +

Prefeito de Santo Estêvão critica cancelamento de convite em evento do Governo da Bahia sobre reforma da rodoviária


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