Caso Banco Master: operações de R$ 1,1 bilhão ligadas a Nelson Tanure, notas de Flávio Bolsonaro e alerta de delegados ampliam investigação

Nesta segunda-feira (27/07/2026), novos documentos e reportagens ampliaram o alcance político, empresarial e jurídico do caso Banco Master ao revelar pelo menos R$ 1,112 bilhão em operações financeiras de rápida transferência envolvendo empresas ligadas ao investidor Nelson Tanure, detalhes sobre notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e uma advertência da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal sobre o risco de futuras anulações da Operação Compliance Zero. Embora os episódios estejam inseridos no mesmo ambiente investigativo, não há, até o momento, prova pública de que os diferentes núcleos tenham atuado conjuntamente.

Banco Master realizou operações de R$ 1,112 bilhão com empresas ligadas a Nelson Tanure

Documentos analisados pelo portal Metrópoles indicam que o Banco Master realizou, entre 2022 e 2025, operações nas quais registrava empréstimos para companhias ligadas a Nelson Tanure e, em seguida, transferia os respectivos créditos para fundos de investimento. Na maior parte dos casos identificados, a cessão ocorria no mesmo dia; em outros, dentro de um intervalo de até uma semana.

O mecanismo consistia no registro inicial de um empréstimo bancário para determinada empresa. Pouco depois, um fundo adquiria o crédito pelo mesmo valor ou por quantia inferior. Perante o Banco Central, o banco passava a registrar a dívida como liquidada, enquanto a empresa devedora passava a ter obrigação financeira perante o fundo comprador.

A documentação examinada não permite identificar integralmente os beneficiários finais de parte desses fundos, verificar a origem de todos os recursos utilizados nas aquisições nem confirmar se os empréstimos foram efetivamente quitados. A expressão “operações bate-volta” foi utilizada pela reportagem para descrever a rapidez com que os créditos deixavam o balanço do banco e eram transferidos para veículos de investimento.

A Polícia Federal investiga se operações dessa natureza teriam sido usadas por Daniel Vorcaro, então controlador do Master, para retirar recursos da instituição e direcioná-los a empresas ou pessoas de seu grupo de relacionamento. Também existe a suspeita investigativa de que Tanure pudesse ter participação não declarada no banco, hipótese que o empresário sempre negou. Não foi divulgada decisão judicial que reconheça essa participação.

Procurados pela reportagem que divulgou os documentos, os representantes de Daniel Vorcaro e Nelson Tanure não apresentaram resposta. A ausência de manifestação não representa admissão das suspeitas, que continuam dependentes da análise da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Operações começaram em 2022 e cresceram nos anos seguintes

Um dos primeiros registros identificados ocorreu em 6 de maio de 2022, quando o Master emprestou R$ 15,2 milhões à construtora Gafisa e, no mesmo dia, transferiu o crédito para uma companhia de investimentos ligada a Tanure. Em junho daquele ano, o banco registrou um empréstimo de R$ 86 milhões para outra empresa vinculada ao investidor e posteriormente repassou a dívida a um fundo constituído para concentrar créditos relacionados ao mesmo grupo empresarial.

Somente em 2022, o Banco Master teria vendido R$ 159 milhões em carteiras formadas por empréstimos concedidos poucos dias antes a empresas como Gafisa, Milos Participações e Lormont Participações. Em alguns casos, os créditos foram transferidos no próprio dia da concessão.

O volume aumentou em 2024. Conforme a planilha examinada pela reportagem, o Master registrou R$ 774 milhões em operações rápidas relacionadas à Lormont. Desse montante, R$ 463 milhões foram adquiridos pelo fundo Genicart, administrado pela Reag e estruturado especificamente para concentrar dívidas da companhia.

Em seu primeiro relatório trimestral, o Genicart informou uma redução contábil de R$ 62 milhões no valor dos créditos devido à baixa perspectiva de recuperação. O fundo passou a registrar aumento da inadimplência e foi liquidado em dezembro de 2025.

Créditos foram transferidos com prejuízo durante crise de liquidez

A partir de 2025, algumas operações passaram a ser realizadas com deságio. Em um dos casos, o Master emprestou R$ 64,8 milhões à Gafisa, mas vendeu o crédito no mesmo dia por R$ 43,7 milhões. Em outra transação, foram concedidos R$ 66,2 milhões à empresa de telecomunicações Sercomtel, com posterior cessão do crédito por R$ 47,1 milhões.

Entre 5 e 25 de setembro de 2025, o banco teria emprestado aproximadamente R$ 179 milhões a empresas vinculadas ao grupo de Tanure, em dez operações. Os créditos foram vendidos ao fundo Yvrac por valores inferiores aos registrados nos contratos originais, produzindo uma perda estimada em R$ 41 milhões para o Master em menos de um mês.

