O líder do Governo na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), afirmou nesta sexta-feira (17/07/2026) que a parceria entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Jerônimo Rodrigues está impulsionando a retomada da indústria naval no estado. Segundo o parlamentar, os projetos associados ao setor somam R$ 8,5 bilhões em financiamentos aprovados pelo Fundo da Marinha Mercante, projetam mais de 4,7 mil empregos diretos e incluem a construção de seis embarcações no Estaleiro Enseada, em Maragogipe, além da recuperação da Fafen e da ampliação de atividades industriais, marítimas e portuárias no Recôncavo Baiano.
Rosemberg associa investimentos à política de desenvolvimento
Para Rosemberg, a articulação entre os governos federal e estadual abriu uma nova etapa para a economia baiana, marcada pela recuperação de estruturas industriais, atração de investimentos e criação de postos de trabalho qualificados.
“Enquanto ACM Neto passa o tempo chorando, reclamando e prometendo que um dia vai criar empregos, Lula e Jerônimo arregaçaram as mangas para potencializar a economia baiana. A diferença é simples: de um lado, discurso; do outro, investimento, fábrica funcionando e trabalhador contratado.”
A declaração foi acompanhada de críticas ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, principal liderança da oposição ao Governo da Bahia. O deputado utilizou os investimentos industriais como contraponto ao discurso oposicionista sobre geração de empregos e desenvolvimento econômico.
Os números apresentados abrangem projetos destinados à construção e modernização de embarcações, ampliação de estaleiros e fortalecimento da infraestrutura marítima e portuária. A expectativa é de que a execução dos contratos também movimente empresas fornecedoras, prestadores de serviços e profissionais especializados.
Projetos navais somam R$ 8,5 bilhões
Os projetos vinculados à retomada da indústria naval baiana somam R$ 8,5 bilhões em financiamentos aprovados pelo Fundo da Marinha Mercante. A carteira contempla intervenções em embarcações, estaleiros e instalações relacionadas às atividades marítimas e portuárias.
A previsão apresentada é de criação de mais de 4,7 mil empregos diretos. O número corresponde ao conjunto dos projetos do setor naval apoiados pelos financiamentos e não deve ser somado automaticamente às estimativas específicas divulgadas para cada empreendimento.
A recuperação da atividade naval amplia a demanda por mão de obra técnica e industrial, além de mobilizar empresas das áreas de metalurgia, engenharia, montagem, manutenção, transporte, logística e fornecimento de equipamentos.
Estaleiro Enseada construirá seis embarcações offshore
Um dos principais projetos é a encomenda de seis embarcações de apoio offshore ao Estaleiro Enseada, localizado no município de Maragogipe, no Recôncavo Baiano.
A construção integra um pacote de investimentos de R$ 2,6 bilhões anunciado pela Petrobras. O conjunto de iniciativas também inclui ações relacionadas à retomada da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia.
A previsão é de aproximadamente quatro anos de trabalho para a construção dos seis navios. O projeto estabelece participação mínima de 40% de conteúdo nacional, medida que pode ampliar a contratação de fornecedores, serviços e componentes produzidos no Brasil.
A execução das embarcações deverá mobilizar trabalhadores diretamente no estaleiro e em atividades complementares. As estimativas apresentadas apontam para a geração de milhares de empregos diretos e indiretos ao longo da cadeia produtiva.
Indústria naval mobiliza profissionais especializados
A indústria naval exige profissionais com diferentes níveis de formação e experiência. Entre as atividades envolvidas estão soldagem, engenharia, projetos, montagem industrial, metalurgia, eletricidade, manutenção, operação de máquinas e logística.
Para Rosemberg, essa característica diferencia os postos de trabalho gerados pelo setor de ocupações temporárias ou de baixa especialização.
“Não é emprego improvisado. É trabalho qualificado, conhecimento acumulado e perspectiva de futuro.”
A retomada das atividades também pode aumentar a procura por qualificação profissional e formação técnica nos municípios próximos ao complexo industrial. A continuidade dos contratos será determinante para preservar conhecimentos acumulados e manter equipes especializadas em operação.
A repercussão econômica não se limita ao município de Maragogipe. Serviços de transporte, alimentação, hospedagem, comércio, manutenção e fornecimento de materiais podem ser movimentados em diferentes localidades do Recôncavo.
Complexo Enseada reúne estaleiro, área industrial e terminal logístico
O Complexo Portuário e Industrial Enseada possui aproximadamente 1,6 milhão de metros quadrados e reúne estaleiro, área industrial e terminal destinado a operações logísticas.
A estrutura foi planejada para receber embarcações, equipamentos industriais e cargas de grande porte. A licença definitiva concedida pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários permite a movimentação de granéis, cargas gerais e equipamentos utilizados em diferentes setores produtivos.
A ampliação da área alfandegada para aproximadamente 740 mil metros quadrados aumenta a capacidade operacional do complexo. A medida abre espaço para novas atividades de armazenagem, movimentação de mercadorias e apoio a projetos industriais.
Entre as operações previstas está o transporte de torres, pás e outros equipamentos de grandes dimensões destinados ao setor de energia eólica. A diversificação pode reduzir a dependência exclusiva dos contratos de construção naval.
Retomada da Fafen amplia atividade industrial
A retomada da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA) integra o processo de recuperação industrial apresentado pelo parlamentar.
