A pesquisa Paraná divulgada nesta segunda-feira (03/08/2026) aponta ACM Neto com 48,9% das intenções de voto para o Governo da Bahia, contra 38,7% do governador Jerônimo Rodrigues, diferença de 10,2 pontos percentuais que confirma a liderança consistente do candidato oposicionista, mas não encerra a disputa. Apesar da vantagem, Jerônimo administra o Estado com 55,2% de aprovação e conserva ativos políticos capazes de sustentar uma reação, entre eles o apoio do presidente Lula e de cerca de 380 prefeitos de municípios da Bahia, a capilaridade do PT nos municípios, a atuação da militância, a estratégia de voto coordenado no número 13 e a presença de obras e políticas públicas nos 417 municípios baianos. O levantamento ouviu 1.400 eleitores em 60 municípios, entre 31 de julho e 2 de agosto, possui margem de erro estimada em 2,7 pontos percentuais e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BA-03043/2026.
ACM Neto lidera, mas pesquisa mostra estabilidade, não crescimento contínuo
A vantagem de 10,2 pontos supera a margem de erro informada pelo Paraná Pesquisas. Não existe, portanto, empate técnico no resultado geral. Na fotografia produzida pelo instituto, ACM Neto ocupa a posição de favorito, enquanto Jerônimo mantém uma base eleitoral expressiva, mas ainda insuficiente para equilibrar a disputa.
A série histórica, entretanto, revela mais estabilidade do que mudança. ACM Neto tinha 47,8% em maio, passou para 49,2% em julho e chegou a 48,9% em agosto. Jerônimo registrava 38,7% em maio, recuou nominalmente para 37,5% em julho e retornou aos mesmos 38,7% em agosto.
A distância entre os dois candidatos era de 9,1 pontos em maio, aumentou para 11,7 em julho e recuou para 10,2 em agosto. Como essas oscilações estão dentro ou próximas da margem geral, não há evidência de crescimento estrutural da oposição nem de recuperação consolidada do governador. O quadro predominante é de liderança estável de ACM Neto e resistência eleitoral de Jerônimo em torno de 39%.
Essa estabilidade produz duas leituras simultâneas. Para ACM Neto, demonstra a existência de uma base ampla e relativamente consolidada, capaz de mantê-lo próximo de 50% durante três rodadas. Para Jerônimo, indica que sua candidatura não se desestruturou, mas permanece presa a um piso eleitoral que ainda não foi rompido.
A eleição, portanto, não está em processo demonstrável de virada, mas também não registra uma expansão contínua do primeiro colocado. A campanha começa com uma vantagem clara da oposição e com o governo ainda dispondo de recursos políticos, administrativos e territoriais que não aparecem integralmente convertidos em voto.
Recalculo dos votos nominais coloca ACM Neto acima de 50%
No cenário principal, as candidaturas apresentadas somam 88,5% das respostas. Ao excluir indecisos, votos brancos e nulos e recalcular apenas as intenções nominais, ACM Neto alcançaria aproximadamente 55,3%, Jerônimo teria 43,7% e os demais candidatos ficariam próximos de 1%.
Na fotografia atual, portanto, ACM Neto estaria numericamente em posição compatível com uma vitória em primeiro turno. Esse cálculo, porém, não representa uma projeção oficial de votos válidos.
Os indecisos ainda podem distribuir-se, eleitores que atualmente declaram voto branco ou nulo podem escolher um candidato, a campanha pode modificar preferências e o comparecimento eleitoral não será uniforme entre todos os grupos sociais.
Na simulação restrita aos dois principais concorrentes, ACM Neto aparece com 50,9%, contra 40% de Jerônimo. A diferença aumenta para 10,9 pontos, enquanto 6,1% declaram voto branco, nulo ou em nenhum dos dois e 2,9% não sabem responder.
O resultado reforça a vantagem oposicionista, mas não deve ser automaticamente classificado como cenário de segundo turno. O questionário mede apenas o comportamento dos entrevistados diante de uma disputa direta entre os dois nomes.
Pesquisa espontânea confirma liderança e revela baixa cristalização
Na pergunta espontânea, em que o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos, ACM Neto registra 31,2%, enquanto Jerônimo aparece com 22,9%. A diferença é de 8,3 pontos, próxima da observada na consulta estimulada.
O levantamento também mostra que 39,1% dos entrevistados não souberam ou não quiseram apontar espontaneamente um candidato. Outros 5,1% declararam voto em ninguém, branco ou nulo.
A liderança de ACM Neto nos dois modelos de pergunta demonstra que sua vantagem não depende apenas da apresentação do nome pelo entrevistador. O candidato também possui maior lembrança espontânea, um indicador associado ao grau de presença no imaginário eleitoral.
O elevado contingente sem candidato espontâneo, contudo, revela que a eleição ainda não está completamente incorporada ao cotidiano de parcela expressiva da população. Muitos entrevistados conseguem escolher quando veem a lista, mas não manifestam espontaneamente uma preferência consolidada.
Esse grupo não pode ser tratado como inteiramente disponível. Parte dele pode possuir uma inclinação fraca ou uma preferência ainda pouco mobilizada. Mesmo assim, a diferença entre a consulta espontânea e a estimulada demonstra que a intensidade das escolhas ainda pode mudar durante a campanha.
Aprovação do Governo Jerônimo expõe a maior contradição da pesquisa
A principal contradição do levantamento aparece na relação entre avaliação administrativa e intenção de voto. O Governo Jerônimo é aprovado por 55,2% dos entrevistados e desaprovado por 41,5%, mas o governador registra somente 38,7% no cenário estimulado.
