Nesta quarta-feira (29/07/2026), a consolidação das pesquisas eleitorais divulgadas pelo Datafolha em julho de 2026 mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida nacional ao Palácio do Planalto, com 40% das intenções de voto, diante de 32% do senador Flávio Bolsonaro (PL), além de vantagem de cinco pontos em eventual segundo turno. No Estado de São Paulo, entretanto, os dois aparecem tecnicamente empatados, enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera a disputa estadual com 46%, contra 30% do ex-ministro Fernando Haddad (PT). As rodadas foram realizadas presencialmente, possuem margem de erro de dois pontos percentuais e estão registradas na Justiça Eleitoral sob os códigos SP-01703/2026, BR-06481/2026 e BR-01166/2026.
Datafolha abriu julho com pesquisa no Estado de São Paulo
A primeira rodada do Datafolha divulgada em julho foi realizada entre 01 e 03/07/2026, com 1.608 eleitores de 16 anos ou mais, distribuídos por 71 municípios paulistas. O levantamento teve margem de erro máxima de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registros SP-01703/2026 e BR-06481/2026 no Tribunal Superior Eleitoral — TSE.
Os resultados foram publicados em etapas. Em 05/07/2026, a Folha de S.Paulo apresentou os dados sobre a disputa pelo Governo de São Paulo e a avaliação da administração estadual. Em 08/07/2026, foram divulgados os recortes relativos à corrida presidencial entre os eleitores paulistas e à avaliação do Governo Lula no maior colégio eleitoral do país.
A utilização de dois números de registro decorre da abrangência do questionário, que incluiu tanto temas estaduais quanto cenários da eleição presidencial. O código SP-01703/2026 identifica o levantamento estadual, enquanto o registro BR-06481/2026 está relacionado às perguntas de alcance nacional aplicadas à amostra paulista.
Tarcísio registra 46% e Haddad aparece com 30%
Na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio de Freitas alcançou 46% das intenções totais de voto, abrindo vantagem de 16 pontos percentuais sobre Fernando Haddad, que marcou 30%.
Vera Lúcia, do PSTU, apareceu com 5%; Vivian Mendes, da Unidade Popular, com 4%; e Carlos Machado, do PCB, também com 4%. Os votos brancos, nulos ou em nenhum candidato somaram 8%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam responder.
Quando considerados somente os votos válidos — cálculo que exclui votos brancos e nulos —, Tarcísio chegou a 52%, ante 34% de Haddad. O resultado colocou o governador numericamente acima do patamar necessário para uma vitória em primeiro turno, mas a margem de erro e a antecedência em relação à eleição impedem a interpretação do levantamento como previsão definitiva do resultado.
Segundo turno amplia diferença entre os candidatos
Na simulação de segundo turno, Tarcísio apareceu com 53%, enquanto Haddad registrou 37%. A distância entre os dois permaneceu semelhante à identificada em levantamentos anteriores do instituto.
O índice de rejeição também foi mais elevado para o candidato petista. Segundo o Datafolha, 47% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Haddad em nenhuma hipótese, enquanto 29% disseram o mesmo sobre o atual governador.
Na pesquisa espontânea, em que os nomes não são apresentados previamente, Tarcísio foi citado por 21%, enquanto outros 3% mencionaram apenas o “atual governador”. Haddad alcançou 8%, ante 2% registrados na rodada anterior, e 1% declarou preferência genérica por um candidato do PT.
Interior amplia vantagem de Tarcísio
A divisão territorial dos resultados mostrou uma diferença relevante entre o interior e a Região Metropolitana de São Paulo. No interior, responsável por aproximadamente 53% do eleitorado estadual, Tarcísio obteve 49%, contra 26% de Haddad.
Na capital e nos demais municípios da Região Metropolitana, a vantagem do governador diminuiu. Tarcísio registrou 43%, enquanto o ex-ministro alcançou 35%.
O recorte confirma que o interior permanece como a área mais favorável ao campo político representado pelo governador, enquanto Haddad apresenta desempenho relativamente melhor na capital paulista e nos municípios metropolitanos.
Governo Tarcísio tem avaliação positiva de 45%
A mesma pesquisa apontou que 45% dos eleitores paulistas classificavam o Governo Tarcísio como ótimo ou bom. Outros 32% consideravam a administração regular, enquanto 20% avaliavam a gestão como ruim ou péssima.
Quando perguntados diretamente se aprovavam ou desaprovavam o trabalho do governador, 63% declararam aprovação e 32% desaprovação. Os números permaneceram estáveis em relação à rodada realizada pelo Datafolha em março de 2026.
Apesar dos índices de aprovação, 46% dos entrevistados afirmaram que o governador havia realizado menos do que poderia no cargo. Para 35%, o desempenho correspondia ao esperado, e 13% consideravam que a gestão havia feito mais do que se esperava.
Segurança e saúde lideram preocupações estaduais
A segurança pública e a saúde foram apontadas como os dois principais problemas de São Paulo, ambas citadas por 27% dos eleitores. A educação apareceu em seguida, com 11%.
A identificação dessas áreas como prioridades indica que a avaliação geral favorável ao governo não elimina cobranças sobre políticas públicas diretamente relacionadas ao cotidiano da população.
