Braskem enfrenta dívida de US$ 9,5 bilhões e prazo até 24 de agosto de 2026; credores cobram aporte da Petrobras

Nesta terça-feira (11/08/2026), a Braskem chegou à etapa mais sensível de sua reestruturação financeira com uma dívida de US$ 9,497 bilhões, apurada em documentos da companhia com data-base de 30/04/2026, e um prazo informado de 24/08/2026 para buscar uma solução extrajudicial antes que a recuperação judicial ganhe força como alternativa. Detentores de títulos, entre eles Elliott Investment Management LP e Contrarian Capital Management, pressionam a Petrobras por um compromisso financeiro mais firme, segundo pessoas familiarizadas com as negociações ouvidas pela Bloomberg. As possibilidades citadas incluem aporte de capital, capital de giro ou dívida subordinada, mas não há valor, instrumento ou compromisso confirmado. A estatal, a IG4 Capital, a Elliott e a Contrarian não comentaram as cobranças até a publicação das informações em 10/08/2026. A reportagem original da Bloomberg foi publicada em 10/08/2026.

Credores cobram participação financeira mais firme da Petrobras

O grupo de credores defende que a Petrobras assuma um papel financeiro mais definido na reorganização da Braskem. De acordo com as fontes ouvidas pela Bloomberg, as alternativas em discussão incluem uma injeção de capital, recursos destinados ao capital de giro ou a concessão de dívida subordinada.

A resistência da estatal também é uma informação atribuída a fontes anônimas. Segundo esses relatos, a Petrobras procura evitar uma ampliação de sua participação que possa levar à consolidação da dívida da petroquímica em seu próprio balanço. Não foram apresentados documentos contábeis, deliberações internas ou manifestações públicas da companhia que confirmem essa justificativa.

Além de Elliott e Contrarian, AllianceBernstein, Capital Group e PGIM aparecem entre os principais detentores da dívida, conforme dados compilados pela Bloomberg. Representantes dessas gestoras recusaram-se a comentar ou não responderam aos pedidos de manifestação.

O que está confirmado e o que permanece atribuído a fontes

Está documentalmente confirmado que a Braskem contratou assessores financeiros e jurídicos, iniciou uma mediação com credores, obteve proteção judicial temporária e recebeu propostas indicativas para reorganizar sua estrutura de capital. Também estão registrados os valores da dívida, o consumo de caixa, os vencimentos e os rebaixamentos das classificações de crédito.

Permanecem atribuídas a fontes, entretanto, a cobrança específica por um aporte da Petrobras, as razões contábeis para a resistência da estatal e a avaliação de que a nova contraproposta dos bondholders estaria próxima de um consenso. Não há, até 11/08/2026, anúncio de acordo definitivo ou decisão formal da Petrobras sobre a injeção de recursos.

Em resposta oficial enviada à B3 em 31/07/2026, a Braskem informou que as propostas recebidas contemplavam possibilidades como capitalização e concessão de garantias sobre ativos, mas reiterou que os termos eram indicativos e não vinculantes. A companhia afirmou que nenhuma decisão havia sido tomada sobre a reestruturação ou sobre medidas judiciais adicionais. A manifestação consta em documento regulatório apresentado à SEC.

Dívida de US$ 9,497 bilhões explica urgência das negociações

Materiais divulgados pela Braskem em 25/06/2026, elaborados durante as discussões com investidores, mostram que a dívida financeira somava US$ 9,497 bilhões em 30/04/2026. O custo anual estimado dos juros pagos em dinheiro alcançava US$ 665 milhões.

O serviço da dívida projetado para o terceiro trimestre de 2026 era de US$ 878 milhões, incluindo amortizações e juros. Entre julho de 2026 e dezembro de 2027, antes do vencimento do título de 2028, a companhia estimava desembolsos de US$ 3,686 bilhões.

A estrutura informada aos credores incluía um título de US$ 1,189 bilhão, com vencimento em 10/01/2028; outro de US$ 1,510 bilhão, com vencimento em 31/01/2030; e uma linha de crédito rotativo de US$ 1,004 bilhão, com vencimento em 31/12/2026. Os números constam do fato relevante e dos materiais de negociação divulgados pela Braskem.

