Na segunda-feira, 13/07/2026, o deputado estadual Angelo Almeida (PT) criticou o ex-prefeito de Salvador ACM Neto e o atual chefe do Executivo municipal, Bruno Reis, ao afirmar que compromissos anunciados em campanhas e planos de governo foram adiados, reformulados ou incorporados novamente à agenda administrativa sem que as metas originais tivessem sido integralmente alcançadas. O parlamentar citou projetos nas áreas de segurança urbana, habitação, educação inclusiva, mobilidade, meio ambiente, inovação e desenvolvimento econômico. Registros públicos consultados confirmam atrasos e metas incompletas em parte dos casos, embora também revelem entregas parciais, mudanças de escopo e projetos em diferentes fases de execução. A Assembleia Legislativa da Bahia registra atualmente Almeida como parlamentar filiado ao PT.
A manifestação de Angelo Almeida ocorreu em meio ao confronto político entre a base do Governo da Bahia e o grupo liderado por ACM Neto, que governou Salvador entre 2013 e 2020 e mantém influência direta sobre a administração de Bruno Reis, iniciada em janeiro de 2021.
Segundo o deputado, a sucessão entre as duas gestões permitiu que compromissos antigos fossem reapresentados sob novos prazos ou formatos, sem que houvesse uma prestação de contas suficientemente detalhada sobre as metas anteriores.
“Eles prometem na campanha, adiam no governo e, quando o prazo vence, anunciam tudo outra vez. A promessa é a única obra que Neto e Bruno conseguem entregar antes do prazo”, declarou Angelo Almeida.
A crítica política encontra amparo em dados levantantados. Os registros disponíveis mostram situações distintas: há metas numéricas efetivamente não alcançadas, obras interrompidas, projetos que permaneceram no planejamento e iniciativas parcialmente executadas. Também existem equipamentos entregues por etapas e programas que continuaram funcionando, mas em ritmo inferior ao inicialmente anunciado. O cenário evidencia baixa eficácia e eficiência administrativa e executiva.
Promessa de ampliar Guarda Municipal volta ao debate
Entre os compromissos mencionados está a promessa atribuída à campanha de ACM Neto, em 2012, de colocar 3,5 mil guardas municipais nas ruas de Salvador. Conforme o material divulgado pelo parlamentar, a Guarda Civil Municipal teria atualmente cerca de 1,3 mil agentes, número significativamente inferior à meta anunciada.
A dimensão exata do quadro ativo precisa ser atualizada pela administração municipal, com a separação entre servidores efetivos, agentes em atividade operacional, afastados, aposentados e profissionais lotados em funções administrativas. Referências públicas recentes situam o efetivo total da corporação em aproximadamente 1,4 mil integrantes, mas não apresentam a distribuição funcional detalhada.
A Prefeitura informou, em novembro de 2025, que realizaria um novo concurso para ampliar o quadro da Guarda Municipal em 2026. O último certame, aberto em 2019, previa inicialmente 50 vagas, mas resultou na convocação de mais de 400 candidatos, segundo informações divulgadas após o esgotamento do cadastro de reserva. O anúncio de uma nova seleção demonstra que a própria administração reconhece a necessidade de reforçar o efetivo, embora não represente o cumprimento da meta de 3,5 mil agentes atribuída ao programa eleitoral de 2012.
Morar Melhor não alcançou meta original de 100 mil residências
Na habitação, Angelo Almeida mencionou o programa Morar Melhor, lançado durante a administração de ACM Neto. A proposta original previa a reforma de 100 mil residências em cinco anos, com investimentos estimados em R$ 500 milhões.
Documento publicado pela própria Prefeitura registrava, ainda em 2017, que aproximadamente 14 mil imóveis haviam sido atendidos desde o lançamento do programa, em outubro de 2015, e reiterava a meta de chegar a 100 mil residências no período de cinco anos.
Mais de uma década depois da criação da iniciativa, a administração municipal informa ter ultrapassado a marca de 60 mil casas reformadas. O resultado demonstra continuidade e alcance social relevante, mas confirma que o objetivo quantitativo originalmente divulgado não foi atingido dentro do prazo estabelecido.
