Sociedade Filarmônica 25 de Março: como nasceu a pioneira banda de Feira de Santana e por que sua trajetória ainda pesa na memória cultural da cidade | Por Carlos Augusto

A reconstituição histórica da Sociedade Filarmônica 25 de Março, realizada por Carlos Augusto, jornalista, cientista social e editor do Jornal Grande Bahia, revela que a instituição fundada em 25/03/1868, em Feira de Santana, permite compreender como uma associação musical nascida no Brasil Imperial se transformou em referência da vida cívica, religiosa, social e cultural do município. Ao longo de 158 anos, a entidade atravessou procissões, retretas, solenidades públicas, bailes de micareta, festivais, fases de decadência, reativação pedagógica e projetos contemporâneos de preservação patrimonial, formação musical e ocupação cultural dos espaços públicos.

Atualmente, a filarmônica mantém 24 instrumentistas, acervo estimado em cerca de 600 obras, escola de música e ações recentes como o Projeto Retreta, que em 2026 celebrou os 158 anos da instituição no coreto da Praça da Matriz. Mais que uma banda civil, a 25 de Março constitui um patrimônio vivo da cidade, articulando memória urbana, educação musical, repertório histórico e continuidade comunitária.

Uma instituição musical nascida no Brasil Imperial

A Sociedade Filarmônica 25 de Março foi instalada em Feira de Santana em 25 de março de 1868, sob os auspícios de Nossa Senhora da Anunciação, com a missão de cultivar e desenvolver a arte musical. Naquele contexto, as bandas civis exerciam papel central na organização simbólica da vida pública, especialmente em cidades nas quais a música instrumental acompanhava solenidades, cerimônias religiosas, festas populares e atos oficiais.

A memória local descreve a 25 de Março como pioneira entre as bandas feirenses. Sua fundação é atribuída a um grupo de beneméritos formado, entre outros, por João Manoel Laranjeiras Dantas, Eduardo Franco, Afonso Nolasco, Antônio Joaquim da Costa, José Pinto dos Santos, Joaquim Sampaio, Francisco Costa, Galdino Dantas, Juvêncio Erudilho, José Nicolau dos Santos, Alexandre Ribeiro, Joviniano Cerqueira, Pedro Nolasco Néu e Tibério Constancio Pereira.

A relação de fundadores revela que a filarmônica nasceu de uma articulação civil, comunitária e urbana, não apenas de uma iniciativa artística isolada. No século XIX, antes da consolidação do rádio, da televisão e das formas contemporâneas de entretenimento, as filarmônicas funcionavam como espaços de formação, sociabilidade, prestígio público e difusão musical. Em Feira de Santana, a 25 de Março assumiu esse papel desde o período imperial, quando o município consolidava sua posição regional como centro de comércio, circulação de pessoas e formação de instituições civis.

Música, civismo e sociabilidade urbana

Ao longo de sua história, a 25 de Março participou de procissões, passeios de trem, funerais, retretas na Festa de Sant’Ana, bailes de micareta, solenidades cívicas e apresentações públicas, demonstrando inserção orgânica na vida cotidiana de Feira de Santana. A entidade aparece, portanto, menos como ornamento musical e mais como engrenagem da sociabilidade urbana, capaz de ligar devoção religiosa, festa popular, cerimônia oficial e prestígio social.

A relevância da instituição ultrapassava a execução de dobrados, marchas e repertórios de banda. Seus salões e apresentações ajudavam a estruturar formas tradicionais de convivência coletiva, aproximando comerciantes, autoridades, famílias, devotos, estudantes, foliões e músicos. A filarmônica participava de um sistema cultural no qual música, rito religioso, vida política e representação social se entrelaçavam.

Essa dimensão explica por que a história da 25 de Março se confunde com a própria memória urbana de Feira de Santana. A entidade conferiu solenidade à vida pública, formou ouvintes e instrumentistas, marcou datas simbólicas e produziu continuidade entre gerações. Em sua fase inicial, ajudou a organizar a vida social de uma Feira ainda marcada por formas tradicionais de convivência; em sua maturidade, tornou-se ponto de encontro de elites locais, comerciantes, foliões, devotos e autoridades.

A criação posterior da Filarmônica Vitória também é associada, por estudiosos locais, a dissensões surgidas dentro da própria 25 de Março poucos anos depois de sua fundação. Embora esse ponto apareça como interpretação historiográfica e não como consenso documental absoluto, ele reforça a dimensão institucional da pioneira: a 25 de Março era um polo de influência forte o suficiente para produzir cisões, concorrência e rearranjos no campo musical feirense.

