Uma projeção elaborada a partir de análise estrutural de dados disponíveis, realizada por Carlos Augusto, jornalista, cientista social e editor do Jornal Grande Bahia, indica, nesta quarta-feira (19/08/2026), que o PL poderá chegar a 20 das 81 cadeiras do Senado Federal na legislatura iniciada em 2027, enquanto MDB e PT teriam 10 senadores cada, o PP alcançaria nove e Republicanos, União Brasil e PSD ficariam com seis cadeiras cada. O cenário combina os 27 senadores eleitos em 2022, cujos mandatos prosseguem após as Eleições 2026, com os candidatos que aparecem numericamente nas duas primeiras posições em cada unidade da Federação. A estimativa é uma fotografia eleitoral, não uma previsão definitiva do resultado das urnas.
O Partido Liberal (PL) aparece como principal beneficiário do cenário projetado para o Senado a partir de 2027. Segundo levantamento publicado pela Veja em 16/08/2026 e atualizado em 17/08, a legenda poderia reunir 20 senadores, praticamente um quarto das 81 cadeiras da Casa.
O cálculo parte de uma vantagem estrutural: dez senadores do PL eleitos em 2022 possuem mandato até 2031 e, portanto, não precisam renovar suas cadeiras neste ano. A esses parlamentares seriam acrescentados outros dez candidatos do partido que, na fotografia dos levantamentos considerada, aparecem numericamente em primeiro ou segundo lugar em seus respectivos estados.
A projeção é compatível com a dimensão nacional da candidatura liberal ao Senado. Levantamento da Agência Senado baseado nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabiliza 33 candidatos do PL, o maior contingente entre as legendas, com presença em 25 das 27 unidades da Federação.
Projeção da composição partidária do Senado em 2027
Considerados os senadores eleitos em 2022 e os dois candidatos numericamente mais bem colocados nos levantamentos estaduais utilizadas pelo levantamento, a composição projetada das 81 cadeiras é a seguinte:
O cenário colocaria quatro legendas — PL, MDB, PT e PP — com 49 cadeiras, equivalentes a cerca de três quintos da composição total. A concentração, entretanto, não deve ser confundida com a existência de um bloco parlamentar único, porque essas siglas mantêm estratégias, alianças estaduais e posições legislativas distintas.
MDB e PT aparecem empatados com dez cadeiras
O segundo maior contingente projetado é compartilhado por MDB e PT, com dez senadores para cada partido.
No caso do MDB, o levantamento encontra nove candidatos numericamente nas duas primeiras posições das sondagens estaduais consideradas: Helder Barbalho, no Pará; Marcelo Castro, no Piauí; Roseana Sarney, no Maranhão; Eduardo Braga, no Amazonas; Alexandre Guimarães, no Tocantins; Renan Calheiros, em Alagoas; Teresa Surita, em Roraima; Veneziano Vital do Rêgo, na Paraíba; e Janaina Riva, em Mato Grosso.
Somado ao mandato proveniente da eleição de 2022 considerado na projeção, esse desempenho levaria a bancada emedebista às dez cadeiras.
O PT também alcançaria dez. A projeção identifica sete candidatos petistas nas posições numericamente favoráveis dos levantamentos: Marília Campos, em Minas Gerais; Rui Costa e Jaques Wagner, na Bahia; Benedita da Silva, no Rio de Janeiro; Humberto Costa, em Pernambuco; Randolfe Rodrigues, no Amapá; e Samanda Alves, no Rio Grande do Norte.
Eles seriam adicionados aos três mandatos petistas derivados da eleição de 2022 considerados pelo levantamento.
Bahia pode eleger dois candidatos do PT no cenário projetado
A Bahia ocupa posição relevante na estimativa porque aparece como um dos estados em que dois candidatos de uma mesma legenda poderiam conquistar simultaneamente as duas vagas em disputa.
Na fotografia utilizada pela projeção, Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, figuram entre os candidatos considerados em posição eleitoral suficiente para obter as duas cadeiras baianas.
A disputa, contudo, permanece eleitoralmente aberta. Reportagem publicada pelo Jornal Grande Bahia em 03/08/2026, com base em pesquisa Paraná Pesquisas (BA-03043/2026), já apontava Rui Costa e Wagner à frente na corrida estadual para o Senado, em um contexto no qual cada eleitor baiano terá direito a escolher dois candidatos.
A presença dos dois nomes na projeção nacional, portanto, deriva dos levantamentos disponíveis e não constitui antecipação do resultado das urnas.
PP surge como quarta maior bancada, com nove senadores
O PP aparece como outro partido potencialmente fortalecido. A estimativa aponta nove cadeiras para a legenda, apenas uma abaixo de MDB e PT.