Em abril de 2025, a Prefeitura contabilizava mais de 56 mil imóveis beneficiados e cerca de duas mil reformas executadas nos primeiros cem dias daquele ano. A diferença entre o volume realizado e a meta inicial não significa inexistência do programa, mas evidencia uma alteração substancial do cronograma originalmente apresentado à população.
Escola do Curralinho permanece sem entrega após pagamentos de R$ 12,5 milhões
A situação da Escola Municipal do Curralinho, planejada para ampliar o atendimento a crianças com Transtorno do Espectro Autista, constitui um dos casos mais sensíveis da lista apresentada pelo deputado.
A ordem de serviço foi anunciada em janeiro de 2022, com previsão de entrega em 2023. Entretanto, a Prefeitura rescindiu, em 26/06/2026, o contrato nº 137/2021, firmado com a empresa Nordeste Engenharia. Dados reunidos no Portal da Transparência apontam pagamentos de R$ 12.590.321,77 entre 2021 e 2025, sem que a unidade tivesse sido colocada em funcionamento.
A obra foi concebida para funcionar em uma área de aproximadamente 6,7 mil metros quadrados, com 20 salas de aula, espaços de atendimento especializado, piscina, quadra esportiva, refeitório, sanitários adaptados e estrutura de acessibilidade.
A administração municipal informou que a rescisão ocorreu de forma consensual e que uma nova licitação foi homologada para viabilizar a retomada da construção. Vereadores de oposição, entretanto, cobram informações sobre o percentual físico executado, os serviços efetivamente pagos, as causas do atraso e eventuais responsabilidades contratuais.
Angelo Almeida afirmou que a nova contratação envolve a mesma empresa responsável pela execução anterior. Esse ponto depende de confirmação documental específica no novo contrato, com identificação da empresa contratada, valor atualizado, prazo de conclusão e condições para reaproveitamento da estrutura existente.
Programas educacionais e sociais também são questionados
O parlamentar incluiu entre as promessas não concluídas a oferta de ensino em tempo integral para todas as crianças de até 5 anos matriculadas em creches e pré-escolas municipais. Para avaliar o cumprimento desse compromisso, a Secretaria Municipal da Educação precisa divulgar o total de matrículas nessa faixa etária e a proporção efetivamente atendida em jornada integral.
Também foram mencionados o Programa Centro de Bairro e o Programa de Empreendedorismo LGBT, apresentados durante a administração de ACM Neto. O material divulgado pelo deputado sustenta que as iniciativas não foram integralmente entregues até o encerramento do mandato.
Meta de mil ônibus climatizados venceu em 2022
Na mobilidade urbana, a Prefeitura assumiu o compromisso de incorporar mil ônibus com ar-condicionado ao sistema de transporte coletivo até 2022.
A meta consta do Relatório de Atividades do Município referente a 2019, segundo o qual um Termo de Ajustamento de Conduta firmado com as concessionárias deveria garantir a entrada em circulação de mil veículos climatizados até o fim de 2022.
Em fevereiro de 2023, levantamento publicado pelo Jornal Grande Bahia registrava aproximadamente 430 veículos climatizados. Informações municipais posteriores indicaram que Salvador havia superado a marca de 600 ônibus com ar-condicionado, mas ainda permanecia abaixo da meta original.
A renovação gradual da frota representa uma melhoria concreta para os usuários, especialmente em uma cidade de clima quente. Contudo, a incorporação progressiva dos veículos não modifica o fato de que o prazo fixado para alcançar mil unidades terminou sem o cumprimento integral do compromisso.
BRS passou por sucessivas mudanças de prazo e percurso
O Bus Rapid Service — BRS, sistema baseado em faixas preferenciais ou exclusivas para ônibus, também foi citado por Angelo Almeida como exemplo de promessa reprogramada.
O projeto começou a ser divulgado publicamente em janeiro de 2024, inicialmente associado à ligação entre a região central e o Aeroporto de Salvador. Durante a entrega do segundo trecho do BRT, em abril de 2024, a administração municipal informou que uma futura linha B6 ligaria a Estação da Lapa ao aeroporto pela orla, utilizando o modelo BRS.
Em maio de 2025, o então secretário municipal de Mobilidade projetou o início da operação para 2026 e informou investimento inicial de R$ 4,2 milhões. O percurso anunciado sairia da Lapa, passaria pela Avenida Vasco da Gama, Rio Vermelho, orla, Avenida Dorival Caymmi e chegaria ao aeroporto.