Salões da 25 de Março abrigaram fatos decisivos da vida feirense

Em 1941, os salões da Sociedade Filarmônica 25 de Março sediaram a fundação do primeiro Rotary Club de Feira de Santana, com apresentação de dobrados e presença de lideranças empresariais e autoridades rotárias. A primeira diretoria foi presidida por João Marinho Falcão e teve Áureo de Oliveira Filho como secretário, conforme registro histórico reunido pelo Jornal Grande Bahia.

Outro episódio simbólico ocorreu em 1944, durante a II Guerra Mundial. A micareta, inaugurada em Feira de Santana em 1937, corria o risco de não ser realizada. A diretoria da 25 de Março decidiu abrir os salões da instituição, decorados e iluminados, para manter a festa. Entre 15 e 17 de abril de 1944, a cidade viveu bailes noturnos no espaço da filarmônica, em uma decisão que preservou uma tradição local mesmo em período de tensão internacional.

Esses fatos mostram que a filarmônica funcionava como equipamento cultural e social antes mesmo da consolidação de políticas públicas modernas para o setor. Na prática, seus salões cumpriam função semelhante à de centros culturais, clubes sociais e espaços de representação institucional, oferecendo à cidade um ambiente de reunião, celebração, música e articulação comunitária.

Centenário, projeção nacional e reconhecimento artístico

A projeção da 25 de Março ultrapassou os limites locais. Em 1968, ano do centenário da instituição, a filarmônica realizou excursão ao Rio de Janeiro, então referência simbólica da vida política e cultural brasileira. Na ocasião, visitou a banda do Corpo de Bombeiros, apresentou-se nas escadarias do Theatro Municipal, na Rádio Nacional e foi recebida no Palácio das Laranjeiras pelo então presidente Arthur da Costa e Silva.

Em 1977, a instituição alcançou um de seus feitos mais expressivos ao representar a Bahia no I Campeonato Nacional de Bandas, promovido por MEC, Funarte, Instituto Nacional de Música e Rede Globo. A 25 de Março obteve o 3º lugar e participou do disco oficial do campeonato com duas gravações: o dobrado “Allah”, de Estevam Moura, e a marcha “Eliana Meireles”, de Tertuliano Santos.

O episódio também é lembrado pelo registro da presença do então presidente Ernesto Geisel na etapa realizada em Brasília, além do prêmio de 50 mil cruzeiros em instrumental e do troféu concedido à filarmônica. O resultado projetou a instituição para além do território feirense e consolidou sua relevância no circuito nacional das bandas civis.

Decadência expôs mudanças sociais, urbanas e culturais

Apesar da força histórica acumulada desde o século XIX, a 25 de Março enfrentou, a partir dos anos 1970, um período de declínio. A crise foi associada a mudanças sociais mais amplas, como urbanização, industrialização, novas formas de lazer, deslocamento do comércio tradicional e perda de centralidade das antigas práticas de sociabilidade musical.

O quadro foi agravado por pendências jurídicas, degradação da sede e redução do corpo musical a apenas sete integrantes, todos em idade avançada. A partir do fim dos anos 1990, a filarmônica passou cerca de duas décadas sem funcionamento regular, situação que ameaçou não apenas a continuidade da banda, mas também a preservação de seu acervo e de sua memória institucional.

Esse declínio não pode ser visto como fato isolado. Ele refletiu a crise de muitas instituições tradicionais brasileiras, atingidas pelo enfraquecimento dos clubes, dos coretos, das procissões como grandes eventos urbanos e da presença regular da música instrumental em solenidades públicas. Em Feira de Santana, a crise da 25 de Março simbolizou também o enfraquecimento de uma ordem cultural fundada em salões, praças, escolas de música, festas cívicas e ritos comunitários.

Escola Maestro Estevam Moura marcou a reativação da entidade

A retomada institucional começou em 2014, com a criação da Escola de Música Maestro Estevam Moura, concebida para formar novos integrantes para o corpo musical. Em 2015, a banda voltou às atividades públicas, reaproximando a instituição da comunidade.

A escola tem papel estratégico porque transforma memória em formação. Sem novos músicos, o patrimônio musical da 25 de Março tenderia a permanecer apenas como registro documental; com o ensino, o acervo volta a ser executado, transmitido e reinterpretado. A reativação, portanto, não foi apenas administrativa, mas pedagógica, artística e comunitária.

O corpo musical reúne crianças, adolescentes, adultos e idosos, com instrumentos de sopro e percussão. O repertório contempla dobrados, marchas, boleros, polcas, maxixes, frevos, fantasias e valsas, além de obras da música popular brasileira e internacional. Os ensaios ocorrem às segundas e quartas-feiras, das 18h30 às 20h30, no Centro Comunitário Ederval Fernandes Falcão, no bairro Baraúna.

