Cláudio André aponta força de mais de 300 prefeitos na campanha do governador Jerônimo e vê interior como eixo da disputa com ACM Neto

Nesta segunda-feira (24/08/2026), o cientista político Cláudio André de Souza publicou no jornal A Tarde uma análise sobre o peso eleitoral dos prefeitos baianos na disputa pelo Governo da Bahia, destacando como principal movimento político recente o apoio formal de mais de 300 gestores municipais à candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues. Segundo o autor, a presença de aliados nos 27 Territórios de Identidade da Bahia, combinada ao desempenho territorial registrado na eleição de 2022 e à estratégia de associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, oferece ao atual governador uma vantagem organizacional na largada da campanha, enquanto ACM Neto mantém força expressiva sobretudo nas cidades de maior porte.

Mais de 300 prefeitos entram no centro da estratégia eleitoral

Para Cláudio André de Souza, a adesão formal de mais de 300 prefeitos à candidatura de Jerônimo Rodrigues constitui um dos elementos mais relevantes da atual fase da disputa estadual.

“Pode ser considerado como o maior fato da semana o apoio formal de mais de 300 prefeitos à candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues.”

O cientista político chama atenção principalmente para a distribuição geográfica desses apoios. Conforme sua análise, a articulação municipal alcança os 27 Territórios de Identidade, circunstância que, em sua avaliação, reproduz uma característica territorial observada na eleição estadual de 2022.

Eleição de 2022 mostra diferença entre interior e grandes centros

O cientista político utiliza os resultados territoriais de 2022 como principal referência para explicar a importância estratégica da atual movimentação dos prefeitos.

Segundo os números apresentados por ele, Jerônimo Rodrigues venceu em 22 dos 27 Territórios de Identidade da Bahia. Em 12 territórios, a diferença em relação a ACM Neto teria superado 20 pontos percentuais.

As maiores margens citadas aparecem no Velho Chico, onde a vantagem chegou a 35,8 pontos percentuais, seguido pelos territórios de Irecê e Bacia do Paramirim, ambos com diferença de 34,6 pontos percentuais.

“Jerônimo venceu em 22 dos 27 territórios, sendo que em doze deles a vantagem passou de 20 pontos percentuais, liderados pelo Velho Chico, com 35,8 pontos, e por Irecê e Bacia do Paramirim, empatados em uma ampla vantagem de 34,6 pontos percentuais.”

ACM Neto, por sua vez, obteve vantagem em cinco territórios, segundo o levantamento utilizado pelo autor. Entre eles, apenas o Território Metropolitano de Salvador apresentou margem classificada como ampla no artigo, de 22,6 pontos percentuais.

Essa distribuição sustenta a interpretação de Souza segundo a qual a candidatura oposicionista conseguiu desempenho competitivo ou majoritário em pontos determinados do estado, mas encontrou dificuldades para transformar vitórias municipais isoladas em domínio sobre parcelas mais amplas do território baiano.

Ao interpretar o resultado de 2022, Cláudio André de Souza sustenta que ACM Neto perdeu terreno no interior por ter dado pouca prioridade à construção de uma organização de campanha suficientemente competitiva nos diferentes territórios.

Pequenas e médias cidades formaram principal vantagem de Jerônimo

Outro recorte utilizado por Souza considera o porte dos municípios baianos e evidencia uma divisão significativa do eleitorado em 2022.

Conforme os percentuais apresentados no artigo, Jerônimo Rodrigues venceu, em 2022, em 92,6% das cidades pequenas e em 87,3% das cidades médias. ACM Neto apresentou comportamento inverso entre os municípios classificados como grandes, conquistando 88,9% das cidades desse grupo.

A comparação revela, segundo o cientista político, duas geografias eleitorais distintas.

De um lado, Jerônimo demonstrou capacidade de obter maioria em uma extensa rede de pequenos e médios municípios espalhados pela Bahia. Do outro, ACM Neto concentrou parte expressiva de sua força nas maiores cidades, caracterizadas por elevada concentração populacional em áreas territorialmente mais restritas.

Souza considera que esse contraste ajuda a compreender por que o número e a distribuição dos prefeitos podem assumir importância estratégica em uma eleição estadual.

Prefeitos e prefeitas devem ocupar posição central na campanha

Na projeção apresentada para 2026, Cláudio André de Souza avalia que os gestores municipais voltarão a desempenhar papel relevante na disputa.

