Marcelo Emerenciano rebate ACM Neto e aponta obras de policlínicas em Seabra e Ibotirama

O debate sobre a regionalização da saúde pública na Bahia ganhou novo capítulo após o médico, ex-prefeito de Cocos e pré-candidato a deputado federal pelo Avante, Marcelo Emerenciano, rebater declaração do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, feita em Macaúbas, sobre a suposta ausência de uma policlínica regional para atender a população da região. Segundo Emerenciano, a crítica desconsidera obras em andamento em Seabra e Ibotirama, municípios apontados por ele como referências estratégicas para ampliar consultas especializadas, exames e procedimentos de média complexidade no interior baiano.

Declaração de ACM Neto em Macaúbas provoca reação de Marcelo Emerenciano

A controvérsia teve início após ACM Neto afirmar, durante agenda política em Macaúbas, que teria havido promessa não cumprida de construção de uma policlínica para atender a região. A fala foi interpretada por aliados do Governo da Bahia como crítica à política estadual de regionalização da assistência especializada.

Marcelo Emerenciano reagiu afirmando que o ex-prefeito de Salvador demonstrou desconhecimento sobre a estrutura de saúde em implantação no interior. Segundo o médico, a região de Macaúbas será impactada por unidades em construção ou implantação em cidades próximas, especialmente Seabra e Ibotirama.

ACM Neto está perdido. Ele cobra uma policlínica que já está em construção. Há policlínicas em construção em Seabra e Ibotirama, localidades equidistantes de Macaúbas. Quem nunca rodou o interior não sabe o que já está sendo feito”, afirmou Marcelo Emerenciano.

Bahia tem 26 policlínicas regionais em funcionamento

A rede de Policlínicas Regionais de Saúde da Bahia é apresentada pelo Governo do Estado como um dos eixos da descentralização da assistência especializada no Sistema Único de Saúde. O modelo funciona por meio de consórcios interfederativos, nos quais municípios pactuam atendimento regional, transporte sanitário e acesso regulado a consultas e exames.

Atualmente, a Bahia conta com 26 Policlínicas Regionais em funcionamento, com cobertura voltada a 416 dos 417 municípios baianos. A exceção, segundo críticas de representantes governistas, é Salvador, que não integra o sistema consorciado das policlínicas regionais, embora possua unidades estaduais na capital.

A rede já acumula milhões de atendimentos desde sua implantação, incluindo consultas em especialidades como cardiologia, ortopedia, endocrinologia e neurologia, além de exames de média e alta complexidade, como tomografias, ressonâncias magnéticas, ultrassonografias e mamografias. Para o Governo da Bahia, o modelo busca reduzir deslocamentos longos de pacientes do interior para Salvador e outros grandes centros.

Seabra, Ibotirama, Ipirá e outras cidades integram expansão da rede

A ampliação das policlínicas regionais ocorre em diferentes frentes. Entre as unidades citadas por Marcelo Emerenciano, Seabra teve licitação homologada para construção da nova policlínica regional, com investimento previsto de R$ 25,2 milhões. A unidade tem como finalidade fortalecer o atendimento especializado na Chapada Diamantina e reduzir a dependência de deslocamentos para centros maiores.

Em Ibotirama, a implantação da nova policlínica também integra a estratégia de regionalização da saúde no oeste baiano e no Vale do São Francisco. A unidade é apresentada pelo Governo do Estado como instrumento para ampliar o acesso a consultas, exames e procedimentos diagnósticos em uma região marcada por longas distâncias entre municípios.

Além de Seabra e Ibotirama, há novas policlínicas em diferentes etapas de implantação, construção ou licitação em municípios como Ipirá, Camaçari, Remanso e Itapetinga. A expansão é associada ao Novo PAC e a investimentos estaduais voltados à interiorização da rede pública especializada.

Modelo busca reduzir deslocamentos de pacientes do interior

Marcelo Emerenciano sustentou que ACM Neto reconheceu, em seu próprio discurso, o problema histórico do deslocamento de pacientes do interior para Salvador, mas teria ignorado que a política estadual de policlínicas foi concebida justamente para enfrentar essa dificuldade.

“O ACM Neto sobe no palanque para reclamar da distância que o paciente do interior percorre, mas desconhece que os governos de Wagner, Rui e Jerônimo estão encurtando essa distância. Quem governou Salvador por oito anos não implantou uma única policlínica. As duas que existem na capital são investimento do Governo do Estado. A prefeitura dele nunca se mexeu, e até hoje Bruno Reis não conseguiu licitar a policlínica que teve recurso viabilizado pelo Governo Lula, por meio do PAC”, afirmou.

A declaração insere a discussão técnica sobre oferta de serviços especializados em um ambiente de disputa política. De um lado, ACM Neto tenta vincular a crítica à necessidade de ampliação do acesso à saúde no interior. De outro, Emerenciano e aliados do governo estadual argumentam que a rede existente e as obras em curso demonstram continuidade administrativa na regionalização da assistência.

Salvador também entra no centro da disputa política

O embate ganhou contornos adicionais porque Salvador é frequentemente citada por representantes do Governo da Bahia como ponto fora da curva no sistema consorciado. A capital, administrada por Bruno Reis, aliado político de ACM Neto, não aderiu ao modelo de consórcios regionais que organiza a rede estadual de policlínicas.

Ainda assim, Salvador possui unidades estaduais, como Narandiba e Escada, que integram a oferta pública especializada na capital. A crítica de Marcelo Emerenciano se concentra no fato de que, segundo ele, a gestão municipal do grupo político de ACM Neto não teria implantado policlínica própria durante os oito anos em que o ex-prefeito comandou a Prefeitura de Salvador.

O tema ganhou atualização recente com o anúncio de uma nova policlínica municipal em Salvador, viabilizada em parceria com o Governo Federal por meio do Novo PAC. A obra, segundo informação divulgada pela imprensa baiana, deve ser executada na Avenida 29 de Março, com recursos federais e contrapartida municipal.

Disputa sobre saúde deve marcar o debate eleitoral na Bahia

A saúde pública tem se consolidado como um dos principais temas da disputa política na Bahia. ACM Neto tem utilizado problemas de regulação, filas e atendimento hospitalar como eixo de crítica ao Governo do Estado. Já representantes ligados ao governador Jerônimo Rodrigues defendem que a expansão da rede de policlínicas, hospitais regionais, leitos contratados e obras do PAC aponta para um processo de interiorização da assistência.

Nesse contexto, Marcelo Emerenciano busca apresentar a fala de ACM Neto em Macaúbas como exemplo de desinformação ou desconhecimento sobre investimentos já anunciados, contratados ou em execução. A resposta também reforça sua posição política como pré-candidato a deputado federal e defensor da continuidade do modelo estadual de saúde.

A discussão, porém, não se limita à disputa entre governo e oposição. Para a população do interior, o ponto essencial é a capacidade concreta de transformar obras, licitações e anúncios em atendimento regular, com médicos disponíveis, transporte sanitário eficiente, exames realizados em prazo adequado e integração efetiva com a atenção básica municipal.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da PMSE: Campanha do São João 2026.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading