A BYD alcançou a marca de 100 mil veículos produzidos em seu complexo industrial de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, e chegou a 5.500 empregos diretos, conforme anunciado durante cerimônia realizada nesta quinta-feira (16/07/2026). Representando o governador Jerônimo Rodrigues, o vice-governador Geraldo Júnior, conhecido como Geraldinho, participou do evento ao lado do prefeito Luiz Caetano, de dirigentes da montadora e de representantes dos setores público e empresarial. A celebração marcou o avanço da produção de veículos eletrificados na Bahia, a expansão da unidade instalada na antiga área da Ford e a preparação de novas etapas destinadas a ampliar o conteúdo nacional dos automóveis.
BYD atinge 100 mil veículos produzidos na Bahia
A unidade de número 100 mil foi um BYD Dolphin Mini, modelo totalmente elétrico que integra a linha fabricada em Camaçari. A planta também produz o sedã híbrido BYD King e o utilitário esportivo BYD Song Pro, consolidando a fábrica baiana como centro estratégico da operação industrial da empresa no mercado brasileiro.
O resultado foi alcançado aproximadamente nove meses depois do início oficial das operações da primeira etapa do complexo. A velocidade de expansão demonstra o crescimento da capacidade de montagem e acompanha a ampliação da presença comercial da fabricante chinesa no país.
Segundo os dados apresentados durante a cerimônia, a BYD chegou simultaneamente a 5.500 colaboradores diretos. Desse total, 86% são trabalhadores baianos, enquanto mais da metade reside em Camaçari, indicando impacto direto sobre o mercado de trabalho e a renda no município.
O funcionário de número 5.500 foi identificado como Ednei dos Santos Silva, contratado para atuar na área de soldagem. A incorporação desse profissional ocorreu em uma fase de ampliação das equipes responsáveis pelos processos industriais que serão gradualmente internalizados na Bahia.
Geraldo Júnior destaca cooperação entre governos e iniciativa privada
Durante o evento, Geraldo Júnior afirmou que a implantação da BYD representa um resultado da articulação institucional entre o Governo Federal, o Governo da Bahia, a Prefeitura de Camaçari e a iniciativa privada.
“O sucesso da BYD em Camaçari é resultado da união de esforços entre o presidente Lula, o governador Jerônimo Rodrigues, a Prefeitura de Camaçari e a iniciativa privada. Essa parceria devolveu à Bahia a capacidade de atrair grandes investimentos, gerar empregos e construir um futuro de desenvolvimento para o nosso povo”, declarou.
Para o vice-governador, a marca de 100 mil unidades deve ser compreendida no contexto da retomada da atividade industrial brasileira, especialmente em segmentos ligados à mobilidade elétrica, à inovação tecnológica e à transição energética.
A unidade está instalada em uma área que integrou o antigo complexo automotivo da Ford. O encerramento da produção da montadora norte-americana em Camaçari foi anunciado em 11 de janeiro de 2021, provocando perda de empregos e redução da atividade econômica vinculada à cadeia automotiva regional.
Ao tratar da mudança de ocupação da área industrial, Geraldo Júnior afirmou que o empreendimento representa a abertura de um novo ciclo econômico para o município e para o estado.
“Onde muitos enxergaram o fim de uma história, os governos do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues enxergaram a oportunidade de construir um novo futuro para Camaçari e para a Bahia. Hoje celebramos emprego, tecnologia, inovação e esperança”, declarou.
Complexo passa por expansão e amplia nacionalização
Durante a visita, as autoridades conheceram a linha de produção e acompanharam o andamento das obras destinadas à implantação das unidades de estamparia, soldagem e pintura.
Essas estruturas permitirão que uma parcela maior das etapas industriais seja realizada diretamente em Camaçari. A expansão deverá reduzir progressivamente a dependência dos conjuntos importados e elevar o índice de componentes fabricados ou adquiridos no mercado nacional.
A empresa trabalha com a meta de alcançar aproximadamente 50% de conteúdo nacional até o final de 2026. A estratégia inclui a integração de fornecedores brasileiros, a produção local de componentes e a transferência gradual de processos atualmente vinculados ao sistema de montagem de veículos parcialmente desmontados.
Em junho de 2026, a fábrica realizou a inspeção do primeiro lote do Cross Car Beam, estrutura instalada atrás do painel dos veículos e utilizada para sustentar componentes como coluna de direção, pedal de freio, airbag, painel de instrumentos e sistema de climatização. A produção desse componente foi apresentada como uma das etapas do processo de nacionalização.
A unidade também iniciou, em março de 2026, um segundo turno de produção, mobilizando aproximadamente 800 trabalhadores na área de montagem final. A medida ampliou o ritmo operacional e antecedeu a chegada da fábrica à marca de 100 mil veículos.
Investimento industrial e capacidade de produção
O complexo automotivo da BYD reúne investimento anunciado de aproximadamente R$ 5,5 bilhões, valor ampliado em relação à previsão inicial apresentada durante as primeiras negociações para instalação da empresa na Bahia.
A planta começou com capacidade estimada para produzir 150 mil veículos por ano. O planejamento industrial prevê expansão progressiva para 300 mil unidades e, futuramente, possibilidade de alcançar até 600 mil veículos anuais, conforme o desenvolvimento do mercado e a conclusão das etapas de implantação.