“O padrão da disputa baiana terá mais uma vez a centralidade das lideranças locais, em especial, os prefeitos e prefeitas que estão diretamente vinculados aos eleitores.”

A análise parte do entendimento de que prefeitos mantêm relação política direta com comunidades locais e dispõem de presença permanente nos municípios, fator que pode favorecer organização territorial, formação de palanques e mobilização das campanhas.

Jerônimo aposta em voto casado com Lula

Outro elemento destacado pelo artigo é a estratégia de aproximar novamente as eleições estadual e presidencial.

Segundo Souza, durante conversas com prefeitos, Jerônimo Rodrigues reforçou o discurso do “voto casado” e da parceria eleitoral com o presidente Lula.

O cientista político afirma ainda que o presidente teria sinalizado disposição de participar intensamente da disputa baiana. Na interpretação apresentada, a estratégia procura reproduzir a nacionalização da eleição observada em 2022, quando as disputas para o Governo da Bahia e para a Presidência da República ocorreram simultaneamente.

“Na conversa com os prefeitos, Jerônimo reforçou o discurso do voto casado e da parceria com o presidente Lula, que já sinalizou disposição de se engajar de corpo e alma na disputa baiana, movimento calculado para repetir a nacionalização que decidiu a eleição presidencial e a estadual por cá em 2022.”

Disputa pode assumir dinâmicas diferentes conforme o porte das cidades

Cláudio André de Souza projeta que a campanha baiana poderá se desenvolver simultaneamente em duas dimensões eleitorais.

A primeira estaria concentrada nas cidades grandes e médias. Nesse universo, segundo sua leitura, a candidatura governista tende a explorar a associação Lula-Jerônimo, enquanto a oposição deverá intensificar críticas, principalmente na área da segurança pública, e buscar ampliar o chamado voto “Lula-Neto”.

A expressão descreve eleitores que poderiam votar em Lula para presidente e, simultaneamente, em ACM Neto para o Governo da Bahia.

“Assistiremos em alta ‘velocidade de reprodução’ duas eleições em paralelo.”

O segundo movimento apontado pelo cientista político estaria concentrado no interior, especialmente fora das 30 maiores cidades da Bahia, espaço no qual ele identifica maior força do governismo e maior relevância das redes municipais.

Nesse cenário, o desafio de ambas as campanhas passa a ser diferente conforme a geografia eleitoral: ampliar ou preservar vantagem nas áreas de maior densidade populacional, de um lado, e construir presença territorial em centenas de municípios pequenos e médios, de outro.

Ao concluir sua interpretação, Cláudio André de Souza considera a presença de uma ampla maioria de prefeitos ao lado de Jerônimo Rodrigues como um indicador objetivo de força política no início da disputa.

“Sem dúvidas, contar com a ampla maioria dos prefeitos é um dos indicadores objetivos de favoritismo na largada da corrida pelo voto.”

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 2022 — Eleição para o Governo da Bahia: Jerônimo Rodrigues vence a disputa estadual e assegura a quinta vitória consecutiva do PT para o Governo da Bahia, conforme o contexto apresentado no artigo.
  • 2022 — Desempenho territorial: segundo os números utilizados por Cláudio André de Souza, Jerônimo vence em 22 dos 27 Territórios de Identidade; ACM Neto obtém vantagem em cinco.
  • 2022 — Maiores diferenças territoriais: Jerônimo registra, segundo a análise, vantagens de 35,8 pontos percentuais no Velho Chico e de 34,6 pontos em Irecê e na Bacia do Paramirim. A principal margem favorável a Neto aparece no Território Metropolitano de Salvador, com 22,6 pontos.
  • 2022 — Resultado por porte dos municípios: conforme os dados apresentados por Souza, Jerônimo vence em 92,6% das pequenas cidades e 87,3% das médias, enquanto ACM Neto obtém maioria em 88,9% das cidades grandes.
  • 2026 — Articulação municipal: mais de 300 prefeitos formalizam apoio à candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues, movimento destacado por Souza por alcançar os 27 Territórios de Identidade.
  • 24/08/2026 — Análise publicada: Cláudio André de Souza publica no jornal A Tarde sua interpretação sobre a força eleitoral dos prefeitos, a geografia do voto baiano e as estratégias de Jerônimo Rodrigues, ACM Neto e Lula para a disputa estadual.

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