Em 2025, a sede administrativa passou a funcionar na Rua dos Contabilistas, nº 33, enquanto a escola de música passou a atuar no Centro Comunitário Ederval Fernandes Falcão, situado na Rua Deraldo Alves Costa, nº 171, também no bairro Baraúna.

Acervo preserva compositores locais e memória sonora regional

Um dos pilares da importância histórica da Sociedade Filarmônica 25 de Março é seu acervo musical. A instituição conserva cerca de 600 obras, grande parte escrita por compositores feirenses, entre eles Estevam Moura, Tertuliano Santos, Amando Nobre, João Manoel Dantas e João Camelier.

Esse conjunto documental permite compreender a filarmônica como guardiã de uma memória sonora regional. As partituras preservam dobrados, marchas, valsas e outras formas musicais associadas a solenidades, homenagens públicas, eventos religiosos e celebrações populares. Mais que produção artística, o acervo registra relações sociais, práticas de ensino, repertórios de época e redes de músicos que ajudaram a formar a identidade cultural de Feira de Santana.

O Projeto Retreta tem contribuído para reativar esse patrimônio. Em 2026, foram executadas obras ligadas à história da instituição, como o Dobrado João Martins, de Tertuliano Santos, além de composições preservadas no acervo dedicadas a figuras históricas locais, entre elas Arnold Silva, Lindaura Azevedo e Glorinha Bahia.

Antonio Neves e a nova fase da filarmônica

A reorganização contemporânea da 25 de Março tem no maestro Antonio Carlos Batista Neves Júnior um de seus personagens centrais. Natural de Feira de Santana, ele é graduado em Licenciatura em Música pela Universidade Federal da Bahia, em 2016, e mestre em Educação Musical pela mesma instituição, em 2018. Em 2014, foi convidado a assumir a regência da Banda de Música da Sociedade Filarmônica 25 de Março, função que exerce desde então.

Sua atuação combina regência, formação de instrumentistas, pesquisa e produção cultural. O currículo divulgado pela entidade registra estudos sobre o arquivo de 150 anos da instituição, apresentação em conferência da WASBE, em Buñol, na Espanha, além de pesquisas acadêmicas sobre a prática do mestre de banda e o ressurgimento da 25 de Março por meio da Escola Maestro Estevam Moura.

Essa trajetória estabelece uma ponte entre a tradição oral dos antigos mestres de banda e a formação universitária contemporânea. Nesse processo, a filarmônica deixa de depender apenas da memória afetiva da cidade e passa a dialogar também com pesquisa acadêmica, editoração musical, projetos incentivados e gestão cultural.

Missão institucional, diretoria e governança cultural

A missão institucional da 25 de Março é desenvolver, em Feira de Santana, o potencial artístico e musical de pessoas por meio da prática musical, tendo a banda de música como principal instrumento de realização. A visão declarada é ser uma entidade promotora de cultura, educação e música, reconhecida por sua história e atuação na cidade. Entre os valores institucionais estão pontualidade, criatividade, respeito, comprometimento e colaboração.

A diretoria do biênio 2025/2027 é presidida por Carlos Alberto Oliveira Brito, tendo Antonio Carlos Batista Neves como vice-presidente. A estrutura administrativa inclui secretarias, tesouraria, direção de patrimônio, relações públicas, direção artística, arquivo e conselho fiscal.

Essa organização formal revela que a continuidade de uma instituição cultural centenária exige mais que reverência histórica. Requer governança, regularidade administrativa, financiamento, preservação de acervo, renovação do corpo musical, direção artística e articulação com a comunidade.

Projetos recentes ampliam presença pública

Nos últimos anos, a 25 de Março estruturou projetos que aproximam tradição e novas formas de circulação cultural. Entre as iniciativas desenvolvidas entre 2018 e 2024 estão Retreta, Música no Casarão, Coreto Cultural, Banda Digital, Conexão 25 em Banda Larga, 25 Ensino Híbrido e Roda de Choro, com diferentes modelos de apoio e incentivo.

Em 2020, a instituição levou o projeto Coreto Cultural a escolas públicas de Feira de Santana, com apresentações didáticas voltadas a estimular novos ingressos na banda e fortalecer a identidade cultural local. Naquele período, a entidade já oferecia aulas gratuitas por meio da Escola de Música Maestro Estevam Moura, no bairro Baraúna.

Em 2023, o projeto Educação, Cultura e Tradição voltou ao ambiente escolar. A apresentação prevista para a Escola Municipal Antonio Carlos Pinto de Almeida incluía explicações sobre instrumentos de sopro e percussão, histórico da entidade e repertório com o dobrado “Verde x Branco”, de Estevam Moura, além de canções da música popular brasileira. No mesmo ano, a banda conquistou a segunda colocação entre doze classificados no Festival Dois de Julho – Filarmônicas da Bahia, realizado no Pelourinho, em Salvador.