Os dados também mostram que a aprovação administrativa e a intenção de voto não são indicadores idênticos, embora a avaliação positiva possa oferecer uma base eleitoral relevante ao candidato que busca permanecer no cargo.
Lula e Flávio Bolsonaro empatam entre eleitores paulistas
No cenário presidencial de primeiro turno aplicado aos eleitores de São Paulo, Lula e Flávio Bolsonaro registraram 35% cada um, configurando empate dentro da margem de erro.
Ronaldo Caiado e Renan Santos apareceram com 3% cada. Romeu Zema, Samara Martins e Aécio Neves marcaram 2%, enquanto Augusto Cury, Cabo Daciolo, Rui Costa Pimenta e Joaquim Barbosa obtiveram 1%. Edmilson Costa e Hertz Dias não pontuaram.
Na pesquisa espontânea, Lula foi mencionado por 24% dos entrevistados, contra 18% de Flávio Bolsonaro. Outros 37% não souberam indicar um candidato, e 8% declararam intenção de votar em branco, anular ou não escolher nenhum dos nomes.
Flávio aparece numericamente à frente no segundo turno em São Paulo
Em eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o senador alcançou 46%, enquanto o presidente registrou 43%. A diferença de três pontos configura empate técnico, considerada a margem de erro de dois pontos percentuais para cada resultado.
Lula também apareceu tecnicamente empatado com outros candidatos do campo oposicionista. Ronaldo Caiado obteve 43%, ante 42% do presidente, enquanto Romeu Zema marcou 44%, diante de 41% do petista.
O índice de rejeição de Lula entre os paulistas chegou a 51%, enquanto Flávio Bolsonaro foi rejeitado por 43%. O resultado estabelece uma diferença entre o desempenho do presidente no conjunto nacional e sua posição no maior colégio eleitoral brasileiro.
Região Metropolitana e interior apresentam comportamentos distintos
No confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente liderou na capital e na Região Metropolitana, com 48%, contra 40% do senador.
No interior paulista, a situação foi inversa: Flávio alcançou 52%, enquanto Lula registrou 38%. A margem de erro específica era de quatro pontos percentuais no interior e de três pontos na área metropolitana.
O mesmo padrão territorial apareceu nas simulações envolvendo Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Os candidatos do campo oposicionista apresentaram desempenho mais elevado no interior, enquanto Lula se mostrou mais competitivo nos municípios metropolitanos.
Avaliação do Governo Lula é mais negativa em São Paulo
Entre os eleitores paulistas, 43% classificaram o Governo Lula como ruim ou péssimo, enquanto 29% avaliaram a administração como ótima ou boa. Para 26%, o desempenho era regular.
Na pergunta direta sobre aprovação, 55% desaprovaram o governo e 42% aprovaram. Outros 3% não souberam responder. No interior, a desaprovação chegou a 59%; na Região Metropolitana, ficou em 50%.
O levantamento mostrou ainda que 63% dos paulistas consideravam que o presidente havia feito por São Paulo menos do que esperavam. Outros 22% disseram que Lula havia realizado o esperado, enquanto 11% avaliaram que o Governo Federal havia feito mais do que o previsto.
Rodada nacional mostra Lula com 40% e Flávio com 32%
A segunda pesquisa eleitoral do Datafolha divulgada em julho teve abrangência nacional. O instituto ouviu presencialmente 2.004 eleitores em 139 municípios, entre 22 e 23/07/2026.
O levantamento foi divulgado em 24/07/2026, teve margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e foi registrado no TSE sob o número BR-01166/2026.
No principal cenário estimulado de primeiro turno, Lula alcançou 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 32%, uma diferença de oito pontos percentuais.
Ronaldo Caiado registrou 4%. Romeu Zema e Renan Santos marcaram 3% cada, seguidos por Augusto Cury, com 2%. Samara Martins, Cabo Daciolo e Rui Costa Pimenta obtiveram 1% cada. Hertz Dias, Edmilson Costa e Leonardo Avalanche não pontuaram.
Os eleitores que declararam voto branco, nulo ou em nenhum candidato representaram 8%, enquanto 3% disseram estar indecisos. No cálculo dos votos válidos, Lula chegou a 45%, contra 36% de Flávio Bolsonaro.
Lula alcança 48% contra 43% de Flávio no segundo turno
Na simulação nacional de segundo turno, Lula registrou 48%, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 43%. A diferença de cinco pontos colocou o presidente numericamente à frente do senador.
Em outros confrontos, Lula marcou 47% contra 40% de Ronaldo Caiado e 48% contra 40% de Romeu Zema. Os resultados indicaram vantagem do presidente nos três cenários testados pelo instituto.
Na pesquisa espontânea, Lula foi citado por 30% dos entrevistados, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 17%. O desempenho espontâneo confirmou a concentração da disputa nos dois nomes, embora uma parcela expressiva do eleitorado ainda não tivesse manifestado preferência consolidada.
Rejeição permanece elevada entre os principais candidatos
Flávio Bolsonaro apresentou o maior índice de rejeição da rodada nacional: 48% dos entrevistados afirmaram que não votariam nele em nenhuma circunstância.
