Deputado Robinson Almeida acusa ACM Neto de preparar privatização da Embasa e cita R$ 6,7 bilhões em investimentos

O deputado estadual Robinson Almeida (PT) acusou, nesta quarta-feira (29/07/2026), o candidato do União Brasil ao Governo da Bahia, ACM Neto, de utilizar críticas à Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) para preparar politicamente uma possível privatização da companhia. A manifestação ocorreu após o ex-prefeito de Salvador prometer uma reestruturação da estatal, em meio a reclamações de moradores sobre abastecimento de água e saneamento. O parlamentar contrapôs as declarações com dados sobre cobertura, novas ligações e investimentos que, segundo ele, somaram R$ 6,7 bilhões nos últimos cinco anos.

ACM Neto critica atuação da Embasa e promete reorganizar estatal

A controvérsia começou depois de ACM Neto criticar o desempenho da Embasa durante os governos estaduais administrados pelo PT. Em agenda política realizada na terça-feira (28/07), no bairro do Cabula, em Salvador, o candidato afirmou que a empresa teria ampliado as tarifas sem oferecer, na mesma proporção, serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

Segundo Neto, uma eventual administração estadual comandada por ele faria uma revisão do papel da companhia e reorganizaria sua estrutura para ampliar a eficiência e levar os serviços às localidades ainda não atendidas.

“Nós vamos fazer uma revisão completa no papel da Embasa, vamos reorganizar a empresa. Ela será uma empresa eficiente, que vai dar resultado para a Bahia e, principalmente, que vai levar os serviços onde ainda não existem.”

O representante do União Brasil também afirmou que a reorganização não transferiria os custos aos consumidores. Na declaração divulgada, ACM Neto não mencionou expressamente a privatização da Embasa, mas defendeu uma revisão do modelo de gestão da estatal. (MundoBA)

Robinson Almeida associa críticas a projeto de privatização

Ao reagir, Robinson Almeida sustentou que o discurso de reestruturação esconderia um projeto de transferência da empresa para a iniciativa privada. O deputado afirmou que as críticas procuram enfraquecer a imagem institucional da Embasa, companhia responsável pela prestação de serviços de água e esgoto em grande parte dos municípios baianos.

“Quando ACM Neto ataca a Embasa dessa forma, ele não está apresentando uma solução para melhorar o serviço. O projeto de ACM Neto é privatizar a Embasa, uma empresa estratégica para a Bahia. E, pela lógica dele, quem vai pagar caro pela água é o consumidor.”

O parlamentar argumentou que a prestação privada de serviços essenciais seria orientada prioritariamente pela obtenção de lucro, com possíveis repercussões sobre as tarifas cobradas da população. A declaração representa, entretanto, uma interpretação política de Robinson sobre a proposta do adversário, uma vez que não foi apresentado, na manifestação que originou o confronto, um programa formal de privatização da companhia.

A Embasa é uma sociedade de economia mista criada pela Lei Estadual nº 2.929, de 1971, vinculada à Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento da Bahia. Ao final de 2025, operava 416 sistemas de abastecimento de água em 368 municípios, com aproximadamente 4,4 milhões de ligações, além de 440 sistemas de esgotamento sanitário em 122 municípios, responsáveis por cerca de 1,7 milhão de ligações.

Deputado apresenta indicadores de água e esgotamento sanitário

Robinson Almeida afirmou que a cobertura de abastecimento de água na Bahia passou de 88% para mais de 97%, enquanto o acesso ao esgotamento sanitário teria avançado de aproximadamente 30% para quase 50% durante o período dos governos petistas.

“ACM Neto tenta construir uma narrativa de fracasso, mas os números mostram exatamente o contrário. Isso é resultado de planejamento, investimento público e compromisso com a população.”

De acordo com o parlamentar, os investimentos alcançaram a capital, os municípios do interior e áreas do semiárido historicamente afetadas pela irregularidade das chuvas e por dificuldades de acesso a sistemas regulares de abastecimento.

Os percentuais apresentados por Robinson foram utilizados como indicadores da expansão dos serviços, mas a comparação técnica depende da manutenção de uma mesma metodologia, base populacional, território atendido e conceito de cobertura. Indicadores de acesso à rede, ligação existente, abastecimento efetivo, coleta de esgoto e tratamento dos resíduos medem dimensões distintas do saneamento.

Embasa confirma investimento recorde em 2025

Robinson Almeida informou que a Embasa aplicou mais de R$ 6,7 bilhões nos últimos cinco anos em expansão dos sistemas de água e esgoto, modernização operacional e transformação digital. No período, segundo os dados apresentados pelo deputado, foram realizadas mais de 400 mil novas ligações de água e 263 mil ligações de esgoto.

O relatório financeiro oficial da empresa confirma que, somente em 2025, foram investidos R$ 1,739 bilhão na modernização e na expansão dos serviços. O montante representou o maior investimento anual informado pela companhia até aquele exercício. A Embasa encerrou o ano com receita operacional de R$ 5,05 bilhões e lucro líquido de aproximadamente R$ 1,01 bilhão.

O documento também registra a seleção de 42 projetos estruturantes, com previsão de R$ 7,3 bilhões em recursos vinculados ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento. Conforme a empresa, os empreendimentos deverão beneficiar mais de 9 milhões de moradores da Bahia e contribuir para o cumprimento das metas nacionais de universalização.