As perdas ocorreram durante um período de agravamento da situação financeira da instituição. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, citando comprometimento de sua condição econômico-financeira, deterioração da liquidez, descumprimento de normas bancárias e inobservância de determinações do órgão regulador.

Outra operação envolveu o fundo Bouliac, que adquiriu R$ 304 milhões em dívidas da Ligga Telecomunicações e da Lormont em junho de 2025. Dois meses depois, o fundo informava R$ 237,1 milhões em créditos inadimplentes e teve sua estrutura alterada para permitir que passasse a deter participações nas próprias empresas devedoras.

Auditorias apontaram falta de elementos para avaliar ativos

A auditoria independente RSM Brasil se absteve de apresentar opinião sobre as demonstrações do fundo Ravena em 2024 e 2025. Segundo os relatórios citados, os auditores não obtiveram documentação suficiente para avaliar o valor justo e a possibilidade de recuperação dos ativos que representavam quase todo o patrimônio do fundo.

Os créditos registrados pelo Ravena tinham valor de face de aproximadamente R$ 369 milhões, mas somente R$ 53 milhões haviam sido pagos, de acordo com as informações disponibilizadas pelo próprio veículo de investimento. O fundo era administrado por uma empresa ligada a Maurício Quadrado, citado em outra investigação da Polícia Federal.

Também foi identificado que o fundo MAM Tokyo adquiriu uma cédula de crédito de R$ 32,7 milhões emitida pelo Banco Master contra a Milos Participações. Após receber o pagamento do empréstimo, o fundo aplicou aproximadamente R$ 31 milhões em Certificados de Depósito Bancário emitidos pelo próprio Master.

A sequência indica que o banco captou recursos por meio de CDBs, emprestou dinheiro a uma empresa ligada a Tanure, transferiu o crédito para um fundo e recebeu novamente parte dos recursos por meio da aplicação do fundo em títulos emitidos pela própria instituição. A natureza jurídica e a racionalidade econômica de cada transação ainda dependem da análise integral dos contratos, dos fluxos financeiros e dos beneficiários finais.

Escritório de Flávio Bolsonaro emitiu três notas de R$ 500 mil

Outro núcleo do caso envolve o escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia. Em 7 de abril de 2025, a banca emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada, totalizando R$ 1 milhão, para a Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A. Os dois documentos foram cancelados.

Dois dias depois, em 9 de abril de 2025, o escritório emitiu uma terceira nota de R$ 500 mil, dessa vez para a Contábil Correa Contabilidade & Auditoria Ltda., também identificada pelo nome empresarial BR Global. O documento descrevia a prestação de serviços de “assessoria jurídica” e não apresentava registro de cancelamento.

A Contábil Correa tem como único sócio o contador Rogério Lourenço Novo. Ele também passou a ocupar a diretoria da Copenhagen em setembro de 2025. Registros societários citados pela CNN Brasil indicam que, quando as notas foram emitidas, em abril, a direção da Copenhagen estava sob responsabilidade de outro administrador.

As empresas apresentam conexões societárias e cadastrais e utilizam o mesmo endereço em São Caetano do Sul, na Região Metropolitana de São Paulo. Uma verificação no local identificou apenas a sinalização da Contábil Correa, embora os cadastros fiscais dividam o conjunto comercial entre as duas companhias.

Copenhagen recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master

Documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado indicam que o Banco Master transferiu R$ 57,9 milhões à Copenhagen entre 2024 e 2025. Os registros divulgados não apresentam as datas individualizadas nem detalham integralmente a natureza de cada pagamento.

A Copenhagen foi constituída em novembro de 2024, com capital social declarado de apenas R$ 40. Pouco depois de sua criação, recebeu aportes iniciais que totalizaram R$ 11,2 milhões, passando a figurar entre as dez empresas que mais receberam recursos do Master no período analisado.

Formalmente, a companhia pertencia ao fundo Estônia, administrado pela Trustee DTVM. A administradora afirmou que não exercia ingerência sobre as relações comerciais da Copenhagen nem participava da definição de pagamentos ou negociações mantidas pela empresa com o Banco Master.

A emissão da nota fiscal de R$ 500 mil para a Contábil Correa demonstra a existência de uma relação contratual entre a empresa e o escritório de Flávio Bolsonaro. O documento, entretanto, não comprova, isoladamente, que os recursos utilizados no pagamento tenham saído do Banco Master ou da Copenhagen. O esclarecimento dessa origem dependeria do rastreamento bancário, da análise contratual e da comprovação dos serviços prestados.

Rogério Lourenço Novo foi investigado por notas fiscais consideradas falsas

Reportagem de O Globo informou que Rogério Lourenço Novo já havia sido investigado pela Polícia Federal por suspeitas de crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro. A apuração envolvia a suposta utilização de notas fiscais consideradas falsas, emitidas por outras empresas entre 2013 e 2015, em benefício de executivos do setor automotivo.