Lula foi rejeitado por 46%. Os demais candidatos testados registraram índices inferiores a 13%.
A proximidade entre os percentuais de rejeição demonstra que os dois principais concorrentes mobilizam bases eleitorais amplas, mas também enfrentam resistência significativa de parcelas do eleitorado.
Governo Lula tem 49% de aprovação e 48% de desaprovação
A pesquisa nacional também mediu a percepção sobre o desempenho do Governo Federal. Segundo o Datafolha, 49% aprovavam o trabalho do presidente Lula, enquanto 48% desaprovavam.
A diferença de um ponto percentual caracteriza equilíbrio dentro da margem de erro. Na avaliação qualitativa da administração, 32% classificaram o governo como ótimo ou bom; 28%, como regular; e 38%, como ruim ou péssimo.
Os índices permaneceram estáveis em relação à rodada anterior. A manutenção simultânea de uma avaliação negativa superior à positiva e de um empate entre aprovação e desaprovação mostra que as duas formas de mensuração captam dimensões diferentes da opinião pública.
São Paulo diverge parcialmente do cenário nacional
A comparação entre os levantamentos de julho revela que o comportamento do eleitorado paulista difere da média brasileira. Nacionalmente, Lula abriu oito pontos sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno; em São Paulo, os dois registraram 35%.
No segundo turno, Lula apareceu cinco pontos à frente na amostra nacional, enquanto Flávio teve vantagem numérica de três pontos no Estado de São Paulo. Em ambos os casos, as margens de erro precisam ser consideradas na interpretação dos resultados.
A diferença estadual possui relevância eleitoral porque São Paulo reúne mais de 30 milhões de eleitores e representa o maior colégio eleitoral do Brasil. Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro obteve 55,24% dos votos válidos no segundo turno paulista, enquanto Lula alcançou 44,76%.
Registros, períodos de campo e datas de divulgação
Pesquisa Datafolha no Estado de São Paulo
Registros no TSE: SP-01703/2026 e BR-06481/2026
Período de campo: 01 a 03/07/2026
Primeira data de divulgação: 05/07/2026 — Governo de São Paulo e avaliação do Governo Tarcísio
Divulgação complementar: 08/07/2026 — Disputa presidencial e avaliação do Governo Lula entre os paulistas
Amostra: 1.608 eleitores
Municípios: 71
Margem de erro: dois pontos percentuais
Nível de confiança: 95%
Pesquisa Datafolha nacional
Registro no TSE: BR-01166/2026
Período de campo: 22 a 23/07/2026
Data de divulgação: 24/07/2026
Amostra: 2.004 eleitores
Municípios: 139
Margem de erro: dois pontos percentuais
Nível de confiança: 95%
Linha do tempo das pesquisas Datafolha de julho de 2026
01/07/2026: início das entrevistas da pesquisa estadual em São Paulo.
03/07/2026: encerramento do levantamento paulista, após entrevistas com 1.608 eleitores em 71 municípios.
05/07/2026: divulgação dos resultados para o Governo de São Paulo, com Tarcísio de Freitas registrando 46% e Fernando Haddad, 30%; publicação da avaliação do governo estadual.
08/07/2026: divulgação do recorte presidencial da pesquisa paulista, com Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 35% no primeiro turno.
22/07/2026: início da rodada nacional do Datafolha.
23/07/2026: encerramento das entrevistas nacionais, com 2.004 eleitores ouvidos em 139 municípios.
24/07/2026: divulgação da pesquisa nacional, com Lula registrando 40% no primeiro turno e 48% no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que marcou 32% e 43%, respectivamente.
Os levantamentos do Datafolha de julho apresentam uma disputa presidencial nacionalmente concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas marcada por diferenças territoriais relevantes. O desempenho do senador em São Paulo é superior à média nacional, especialmente no interior, enquanto o presidente preserva maior competitividade na capital e na Região Metropolitana. A capacidade das campanhas de reduzir ou ampliar essas diferenças regionais terá impacto direto na formação do resultado nacional.
Na eleição paulista, Tarcísio inicia a fase de formalização das candidaturas com vantagem consistente sobre Haddad, apoiada por índices de aprovação superiores à rejeição e por desempenho elevado no interior. O candidato petista enfrenta o desafio de ampliar sua penetração fora da Região Metropolitana e de converter o eleitorado lulista em apoio estadual, enquanto o governador precisa responder às cobranças relacionadas à segurança pública, à saúde e à percepção de que sua administração poderia ter realizado mais.
As pesquisas representam a opinião dos entrevistados nos períodos em que foram realizadas e não constituem prognósticos definitivos. Os próximos levantamentos deverão indicar os efeitos das convenções partidárias, do registro formal das candidaturas, da propaganda eleitoral e dos debates sobre as intenções de voto. Permanecerão sob acompanhamento a evolução da diferença nacional entre Lula e Flávio Bolsonaro, a capacidade de recuperação de Haddad em São Paulo, o comportamento do eleitorado do interior e a relação entre avaliação administrativa, rejeição e decisão eleitoral.








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