ACM Neto oficializa candidatura ao Governo da Bahia, apresenta chapa e lança agenda de “mudança com segurança”

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) oficializou, nesta quarta-feira, 22/07/2026, sua candidatura ao Governo da Bahia durante convenção partidária realizada no Centro de Convenções de Salvador. O encontro também homologou Zé Cocá (PP) como candidato a vice-governador e Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL) para as duas vagas ao Senado, além das candidaturas proporcionais à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa da Bahia. No discurso, o ex-prefeito apresentou o conceito de “mudança com segurança”, criticou a administração do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e anunciou propostas nas áreas de segurança pública, saúde, educação, desenvolvimento econômico, juventude e inovação.

Convenção confirma chapa majoritária da oposição

A convenção representou a passagem formal da pré-candidatura para a etapa de escolha partidária. A chapa já havia sido apresentada politicamente em março, durante evento realizado em Feira de Santana, mas dependia da deliberação das legendas dentro do período estabelecido pela legislação eleitoral.

Com a homologação, ACM Neto encabeça uma composição formada por representantes de quatro partidos. Zé Cocá ocupa a vaga de vice, enquanto Angelo Coronel e João Roma disputam as duas cadeiras destinadas à Bahia no Senado Federal. O encontro também definiu os candidatos que concorrerão aos cargos de deputado federal e estadual.

A decisão das convenções, entretanto, ainda precisa ser formalizada perante a Justiça Eleitoral. Os partidos têm até 5 de agosto para concluir suas convenções e até as 19 horas de 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet será permitida a partir de 16 de agosto.

“Mudança com segurança” organiza discurso de campanha

O conceito de “mudança com segurança” foi apresentado como o eixo central da candidatura. Segundo ACM Neto, a expressão possui dois sentidos: estabelecer a segurança pública como prioridade administrativa e defender alterações profundas na gestão estadual sem rupturas institucionais ou interrupção de políticas consideradas positivas.

O candidato afirmou que pretende preservar direitos adquiridos, programas sociais e contratos regulares, ao mesmo tempo que propõe modificar métodos de gestão, mecanismos de acompanhamento e formas de execução das políticas públicas. Também prometeu governar para todos os municípios e grupos políticos, independentemente das filiações partidárias das lideranças locais.

Ao defender sua candidatura, ACM Neto sustentou que a Bahia perdeu protagonismo econômico e capacidade de planejamento. O discurso associou essa avaliação a problemas como criminalidade, espera por atendimento na rede pública de saúde, qualidade do ensino, perda de investimentos industriais, burocracia e insuficiência de obras estruturantes. As afirmações foram apresentadas como diagnóstico político da oposição e não vieram acompanhadas, no documento, de séries estatísticas detalhadas para cada área.

Críticas ao Governo Jerônimo marcam pronunciamento

ACM Neto direcionou parte significativa do discurso ao governador Jerônimo Rodrigues, a quem atribuiu falta de comando, capacidade de execução e projetos estruturantes. O candidato declarou que o atual modelo de administração estadual estaria esgotado e que a continuidade dessa orientação impediria a Bahia de converter seus recursos naturais, humanos e econômicos em prosperidade.

O ex-prefeito mencionou a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, projetos ferroviários, instalações portuárias, estradas estaduais, hospitais e o sistema de regulação como exemplos de áreas nas quais, segundo ele, haveria demora, insuficiência ou ausência de resultados compatíveis com as necessidades da população.

As acusações integram o confronto político-eleitoral entre oposição e governo. Na data da convenção oposicionista, o governador Jerônimo Rodrigues confirmou que a convenção de sua base será realizada em 1º de agosto de 2026, no Parque de Exposições de Salvador. O encontro deverá homologar sua candidatura à reeleição, Geraldo Júnior como vice e Jaques Wagner e Rui Costa para o Senado.

Governadoria da Segurança seria comandada pelo governador

A segurança pública ocupou a parte mais extensa do conjunto de propostas. ACM Neto anunciou que pretende criar a Governadoria da Segurança, estrutura que seria comandada diretamente pelo chefe do Executivo estadual e funcionaria como sala de situação, central de operações e núcleo de inteligência.

