A retirada de uma placa de inauguração da primeira etapa da BA-649 pelo deputado estadual Leandro de Jesus (PL), aliado político de ACM Neto, provocou nesta quarta-feira (08/07/2026) reação do prefeito de Itabuna, Augusto Castro, de secretários do Governo da Bahia e do líder governista na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Rosemberg Pinto. O episódio, registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais, ampliou a tensão política em torno da obra de ligação entre Itabuna e Ilhéus, no sul do estado, e abriu debate sobre patrimônio público, limites da fiscalização parlamentar, possível quebra de decoro e responsabilização institucional.
Retirada de placa da BA-649 amplia tensão política no sul da Bahia
O ato atribuído a Leandro de Jesus ocorreu após a entrega da primeira etapa da BA-649, rodovia considerada estratégica para a mobilidade regional. A intervenção viária integra o conjunto de obras do Governo da Bahia voltadas à melhoria da ligação entre Itabuna, Ilhéus e municípios do entorno, área de relevância econômica, logística, turística e social para o litoral sul baiano.
Nas redes sociais, o prefeito de Itabuna, Augusto Castro, classificou a atitude como lamentável. Segundo o gestor municipal, a retirada da placa desrespeita a população do sul da Bahia, que aguardou por muitos anos uma ligação viária capaz de melhorar o deslocamento entre duas das principais cidades da região.
A reação do prefeito insere o caso em uma dimensão que vai além da disputa entre governo e oposição. Para as lideranças que criticaram o parlamentar, a placa retirada não representa apenas um símbolo administrativo da gestão estadual, mas um elemento vinculado a uma obra pública financiada com recursos do Estado e destinada ao uso coletivo.
Secretários estaduais cobram providências contra Leandro de Jesus
O secretário de Relações Institucionais da Bahia, Adolpho Loyola, defendeu a adoção de medidas contra o deputado estadual. Para o gestor, a conduta não pode ser tratada como simples manifestação política, pois envolveu a retirada de material oficial instalado em área de obra pública.
Também houve reação do secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, que cobrou apuração pelos órgãos competentes, pela Justiça e pela própria Assembleia Legislativa. A manifestação reforçou a avaliação de que o caso pode produzir consequências políticas, administrativas e jurídicas, a depender da análise das autoridades responsáveis.
O líder do governo na Alba, Rosemberg Pinto, anunciou providências no âmbito institucional. A iniciativa deve levar o episódio ao debate sobre eventual quebra de decoro parlamentar, tema sensível quando a conduta de um agente público eleito ultrapassa a crítica política e passa a envolver possível dano a bem público.
Fiscalização parlamentar não se confunde com dano ao patrimônio público
A fiscalização de obras, contratos, prazos e entregas públicas é atribuição legítima de parlamentares. Deputados estaduais têm o dever de cobrar informações do Executivo, apontar falhas, questionar inaugurações e exigir transparência administrativa quando houver indícios de irregularidade, atraso ou execução incompleta.
Essa prerrogativa, contudo, deve ser exercida pelos meios institucionais adequados. Requerimentos de informação, pronunciamentos parlamentares, audiências públicas, representações formais e visitas técnicas são instrumentos compatíveis com o mandato. A retirada física de uma placa pública, em ato gravado e divulgado nas redes sociais, desloca o debate para outro patamar.
A questão central, portanto, não é o direito de crítica do parlamentar, mas a forma escolhida para expressá-la. A pergunta institucional que se impõe é se arrancar publicamente a placa de uma obra do Estado, em ação registrada e difundida digitalmente, pode configurar infração ética, dano ao patrimônio público ou quebra de decoro parlamentar.
Governo afirma que BA-649 foi planejada por etapas
O secretário de Infraestrutura da Bahia, Saulo Pontes, divulgou vídeo para esclarecer a situação da BA-649 e rebater as alegações do parlamentar. Segundo ele, a obra foi planejada por etapas, e a primeira entrega já representa avanço para a mobilidade, a segurança viária e o desenvolvimento regional.
A explicação da Seinfra busca responder à crítica de que a obra teria sido inaugurada sem conclusão integral. Pela versão do governo, a entrega da primeira etapa não significaria encerramento total do empreendimento, mas liberação de uma fase funcional do sistema viário.
A distinção é relevante. Obras públicas de infraestrutura podem ser executadas e entregues por fases, especialmente quando envolvem rodovias, pontes, acessos e intervenções complementares. A controvérsia sobre a comunicação oficial da entrega pode ser objeto de debate público, mas não elimina a necessidade de apuração sobre o método adotado pelo parlamentar.
Dados centrais do episódio
- Obra: primeira etapa da BA-649, ligação entre Itabuna e Ilhéus;
- Região impactada: sul da Bahia, com reflexos sobre mobilidade, logística, turismo e desenvolvimento regional;
- Parlamentar envolvido: deputado estadual Leandro de Jesus, aliado político de ACM Neto;
- Reações institucionais: prefeito Augusto Castro, secretários Adolpho Loyola, Felipe Freitas e Saulo Pontes, além do líder governista Rosemberg Pinto;
- Pontos em discussão: patrimônio público, decoro parlamentar, fiscalização política, apuração administrativa e eventual responsabilização.
BA-649 é tratada como obra estruturante para Itabuna e Ilhéus
A BA-649 é apresentada pelo Governo da Bahia como uma obra estruturante para o sul do estado. A nova ligação entre Itabuna e Ilhéus busca reduzir gargalos de deslocamento, melhorar a segurança viária e ampliar a integração entre centros urbanos com forte peso econômico e populacional.
A rodovia também tem relevância logística. A região concentra atividades associadas ao comércio, aos serviços, à produção agrícola, ao turismo e ao acesso a equipamentos públicos. Nesse contexto, melhorias na malha viária podem gerar efeitos diretos sobre tempo de viagem, transporte de mercadorias, circulação de trabalhadores e deslocamento de estudantes.
Por isso, a controvérsia em torno da placa ultrapassa o simbolismo político. O episódio ocorre em uma obra que pertence à população baiana e que deve ser acompanhada com critérios técnicos, transparência orçamentária e fiscalização regular, sem que a disputa partidária obscureça o interesse público envolvido.









Deixe um comentário