VLT de Salvador avança com 43,7 km previstos, integração ao metrô e operação assistida no Subúrbio Ferroviário

O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador e Região Metropolitana segue como uma das principais obras de mobilidade urbana em execução no estado, sob a gestão da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Sedur) e da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB) e com a liderança do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que entregou na quarta-feira (17/07/2026) a histórica Estação Calçada. O VLT de Salvador e Região Metropolitana conta com cerca de 43,7 quilômetros de extensão, previsão de até 50 paradas, integração ao metrô em pontos estratégicos e impacto direto sobre o deslocamento de moradores do Subúrbio Ferroviário, da Cidade Baixa, de Águas Claras, de Piatã e de áreas da Região Metropolitana de Salvador.

Projeto estrutura novo eixo de transporte sobre trilhos em Salvador

O VLT foi concebido para substituir e ampliar a lógica do antigo transporte ferroviário do Subúrbio, conectando áreas historicamente dependentes de ônibus, vans e deslocamentos demorados a uma malha de transporte sobre trilhos integrada ao sistema metroviário. A obra é tratada pelo Governo da Bahia como intervenção estruturante, tanto pelo alcance territorial quanto pela capacidade de reorganizar fluxos urbanos em regiões de grande densidade populacional.

De acordo com os dados oficiais, o sistema está dividido em três trechos principais, com implantação simultânea. O primeiro liga Ilha de São João à Calçada, com 16,66 quilômetros e 19 paradas. A extensão Calçada–Comércio acrescenta 3,58 quilômetros e seis paradas, ampliando o alcance do modal até uma das áreas de maior circulação histórica, comercial e turística de Salvador.

O segundo trecho conecta Paripe a Águas Claras, com 9,20 quilômetros e oito paradas. Já o terceiro trecho liga Águas Claras a Piatã, com 10,52 quilômetros e nove paradas, criando uma conexão estratégica entre o Subúrbio Ferroviário, o miolo urbano, a Orla e áreas de expansão da capital baiana.

Integração com metrô é eixo central do projeto

A integração física e operacional com o Sistema Metroviário Salvador–Lauro de Freitas é um dos pontos mais relevantes do projeto. As conexões previstas em Águas Claras e no Bairro da Paz devem permitir que passageiros combinem VLT, metrô, ônibus e terminais de integração em deslocamentos mais amplos dentro da capital e da Região Metropolitana.

Em Águas Claras, o VLT será conectado à estação do metrô, ao terminal rodoviário de integração e à Nova Rodoviária, reforçando a região como nova centralidade logística e urbana. No Bairro da Paz, a ligação com o metrô deve ampliar o acesso à Orla e reduzir a dependência de deslocamentos fragmentados.

A proposta também busca ampliar a cobertura do transporte público sobre trilhos para áreas como Cajazeiras, Cidade Baixa, Subúrbio Ferroviário, Orla e Simões Filho, conforme informações divulgadas pelo Governo da Bahia. A efetividade desse desenho dependerá, contudo, da operação integrada, da política tarifária e da qualidade da conexão com ônibus municipais e metropolitanos.

Obras foram autorizadas em 2024 e contratos definem prazos por trecho

As obras do VLT foram autorizadas em junho de 2024. Os contratos foram assinados no mesmo mês, com execução dividida entre consórcios responsáveis pelos diferentes trechos. O Trecho 1, entre Ilha de São João e Calçada, está sob responsabilidade do Consórcio Expresso Mobilidade Salvador, formado por Alya, Metro e MPE, com prazo previsto de 40 meses.

O Trecho 2, entre Paripe e Águas Claras, é executado pelo Consórcio VLT, formado por Cetenco, Agis e Consbem, com prazo de 50 meses. O Trecho 3, entre Águas Claras e Piatã, está a cargo do Consórcio Bahia Atlântico, integrado por Mota-Engil, OHLA e Meir, também com prazo previsto de 50 meses.

Em abril de 2026, a CTB informou que o primeiro trecho, entre Ilha de São João, Calçada e Comércio, apresentava cerca de 60% das obras concluídas, enquanto o segundo trecho, entre Paripe e Águas Claras, registrava aproximadamente 40% de execução. O terceiro trecho, entre Águas Claras e Piatã, permanecia como frente estratégica para expansão do sistema até a Orla.

Trens passaram por recuperação técnica antes dos testes

O projeto prevê o uso de 40 trens adquiridos do estado de Mato Grosso, enviados à fábrica da CAF, em Hortolândia, São Paulo, para restabelecimento técnico e operacional. Após esse processo, os equipamentos foram preparados para testes dinâmicos, comissionamento e certificações necessárias à operação.

Em dezembro de 2025, o VLT realizou a primeira viagem-teste no trecho Calçada–Lobato, etapa considerada decisiva para a validação técnica do sistema. A operação experimental permitiu avaliar desempenho, segurança, sistemas embarcados e condições de circulação antes do transporte regular de passageiros.

