Eleições 2026: Lula cumpre agenda na Avibras, Flávio Bolsonaro prepara convenção do PL e centro negocia alianças

Nesta sexta-feira (24/07/2026), a agenda política brasileira é marcada pela visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à indústria de defesa Avibras, em Jacareí, e à sede da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na capital paulista; pela chegada ao Brasil do presidente argentino Javier Milei; pelos preparativos para a convenção do PL que oficializará a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); e pelas negociações de União Brasil, Progressistas e Republicanos sobre o posicionamento nacional nas Eleições 2026. A movimentação ocorre durante o período das convenções partidárias e é acompanhada por levantamentos eleitorais devidamente registrados na Justiça Eleitoral.

Convenções partidárias abrem etapa decisiva das Eleições 2026

O calendário eleitoral entrou em sua fase formal de definição das candidaturas na segunda-feira, 20/07/2026, quando começou o período autorizado para a realização das convenções partidárias.

Até 05/08/2026, partidos e federações devem deliberar sobre coligações nas eleições majoritárias e escolher candidatos a presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e respectivos suplentes, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital.

Os pedidos de registro das candidaturas deverão ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15/08/2026. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet será autorizada a partir de 16/08/2026. O primeiro turno ocorrerá em 04/10/2026, enquanto o eventual segundo turno está marcado para 25/10/2026.

As decisões tomadas durante as convenções influenciam diretamente a formação dos palanques estaduais, a divisão do tempo de propaganda eleitoral gratuita, a distribuição de recursos partidários e a composição política das chapas majoritárias.

Nesse ambiente, as negociações conduzidas nesta sexta-feira ultrapassam a simples homologação de candidaturas. Os partidos procuram assegurar competitividade nos estados, preservar alianças regionais e manter canais de negociação para uma eventual participação no próximo governo.

Presidente Lula visita Avibras e se reúne com comunidade científica

O presidente Lula deixou Brasília às 8h desta sexta-feira com destino a São José dos Campos, no interior paulista. A programação oficial estabeleceu sua chegada ao Aeroporto Professor Urbano Ernesto Stumpf às 9h20.

Às 10h, Lula visitou unidades industriais da Avibras Aeroco, em Jacareí. A empresa atua na produção de sistemas de defesa, equipamentos aeroespaciais, foguetes, mísseis e veículos militares.

A agenda incluiu, às 11h30, uma cerimônia relacionada ao início das atividades da companhia. O compromisso colocou no centro do debate temas como soberania nacional, recuperação da indústria de defesa, desenvolvimento tecnológico e preservação de empregos especializados.

A Avibras passou por uma prolongada crise financeira e trabalhista, marcada pela paralisação de atividades, greve de funcionários, dívidas e negociações para a retomada da produção. A recuperação da companhia possui dimensão estratégica por envolver uma das principais empresas privadas brasileiras do setor de defesa.

Às 14h, Lula tinha encontro previsto com lideranças do sistema brasileiro de ciência e tecnologia na sede da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, localizada na Rua Maria Antônia, em São Paulo.

A presença do presidente na Avibras e na SBPC aproxima duas áreas consideradas essenciais para a autonomia nacional: o desenvolvimento da indústria de defesa e a capacidade brasileira de produzir conhecimento científico, inovação e tecnologia.

Embora os compromissos tenham natureza institucional, a passagem por São Paulo ocorre durante a reorganização das forças políticas para as Eleições 2026. O estado possui o maior eleitorado do país, com mais de 34,1 milhões de pessoas aptas a votar, e será o palco da convenção nacional do PL.

PL prepara convenção para oficializar Flávio Bolsonaro

O Partido Liberal realiza neste sábado, 25/07/2026, em São Paulo, a convenção destinada a oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

O evento está programado para começar às 10h no Mercado Pago Hall, instalado na Arena Pacaembu. A organização prevê a participação de dirigentes partidários, parlamentares, candidatos, representantes dos diretórios estaduais e militantes.

Além da candidatura presidencial, o PL deverá homologar nomes para governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.

A convenção contará com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do presidente da Argentina, Javier Milei. A participação do dirigente argentino representa um gesto de apoio internacional à candidatura de Flávio Bolsonaro e reforça a aproximação entre grupos conservadores latino-americanos.

Milei desembarcou em São Paulo nesta sexta-feira. Antes da convenção, está prevista uma homenagem no Palácio dos Bandeirantes, onde deverá receber a Ordem do Ipiranga, além de um encontro com Tarcísio, Flávio Bolsonaro e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB). (

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não deverá comparecer presencialmente. A ausência ocorre apesar das recentes manifestações públicas de reconciliação entre ela e Flávio Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro chega à convenção sem vice definido

O senador chega à convenção sem uma aliança nacional formalizada com outra grande legenda e sem definição do candidato ou candidata a vice-presidente.