De acordo com o plano apresentado, o órgão teria funcionamento permanente, integração tecnológica e articulação entre as polícias estaduais, o sistema penitenciário, o Ministério Público, o Poder Judiciário, forças federais e governos de outros estados. O candidato afirmou que participaria diariamente das atividades, presencial ou virtualmente, acompanhando operações e indicadores.

A proposta busca associar diretamente o governador à coordenação política e operacional da área. ACM Neto atribuiu ao atual governo um “vazio de comando” e defendeu acompanhamento frequente da situação dos presídios, sob o argumento de que unidades penitenciárias não podem funcionar como centros de articulação de organizações criminosas.

Plano de Reocupação de Territórios

A segunda medida anunciada foi o Plano de Reocupação de Territórios, destinado a bairros, distritos e municípios nos quais, segundo o candidato, facções criminosas teriam imposto restrições à circulação, ao comércio e à vida cotidiana da população.

A estratégia combinaria inteligência, planejamento tático, equipamentos, tecnologia e operações policiais. O discurso também reconheceu que a presença estatal não poderia se limitar às forças de segurança. Após as operações, os territórios deveriam receber escolas, centros culturais, equipamentos esportivos, ações de capacitação profissional, serviços públicos e núcleos comunitários.

O programa ainda deverá ser detalhado quanto ao modelo de governança, às responsabilidades das diferentes forças policiais, ao orçamento, aos critérios de seleção dos territórios e aos indicadores utilizados para avaliar seus resultados. No discurso da convenção, foram apresentadas as diretrizes gerais, sem cronograma de implantação ou estimativa financeira.

Dados oficiais apontam queda, mas violência permanece no debate

A retórica adotada pela candidatura contrasta com os números apresentados pelo Governo da Bahia sobre a evolução recente dos crimes violentos. Segundo dados divulgados pela Polícia Civil, o estado registrou 3.884 mortes violentas em 2025, redução de 13,1% em comparação com 2024 e quarto ano consecutivo de queda.

Salvador teria apresentado redução de 22,9%, enquanto a Região Metropolitana registrou recuo de 21,2% e o interior, de 8,9%. O Governo do Estado também informou que pretende ampliar de 12 para 24 as unidades dos Coletivos Bahia Pela Paz até o final de 2026.

Os dados indicam melhora anual nos indicadores divulgados pelo Executivo, mas não eliminam a disputa sobre a extensão territorial das facções, a sensação de insegurança, as diferenças entre regiões e a capacidade do sistema público de produzir reduções contínuas. Esses elementos deverão ocupar posição central na comparação entre os programas eleitorais.

Saúde e regulação entram entre as prioridades

Na saúde, ACM Neto prometeu ampliar hospitais regionais e policlínicas, fortalecer unidades de pronto atendimento, aumentar a disponibilidade de leitos de terapia intensiva no interior e reduzir o tempo de espera no sistema estadual de regulação.

O candidato associou a regulação a episódios de sofrimento de pacientes e familiares que aguardam transferências para unidades de maior complexidade. Apesar da centralidade conferida ao tema, o pronunciamento não apresentou números sobre demanda reprimida, tempo médio de espera, déficit regional de leitos ou valores necessários para executar a expansão proposta.

A formulação definitiva do programa deverá esclarecer se a estratégia será baseada na construção de novos hospitais, ampliação de unidades existentes, contratação de serviços conveniados, reorganização dos fluxos regionais ou combinação desses mecanismos.

Educação, cultura e juventude integram programa

Na educação, a candidatura propõe alterações curriculares, adoção de conteúdos relacionados às transformações tecnológicas, novas políticas de valorização dos professores e revisão dos mecanismos de progressão escolar. ACM Neto também defendeu o fim do que classificou como “aprovação automática”.

O discurso vinculou educação e empregabilidade, especialmente entre os jovens que não estudam nem trabalham. O objetivo anunciado seria transformar os chamados “nem-nem” em jovens capazes de afirmar simultaneamente: “sim, eu estudo” e “sim, eu trabalho”.