Lucro contábil conviveu com consumo de R$ 5,1 bilhões do caixa

O balanço do primeiro trimestre de 2026, encerrado em 31/03/2026 e divulgado em 14/05/2026, ajuda a dimensionar a deterioração da liquidez. A Braskem registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de aproximadamente R$ 1,4 bilhão e Ebitda recorrente de R$ 1,006 bilhão, alta de 76% em comparação com o quarto trimestre de 2025.

O resultado contábil positivo, contudo, não impediu a saída de recursos. A companhia consumiu R$ 3,2 bilhões nas atividades operacionais e aproximadamente R$ 4,6 bilhões no fluxo recorrente. Quando considerados os desembolsos relacionados ao evento geológico de Alagoas, o consumo total de caixa chegou a R$ 5,1 bilhões no trimestre.

Em 31/03/2026, a dívida bruta corporativa, excluídas Braskem Idesa e TQPM, era de US$ 9,414 bilhões. A dívida líquida ajustada atingia US$ 8,483 bilhões, crescimento de 13% em relação a dezembro de 2025, enquanto a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda recorrente dos últimos 12 meses chegou a 16,81 vezes. O caixa consolidado era de US$ 1,158 bilhão, dos quais US$ 1,055 bilhão permaneciam depois das exclusões apresentadas pela empresa. Os dados estão no relatório oficial do primeiro trimestre de 2026.

Tutela foi pedida em 25 de junho e concedida no dia seguinte

Em 25/06/2026, a Braskem e determinadas subsidiárias iniciaram uma mediação perante a Câmara Wind de Mediação e protocolaram pedido de tutela cautelar de urgência na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O objetivo declarado era criar um ambiente estável para negociar a reorganização do passivo financeiro.

No dia 26/06/2026, a Justiça concedeu proteção por 60 dias e suspendeu execuções e constrições promovidas pelos credores convidados a participar da mediação. O alcance da decisão é estritamente financeiro. Segundo a companhia, as obrigações com fornecedores, clientes e demais participantes da operação continuaram em vigor e passaram a ser cumpridas normalmente.

A decisão não atendeu integralmente aos pedidos da petroquímica. Conforme informações extraídas do documento judicial e publicadas pela Reuters, o juízo não suspendeu a eficácia de cláusulas de vencimento antecipado, direitos de rescisão contratual e sanções associadas ao procedimento. O processo mencionava vencimentos iminentes de R$ 2,6 bilhões em julho de 2026 e risco de aceleração cruzada sobre uma dívida financeira total então indicada em R$ 54,8 bilhões. A decisão foi divulgada em 26/06/2026.

Um terço da dívida é quórum inicial, não aprovação definitiva

A referência ao apoio de credores que representem um terço da dívida exige uma distinção jurídica. A Lei nº 11.101, de 09/02/2005, com as alterações promovidas pela Lei nº 14.112, de 24/12/2020, permite que o devedor apresente um pedido de homologação de recuperação extrajudicial com a anuência inicial de pelo menos um terço dos créditos de cada espécie abrangida.

Esse percentual não constitui o quórum definitivo. O artigo 163 estabelece que o plano capaz de obrigar todos os credores abrangidos precisa ser assinado por credores que representem mais da metade dos créditos de cada espécie. Quando o pedido começa com um terço, o devedor assume o compromisso de alcançar a maioria exigida em um prazo improrrogável de 90 dias, contado do protocolo.

Portanto, um eventual protocolo até 24/08/2026 com apoio de um terço abriria uma nova etapa de negociação, mas não significaria a aprovação final da reestruturação. Se a maioria legal não for alcançada, a legislação permite, a pedido do devedor, a conversão do procedimento em recuperação judicial. As regras estão no texto atualizado da Lei de Recuperação Judicial, Extrajudicial e Falência.

Negociações formais começaram antes da tutela judicial

A revisão da estrutura de capital não começou com a medida cautelar. Em 26/09/2025, a Braskem comunicou a contratação de assessores financeiros e jurídicos especializados para examinar alternativas econômicas e financeiras.

Em 11/06/2026, representantes e consultores da companhia reuniram-se presencialmente com investidores após a celebração de acordos de confidencialidade. Não houve concordância sobre a proposta inicial da petroquímica. Os investidores apresentaram seus termos em 19/06/2026, e a Braskem respondeu em 24/06/2026, considerando inaceitável a estrutura então sugerida.

