O documentário baiano “Cartas Para”, dirigido por Vânia Lima e produzido pela Têm Dendê Produções, terá novas exibições em agosto. O filme será apresentado nesta terça-feira (18/08/2026), no programa “Cinema na Casa”, realizado no Teatro Cambará, na Casa Rosa, no Rio Vermelho, em Salvador. Após a sessão, a diretora participa de uma roda de conversa com a poeta Lívia Natália, com mediação da curadora do projeto, Dayse Porto. O acesso é gratuito.
A produção também está na programação do Festival de Documentários Citronela, em Ilhabela (SP), onde será exibida na “Mostra Nacional Longas” na quarta-feira (26/08/2026). As novas sessões ocorrem após a participação do documentário na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) e na programação do Julho das Pretas, em Salvador, realizadas em julho.
Distribuído pela Lança Filmes, “Cartas Para” acompanha as escritoras Paulina Chiziane, de Moçambique, Elisa Lucinda, do Brasil, e Raquel Lima, de Portugal. A narrativa é construída a partir da troca de nove cartas que atravessam o Atlântico, estabelecendo uma relação entre experiências pessoais, processos de criação literária, diáspora e os efeitos da história colonial.
Escrita, diáspora e língua portuguesa
O documentário apresenta os processos relacionados à produção artística das três escritoras e aborda o papel da escrita na construção de suas trajetórias. A obra também trata de questões relacionadas a racismo, machismo, xenofobia, identidade e circulação da língua portuguesa entre diferentes territórios.
No filme, Elisa Lucinda relaciona a poesia ao formato epistolar ao afirmar que o poema pode ser entendido como uma carta. A escritora, que também atua como cantora e atriz, aborda a relação entre criação literária, interlocução e construção de voz.
Paulina Chiziane participa da narrativa a partir de sua trajetória como escritora moçambicana e de sua reflexão sobre a escrita. Em uma das cartas apresentadas na produção, ela discute a relação entre voz, poder e luta por reconhecimento. A autora também define a escrita como um espaço de elaboração de experiências pessoais.
Chiziane foi a primeira mulher negra a publicar um romance em Moçambique e recebeu o Prêmio Camões em 2021, tornando-se a primeira mulher africana a conquistar a distinção. Sua participação no documentário estabelece uma conexão entre literatura, experiências da diáspora africana e os debates sobre representação e poder.
Raquel Lima e a disputa por espaços na língua
A portuguesa Raquel Lima, poeta, investigadora, arte-educadora e ativista, também integra a produção. No documentário, ela aborda a língua como um espaço de poder e de disputa, além de discutir as possibilidades de ocupação e reinvenção desse campo.
Lima é doutoranda do Programa Pós-Colonialismos e Cidadania Global do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Sua investigação está relacionada aos temas Oratura, Escravatura e Movimentos Afro-Diaspóricos, elementos que dialogam com os assuntos apresentados na produção cinematográfica.
A diretora Vânia Lima define “Cartas Para” como um processo de criação compartilhada. Segundo ela, a proposta foi construir a narrativa em conjunto com as escritoras, em vez de produzir uma obra exclusivamente sobre suas trajetórias. A experiência, de acordo com a diretora, também modificou sua forma de conduzir a direção e pensar o documentário.
Produção reúne profissionais de três países
“Cartas Para” já passou por eventos do circuito audiovisual brasileiro, entre eles o Festival do Rio e a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A circulação do filme inclui ainda a FLIP, o Julho das Pretas e, agora, o Festival de Documentários Citronela.
A produção reúne profissionais do Brasil, Moçambique e Portugal. A equipe tem Keyti Souza e Taguay Tayussy na produção executiva, Bruno Ramos na direção de produção e Cláudio Antônio na direção de fotografia. A produção é da Lima Comunicação, integrante do Grupo Têm Dendê.
O filme foi realizado com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), por meio do Prodecine/2016 e do Suporte Automático. Os recursos foram geridos pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e pela Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Com a nova sessão em Salvador e a participação na mostra nacional do Festival de Documentários Citronela, “Cartas Para” amplia a circulação de uma produção que articula literatura, diáspora africana, experiências femininas e diferentes perspectivas sobre a língua portuguesa. A estrutura baseada na troca de cartas entre três escritoras de países distintos constitui o eixo narrativo do documentário.
Confira trailer








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