Gestão Zé Cocá deixou 40,9 mil vagas de consultas e exames sem uso na Policlínica de Jequié, aponta levantamento

Um levantamento apresentado nesta quinta-feira (23/07/2026) aponta que a Prefeitura de Jequié deixou de utilizar 40.978 vagas disponibilizadas para o município na Policlínica Regional de Saúde durante a administração do ex-prefeito Zé Cocá. O total reúne 17.308 consultas especializadas e 23.670 exames que, segundo os dados divulgados, não foram aproveitados pela gestão municipal, responsável pelo encaminhamento e agendamento dos pacientes atendidos inicialmente na rede de Atenção Primária à Saúde.

Consultas e exames representam 40.978 vagas ociosas

Os números apresentados indicam que aproximadamente 42,2% das vagas não utilizadas correspondiam a consultas médicas especializadas. Os exames representaram os 57,8% restantes, formando o maior grupo de procedimentos disponíveis que não teriam sido efetivamente ocupados por pacientes de Jequié.

O volume equivale a 25,8% da população registrada pelo Censo Demográfico de 2022, quando Jequié possuía 158.813 moradores. A comparação deve ser compreendida apenas como referência proporcional, porque cada vaga corresponde a um atendimento, e não necessariamente a uma pessoa diferente. Um mesmo paciente pode necessitar de mais de uma consulta ou exame.

A população estimada de Jequié chegou a 169.201 habitantes em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Considerada essa estimativa mais recente, as 40.978 vagas representam aproximadamente 24,2% da população municipal. Portanto, não é tecnicamente possível afirmar, apenas com os dados apresentados, que 40,9 mil moradores diferentes deixaram de ser atendidos. Primeiro trimestre de 2026 concentrou 6.352 vagas não utilizadas

Somente no primeiro trimestre de 2026, ainda durante a administração de Zé Cocá, o município teria deixado de utilizar 6.352 vagas oferecidas pela Policlínica Regional. O total corresponde a 2.319 consultas e 4.033 exames.

O número registrado entre janeiro e março representa aproximadamente 15,5% das 40.978 vagas acumuladas no levantamento atribuído ao período da gestão municipal anterior. A quantidade de exames não utilizados no trimestre foi cerca de 74% superior à de consultas especializadas.

Cada vaga não ocupada pode representar o adiamento de uma avaliação médica, de um exame de imagem ou de um procedimento diagnóstico. No entanto, a determinação dos impactos individuais dependeria da identificação dos pacientes encaminhados, dos tipos de procedimentos disponíveis e das condições clínicas envolvidas em cada caso.

Agendamento depende das secretarias municipais de Saúde

O atendimento nas Policlínicas Regionais não ocorre por procura direta. Conforme as normas divulgadas pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), o paciente precisa ser atendido inicialmente pela rede municipal, especialmente em uma Unidade Básica de Saúde ou por uma equipe de Saúde da Família.

Quando o profissional da Atenção Primária identifica a necessidade de consulta especializada, exame de imagem, biópsia ou outro procedimento de média complexidade, a solicitação é encaminhada à Secretaria Municipal de Saúde. Cabe ao município consorciado realizar o agendamento na Policlínica Regional.

A Sesab informa expressamente que as unidades recebem pacientes por meio de marcações efetuadas pelas secretarias de Saúde dos municípios integrantes dos consórcios públicos. O acompanhamento clínico do usuário, mesmo após o encaminhamento, deve permanecer sob responsabilidade da equipe municipal de Atenção Básica. Policlínica oferece estrutura regional de diagnóstico

A Policlínica Regional de Saúde de Jequié funciona como unidade especializada de apoio diagnóstico. A estrutura possui 2.848,32 metros quadrados de área construída e 12 consultórios, atendendo pacientes encaminhados pelos municípios que integram o Consórcio Público Interfederativo de Saúde da região. re as especialidades que podem ser disponibilizadas nas policlínicas estão cardiologia, endocrinologia, neurologia, ortopedia, oftalmologia, otorrinolaringologia, ginecologia, mastologia, urologia, angiologia e gastroenterologia. A oferta específica varia conforme o perfil epidemiológico regional e a disponibilidade de profissionais.

As unidades também podem realizar ressonância magnética, tomografia computadorizada, mamografia, ultrassonografia com Doppler, ecocardiograma, eletroencefalograma, eletromiografia, endoscopia, colonoscopia, radiografia, exames cardiológicos e procedimentos como biópsias, vasectomias, pequenas cirurgias e cuidados com o pé diabético. Transporte regional integra modelo de atendimento

O modelo das Policlínicas Regionais inclui a disponibilização de micro-ônibus destinados ao transporte dos pacientes dos municípios consorciados. Os veículos realizam o deslocamento programado até as unidades de saúde, reduzindo a necessidade de viagens por meios próprios.

O transporte também depende do planejamento municipal, porque os pacientes precisam estar previamente agendados e incluídos na programação das viagens. A disponibilidade do veículo, isoladamente, não assegura o atendimento quando o encaminhamento, a marcação ou a comunicação com o paciente não são concluídos.

A integração entre Unidade Básica de Saúde, central municipal de regulação, transporte sanitário e Policlínica constitui, portanto, uma cadeia administrativa. Problemas em uma dessas etapas podem produzir vagas ociosas, atrasos no diagnóstico e aumento das filas locais.

Cobertura da Atenção Básica é apontada como fator do problema

O material encaminhado para elaboração da reportagem informa que a cobertura da Atenção Básica em Jequié seria de 58,91%. O índice é apresentado como elemento relevante para compreender as dificuldades de acesso da população à rede municipal e aos encaminhamentos para consultas e exames especializados.

