Na quarta-feira (22/07/2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se, no Palácio do Planalto, em Brasília, com o CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, para tratar da execução do plano de R$ 30 bilhões em investimentos entre 2025 e 2030, da ampliação da produção brasileira e da contratação de 2 mil trabalhadores. Segundo as informações apresentadas pela montadora, serão abertas 1,5 mil vagas em Betim, Minas Gerais, e 500 em Porto Real, no Rio de Janeiro, enquanto a expansão das atividades poderá gerar outros 20 mil empregos na cadeia produtiva nacional.
Stellantis detalha execução do plano de R$ 30 bilhões
O investimento de R$ 30 bilhões não constitui um anúncio inteiramente novo. O programa havia sido apresentado originalmente em 6 de março de 2024, durante encontro de Lula com o então CEO global da Stellantis, Carlos Tavares. Na ocasião, a companhia informou que os recursos seriam aplicados na América do Sul entre 2025 e 2030, com previsão de lançamento de mais de 40 produtos, desenvolvimento de novas plataformas e avanço das tecnologias de descarbonização.
A reunião realizada em julho de 2026 atualizou a execução desse ciclo industrial, especialmente nos campos da produção, do emprego e da integração com fornecedores nacionais. A apresentação foi conduzida por Antonio Filosa, que assumiu a direção executiva global da montadora e destacou a posição estratégica do mercado brasileiro dentro das operações do grupo.
O programa abrange novos veículos, tecnologias de propulsão, modernização de fábricas e ampliação da capacidade produtiva. Parte dos recursos também está associada ao desenvolvimento de soluções híbridas e elétricas adaptadas às condições brasileiras, incluindo sistemas que combinam motores elétricos com propulsores flex abastecidos por gasolina ou etanol.
Empresa anuncia 2 mil contratações diretas
A Stellantis informou que pretende contratar 2 mil novos empregados em suas unidades brasileiras como consequência da ampliação da produção. Do total anunciado, 1,5 mil trabalhadores serão destinados ao Polo Automotivo de Betim, onde será implantado um terceiro turno de produção.
Outras 500 vagas serão abertas no estado do Rio de Janeiro, vinculadas principalmente à expansão da unidade de Porto Real. A fábrica fluminense passará a operar com um segundo turno e será responsável pela produção nacional do Jeep Avenger, modelo que deverá ampliar a presença da marca no segmento de veículos utilitários esportivos compactos.
Além das admissões realizadas diretamente pela montadora, a empresa projeta a geração de aproximadamente 20 mil postos de trabalho entre fornecedores, operadores logísticos, prestadores de serviços e empresas relacionadas à produção automotiva. A estimativa apresentada considera que cada contratação dentro das fábricas pode provocar a abertura de outros empregos nos diferentes elos da cadeia industrial.
Stellantis mantém 35 mil empregados no país
Atualmente, a Stellantis emprega cerca de 35 mil trabalhadores diretamente no Brasil. A rede de fornecedores e empresas associadas às suas operações sustenta, segundo a companhia, aproximadamente 350 mil postos de trabalho.
A presença industrial da montadora está concentrada em polos como Betim e Itaúna, em Minas Gerais, Porto Real, no Rio de Janeiro, e Goiana, em Pernambuco. As unidades produzem veículos, motores, transmissões e componentes destinados ao mercado interno e às exportações.
O Polo de Betim ocupa posição central nessa estrutura. A unidade reúne atividades de fabricação, engenharia e desenvolvimento tecnológico e completa 50 anos de operação em 2026. A fábrica já produziu mais de 18 milhões de veículos e mantém uma rede formada por centenas de fornecedores diretos.
Compras nacionais chegam a R$ 60 bilhões por ano
Durante a reunião no Palácio do Planalto, a Stellantis informou que compra aproximadamente R$ 60 bilhões por ano em insumos fornecidos por empresas brasileiras. O volume envolve matérias-primas, peças, sistemas industriais e serviços utilizados nas diferentes etapas de fabricação dos veículos.
De acordo com os dados apresentados, a produção da companhia no Brasil possui índice de nacionalização de aproximadamente 95%. Todo o aço, o plástico e os componentes químicos empregados nos automóveis seriam fornecidos por empresas instaladas no país, enquanto motores e transmissões também são fabricados nas unidades brasileiras da montadora.
A elevada participação de componentes locais amplia os efeitos econômicos do investimento para além das linhas de montagem. Empresas dos setores siderúrgico, petroquímico, eletrônico, metalúrgico, logístico e de autopeças podem ser diretamente alcançadas pela expansão do volume produzido.
Betim receberá terceiro turno de produção
A abertura de 1,5 mil vagas em Betim permitirá a implantação do terceiro turno na principal unidade da Stellantis no Brasil. A ampliação deverá aumentar o tempo diário de funcionamento das linhas e elevar a capacidade de fabricação de veículos e sistemas de propulsão.
O polo mineiro também concentra projetos relacionados à tecnologia Bio-Hybrid, desenvolvida para combinar eletrificação e motores flex. Em março de 2025, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou R$ 241,8 milhões em financiamento para o desenvolvimento de tecnologias aplicadas à produção de veículos híbridos e elétricos na unidade.
O projeto apoiado pelo BNDES prevê diferentes arquiteturas de motorização, incluindo combinações de motor elétrico com propulsor flex e sistemas integralmente elétricos. A estratégia busca adaptar a transição energética automotiva à infraestrutura brasileira e ao uso do etanol como combustível de menor intensidade de carbono.
