Governo Jerônimo diz que Bahia Sem Fome soma R$ 5 bilhões, 505 cozinhas comunitárias e 19,3 milhões de refeições servidas

O Governo da Bahia, sob a liderança do governador Jerônimo Rodrigues,  divulgou nesta terça-feira, 30/06/2026, balanço do Bahia Sem Fome, política pública estadual de combate à insegurança alimentar que, segundo a gestão estadual, reúne R$ 5 bilhões em investimentos, 505 cozinhas comunitárias em funcionamento, mais de 19,3 milhões de refeições servidas e atendimento a 370 mil famílias por meio da distribuição de alimentos, com ações presentes nos 27 Territórios de Identidade do estado.

Bahia Sem Fome articula resposta emergencial e ações estruturantes

Criado para assegurar o direito à alimentação adequada, o Bahia Sem Fome foi apresentado pelo governo estadual como uma política pública de caráter permanente, voltada não apenas à entrega imediata de alimentos, mas também à integração de programas de segurança alimentar, assistência social, agricultura familiar, acesso à água, alimentação escolar, pesquisa científica e fortalecimento da gestão municipal.

De acordo com o balanço divulgado pelo Estado, a política baiana busca enfrentar a fome por meio de uma rede de ações intersetoriais. A estratégia combina atendimento direto a famílias em situação de vulnerabilidade com medidas voltadas à produção, ao abastecimento e à organização institucional das políticas públicas nos municípios.

O governador Jerônimo Rodrigues afirmou que a experiência estadual contribuiu para inspirar a formulação do Plano Brasil Sem Fome, lançado pelo governo federal em 2023 como estratégia nacional para retirar o Brasil do Mapa da Fome. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o plano federal reúne ações de acesso à renda, redução da pobreza, cidadania, segurança alimentar e inclusão produtiva.

Rede de cozinhas comunitárias atende cerca de 101 mil pessoas

A principal vitrine operacional do programa é a Rede de Equipamentos Integrados para o Combate à Fome, composta atualmente por 505 cozinhas comunitárias fortalecidas pelo Bahia Sem Fome. Desse total, 333 unidades funcionam em parceria com Organizações da Sociedade Civil — OSCs e outras 172 são executadas em cooperação com prefeituras municipais.

Segundo o Governo da Bahia, a rede atende cerca de 101 mil pessoas e já forneceu 19.364.800 refeições, com investimento de R$ 145 milhões. O modelo adota a cozinha comunitária como ponto de apoio territorial para garantir alimentação pronta a famílias em situação de insegurança alimentar, especialmente nos segmentos mais expostos à pobreza e à vulnerabilidade social.

A presença das cozinhas em diferentes territórios indica uma tentativa de descentralização da política pública, com atuação articulada entre governo estadual, municípios e entidades da sociedade civil. Esse arranjo amplia a capilaridade da ação, mas também exige controle rigoroso, monitoramento permanente e critérios transparentes de execução.

Programa alcança 370 mil famílias com distribuição de alimentos

Além das refeições servidas nas cozinhas comunitárias, o Bahia Sem Fome contabiliza 370 mil famílias alcançadas pela distribuição de alimentos. A ação funciona como resposta direta a situações de insegurança alimentar, sobretudo em contextos nos quais a renda familiar, a produção local ou a rede de proteção social não garantem acesso regular a comida adequada.

O programa também foi estruturado para atuar sobre fatores associados à fome, como pobreza, desigualdade social, insegurança hídrica, baixa capacidade produtiva e fragilidade administrativa de parte dos municípios. Por essa razão, a política envolve diferentes áreas do governo estadual e busca articular medidas emergenciais com ações de médio e longo prazo.

O coordenador-geral de Ações Estratégicas de Combate à Fome do Governo da Bahia, Tiago Costa, afirmou que o Bahia Sem Fome é, segundo a gestão estadual, o maior programa estadual de combate à fome do país em volume de investimento. Para o gestor, o enfrentamento da insegurança alimentar “vai muito além da entrega de alimentos”, pois depende de assistência, produção, água, ciência, integração institucional e fortalecimento municipal.

Integração com agricultura familiar, água e alimentação escolar amplia alcance da política

A concepção do Bahia Sem Fome parte da compreensão de que a fome não é apenas ausência pontual de alimentos, mas resultado de fatores econômicos, sociais, territoriais e institucionais. Nesse desenho, o programa procura conectar segurança alimentar à agricultura familiar, à alimentação escolar e ao acesso à água.

A agricultura familiar ocupa papel estratégico nesse modelo, porque pode contribuir para o abastecimento local, gerar renda no campo e fortalecer circuitos curtos de produção e consumo. A política de acesso à água, por sua vez, é central em regiões marcadas por estiagem, irregularidade hídrica e vulnerabilidade produtiva.

A alimentação escolar também aparece como eixo relevante, pois a escola pública é um dos espaços mais estáveis de garantia alimentar para crianças e adolescentes. Quando integrada a compras públicas, produção familiar e políticas de nutrição, essa frente pode produzir impacto simultâneo na educação, na saúde e na economia regional.

Bahia Sem Fome ganha dimensão institucional e nacional

Ao afirmar que a experiência estadual ajudou a inspirar o Brasil Sem Fome, Jerônimo Rodrigues vinculou a política baiana a uma agenda nacional de enfrentamento da insegurança alimentar. A conexão entre os dois programas reforça o debate sobre o papel dos estados na formulação de políticas públicas capazes de dialogar com estratégias federais.

No plano institucional, o Bahia Sem Fome também fortalece a agenda de segurança alimentar como política de Estado. Essa característica é relevante porque o combate à fome, historicamente, depende de continuidade administrativa, orçamento, avaliação de resultados e integração entre União, estados, municípios e sociedade civil.

O desafio, no entanto, está em converter volume de investimento e alcance territorial em resultados mensuráveis e sustentáveis. A quantidade de refeições servidas e famílias atendidas demonstra escala, mas a avaliação pública da política também deve observar indicadores de redução da fome, melhoria nutricional, autonomia produtiva, geração de renda e capacidade municipal de gestão.

Transparência, monitoramento e continuidade serão decisivos para avaliar resultados

O Bahia Sem Fome consolida-se, segundo o balanço oficial, como uma das principais políticas sociais do Governo da Bahia, tanto pelo volume de recursos quanto pela presença nos 27 Territórios de Identidade. A combinação de R$ 5 bilhões em investimentos, 505 cozinhas comunitárias, 19,3 milhões de refeições e 370 mil famílias atendidas expressa uma intervenção pública de larga escala em um problema estrutural.

A divulgação dos números do Bahia Sem Fome reforça a centralidade da segurança alimentar na agenda social da Bahia. Os dados indicam que o governo estadual adotou uma estratégia ampla, combinando cozinhas comunitárias, distribuição de alimentos e ações estruturantes em diferentes áreas administrativas.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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