Em 2026, entretanto, a Prefeitura passou a apresentar a implantação por trechos. A primeira etapa divulgada liga o Rio Vermelho ao Costa Azul, enquanto uma segunda fase alcançaria Itapuã. A mudança não significa necessariamente abandono do percurso completo, mas confirma que a ligação Lapa–Aeroporto não entrou em funcionamento dentro dos prazos inicialmente associados ao projeto.
Parques ambientais apresentam estágios diferentes
Angelo Almeida também cobrou a conclusão do Parque Socioambiental de Canabrava, do Parque Urbano de Ipitanga I e de um novo Horto Municipal.
No caso de Canabrava, a Prefeitura entregou, em janeiro de 2025, um estacionamento com 2.040 vagas, apresentado como uma das etapas do parque. A estrutura é utilizada principalmente durante eventos no Estádio Manoel Barradas, o Barradão.
O parque completo, porém, ainda não foi entregue. Em 2026, a Fundação Mário Leal Ferreira informou que o projeto estava em fase final e deveria ser licitado ao longo do ano. O equipamento ocupará cerca de 54 hectares e deverá reunir áreas ambientais, esportivas, culturais, sociais e de tratamento de resíduos.
A própria Fundação informou que o projeto do Parque de Ipitanga havia sido concluído e que a execução era prevista para 2026. Portanto, o compromisso não estava materializado como parque aberto à população, embora já tivesse ultrapassado a fase inicial de formulação.
A situação do Horto Municipal exige uma distinção. A Prefeitura iniciou, ainda em 2023, a construção do Centro de Interpretação da Mata Atlântica em uma área de 13,8 mil metros quadrados no Bonfim, com investimento anunciado de R$ 7,1 milhões e prazo inicial de dez meses. O projeto previa produção de mudas, escola de jardinagem, áreas de visitação e atividades de educação ambiental. Assim, o equipamento não permaneceu apenas no campo das intenções, mas a administração precisa atualizar publicamente seu estágio físico, o valor executado e a data definitiva de entrega.
Polo de Valéria e Centro de Inovação permanecem sem operação plena
O Polo Logístico de Valéria, prometido em 2020, recebeu regulamentação urbanística, incentivos fiscais e estudos de viabilidade, mas continuava sem implantação física consolidada.
Relatório municipal referente a 2025 descreve o polo como uma oportunidade estratégica e informa que a Prefeitura ainda atuava na disponibilização de uma área adequada para grandes equipamentos logísticos e na formulação de medidas de atração de investimentos. O documento confirma que o projeto permanecia predominantemente na etapa de articulação institucional e preparação territorial.
O Centro de Inovação do Subúrbio também foi divulgado como equipamento voltado à tecnologia, ao empreendedorismo e à geração de oportunidades na região de Plataforma. Registros municipais anteriores mencionavam o centro entre as estruturas que ainda seriam entregues.
Embora a Prefeitura tenha anunciado avanços em políticas de inovação e iniciativas como o Hub Salvador e o Colabore, a entrega efetiva do centro destinado ao Subúrbio precisa ser demonstrada por meio de informações sobre funcionamento, serviços disponíveis, capacidade de atendimento, empresas ou empreendedores beneficiados e recursos empregados.
Projeto de aquário no Forte São Marcelo não avançou
Em 2022, Bruno Reis anunciou a possibilidade de implantação de um aquário e de um restaurante subaquático vinculados ao Forte São Marcelo, monumento histórico situado na Baía de Todos-os-Santos.
A proposta foi amplamente divulgada, mas não chegou à execução. Em junho de 2026, a Secretaria do Patrimônio da União oficializou a cessão do forte ao Governo da Bahia por 20 anos. A administração estadual passou a ser responsável pela recuperação, preservação e utilização turística do monumento, com prazo de até 24 meses para viabilizar sua reabertura.
O projeto associado à cessão estadual prevê restauração, turismo, cultura e convivência social, sem referência confirmada ao aquário ou ao restaurante subaquático anteriormente anunciados pela Prefeitura.
“Antes de apontarem o dedo, Neto e Bruno deveriam procurar onde guardaram tudo aquilo que prometeram a Salvador. Pelo tamanho da lista, não cabe debaixo do tapete”, concluiu Angelo Almeida.








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