O senador Ângelo Coronel foi visto de forma discreta na tarde de sábado, 04/07/2026, durante a 73ª Festa dos Vaqueiros de Curaçá, no norte da Bahia, em um registro que provocou leituras políticas sobre sua capacidade de mobilização no interior do estado. Segundo o relato encaminhado à reportagem, o parlamentar, pré-candidato à reeleição ao Senado, esteve no evento acompanhado da esposa, Eleusa Coronel, e de amigos, sem a presença ostensiva de lideranças locais ou integrantes de maior projeção do grupo de ACM Neto, em meio ao reposicionamento do senador no campo oposicionista baiano.
Presença discreta ocorre em festa tradicional do sertão baiano
A Festa dos Vaqueiros de Curaçá é uma das celebrações mais tradicionais do sertão da Bahia e, em 2026, chegou à 73ª edição, com programação realizada entre 03 e 05 de julho, no Circuito José Nunes da Silva, em Curaçá. A agenda reuniu atrações musicais, manifestações culturais e atividades ligadas à memória da cultura vaqueira.
O evento também teve dimensão política. Publicação local informou que ACM Neto, pré-candidato ao Governo da Bahia, confirmou presença em agenda marcada para o sábado, 04/07/2026, com participação prevista de lideranças como João Roma, Adolfo Viana, Zé Cocá, Júnior Nascimento e o próprio Angelo Coronel.
Nesse contexto, a presença sem grande exposição pública do senador ganhou peso simbólico. Em disputas majoritárias, sobretudo para o Senado, eventos populares no interior funcionam como vitrines de força política, capilaridade municipal e capacidade de articulação com prefeitos, vereadores e lideranças regionais.
Episódio ocorre após desgaste no desfile do 2 de Julho
O registro em Curaçá ocorreu poucos dias depois de Coronel também ter passado de forma pouco destacada no desfile do 2 de Julho, em Salvador, segundo avaliação política reproduzida no material encaminhado. A repetição da cena alimentou, nos bastidores, a leitura de que o senador enfrenta dificuldades para converter seu reposicionamento partidário em apoio visível nas ruas.
Coronel cumpre mandato no Senado Federal pela Bahia no período 2019-2027 e aparece no cadastro oficial da Casa como integrante do Republicanos. O parlamentar nasceu em Coração de Maria, na Bahia, e tem trajetória consolidada na política estadual antes de chegar ao Senado.
A filiação ao Republicanos foi anunciada em 17/03/2026, em movimento que marcou nova etapa de sua atuação política e reforçou sua aproximação com o campo oposicionista na Bahia.
Reorganização partidária ampliou pressão sobre candidatura ao Senado
A situação de Coronel se agravou politicamente após a saída do PSD, legenda pela qual havia sido eleito. Reportagens nacionais registraram que o senador deixou a base governista após perder espaço na composição majoritária ligada ao PT na Bahia, onde os nomes de Rui Costa e Jaques Wagner passaram a ocupar posição central na disputa ao Senado.
A pré-campanha ao Senado na Bahia ocorre em ambiente de alta concorrência. Levantamento publicado pelo Jota apontou que seis nomes deveriam disputar as duas vagas baianas ao Senado em 2026, incluindo figuras de forte densidade política no estado.
Nesse cenário, a presença em eventos de massa não é apenas uma agenda de cortesia. Ela serve como termômetro da adesão territorial, da disposição de prefeitos em aderir publicamente a uma candidatura e da capacidade do postulante de se apresentar como nome competitivo dentro de uma chapa majoritária.
Ausência de apoio ostensivo vira sinal de alerta para aliados
Segundo o relato encaminhado, Coronel não foi visto ao lado do prefeito de Curaçá, Murilo Bomfim, nem cercado por lideranças políticas locais durante o período em que circulou na festa. A ausência de apoio ostensivo, se confirmada por novos registros e manifestações políticas, pode representar um problema para a narrativa de viabilidade eleitoral do senador.
A leitura é especialmente sensível porque a oposição baiana tenta organizar uma chapa competitiva em torno de ACM Neto. Para um candidato ao Senado, a falta de demonstração pública de apoio em eventos regionais tende a ser explorada por adversários como sinal de fragilidade política.
Ainda assim, é necessário tratar o episódio com cautela. Uma presença discreta em determinado evento não permite, isoladamente, concluir que exista rompimento, abandono político ou inviabilidade eleitoral. O dado relevante, do ponto de vista jornalístico, está na percepção produzida pelo registro e na forma como ele pode ser explorado no ambiente pré-eleitoral.







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