Em 2020, a PF apontou que empresas classificadas como fachadas teriam sido usadas para emitir documentos fiscais sem correspondência com atividades efetivamente realizadas, com o objetivo de reduzir tributos. A Receita Federal calculou aproximadamente R$ 94,8 milhões em impostos, multas e juros relacionados ao caso. O processo foi arquivado em 2021 pela Justiça Federal de Sorocaba, a pedido do Ministério Público Federal, após o pagamento dos débitos tributários. Em outubro de 2025, a defesa do contador solicitou a baixa definitiva do processo e a retirada de seu nome dos registros da ação.

O procedimento arquivado não tem relação direta comprovada com as notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro em abril de 2025. A referência ao antecedente serve para contextualizar a trajetória empresarial do contador, mas não autoriza concluir que os documentos atuais sejam falsos ou que os serviços jurídicos não tenham sido prestados.

Flávio Bolsonaro nega relação com recursos do Master

Flávio Bolsonaro confirmou ter prestado serviços advocatícios à Contábil Correa. Segundo o senador, a contratação foi regular, privada e relacionada à atividade profissional de seu escritório. Ele sustenta que a banca foi contratada pela BR Global para atender clientes da empresa contábil.

O parlamentar afirmou que foi consultado sobre uma possível contratação pela Copenhagen, mas que a negociação não avançou. De acordo com sua versão, as duas notas fiscais foram canceladas porque seu escritório não recebeu valores da consultoria nem executou serviços para a empresa.

O senador também declarou não ter conhecimento prévio de vínculos entre a Contábil Correa, a Copenhagen e o Banco Master. Ele classificou como indevidas as tentativas de associá-lo automaticamente às irregularidades investigadas e anunciou que pretende representar contra responsáveis pelo suposto vazamento de informações fiscais protegidas por sigilo.

Rogério Lourenço Novo, por sua vez, afirmou ter contratado o escritório para prestar serviços jurídicos a clientes da firma contábil, em um modelo que denominou “quarteirização”. Questionado sobre quais clientes teriam sido atendidos e quais atividades foram executadas, declarou não se recordar imediatamente e pediu prazo para levantar as informações, mas não apresentou esclarecimentos adicionais à reportagem.

Pedido apresentado à PF busca rastrear origem e destino dos recursos

Em 23 de julho de 2026, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) encaminhou representação à Polícia Federal pedindo que as notas fiscais fossem incorporadas às investigações relacionadas ao Banco Master. O parlamentar solicitou diligências destinadas a identificar a origem dos recursos, o destino dos pagamentos e a efetiva prestação dos serviços jurídicos declarados.

A representação também pede o compartilhamento das informações com os inquéritos que apuram Daniel Vorcaro, o Banco Master, a Copenhagen e estruturas de fundos administradas pela Trustee DTVM. A apresentação do pedido, contudo, não significa que a Polícia Federal tenha instaurado uma investigação específica contra Flávio Bolsonaro nem representa comprovação de irregularidade.

A análise deverá distinguir três questões: a existência formal do contrato; a comprovação material dos serviços prestados; e a origem econômica do dinheiro utilizado no pagamento. A emissão de uma nota fiscal comprova o registro de uma operação, mas não esclarece, por si só, todos os elementos financeiros e contratuais relacionados ao negócio.

Associação de delegados alerta para risco de anulação do caso Master

Em entrevista ao SBT News divulgada no sábado (25/07/2026), o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Edvandir Paiva, afirmou que a Operação Compliance Zero não está protegida contra possíveis anulações judiciais. O delegado relacionou o risco ao elevado impacto político da investigação, às disputas eleitorais e às especulações sobre o caso.

Paiva comparou o cenário ao histórico de operações como Lava Jato, Satiagraha, Castelo de Areia e Métis, que tiveram atos ou processos anulados por decisões judiciais relacionadas a questões de competência, procedimentos de investigação ou admissibilidade das provas.

O presidente da entidade ressaltou, entretanto, que a Polícia Federal modificou protocolos para reduzir riscos processuais. Segundo ele, as investigações atuais não utilizam agentes externos à corporação, conduções coercitivas ou denúncias anônimas como único fundamento para diligências.

O dirigente também observou que os inquéritos circulam entre Polícia Federal, Ministério Público, Poder Judiciário e advogados de defesa, motivo pelo qual eventuais vazamentos não podem ser atribuídos automaticamente à corporação. Ele defendeu a responsabilização individual de qualquer agente que tenha divulgado informações protegidas.

A manifestação foi feita pelo presidente da associação representativa dos delegados, e não constitui comunicado oficial da direção-geral da Polícia Federal. O alerta se refere ao risco jurídico decorrente da tramitação e do ambiente político da investigação, sem apontar, até o momento, um erro processual específico que determine a anulação da Compliance Zero.