A cultura foi apresentada como direito e atividade econômica. O candidato afirmou que pretende tratar o setor como componente da economia criativa, com capacidade de produzir emprego formal e renda continuada, e não apenas como programação eventual ou sazonal.

Tecnologia e inteligência artificial aparecem como vetores econômicos

ACM Neto defendeu a utilização de tecnologia para modernizar os serviços públicos e anunciou a intenção de transformar a Bahia em referência nacional em inteligência artificial, inovação e produção de novas tecnologias.

O candidato argumentou que o estado precisa preparar trabalhadores, empresas e instituições de ensino para a economia do conhecimento. Também relacionou a perda de indústrias à necessidade de uma nova política de atração de investimentos, formação profissional e integração entre produção científica e atividade empresarial.

A proposta ainda depende de detalhamento sobre incentivos fiscais, infraestrutura digital, financiamento à inovação, formação de pesquisadores, parcerias com universidades e mecanismos de apoio às empresas de base tecnológica.

Cinco categorias são enumeradas como “seis motores da prosperidade”

Na formulação econômica apresentada, ACM Neto afirmou que pretende ativar “seis motores da prosperidade”. O documento do discurso, contudo, enumera cinco categorias: capital humano, capital financeiro, capital tecnológico, capital social e capital físico.

O capital humano corresponderia à formação, ao conhecimento, à cultura e à capacidade produtiva. O financeiro envolveria recursos para investimentos e poupança. O tecnológico seria formado pela inovação e aplicação do conhecimento. O social estaria relacionado à confiança, cooperação e associativismo. O físico abrangeria infraestrutura, energia, portos, estradas, saneamento, conectividade e proteção ambiental.

Quatro gargalos do desenvolvimento

O candidato identificou quatro obstáculos principais ao crescimento estadual. O primeiro seria a insegurança, considerada não apenas um problema social e humanitário, mas também uma variável econômica capaz de afastar investimentos, turistas, novos moradores e pequenos empreendedores.

O segundo seria a qualidade da educação, especialmente nas etapas que antecedem a entrada dos jovens no mercado de trabalho. O terceiro estaria relacionado à perda de dinamismo industrial e à preparação insuficiente para a inteligência artificial e a economia do conhecimento.

O quarto gargalo compreenderia burocracia, carga tributária, falhas na prestação de serviços públicos e baixa capacidade de inovação. Segundo ACM Neto, a superação desses entraves permitiria integrar os diferentes tipos de capital e ampliar a produção de riqueza.

Interior e desenvolvimento regional ganham destaque

ACM Neto afirmou que o interior ocupará posição estratégica em eventual governo. A proposta inclui estímulo às vocações produtivas e culturais de cada região, parcerias com prefeitos e vereadores e maior atenção à infraestrutura necessária para integrar as cadeias econômicas.

O pequeno produtor rural foi mencionado como público prioritário, com atenção particular às famílias do semiárido. O candidato defendeu políticas estruturantes de convivência com a seca e argumentou que a redução da vulnerabilidade climática exige ações permanentes, em vez de respostas concentradas nos períodos de emergência.

O discurso também destacou o Oeste produtor de grãos, o Vale do São Francisco, o litoral, o Recôncavo e o semiárido como áreas dotadas de recursos que poderiam ser melhor integrados à economia estadual por meio de estradas, portos, ferrovias, energia e conectividade.

Políticas para mulheres, população afro-baiana e pessoas com deficiência

O pronunciamento reservou espaço para políticas destinadas às mulheres, com ênfase no enfrentamento da violência doméstica e do feminicídio. ACM Neto afirmou que as mulheres são atingidas diretamente pelas agressões e também pelas consequências familiares da violência urbana.

A população afro-baiana foi apresentada como central para a formação econômica, social e cultural do estado. O candidato defendeu instrumentos de reparação, promoção e ampliação de oportunidades, considerando a exposição histórica desse grupo às desigualdades.

Também foram mencionadas as pessoas com deficiência, para as quais o candidato prometeu maior garantia de direitos e apoio institucional. A defesa ambiental apareceu como condição necessária à continuidade do desenvolvimento econômico e à qualidade de vida.