Entre os candidatos progressistas classificados nas duas primeiras posições numéricas das sondagens utilizadas estão Arthur Lira, em Alagoas; Antonio Denarium, em Roraima; Ciro Nogueira, no Piauí; Gladson Cameli, no Acre; Silvia Cristina, em Rondônia; e Marcelo Aro, em Minas Gerais.
Essas seis vitórias projetadas seriam acrescidas às três cadeiras provenientes do ciclo eleitoral de 2022 consideradas na metodologia, levando o partido a nove senadores.
O resultado colocaria o PP em posição numericamente relevante para negociações parlamentares, especialmente porque nenhuma legenda, isoladamente, estaria próxima das 41 cadeiras correspondentes à maioria absoluta do Senado.
Republicanos, União Brasil e PSD aparecem com seis cadeiras cada
Logo abaixo dos quatro maiores partidos projetados surgem Republicanos, União Brasil e PSD, todos com seis cadeiras.
O Republicanos teria dois candidatos em posição de eleição na fotografia do levantamento — André David, em Sergipe, e Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro — além dos mandatos não submetidos à renovação em 2026 considerados pelo levantamento.
O União Brasil aparece com quatro possíveis eleitos: Capitão Wagner, no Ceará; André Moura, em Sergipe; Mauro Mendes, em Mato Grosso; e Gracinha Caiado, em Goiás. A soma com os mandatos preservados levaria o partido às seis cadeiras.
O PSD teria três candidatos em posição de vitória — Alexandre Curi, no Paraná; Paulo Hartung, no Espírito Santo; e Vanderlan Cardoso, em Goiás — e também terminaria com seis representantes na projeção.
PSB teria cinco; Novo, PDT e Podemos ficariam com duas cadeiras
O PSB aparece com cinco senadores na configuração projetada. Entre os quatro candidatos apontados nas posições favoráveis estão João Azevedo, na Paraíba; Renato Casagrande, no Espírito Santo; Simone Tebet, em São Paulo; e Cid Gomes, no Ceará.
Novo, PDT e Podemos teriam duas cadeiras cada.
Pelo Novo, os nomes projetados são Marcel van Hattem, no Rio Grande do Sul, e Deltan Dallagnol, no Paraná. Pelo PDT aparecem Leila do Vôlei, no Distrito Federal, e Marília Arraes, em Pernambuco. O Podemos tem Rayssa Furlan, no Amapá, e Styvenson Valentim, no Rio Grande do Norte.
Avante, PSOL e Rede completariam a composição com uma cadeira cada. Os candidatos considerados são Duarte Junior, pelo Avante no Maranhão; Manuela D’Ávila, pelo PSOL no Rio Grande do Sul; e Marina Silva, pela Rede em São Paulo.
Dez candidatos do PL aparecem em posição de vitória
A expansão projetada do PL decorre diretamente de dez candidaturas classificadas entre as duas primeiras posições numéricas dos respectivos levantamentos estaduais.
São elas: Capitão Alberto, no Amazonas; Eduardo Gomes, no Tocantins; Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, em Mato Grosso do Sul; Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, em Santa Catarina; Marcio Bittar, no Acre; Eder Mauro, no Pará; Michelle Bolsonaro, no Distrito Federal; e Fernando Maximo, em Rondônia.
O cenário aponta ainda duas situações nas quais o partido poderia conquistar as duas cadeiras de um mesmo estado: Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.
Esses desempenhos explicam por que a bancada projetada alcança 20 integrantes mesmo sem que o partido obtenha a maioria das 54 vagas em disputa.
Eleição renovará dois terços do Senado
A dimensão da mudança potencial decorre da própria estrutura da eleição senatorial. Em 04/10/2026, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras, ou dois terços do Senado. Cada estado e o Distrito Federal escolherão dois representantes.
Os mandatos senatoriais têm duração de oito anos, e a renovação é alternada: uma eleição substitui um terço da Casa e a seguinte, dois terços.
O TSE registrou 314 candidatos para as 54 vagas, equivalentes a uma média de aproximadamente 5,8 concorrentes por cadeira. Desse universo, 32 senadores em exercício tentam a reeleição.
A lista de parlamentares buscando novo mandato inclui integrantes de diferentes partidos, como Jaques Wagner, Ciro Nogueira, Renan Calheiros, Eduardo Braga, Cid Gomes, Humberto Costa, Randolfe Rodrigues, Marcelo Castro, Marcio Bittar, Styvenson Valentim e Angelo Coronel.