Porto Real produzirá o Jeep Avenger
No Rio de Janeiro, a ampliação das atividades estará concentrada no Polo Automotivo de Porto Real, no sul fluminense. A unidade receberá um segundo turno e passará a fabricar o Jeep Avenger, ampliando o portfólio de modelos produzidos no estado.
A implantação do novo turno deverá exigir reforço das equipes de montagem, manutenção, qualidade, engenharia, logística e administração. A expansão também tende a elevar a demanda dirigida aos fornecedores responsáveis pelo abastecimento da fábrica.
A unidade de Porto Real completou 25 anos de atividades em 2026. A escolha da planta para produzir o Avenger integra a estratégia de nacionalização de modelos e de aproximação da fabricação aos principais mercados consumidores da América do Sul.
Anúncio de julho amplia números divulgados em junho
Em 15 de junho de 2026, a Stellantis havia divulgado a abertura de aproximadamente 1.500 vagas, sendo 1.200 em Betim, 200 em Itaúna e 100 em Porto Real. As contratações estavam associadas à produção de um modelo inédito da Fiat, de componentes automotivos e do Jeep Avenger.
Na apresentação realizada no Palácio do Planalto, em julho, o número informado passou para 2 mil empregos diretos, distribuídos entre 1,5 mil vagas em Betim e 500 no Rio de Janeiro. A nova divisão representa uma ampliação em relação ao comunicado anterior, sobretudo na fábrica fluminense.
As informações disponíveis, entretanto, não esclarecem de forma conclusiva se as duas mil vagas substituem e atualizam integralmente o anúncio de junho ou se parte das contratações deve ser considerada adicional. A distinção é necessária para impedir a duplicidade na contabilização dos empregos anunciados.
Nova Indústria Brasil e Programa Mover
A política Nova Indústria Brasil (NIB) foi mencionada durante a reunião como um dos instrumentos públicos destinados à modernização do parque produtivo, ao desenvolvimento de tecnologias nacionais e à ampliação da competitividade das empresas instaladas no país.
No setor automotivo, uma das principais ferramentas dessa estratégia é o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover). O programa foi estruturado para estimular a descarbonização dos veículos, o desenvolvimento tecnológico, a eficiência energética, a competitividade internacional e a inserção da indústria brasileira nas cadeias globais de valor.
Entre os critérios do Mover estão investimentos em pesquisa e desenvolvimento, realização de atividades de engenharia no Brasil, produção de tecnologias sustentáveis e redução das emissões associadas aos veículos. Os incentivos também podem considerar a diversificação dos mercados de exportação e a presença de infraestrutura fabril no território nacional.
Reforma tributária é apontada como fator de competitividade
Representantes do Governo Federal também relacionaram a expansão industrial aos efeitos esperados da reforma da tributação sobre o consumo. O novo sistema deverá adotar a não cumulatividade plena, permitindo que empresas recuperem créditos relativos aos tributos pagos nas etapas anteriores da cadeia produtiva.
Segundo o Ministério da Fazenda, o mecanismo pode reduzir a tributação acumulada sobre máquinas, equipamentos, matérias-primas e serviços utilizados pelas empresas. A sistemática também foi concebida para desonerar investimentos e exportações, com a cobrança concentrada no consumo final.
A efetividade desses benefícios dependerá da regulamentação, da implantação dos sistemas de creditamento e da transição entre o modelo atual e os novos tributos. Para empresas com cadeias extensas, como as montadoras, a velocidade da recuperação dos créditos poderá influenciar custos, decisões de investimento e competitividade internacional.
Autoridades e executivos participaram da reunião
Além do presidente Lula e do CEO Antonio Filosa, participaram do encontro o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior; o ministro da Fazenda, Dario Durigan; e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
A Stellantis foi representada ainda pelo presidente para a América do Sul, Herlander Zola; pela vice-presidente global de Relações Institucionais e Comunicação Corporativa, Clara Ingen-Housz; pelo vice-presidente sênior de Relações Governamentais para a América do Sul, Marcio de Lima Leite; e pela vice-presidente de Transformação por Inteligência Artificial para a América do Sul, Erica Schwambach.
Também integraram a delegação empresarial o vice-presidente de Relações Governamentais no Brasil, Antonio Sergio Martins Mello, e o diretor de Relações Governamentais, Pedro Rubião. A composição da reunião foi registrada na agenda oficial da Vice-Presidência da República.
Linha do tempo do investimento da Stellantis
- 06/03/2024 — Anúncio inicial: a Stellantis apresenta o plano de R$ 30 bilhões para a América do Sul entre 2025 e 2030, com previsão de mais de 40 produtos e desenvolvimento de tecnologias de descarbonização.
- 13/03/2025 — Financiamento tecnológico: o BNDES anuncia R$ 241,8 milhões para apoiar o desenvolvimento de veículos híbridos e elétricos no Polo de Betim.
- 15/06/2026 — Primeira etapa de contratações: a montadora divulga 1.500 vagas em Betim, Itaúna e Porto Real para atender à fabricação de novos modelos e componentes.
- 22/07/2026 — Atualização no Palácio do Planalto: Antonio Filosa apresenta ao presidente Lula a expansão do plano, com 2 mil empregos diretos, terceiro turno em Betim, segundo turno em Porto Real e expectativa de 20 mil postos na cadeia produtiva.
- 2025 a 2030 — Período de execução: aplicação dos R$ 30 bilhões em produtos, tecnologias, capacidade industrial, sistemas de propulsão e integração da cadeia automotiva.







Deixe um comentário