Gestão de Salvador é apresentada como credencial

ACM Neto utilizou seus oito anos na Prefeitura de Salvador como principal referência administrativa. Ele citou programas habitacionais, recuperação de encostas, construção de escolas, implantação do primeiro hospital municipal, unidades de pronto atendimento, requalificação da orla e intervenções urbanísticas.

Entre os exemplos apresentados estão o Morar Melhor, as obras de contenção de encostas, o Hospital Municipal de Salvador e a transformação da antiga Cidade de Plástico no conjunto habitacional Guerreira Zeferina. No discurso, essas iniciativas foram utilizadas para sustentar a promessa de aplicação de um modelo semelhante em escala estadual.

Antes de assumir a Prefeitura, ACM Neto exerceu três mandatos de deputado federal, iniciados em 2003, 2007 e 2011. Ele renunciou ao terceiro mandato no final de 2012 para assumir a administração municipal, que comandou entre 2013 e 2020.

Eleição de 2022 permanece como antecedente central

A eleição de 2026 será a segunda tentativa de ACM Neto de chegar ao Governo da Bahia. Em 2022, ele avançou ao segundo turno contra Jerônimo Rodrigues, depois de receber 40,88% dos votos válidos na primeira etapa.

Na votação final, realizada em 30 de outubro de 2022, Jerônimo Rodrigues foi eleito com 4.480.464 votos, equivalentes a 52,79% dos votos válidos. ACM Neto recebeu 4.007.023 votos, ou 47,21%.

Ao apresentar a nova candidatura, o ex-prefeito afirmou que chega à disputa mais experiente e politicamente apoiado. A composição formada por União Brasil, PP, Republicanos e PL busca ampliar a presença territorial da oposição e reunir diferentes segmentos do eleitorado conservador e de centro-direita.

Linha do tempo da trajetória e da candidatura

  • 2002: ACM Neto é eleito deputado federal pela primeira vez, assumindo o mandato em fevereiro de 2003.
  • 2006 e 2010: conquista dois novos mandatos na Câmara dos Deputados.
  • 31/12/2012: renuncia ao mandato parlamentar para assumir a Prefeitura de Salvador.
  • 2013 a 2020: governa Salvador por dois mandatos consecutivos.
  • 02/10/2022: recebe 40,88% dos votos válidos no primeiro turno da eleição para governador e avança à etapa final.
  • 30/10/2022: obtém 47,21% dos votos válidos e é derrotado por Jerônimo Rodrigues, eleito com 52,79%.
  • Março de 2026: apresenta, em Feira de Santana, a chapa com Zé Cocá, Angelo Coronel e João Roma.
  • 18/07/2026: anuncia que a convenção partidária seria realizada em Salvador no dia 22 de julho.
  • 22/07/2026: convenção homologa ACM Neto para o Governo da Bahia, Zé Cocá para vice e Angelo Coronel e João Roma para o Senado.
  • 05/08/2026: encerra-se o prazo nacional para a realização das convenções.
  • 15/08/2026: termina o prazo para apresentação dos pedidos de registro de candidatura.
  • 16/08/2026: começa a propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet.
  • 04/10/2026: será realizado o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026.

A convenção consolidou a unidade formal da oposição em torno de ACM Neto e definiu uma mensagem eleitoral centrada em segurança pública, capacidade administrativa e crítica à continuidade do grupo político que governa a Bahia desde 2007. A candidatura procura transformar a experiência municipal em credencial estadual e apresentar a insegurança, a regulação da saúde, a educação e a industrialização como pontos de diferenciação em relação ao Governo Jerônimo.

O discurso estabeleceu prioridades, conceitos e estruturas administrativas, mas ainda não apresentou estimativas de custo, fontes de financiamento, metas mensuráveis ou prazos de execução. A Governadoria da Segurança, o Plano de Reocupação de Territórios, a expansão hospitalar e a política de inteligência artificial dependerão de detalhamento técnico. A divergência entre os “seis motores” anunciados e as cinco categorias enumeradas também deverá ser esclarecida no programa oficial.


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