Entre os nomes mencionados nas articulações estão a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos.

A escolha de uma mulher é considerada pela campanha como uma possibilidade para ampliar a presença eleitoral da candidatura entre o público feminino e reduzir resistências registradas nesse segmento.

A ausência de uma coligação mais ampla poderá limitar o tempo de propaganda eleitoral gratuita, o acesso a estruturas partidárias e a capilaridade da campanha em determinados estados.

Por outro lado, a direção do PL ainda poderá negociar alianças até 05/08/2026, último dia reservado às convenções partidárias.

Em São Paulo, Flávio Bolsonaro contará com o apoio do governador Tarcísio de Freitas e de setores estaduais do Progressistas e do União Brasil, mesmo que essas legendas não integrem formalmente a coligação presidencial.

Restrições judiciais impedem encontro de Milei com Jair Bolsonaro

A passagem de Milei pelo Brasil incluía a intenção de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O encontro não foi autorizado em razão das restrições estabelecidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Moraes suspendeu por 30 dias as visitas sociais ao ex-presidente, com exceção de atendimentos realizados por médicos, fisioterapeutas e advogados. A medida atingiu diretamente o encontro solicitado pela defesa para 25/07/2026.

As restrições foram ampliadas depois que Flávio Bolsonaro publicou nas redes sociais uma carta atribuída ao pai com manifestação de apoio à candidatura presidencial do senador. O ministro considerou que a divulgação representou descumprimento da proibição de utilização direta ou indireta das redes sociais pelo ex-presidente.

Flávio Bolsonaro também ficou impedido de visitar o pai por 90 dias. A decisão acrescenta um obstáculo à estratégia eleitoral do PL, porque Jair Bolsonaro permanece como a principal referência política do grupo, mas está submetido a limitações judiciais que restringem sua participação pública.

A campanha deverá evitar vídeos, cartas, mensagens ou outros expedientes que possam ser interpretados como manifestação eleitoral direta ou indireta do ex-presidente em desacordo com as determinações judiciais.

União Brasil, PP e Republicanos avaliam neutralidade nacional

As executivas nacionais do União Brasil, Progressistas e Republicanos avaliam declarar neutralidade na disputa presidencial e liberar os diretórios estaduais para organizar seus próprios palanques.

A decisão permitiria que candidatos a governador, senador e deputado estabelecessem alianças regionais diferentes, conforme as condições políticas de cada unidade da Federação.

Em alguns estados, dirigentes dessas legendas estão próximos do presidente Lula. Em outros, participam de composições lideradas pelo PL ou por candidaturas presidenciais situadas fora da polarização entre PT e bolsonarismo.

A neutralidade não significa ausência de interesses na eleição presidencial. Trata-se de uma estratégia destinada a preservar a autonomia dos diretórios regionais, proteger candidaturas estaduais competitivas e manter capacidade de negociação com o governo eleito.

Para Flávio Bolsonaro, a ausência dessas legendas em sua coligação poderá reduzir o tempo de televisão, os recursos compartilhados e a estrutura territorial da campanha.

Para Lula, impedir que o bloco de centro se incorpore formalmente ao palanque do PL reduz a possibilidade de formação de uma aliança nacional mais ampla em torno do principal adversário.

Convenção na Bahia reúne apoiadores de presidenciáveis distintos

Na Bahia, a convenção realizada na quarta-feira, 22/07/2026, no Centro de Convenções de Salvador, homologou ACM Neto (União Brasil) como candidato ao Governo do Estado.

O ex-prefeito de Jequié Zé Cocá (PP) foi confirmado como candidato a vice-governador. O senador Angelo Coronel (Republicanos) e o ex-ministro João Roma (PL) foram escolhidos para disputar as duas vagas baianas no Senado Federal.

A composição demonstra a separação entre os acordos estaduais e a disputa presidencial. João Roma trabalha pela candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto ACM Neto mantém relação política com outros setores da direita e do centro.

A aliança estadual procura reunir grupos que estiveram divididos na eleição de 2022. Naquele pleito, João Roma concorreu ao Governo da Bahia pelo PL, enquanto ACM Neto disputou pelo União Brasil.

A reunificação procura fortalecer o palanque oposicionista contra o governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição e principal representante da campanha de Lula no estado.

A configuração baiana mostra que as coligações para governador podem reunir partidos com posicionamentos diferentes na disputa presidencial. A prioridade regional é a competitividade da chapa majoritária e das candidaturas proporcionais.

Pesquisas eleitorais entram nas negociações partidárias

A divulgação de pesquisas eleitorais em 2026 está submetida ao artigo 33 da Lei nº 9.504/1997 e à Resolução TSE nº 23.600/2019, atualizada pela Resolução nº 23.747/2026.