Os fatos foram tornados públicos em 25/06/2026. Posteriormente, a empresa respondeu a questionamentos da B3 em 21/07/2026 e da Comissão de Valores Mobiliários em 28/07/2026. Em 29/07/2026, o Valor Econômico publicou que a companhia se aproximava de uma recuperação judicial; a B3 solicitou esclarecimentos em 30/07/2026 e a Braskem respondeu no dia seguinte que nenhuma decisão havia sido tomada.

Nova contraproposta aumentou chances de solução extrajudicial

Segundo as informações publicadas pela Bloomberg em 10/08/2026, as perspectivas de uma solução extrajudicial melhoraram depois que detentores internacionais de títulos apresentaram uma nova contraproposta. Pessoas familiarizadas com as conversas afirmaram que a Braskem recebeu os novos termos de maneira mais favorável e que restariam ajustes.

O avanço relatado não elimina os pontos de incerteza. Não foram divulgados o percentual de apoio já alcançado, a relação dos credores aderentes, os créditos abrangidos, os descontos eventualmente propostos, os prazos de pagamento, as garantias nem o valor exigido dos acionistas.

A recuperação judicial permanece entre as alternativas, mas não há documento público que demonstre sua aprovação pelos acionistas ou pelo Conselho de Administração. A posição oficial continua sendo a de que todas as opções estão sob análise e que a prioridade é uma solução consensual, estruturante e ordenada.

Fitch, S&P e Moody’s classificam risco em patamares críticos

No próprio 26/06/2026, a Fitch Ratings rebaixou a classificação global da Braskem para C, enquanto a S&P Global Ratings reduziu a nota para D. A S&P considerou a proteção judicial equivalente a um standstill, por permitir a suspensão de pagamentos de principal e juros aos credores participantes da mediação.

A agência estimou, naquele momento, serviço da dívida de US$ 549 milhões em julho e US$ 878 milhões no terceiro trimestre, diante de uma posição de caixa projetada em aproximadamente US$ 800 milhões em junho. As classificações de Fitch e S&P, com data de 26/06/2026, permaneciam registradas na página de ratings da Braskem.

Em 05/08/2026, a Moody’s Ratings rebaixou a nota da companhia de Caa3 para Ca e manteve a perspectiva negativa. A agência também tratou a suspensão das cobranças como um evento de default. A classificação Ca indica expectativa de recuperação limitada em um cenário de inadimplência, conforme a decisão de rating publicada pela Moody’s.

Títulos de 2030 operam com prêmio de 1.900 pontos-base

O mercado de dívida também reflete a percepção de risco. O prêmio adicional exigido pelos investidores para manter títulos da Braskem com vencimento em 2030, em comparação com papéis semelhantes do Tesouro dos Estados Unidos, estava em aproximadamente 1.900 pontos-base em 10/08/2026, segundo dados de preços da Trace citados pela Bloomberg.

O nível está substancialmente acima dos 1.000 pontos-base usualmente associados a uma situação de estresse financeiro. O movimento indica que os investidores exigem remuneração significativamente maior para assumir o risco da companhia.

O título de 2030 possui saldo de US$ 1,510 bilhão, juros de 4,5% ao ano e pagamento semestral, de acordo com os materiais divulgados pela Braskem. O vencimento ocorre em 31/01/2030.

IG4 e Petrobras compartilham controle e poder de decisão

A mudança de controle avançou em abril de 2026. Em 19/04/2026, a Petrobras recebeu uma carta vinculante pela qual o fundo Shine I se comprometeu a firmar um novo acordo de acionistas. A estatal divulgou a informação em 20/04/2026. O acordo previa consenso nas deliberações do Conselho de Administração e da Assembleia Geral, além de igual número de indicações para o conselho e a diretoria estatutária. A comunicação foi publicada pela Petrobras.

O novo acordo de acionistas foi divulgado em 23/04/2026. Na estrutura com data-base de 03/06/2026, o Shine I FIP, assessorado pela IG4, detinha 50,11% das ações ordinárias e 34,32% do capital total. A Petrobras possuía 47,03% das ações ordinárias e 36,15% do capital total. Os demais acionistas reuniam 2,86% das ordinárias e 29,53% do capital. Os percentuais constam da estrutura societária oficial da Braskem.