Em plena capacidade, a expectativa divulgada pela companhia é de que o complexo possa reunir cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. Esse número, no entanto, corresponde a uma projeção de longo prazo e não deve ser confundido com os 5.500 postos diretos já contabilizados na operação atual.
A expansão também deverá produzir efeitos sobre empresas fornecedoras de autopeças, serviços industriais, logística, manutenção, alimentação, transporte e tecnologia. O alcance econômico efetivo dependerá do grau de integração da fábrica com empresas instaladas na Bahia e em outras regiões do país.
Governo investe em qualificação profissional
O Governo da Bahia informou que investiu mais de R$ 3,5 milhões no Projeto Qualifica Automotivo, desenvolvido pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, a Setre, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai.
A iniciativa oferece formação destinada às atividades da indústria automotiva, incluindo conhecimentos relacionados à montagem, manutenção de máquinas, eletromobilidade, soldagem, pintura e operação industrial.
As primeiras ações de capacitação voltadas ao processo de seleção da BYD atenderam 500 trabalhadores em Camaçari. O investimento inicial divulgado para essa etapa foi de R$ 1,9 milhão, com cursos organizados pela Setre, pelo SineBahia e pelo Senai. Posteriormente, o programa foi ampliado para atender outras necessidades do Polo Industrial de Camaçari.
Geraldo Júnior afirmou que a atração de empreendimentos deve ser acompanhada por políticas públicas que preparem os trabalhadores locais para as vagas abertas pela indústria.
“Não basta atrair investimentos. É preciso preparar a nossa gente para ocupar essas oportunidades. É isso que o Governo da Bahia tem feito: investir nas pessoas para que o desenvolvimento econômico se traduza em mais renda, inclusão e qualidade de vida”, declarou.
A qualificação tornou-se uma variável estratégica porque a nova indústria automotiva exige profissionais preparados para processos automatizados, sistemas elétricos de alta tensão, baterias, eletrônica embarcada, robótica e controle digital da produção.
Camaçari retoma posição na indústria automotiva
A chegada da BYD restabeleceu a produção de veículos em larga escala em Camaçari depois do encerramento das atividades da Ford. A transição, entretanto, envolve uma mudança tecnológica relevante: a antiga produção concentrada em automóveis movidos a combustão foi substituída por uma operação direcionada a veículos elétricos e híbridos plug-in.
O complexo baiano integra a estratégia da montadora de ampliar sua participação no mercado nacional e desenvolver produtos adaptados às condições brasileiras. Entre os projetos anunciados está um sistema híbrido flex capaz de utilizar eletricidade, gasolina e etanol, desenvolvido com participação de equipes brasileiras e chinesas.
A implantação da fábrica também se conecta à expansão da infraestrutura de eletromobilidade. Em abril de 2026, Camaçari recebeu um centro de recarga com 108 equipamentos, abastecido por fontes renováveis, ampliando a estrutura disponível para veículos elétricos na Região Metropolitana de Salvador.
O impacto industrial deverá ser medido não apenas pela quantidade de automóveis montados, mas também pela criação de fornecedores locais, pelo conteúdo nacional dos veículos, pela qualificação dos postos de trabalho e pela permanência dos investimentos anunciados.
Linha do tempo da implantação da BYD em Camaçari
- 11/01/2021: Ford anuncia o encerramento imediato da produção nas fábricas de Camaçari, na Bahia, e Taubaté, em São Paulo.
- 11/04/2023: governador Jerônimo Rodrigues reúne-se com dirigentes da BYD em Shenzhen, na China, para discutir investimentos da empresa na Bahia.
- 09/10/2023: lançamento da pedra fundamental do complexo industrial da BYD na antiga área ocupada pela Ford.
- 18/03/2024: montadora eleva o investimento previsto na Bahia para aproximadamente R$ 5,5 bilhões.
- 29/05/2024: Governo da Bahia lança programa de qualificação profissional para trabalhadores interessados nas oportunidades da indústria automotiva de Camaçari.
- 01/07/2025: primeiros veículos montados na fábrica baiana são apresentados durante evento realizado no complexo industrial.
- 09/10/2025: fábrica é oficialmente inaugurada com participação de autoridades federais, estaduais, municipais e dirigentes da empresa.
- 16/03/2026: unidade inicia o segundo turno de produção e incorpora aproximadamente 800 trabalhadores à montagem final.
- 04/06/2026: fábrica inspeciona o primeiro lote do Cross Car Beam, componente associado à ampliação do conteúdo nacional dos veículos.
- 16/07/2026: BYD celebra a produção de 100 mil veículos em Camaçari e a geração de 5.500 empregos diretos.
A produção de 100 mil veículos em aproximadamente nove meses representa um indicador objetivo do ritmo alcançado pela primeira etapa da fábrica. O marco, contudo, corresponde predominantemente à fase de montagem e deve ser analisado separadamente do processo de fabricação integral. O avanço estrutural dependerá da entrada efetiva em operação das unidades de estamparia, soldagem e pintura, bem como da comprovação do índice de nacionalização anunciado.








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