Segundo informação divulgada pela Sedur à época, a previsão era iniciar a operação assistida em meados de 2026, com expectativa de uso pela população entre junho e julho de 2026 no primeiro trecho. Como se trata de etapa sujeita a validação técnica, o início efetivo depende de testes, ajustes operacionais e liberação das condições de segurança.

Extensão até o Comércio amplia alcance urbano e turístico

A extensão entre Calçada e Comércio foi incorporada ao projeto como parte do Trecho 1. Com 3,58 quilômetros de via permanente singela e seis novas paradas, a ligação deve aproximar o VLT de áreas estratégicas como Feira de São Joaquim, Porto, Moinho, Instituto do Cacau, Mercado Modelo e Elevador Lacerda.

Além da conexão com pontos turísticos e comerciais, a intervenção prevê obras de drenagem em áreas historicamente afetadas por alagamentos, especialmente na região da Calçada, Águas de Meninos e Comércio. A previsão oficial para conclusão dessa extensão é o primeiro semestre de 2028.

O aditivo contratual relacionado à ampliação da Calçada ao Comércio envolve investimento de R$ 113 milhões, com foco em drenagem e infraestrutura urbana. A intervenção reforça o potencial do VLT como obra não apenas de transporte, mas também de requalificação de áreas centrais e portuárias de Salvador.

Tecnologia, sinalização e segurança compõem nova etapa

Outra frente do projeto envolve a implantação dos sistemas de sinalização, telecomunicações e controle de trens nos três lotes do VLT. O investimento anunciado para essa etapa é de R$ 446 milhões, com recursos federais e contrapartida estadual.

Entre as tecnologias previstas estão Wi-Fi gratuito em 35 pontos, bilhetagem automática, fibra óptica exclusiva para integração com o metrô, câmeras de vigilância com inteligência artificial e painéis digitais com informações em tempo real. A expectativa é que o sistema possa ser operado de forma remota, com maior controle sobre circulação, segurança e comunicação com os usuários.

Esses componentes serão decisivos para a confiabilidade do modal. Em sistemas sobre trilhos, a qualidade da operação depende não apenas da infraestrutura física, mas da precisão dos sistemas de controle, manutenção preventiva, regularidade dos intervalos e integração tarifária.

Requalificação urbana alcança espaços públicos do Subúrbio

O projeto do VLT também inclui intervenções associadas à requalificação urbana. Uma delas é o Skatepark do Subúrbio, previsto para a orla de Praia Grande, com aproximadamente 5 mil metros quadrados e pistas voltadas às modalidades Park e Street.

A implantação do equipamento esportivo integra um conjunto de melhorias previstas para a região, incluindo pavimentação de calçadão, ampliação de áreas verdes, iluminação pública e melhorias de acesso à praia. A proposta busca transformar áreas de circulação em espaços de convivência, esporte e lazer.

Esse tipo de intervenção amplia o alcance social da obra, desde que acompanhado por manutenção permanente, segurança pública e gestão urbana integrada. Sem esses elementos, equipamentos associados a grandes obras podem perder efetividade após a entrega.

Expansão Oeste e metrô ampliam debate sobre rede integrada

Em abril de 2026, o Governo da Bahia autorizou nova etapa relacionada ao VLT, com edital para a Expansão Oeste, no trecho Baixa do Fiscal–Retiro. Na mesma agenda, também foi emitida ordem de serviço para o Tramo IV da Linha 1 do metrô, entre a Lapa e a futura Estação Campo Grande.

A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Jerônimo Rodrigues e do ministro Rui Costa na agenda reforçou o peso político e institucional do projeto. O Governo Federal participa com investimentos voltados à implantação de sistemas técnicos e estudos para expansão do transporte sobre trilhos na Região Metropolitana.

A integração entre VLT, metrô e futuras expansões é apresentada pelo governo como parte de uma estratégia de mobilidade de longo prazo. A questão central, do ponto de vista do interesse público, será verificar se a rede resultante conseguirá reduzir tempos de deslocamento, ampliar previsibilidade e atender com eficiência a população que depende diariamente do transporte coletivo.

Impacto social e econômico do VLT

O principal impacto esperado do VLT está na melhoria do deslocamento cotidiano de moradores do Subúrbio Ferroviário e de áreas periféricas da capital. Regiões como Paripe, Plataforma, Lobato, Calçada, Águas Claras e Piatã concentram demandas históricas por transporte público mais regular, confortável e integrado.

Além da mobilidade, a obra pode influenciar a dinâmica econômica de bairros atendidos pelo sistema. A presença de estações tende a estimular comércio local, serviços, circulação de trabalhadores e valorização de áreas urbanas. Esse efeito, porém, exige planejamento para evitar pressão imobiliária desordenada e deslocamento de populações vulneráveis.

A obra também tem dimensão metropolitana, especialmente pela ligação com Simões Filho e pela perspectiva de estudos voltados à ampliação do transporte sobre trilhos para outras cidades da Região Metropolitana. Nesse ponto, o VLT deve ser analisado como infraestrutura de integração regional, e não apenas como obra localizada na capital.

Estação Calçada do VLT de Salvador.
Estação Calçada do VLT de Salvador.

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