Obras hídricas entram no confronto eleitoral

Ao defender os governos estaduais comandados pelo PT, Robinson mencionou adutoras, sistemas integrados, reservatórios e redes de distribuição implantados ou ampliados nas últimas duas décadas.

“Foi nos governos do PT que a Bahia realizou as maiores obras de segurança hídrica da sua história. Grandes adutoras, ampliação dos sistemas integrados, novos reservatórios e redes de distribuição mudaram a realidade de centenas de milhares de famílias.”

A declaração amplia um confronto político iniciado em julho, quando ACM Neto afirmou que os governos petistas não teriam iniciado e concluído grandes obras de barragens ou adutoras no semiárido. Parlamentares da base estadual contestaram a afirmação e relacionaram projetos executados em diferentes regiões da Bahia.

A oposição, por sua vez, concentra as críticas na qualidade dos serviços, na regularidade do fornecimento, no ritmo de expansão do esgotamento sanitário e no valor das contas pagas pelos consumidores. Dessa forma, o debate reúne duas dimensões distintas: o volume de investimentos e obras apresentado pelo governo e a avaliação cotidiana dos usuários sobre continuidade, atendimento e eficiência.

Regularização fundiária no Horto divide responsabilidades

Robinson Almeida também respondeu às críticas relacionadas à situação de moradores da comunidade do Horto, em Salvador. Segundo o deputado, a realização de ligações domiciliares dependeria da regularização fundiária dos imóveis, procedimento atribuído à Prefeitura de Salvador.

O parlamentar argumentou que, após a regularização, os residentes poderiam solicitar formalmente as ligações à Embasa. Para ele, uma pendência fundiária não deveria ser convertida em instrumento de disputa eleitoral contra a estatal.

“O acesso à água naquela comunidade depende da regularização fundiária que cabe à Prefeitura de Salvador. Depois dessa etapa, os moradores podem solicitar oficialmente a ligação junto à Embasa.”

A afirmação delimita responsabilidades diferentes: a administração municipal responderia pela situação urbanística e documental dos imóveis, enquanto a Embasa seria responsável pela implantação das conexões aos sistemas públicos. A definição concreta das obrigações, entretanto, depende da situação jurídica de cada área e das condições técnicas para instalação das redes.

Salvador concentra investimentos em sistemas estruturantes

Robinson afirmou, com referência ao Censo Demográfico de 2022, que mais de 99% da população de Salvador possui acesso a formas adequadas de abastecimento de água. Os levantamentos do IBGE distinguem o atendimento pela rede geral de outras fontes consideradas adequadas pelo Plano Nacional de Saneamento Básico, razão pela qual os indicadores devem ser comparados conforme a metodologia empregada.

Segundo o deputado, aproximadamente R$ 1,5 bilhão foi aplicado entre 2023 e 2025 em intervenções na capital baiana. Entre as obras citadas estão a duplicação da principal adutora de água tratada, a recuperação do canal de adução de Pedra do Cavalo, a ampliação do Sistema Integrado do Recôncavo e a modernização de reservatórios e redes de distribuição.

O parlamentar acrescentou que o planejamento estadual prevê mais R$ 2,1 bilhões, por meio do Novo PAC, para ampliar a produção e a distribuição de água, expandir o esgotamento sanitário e reforçar a segurança operacional dos sistemas que atendem Salvador.

Meta nacional prevê universalização até 2033

A Embasa declara que seu planejamento está direcionado ao cumprimento das metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento Básico. A legislação federal determina que, até 31/12/2033, os serviços devem alcançar 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.

O desafio é mais amplo no esgotamento sanitário. Embora a companhia atenda aproximadamente 10,6 milhões de pessoas com abastecimento de água, o atendimento por sistemas de esgoto alcançava cerca de 5 milhões de habitantes ao final de 2025. A diferença evidencia a distância entre os dois serviços e a necessidade de concentrar investimentos na coleta e no tratamento.

A execução dos projetos selecionados pelo Novo PAC será determinante para avaliar a capacidade de expansão da empresa. Além da disponibilidade dos recursos, o resultado dependerá da contratação dos financiamentos, dos processos de licenciamento, das licitações, da execução das obras e da entrada efetiva dos sistemas em operação.

Linha do tempo do debate sobre a Embasa

  • 11/05/1971: criação da Embasa pela Lei Estadual nº 2.929, com a finalidade de executar e operar serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário na Bahia.
  • 15/07/2020: sanção da Lei Federal nº 14.026, que atualizou o Marco Legal do Saneamento e estabeleceu as metas nacionais para 2033.
  • 2021 a 2025: ciclo de investimentos, modernização operacional e expansão de ligações apresentado pela Embasa como parte de seu planejamento estratégico.
  • 2022: o Censo Demográfico atualizou os dados sobre abastecimento de água, acesso à rede geral e formas de esgotamento sanitário nos municípios brasileiros.
  • 2025: a Embasa investiu R$ 1,739 bilhão e teve 42 projetos, estimados em R$ 7,3 bilhões, selecionados no Novo PAC.
  • 22/01/2026: foram divulgados os primeiros contratos de financiamento com o BNDES, somando R$ 662 milhões para projetos de água e esgoto na Região Metropolitana de Salvador.
  • 28/07/2026: ACM Neto criticou a gestão da Embasa, prometeu revisar o papel da empresa e reorganizar sua estrutura caso governe a Bahia.
  • 29/07/2026: Robinson Almeida reagiu, acusou o adversário de preparar a privatização da companhia e apresentou dados de investimentos e expansão dos serviços.

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