Linha do tempo do caso

  • 2013 a 2015: empresas relacionadas a Rogério Lourenço Novo teriam emitido notas fiscais consideradas inidôneas em um esquema tributário envolvendo o setor automotivo.
  • 2020: a Polícia Federal atribuiu ao contador participação na estrutura investigada por crimes tributários e lavagem de dinheiro.
  • 2021: a Justiça Federal de Sorocaba arquivou o procedimento, a pedido do Ministério Público Federal, depois da quitação dos débitos tributários.
  • 6 de maio de 2022: o Banco Master emprestou R$ 15,2 milhões à Gafisa e transferiu o crédito no mesmo dia para uma empresa de investimentos ligada a Nelson Tanure. (
  • 2022: operações de rápida cessão de créditos envolvendo empresas relacionadas a Tanure somaram pelo menos R$ 159 milhões.
  • 2024: o volume de operações vinculadas à Lormont alcançou R$ 774 milhões; R$ 463 milhões foram transferidos ao fundo Genicart.
  • Novembro de 2024: a Copenhagen foi constituída com capital social declarado de R$ 40 e começou a receber recursos relacionados ao Banco Master.
  • 7 de abril de 2025: o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu duas notas de R$ 500 mil para a Copenhagen; os documentos foram cancelados.
  • 9 de abril de 2025: o escritório emitiu uma nota de R$ 500 mil para a Contábil Correa, sem registro de cancelamento.
  • Maio e junho de 2025: fundos como Yvrac e Bouliac adquiriram créditos referentes a empresas ligadas a Tanure.
  • Setembro de 2025: dez operações somaram R$ 179 milhões e provocaram perda estimada em R$ 41 milhões para o Banco Master; Rogério Lourenço Novo assumiu a direção da Copenhagen.
  • 8 de outubro de 2025: a defesa de Rogério pediu a baixa do antigo processo tributário e a retirada de seu nome dos registros.
  • 18 de novembro de 2025: o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por deterioração da liquidez e descumprimento de normas e determinações regulatórias.
  • Dezembro de 2025: o fundo Genicart foi liquidado depois de registrar inadimplência e baixa expectativa de recuperação dos créditos.
  • 9 de julho de 2026: a Polícia Federal deflagrou a décima fase da Operação Compliance Zero, aprofundando as apurações sobre a estrutura relacionada ao Banco Master.
  • 22 de julho de 2026: foram divulgadas as três notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro; o senador confirmou o contrato com a Contábil Correa e negou ter recebido dinheiro da Copenhagen.
  • 23 de julho de 2026: Lindbergh Farias pediu à Polícia Federal que investigasse a origem dos recursos e a efetiva prestação dos serviços jurídicos.
  • 24 de julho de 2026: reportagem revelou pelo menos R$ 1,112 bilhão em operações de rápida transferência envolvendo o Master, empresas ligadas a Nelson Tanure e fundos de investimento. )
  • 25 de julho de 2026: foram divulgados o histórico da investigação tributária envolvendo Rogério Lourenço Novo e o alerta da associação dos delegados sobre o risco de anulações na Operação Compliance Zero.

Os elementos divulgados revelam uma investigação composta por núcleos distintos, mas inseridos na mesma rede de relações empresariais e financeiras. De um lado, estão operações bilionárias entre o Banco Master, empresas ligadas a Nelson Tanure e fundos cujos ativos apresentaram inadimplência, deságio ou documentação insuficiente para avaliação independente. De outro, surgem contratos e notas fiscais relacionados ao escritório de Flávio Bolsonaro e a empresas que mantiveram relações societárias ou financeiras com estruturas examinadas no caso.

A responsabilidade individual de cada pessoa ou empresa somente poderá ser definida a partir da reconstrução integral dos fluxos financeiros, da identificação dos beneficiários finais, da análise dos contratos e da comprovação dos serviços declarados. É necessário preservar a diferença entre uma conexão empresarial documentada, uma suspeita investigativa e uma conduta criminal comprovada. O arquivamento do antigo processo envolvendo Rogério Lourenço Novo também impede que aquele episódio seja apresentado como condenação ou prova de irregularidade nas operações atuais.

O alerta da Associação Nacional dos Delegados acrescenta uma dimensão institucional decisiva. A relevância econômica e eleitoral do caso aumenta a necessidade de respeito às regras de competência, cadeia de custódia, sigilo, contraditório e fundamentação das medidas judiciais. Os próximos passos dependerão da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República, do Supremo Tribunal Federal, do Banco Central e dos órgãos de controle responsáveis por determinar a origem dos recursos, a regularidade dos contratos, a situação dos fundos e a eventual participação de agentes públicos ou privados nos fatos investigados.


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