A Atenção Primária exerce a função de porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde. É nesse nível assistencial que devem ocorrer ações preventivas, acompanhamento de doenças crônicas, consultas iniciais, identificação de necessidades clínicas e encaminhamento para serviços de maior complexidade.

O levantamento, entretanto, não informa o período de referência, a base pública utilizada nem a metodologia empregada para calcular os 58,91%. A confirmação desse indicador exige a identificação da competência analisada e do sistema oficial de onde o dado foi extraído.

Vagas disponíveis não significam atendimento concluído

A existência de uma vaga na programação da Policlínica não significa, automaticamente, que um paciente tenha sido selecionado, comunicado, transportado e atendido. Para avaliar a responsabilidade administrativa, é necessário distinguir vagas oferecidas, vagas reservadas ao município, procedimentos efetivamente agendados, cancelamentos e ausências de pacientes.

Também devem ser diferenciadas as vagas que permaneceram abertas por falta de indicação clínica, incompatibilidade de horários, dificuldade de transporte, ausência de documentação, problemas de comunicação ou falhas no fluxo municipal de regulação.

O conteúdo apresentado atribui a ociosidade à insuficiência dos encaminhamentos realizados pela Prefeitura de Jequié. Não foram fornecidas, porém, planilhas detalhadas por mês, especialidade, exame, número de pacientes ou motivo da não utilização.

Ociosidade já havia sido identificada em estudo sobre a unidade

A subutilização da capacidade instalada não constitui um problema recente na Policlínica Regional de Jequié. Estudo acadêmico baseado em dados de 2018 analisou a oferta e a utilização de consultas e procedimentos especializados na unidade.

Naquele ano, foram disponibilizadas aproximadamente 41.692 consultas e 42.269 procedimentos. O estudo identificou ociosidade de 32,7% nas consultas e de 42,2% nos procedimentos especializados.

Os pesquisadores concluíram que a perda de vagas prejudicava os usuários que aguardavam atendimento e gerava impacto financeiro para os municípios consorciados. O trabalho, entretanto, registrou que não foi possível identificar as causas do absenteísmo com os dados então disponíveis. Policlínica foi inaugurada em dezembro de 2017

A unidade de Jequié foi inaugurada em 22 de dezembro de 2017, durante o governo de Rui Costa, com investimento estadual de aproximadamente R$ 20 milhões em construção, equipamentos e micro-ônibus.

Na ocasião, a estrutura foi apresentada como a quarta Policlínica Regional implantada na Bahia. O projeto tinha a finalidade de ampliar o acesso da população do interior a consultas especializadas e exames oferecidos pelo SUS, reduzindo deslocamentos para Salvador e outros grandes centros.

A previsão inicial era atender moradores de 28 municípios integrantes do consórcio regional, alcançando uma população superior a 500 mil pessoas. A página institucional atualizada da Sesab apresenta a relação vigente dos municípios consorciados e os serviços disponibilizados pela unidade. Dados entram no debate político sobre a saúde na Bahia

O levantamento foi divulgado em meio à intensificação do debate político sobre a administração da saúde pública no estado e nos municípios. O texto original apresenta os números como contraponto às críticas feitas por Zé Cocá à política estadual de saúde.

O ex-prefeito administrou Jequié a partir de janeiro de 2021, foi reeleito em 2024 e renunciou ao cargo em 2 de abril de 2026 para atender ao prazo de desincompatibilização eleitoral. O comando municipal foi transferido ao então vice-prefeito Flávio Santana. Cocá passou a integrar o projeto político liderado por ACM Neto para as eleições estaduais de 2026. Nesse contexto, indicadores da gestão municipal de Jequié passaram a ser utilizados tanto por aliados quanto por adversários na disputa de versões sobre a eficiência dos serviços públicos.

Linha do tempo da Policlínica Regional e da gestão municipal

22/12/2017 — Inauguração da unidade

O Governo da Bahia inaugura a Policlínica Regional de Saúde de Jequié, com investimento de aproximadamente R$ 20 milhões em estrutura, equipamentos e veículos destinados ao transporte de pacientes. 018 — Primeiros dados de utilização**

A unidade oferece aproximadamente 41,7 mil consultas e 42,2 mil procedimentos. Estudo acadêmico identifica ociosidade de 32,7% nas consultas e 42,2% nos procedimentos, sem determinar as causas do absenteísmo. 1/01/2021 — Início da administração Zé Cocá**

Zenildo Brandão Santana, conhecido como Zé Cocá, toma posse como prefeito de Jequié para o mandato de 2021 a 2024. 024 — Reeleição municipal**

Zé Cocá é reeleito para um segundo mandato à frente da Prefeitura de Jequié, tendo Flávio Santana como vice-prefeito. 5 e 26/10/2025 — Mutirão amplia exames**

A Policlínica de Jequié participa de uma ação do programa Agora Tem Especialistas destinada à realização de exames para aproximadamente 2 mil moradores dos municípios consorciados. aneiro a março de 2026 — Vagas ociosas no trimestre**

Segundo o levantamento apresentado, Jequié deixa de utilizar 6.352 vagas, correspondentes a 2.319 consultas e 4.033 exames.

02/04/2026 — Renúncia ao cargo

Zé Cocá formaliza sua renúncia na Câmara Municipal para cumprir a legislação eleitoral. O vice-prefeito Flávio Santana assume o Executivo municipal. ulho de 2026 — Divulgação do levantamento acumulado**

Dados apresentados no debate público atribuem à administração de Zé Cocá a não utilização de 40.978 vagas na Policlínica Regional, sendo 17.308 consultas e 23.670 exames.


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