Em 05/06/2026, um primeiro aditivo ao acordo transferiu para o Conselho de Administração a competência para deliberar sobre pedido de recuperação extrajudicial e, em situação urgente, sobre recuperação judicial ou falência. A alteração criou uma via decisória societária mais direta, mas não comprova que qualquer dessas medidas tenha sido aprovada.

Nova administração assumiu em 8 de junho

Em 08/06/2026, a Braskem anunciou a nova configuração administrativa sob o controle compartilhado de IG4 e Petrobras. Hélcio Tokeshi, sócio da IG4 e ex-secretário da Fazenda de São Paulo, assumiu como diretor-presidente. Carlos Brandão, também ligado à gestora e ex-diretor financeiro da Oi, tornou-se diretor financeiro da petroquímica.

A direção apresentou como prioridades a reorganização financeira, a eficiência operacional, a preservação da liquidez e a geração de caixa. A companhia afirmou que as operações permaneceriam normais e que continuaria cumprindo obrigações legais, regulatórias, de segurança e socioambientais. A composição da gestão foi detalhada no comunicado empresarial de 08/06/2026.

A divisão de funções relatada pela Bloomberg indica que a Petrobras está concentrada nas atividades operacionais, enquanto a IG4 conduz as negociações externas com os credores. A estatal é assessorada pela BR Partners nas discussões sobre a dívida, segundo pessoas familiarizadas com as tratativas ouvidas em junho.

Passivo de Alagoas mantém pressão sobre o caixa

O passivo relacionado à mineração de sal-gema em Maceió permanece entre os fatores que pressionam as finanças. Em maio de 2019, o Serviço Geológico do Brasil, então identificado como CPRM, publicou relatório indicando que o fenômeno geológico observado em bairros da capital alagoana poderia estar relacionado à extração de sal-gema.

Até 31/03/2026, a Braskem havia constituído provisões acumuladas de R$ 18,096 bilhões para as diferentes frentes relacionadas ao evento. Pagamentos e reclassificações acumulavam R$ 15,603 bilhões, enquanto o saldo remanescente da provisão era de R$ 3,367 bilhões.

Em 10/11/2025, a companhia firmou acordo de R$ 1,2 bilhão com o Estado de Alagoas. Até março de 2026, R$ 139 milhões, ajustados a valor presente, haviam sido pagos. O restante será quitado em dez parcelas anuais variáveis, com maior impacto financeiro depois de 2030. Segundo a empresa, 99,9% dos moradores dos imóveis residenciais, comerciais e mistos incluídos no mapa da Defesa Civil haviam sido realocados até o fim do primeiro trimestre de 2026. Os números são declarações da própria Braskem constantes do relatório trimestral.

Crise possui impacto direto sobre a Bahia

A dimensão regional é relevante porque a Braskem mantém sua sede e endereço executivo no Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, conforme registros enviados à SEC. A companhia também concentra unidades industriais no Polo de Camaçari e mantém estrutura administrativa em Salvador.

Uma reestruturação financeira pode afetar decisões sobre investimentos, compras, contratos, fornecedores e planejamento industrial. Até o momento, porém, a empresa afirma que a tutela cautelar está restrita ao passivo financeiro e não altera o funcionamento normal das operações.

Para a Bahia, o principal ponto de acompanhamento é se a reorganização preservará a capacidade operacional e os compromissos industriais em Camaçari. Não há, nos documentos consultados até 11/08/2026, anúncio de fechamento de unidades, interrupção de produção ou mudança específica nas operações baianas.

Resultados do segundo trimestre serão divulgados em 13 de agosto

A próxima atualização financeira oficial está prevista para quinta-feira (13/08/2026), quando a Braskem programou a divulgação dos resultados do segundo trimestre. A teleconferência com investidores está agendada para sexta-feira (14/08/2026), conforme o calendário de Relações com Investidores.

O balanço deverá permitir a verificação do caixa, da dívida, da geração operacional, dos desembolsos relacionados a Alagoas e das condições de liquidez no fim de junho. Esses dados serão decisivos para avaliar se a posição financeira melhorou ou se a pressão registrada no primeiro trimestre se aprofundou.

Depois dos resultados, a data central será 24/08/2026, apontada pela Bloomberg como limite para a busca de uma solução extrajudicial dentro da janela de proteção. Se um plano for protocolado com o quórum inicial legal, começará a contagem dos 90 dias para a obtenção de apoio superior à metade dos créditos de cada espécie abrangida.


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