Metodologia considera líderes numéricos das pesquisas
A projeção utilizada como referência não atribui probabilidades individuais de vitória nem considera modelos estatísticos de transferência de votos. O procedimento consiste em selecionar os candidatos que aparecem numericamente em primeiro ou segundo lugar nas pesquisas disponíveis em cada estado.
Nos casos de empate técnico envolvendo mais de dois concorrentes, foram considerados apenas os líderes numéricos. Aos nomes projetados para as 54 cadeiras foram somados os senadores eleitos em 2022 que, em princípio, permanecem na Casa depois de 2026.
Esse método produz uma fotografia comparável entre os estados, mas não elimina margens de erro, empates técnicos, diferenças de metodologia entre institutos, alterações de campanha nem a elevada proporção de eleitores ainda sem definição consolidada para os dois votos ao Senado.
Segundo a análise publicada pela Veja, dirigentes de institutos de pesquisa consideram a eleição senatorial particularmente difícil de prever. Um dos fatores é justamente a existência de dois votos para senador em 2026. Pesquisa Quaest citada pelo levantamento indicou que 32% dos eleitores decidem seu voto ao Senado na semana da eleição ou no próprio dia da votação.
Projeção anterior já indicava crescimento das forças de direita
O desenho de agosto não é a primeira estimativa a apontar alteração significativa na composição política do Senado.
Em 16/06/2026, o Congresso em Foco publicou uma projeção segundo a qual partidos classificados pelo veículo no campo da direita poderiam alcançar ao menos 40 das 81 cadeiras a partir de 2027.
A fotografia de agosto apresenta distribuição partidária diferente daquela estimativa anterior, especialmente em legendas de centro e centro-direita. A diferença reforça o caráter mutável das projeções durante a campanha e impede transformar números de levantamentos em composição parlamentar definitiva.
Soma de PL, PP, Republicanos, União e Novo alcançaria 43 cadeiras
Um dos dados politicamente relevantes da projeção decorre da soma aritmética de PL, PP, Republicanos, União Brasil e Novo. Juntos, esses cinco partidos teriam 43 senadores, dois acima das 41 cadeiras correspondentes à maioria absoluta da Casa, caso os resultados projetados se confirmassem.
A soma, contudo, não representa uma bancada formal nem significa que os 43 parlamentares votariam conjuntamente. As alianças eleitorais estaduais de 2026 demonstram comportamento partidário mais complexo. Levantamento do UOL apontou que a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e o Republicanos estabeleceram maior aproximação com o PL em disputas estaduais, enquanto PSD e MDB apresentaram mais alianças com a Federação Brasil da Esperança, integrada por PT, PCdoB e PV.
O quadro evidencia que a composição nominal das bancadas não é suficiente para determinar antecipadamente maiorias legislativas. Alianças eleitorais, lideranças partidárias, interesses estaduais e natureza de cada votação continuam influenciando a formação de coalizões dentro do Senado.
Senado projetado permaneceria multipartidário
Mesmo com o PL alcançando 20 cadeiras, a Casa continuaria caracterizada por forte fragmentação partidária.
A maior legenda teria aproximadamente um quarto dos senadores, enquanto os outros 61 lugares estariam distribuídos entre 13 partidos. Nenhuma sigla possuiria sozinha maioria absoluta nem capacidade autônoma para controlar votações que dependam de coalizões.
MDB, PT e PP, com 29 senadores somados, permaneceriam atores centrais. Republicanos, União e PSD, com seis integrantes cada, e PSB, com cinco, também conservariam capacidade de interferir na construção de maiorias conforme o tema em análise.
Esse desenho torna especialmente relevante a disputa pela Presidência do Senado, pela composição da Mesa Diretora e pelo comando das comissões permanentes, embora a distribuição desses postos dependa de negociações posteriores à eleição e não possa ser determinada apenas pelas projeções atuais.
Mudanças de partido e eleições para o Executivo podem alterar composição final
Há ainda uma variável que impede tratar a soma projetada como fotografia definitiva de 2027: alguns senadores cujo mandato se estende até 2031 disputam cargos no Executivo em 2026.
O levantamento cita os casos de Renan Filho, do MDB de Alagoas, e Sergio Moro, do PL do Paraná. Se algum parlamentar deixar definitivamente a cadeira, o mandato passa ao suplente, que não necessariamente estará filiado ao mesmo partido do titular na nova legislatura.
Mudanças partidárias posteriores e outros afastamentos também podem modificar o tamanho efetivo das bancadas depois da eleição.
Por isso, a projeção de 20 senadores para o PL, dez para MDB e PT e nove para o PP deve ser entendida como estimativa construída a partir da configuração partidária e dos levantamentos disponíveis neste estágio da campanha.








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