A unidade está inserida em uma cadeia econômica ligada à energia, à indústria química e ao agronegócio. A produção de fertilizantes também possui relevância estratégica diante da dependência brasileira de insumos importados utilizados na atividade agrícola.
A recuperação da fábrica pode ampliar a movimentação de fornecedores, trabalhadores especializados, transportadoras e instalações logísticas vinculadas à produção e à distribuição de fertilizantes.
Para Rosemberg, a retomada da Fafen e os contratos da indústria naval demonstram a capacidade de articulação entre investimentos públicos, empresas estatais e infraestrutura industrial existente na Bahia.
Canteiro de São Roque pode receber novas atividades
Outra frente em estudo envolve o Canteiro de São Roque, também situado no município de Maragogipe. A estrutura poderá ser utilizada em atividades relacionadas ao descomissionamento de plataformas da Petrobras.
O descomissionamento envolve a retirada de operação, desmontagem e destinação de equipamentos utilizados na produção de petróleo e gás. A atividade requer infraestrutura industrial, logística marítima, mão de obra especializada e cumprimento de exigências ambientais.
Caso os estudos avancem para contratos e operações efetivas, o Canteiro de São Roque poderá constituir uma nova frente de investimentos e empregos no Recôncavo Baiano.
A utilização permanente da estrutura dependerá da conclusão das avaliações técnicas, da definição dos projetos e das autorizações necessárias para a realização das atividades.
Torres eólicas e estruturas para grandes obras
O complexo industrial também poderá participar da fabricação de torres eólicas e de estruturas destinadas a projetos instalados em terra ou no mar.
A produção de componentes para o setor de energia renovável é uma das alternativas avaliadas para ampliar a utilização das áreas industriais e portuárias. O transporte marítimo facilita a movimentação de equipamentos de grandes dimensões, como torres e pás.
Outra possibilidade mencionada é o fornecimento de estruturas para a Ponte Salvador–Itaparica. A participação dependerá das especificações técnicas, das licitações, dos contratos e das necessidades definidas durante a execução do empreendimento.
A combinação entre construção naval, logística portuária, fertilizantes, energia eólica e grandes obras pode ampliar a diversidade das atividades desenvolvidas no complexo.
Rosemberg cita desemprego registrado em Salvador
Ao criticar ACM Neto, Rosemberg também mencionou os indicadores de desemprego registrados em Salvador durante o período em que o grupo político do ex-prefeito administrava o município.
O deputado citou a taxa de desocupação de 19,4%, registrada no terceiro trimestre de 2022, como argumento para questionar a atuação da oposição na área de geração de oportunidades.
“Quem governou uma cidade marcada pelo desemprego não pode aparecer agora como vendedor de uma fórmula que nunca aplicou.”
A manifestação integra a disputa política entre a base do governador Jerônimo Rodrigues e a oposição baiana. No pronunciamento, Rosemberg associou os projetos industriais em andamento às administrações estadual e federal e contrapôs os investimentos aos resultados apresentados pelo grupo adversário.
Linha do tempo da retomada industrial
Aprovação dos financiamentos
O Fundo da Marinha Mercante aprovou financiamentos que somam R$ 8,5 bilhões para projetos navais na Bahia, com estimativa superior a 4,7 mil empregos diretos.
Anúncio do pacote da Petrobras
A Petrobras anunciou um pacote de R$ 2,6 bilhões, reunindo iniciativas relacionadas à indústria naval e à retomada da Fafen.
Encomenda das embarcações
O Estaleiro Enseada recebeu a encomenda de seis embarcações de apoio offshore, com previsão de quatro anos de trabalho e participação mínima de 40% de conteúdo nacional.
Ampliação das operações portuárias
O complexo ampliou sua área alfandegada para 740 mil metros quadrados e passou a reunir condições para movimentar cargas gerais, granéis e equipamentos de grande porte.
Recuperação da Fafen
A retomada da fábrica restabeleceu uma frente de produção ligada aos fertilizantes, à energia, à indústria química e ao agronegócio.
Estudos para o Canteiro de São Roque
A estrutura passou a ser avaliada para atividades de descomissionamento de plataformas, apoio logístico e novas operações industriais.
Diversificação produtiva
O complexo poderá receber projetos relacionados à fabricação de torres eólicas e ao fornecimento de componentes para grandes obras, incluindo a Ponte Salvador–Itaparica.
Os investimentos apresentados reúnem diferentes frentes de desenvolvimento industrial: construção naval, logística portuária, produção de fertilizantes, energia renovável e aproveitamento de estruturas existentes. A relevância econômica dependerá da execução dos financiamentos, do cumprimento dos cronogramas e da transformação das previsões de empregos em contratações efetivas.
A participação de fornecedores nacionais e a formação de trabalhadores especializados serão fatores decisivos para ampliar os efeitos dos projetos sobre a economia do Recôncavo. Também deverão ser acompanhados os contratos, as etapas de licenciamento, os impactos ambientais e a continuidade das operações após a conclusão das seis embarcações.
A retomada da indústria naval importa pela possibilidade de recuperar capacidade produtiva, gerar empregos qualificados e ampliar o aproveitamento da infraestrutura industrial da Bahia. Governo Federal, Governo do Estado, Petrobras, Estaleiro Enseada, órgãos reguladores e empresas contratadas terão responsabilidade direta na execução dos projetos e na concretização dos resultados anunciados.
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