A retomada prosseguiu em 2024 e 2025 com o projeto Música no Casarão, descrito como iniciativa de resgate de partituras históricas. Já o Projeto Retreta recolocou a filarmônica no espaço simbólico dos coretos. Em dezembro de 2025, a iniciativa marcou o retorno das apresentações de bandas filarmônicas ao coreto da Praça da Matriz, com concertos sem sonorização, exposição fotográfica e ocupação cultural do espaço público. Em março de 2026, o projeto celebrou os 158 anos da 25 de Março, com apresentação especial e exposição “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias”.

Retretas retomam o vínculo entre música, praça e comunidade

As retretas têm valor histórico porque aproximam música instrumental, convivência social e uso democrático dos espaços públicos. Em Feira de Santana, o coreto da Praça da Matriz voltou a cumprir essa função ao receber apresentações da 25 de Março e de filarmônicas convidadas, como a Minerva Cachoeirana, de Cachoeira, e a Filarmônica 25 de Dezembro, de Irará.

O Projeto Retreta busca recuperar uma prática associada ao século XIX e ao início do século XX, quando concertos em praças públicas estavam entre as principais formas de difusão cultural e convivência social nas cidades brasileiras. O repertório reúne dobrados, marchas, composições tradicionais e novos arranjos de clássicos da música brasileira.

Essa retomada tem sentido patrimonial e urbano. Ao ocupar o centro histórico com música de banda, a 25 de Março reativa uma tradição que depende da presença do público, da escuta coletiva e da valorização de equipamentos urbanos antigos. Em uma cidade marcada por crescimento acelerado, pressão comercial e perda de referências históricas, a filarmônica recoloca a praça como lugar de memória, encontro e pertencimento.

Patrimônio cultural exige continuidade, gestão e presença pública

A constituição histórica da Sociedade Filarmônica 25 de Março revela uma instituição rara: nascida no Brasil Imperial, integrada à vida religiosa, cívica e festiva de Feira de Santana, projetada nacionalmente no século XX e reativada no século XXI por meio de escola de música, pesquisa, acervo e projetos culturais. Sua permanência demonstra que patrimônio não é apenas prédio antigo ou lembrança celebrativa; é prática continuada, corpo musical ativo, repertório executado, arquivo preservado e vínculo social renovado.

A análise dos fatos indica que a filarmônica enfrentou, em escala local, os mesmos desafios que atingiram muitas instituições tradicionais brasileiras: urbanização acelerada, perda de centralidade dos clubes e coretos, enfraquecimento de formas antigas de sociabilidade, dificuldades administrativas e dependência de financiamento descontínuo. A diferença, no caso da 25 de Março, está na capacidade de reorganização institucional a partir de 2014, quando a formação de novos músicos passou a funcionar como eixo de reedificação.

O próximo desafio é transformar essa retomada em política cultural duradoura. A atuação da diretoria, do corpo musical, da escola, dos apoiadores privados, do poder público, dos órgãos de preservação e da comunidade será decisiva para garantir que a 25 de Março não seja tratada apenas como relíquia histórica, mas como instituição viva de educação musical, memória urbana e identidade cultural de Feira de Santana.

A continuidade de projetos como o Retreta, a preservação da sede e do acervo, a formação de novos instrumentistas e a ocupação regular dos espaços públicos devem ser acompanhadas como indicadores concretos da capacidade da cidade de proteger uma de suas heranças culturais mais antigas.

Linha do tempo da Sociedade Filarmônica 25 de Março

1868 — Instalação da Sociedade Filarmônica 25 de Março, em Feira de Santana.

1941 — Salões da entidade sediam a fundação do primeiro Rotary Club de Feira de Santana.

1944 — Filarmônica mantém bailes de micareta durante o contexto da II Guerra Mundial.

1968 — Centenário é marcado por excursão ao Rio de Janeiro, apresentações públicas e visita ao Palácio das Laranjeiras.

1977 — 25 de Março conquista o 3º lugar no I Campeonato Nacional de Bandas.

Década de 1970 em diante — Instituição entra em período de declínio, agravado por pendências jurídicas, degradação da sede e redução do corpo musical.

2014 — Fundação da Escola de Música Maestro Estevam Moura.

2015 — Banda retorna às atividades públicas.

2020 — Projeto Coreto Cultural leva apresentações didáticas a escolas públicas de Feira de Santana.

2023 — Projeto Educação, Cultura e Tradição amplia ações em escolas; banda obtém segunda colocação no Festival Dois de Julho – Filarmônicas da Bahia.

2025 — Filarmônica completa 157 anos, reorganiza endereços administrativos e pedagógicos e reafirma sua missão cultural.

2026 — Projeto Retreta celebra os 158 anos da instituição no coreto da Praça da Matriz, em Feira de Santana.

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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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