Os levantamentos precisam ser registrados no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais com antecedência mínima de cinco dias. Na publicação dos resultados, devem ser informados o período de coleta, a margem de erro, o nível de confiança, o número de entrevistas, o instituto responsável, o contratante e o número de identificação da pesquisa.

Datafolha registra nova rodada presidencial

O Datafolha realizou entre quarta-feira e esta sexta-feira, 22 a 24/07/2026, uma pesquisa nacional encomendada pela Folha de S.Paulo.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores, com 16 anos ou mais, por meio de questionários digitais. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01166/2026. O estudo mede intenções de voto para presidente, possíveis cenários de segundo turno, rejeição aos candidatos e avaliação do Governo Lula.

Na rodada anterior do Datafolha, realizada com 2.004 pessoas em 139 municípios, nos dias 17 e 18/06/2026, Lula aparecia com 41% das intenções de voto em uma simulação estimulada de primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 31%.

Em um eventual segundo turno, Lula tinha 47%, ante 43% de Flávio Bolsonaro. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado indicava empate técnico no limite da margem. O nível de confiança era de 95%, e a pesquisa estava registrada no TSE sob o número BR-09956/2026.

Quaest apontou Lula à frente em levantamento nacional

A pesquisa Genial/Quaest divulgada em 15/07/2026 atribuiu a Lula 40% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, contra 28% de Flávio Bolsonaro.

Em eventual segundo turno, Lula aparecia com 45%, enquanto o senador registrava 37%.

O levantamento entrevistou presencialmente 2.004 eleitores, entre 10 e 13/07/2026, em 120 municípios. A margem de erro foi de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial e registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

Levantamento paulista medirá disputas nacional e estadual

A Quaest também iniciou uma pesquisa entre eleitores do Estado de São Paulo, com coleta programada entre 23 e 27/07/2026.

O estudo ouvirá 1.650 eleitores por meio de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais. A margem de erro prevista é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

O levantamento avaliará cenários para presidente, Governo de São Paulo e as duas vagas paulistas no Senado. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial e registrada na Justiça Eleitoral sob o número SP-04846/2026.

Ipsensus mostrou disputa apertada na Bahia

Na Bahia, a pesquisa Ipsensus divulgada em 21/05/2026 mostrou Jerônimo Rodrigues com 42,2% e ACM Neto com 40,6% das intenções de voto.

A diferença de 1,6 ponto percentual estava dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais, caracterizando empate técnico.

O levantamento ouviu 1.500 eleitores, entre 9 e 13/05/2026, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BA-07247/2026.

Os resultados indicaram uma disputa estadual aberta, com pequena vantagem numérica do governador, insuficiente para estabelecer liderança fora da margem de erro.

Linha do tempo da agenda política

  • 20/07/2026: começa o período nacional das convenções partidárias.
  • 22/07/2026: convenção em Salvador homologa ACM Neto para governador, Zé Cocá para vice-governador e Angelo Coronel e João Roma para o Senado.
  • 22 a 24/07/2026: Datafolha realiza pesquisa nacional registrada sob o número BR-01166/2026.
  • 23 a 27/07/2026: Quaest realiza levantamento em São Paulo registrado sob o número SP-04846/2026.
  • 24/07/2026: Lula visita a Avibras, em Jacareí, e participa de encontro na SBPC, em São Paulo.
  • 24/07/2026: Javier Milei chega à capital paulista para participar da convenção do PL.
  • 25/07/2026: PL realiza convenção para oficializar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
  • 05/08/2026: termina o prazo para realização das convenções partidárias.
  • 15/08/2026: encerra-se o prazo para os pedidos de registro de candidatura.
  • 16/08/2026: começa a propaganda eleitoral nas ruas e na internet.
  • 04/10/2026: realização do primeiro turno das Eleições Gerais.
  • 25/10/2026: eventual segundo turno.

A agenda política desta sexta-feira revela que a disputa presidencial será definida não apenas pelos nomes apresentados nas convenções, mas também pela capacidade de cada candidatura de construir alianças, consolidar palanques regionais e ampliar sua presença para além dos grupos já identificados com PT e bolsonarismo. Lula utiliza compromissos institucionais em áreas estratégicas, enquanto Flávio Bolsonaro procura demonstrar força partidária e apoio internacional em sua convenção.

A posição do centro partidário continua sendo um dos principais fatores de incerteza. União Brasil, Progressistas e Republicanos controlam estruturas estaduais, bancadas parlamentares e tempo de propaganda capazes de alterar a correlação de forças. A neutralidade nacional preservaria a autonomia regional, mas produziria campanhas presidenciais apoiadas por alianças distintas em cada estado.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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