Existe, portanto, uma distância de 16,5 pontos percentuais entre aprovação e apoio eleitoral. Parte dos eleitores reconhece positivamente a administração estadual, mas prefere ACM Neto, ainda não decidiu o voto ou não considera a avaliação do governo suficiente para justificar a reeleição.
A avaliação qualitativa ajuda a explicar a diferença. Os entrevistados que classificam o governo como ótimo ou bom somam 39,9%, percentual praticamente igual aos 38,7% atribuídos a Jerônimo. Outros 24% consideram a administração regular.
O voto do governador parece estar concentrado entre aqueles que mantêm uma avaliação claramente positiva de sua gestão. A principal reserva eleitoral encontra-se entre os que aprovam o governo sem entusiasmo ou o classificam como regular.
Na ciência política, aprovação administrativa e voto são variáveis relacionadas, mas não equivalentes. Um eleitor pode reconhecer obras, programas ou serviços públicos e, ainda assim, preferir a oposição por razões ideológicas, partidárias, pessoais ou comparativas.
Para produzir uma virada, Jerônimo precisará transformar reconhecimento administrativo em preferência eleitoral. Esse processo exige não apenas divulgar realizações, mas estabelecer uma relação clara entre os resultados do governo, sua liderança pessoal e os riscos ou benefícios associados à continuidade do mandato.
O eleitor que considera o governo regular pode decidir a eleição
O grupo que avalia a administração como regular constitui um dos territórios centrais da competição. Esses eleitores não integram necessariamente uma oposição consolidada, mas também não demonstram grau de satisfação suficiente para apoiar automaticamente a reeleição.
Para a campanha governista, o desafio será converter uma avaliação moderada em decisão de voto. Isso poderá ocorrer pela apresentação territorializada de obras, serviços e investimentos, pela associação entre políticas públicas e melhoria concreta da vida local e pela construção de uma perspectiva de continuidade.
Para ACM Neto, a estratégia será impedir essa conversão. O oposicionista precisa sustentar que reconhecer aspectos positivos da administração não obriga o eleitor a apoiar a permanência do governador.
A disputa por esse eleitor intermediário tende a ser mais importante do que a tentativa de convencer os segmentos que já possuem identificação consolidada com cada campo político.
Rejeição de Jerônimo limita a expansão governista
Jerônimo registra 41% de rejeição, diante de 28,2% de ACM Neto. A pergunta permitia que cada entrevistado citasse mais de um nome, razão pela qual os percentuais não podem ser somados como uma distribuição fechada do eleitorado.
A diferença de 12,8 pontos, contudo, revela uma assimetria relevante. ACM Neto combina liderança eleitoral com rejeição inferior, o que lhe oferece, na fotografia atual, um espaço potencialmente maior para receber votos de eleitores ainda não alinhados.
Jerônimo enfrenta dois desafios simultâneos: conquistar novos votos e reduzir a parcela que declara não votar nele. Uma estratégia restrita à mobilização da base petista poderá ser insuficiente para superar uma diferença superior a dez pontos.
Os recortes indicam que a resistência ao governador é maior entre os grupos nos quais ACM Neto apresenta melhor desempenho, especialmente eleitores economicamente ativos, pessoas com escolaridade superior e faixas etárias intermediárias.
A rejeição é menor entre idosos e integrantes da população não economicamente ativa, segmentos nos quais Jerônimo também aparece mais competitivo. O problema governista, portanto, não decorre apenas de falta de conhecimento, mas de resistência eleitoral mais intensa em grupos numerosos e socialmente relevantes.
Exposição da campanha também pode elevar a rejeição de ACM Neto
A vantagem atual não elimina riscos para o candidato oposicionista. Quem lidera tende a receber maior escrutínio, tornar-se alvo prioritário da campanha adversária e ser confrontado sobre alianças, propostas, gestões anteriores e posicionamentos nacionais.
A rejeição de ACM Neto pode crescer à medida que a disputa se polarize. Para preservar a liderança, ele precisará impedir que a eleição se transforme em um julgamento predominantemente negativo de sua candidatura.
A posição de favorito também produz o risco de acomodação. A estabilidade em torno de 49% é favorável, mas não representa expansão contínua. Caso Jerônimo reduza sua rejeição e converta parte da aprovação do governo, a diferença poderá diminuir sem que seja necessária uma transferência integral dos indecisos.
A geografia eleitoral pode esconder forças municipais de Jerônimo
O resultado estadual é uma média de realidades territoriais profundamente distintas. O Paraná Pesquisas ouviu eleitores em 60 municípios, mas o relatório não apresenta os resultados separados por região, porte populacional ou território de identidade.
Essa ausência impede saber se a vantagem de ACM Neto está uniformemente distribuída ou se resulta de margens elevadas em determinados centros urbanos, parcialmente compensadas por maior força de Jerônimo em municípios do interior.
A hipótese de que existem localidades nas quais ACM Neto receberá poucos votos é politicamente plausível diante da heterogeneidade eleitoral da Bahia, mas não pode ser comprovada por esse levantamento. Sem tabelas regionais, não é possível identificar onde estão os maiores redutos de cada candidatura.
A capilaridade municipal pode favorecer Jerônimo. Prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados, sindicatos, movimentos sociais, associações comunitárias e lideranças locais exercem influência relevante sobre a mobilização eleitoral, especialmente nas cidades pequenas e médias.
Essa estrutura pode transformar vantagens municipais aparentemente pequenas em um volume estadual expressivo. Ao mesmo tempo, vencer um número maior de municípios não garante vitória caso o adversário obtenha margens muito superiores nos maiores colégios eleitorais.
Para produzir uma virada, Jerônimo precisará combinar elevada votação em seus redutos com redução da desvantagem em Salvador, Região Metropolitana, Feira de Santana, Vitória da Conquista e outros centros urbanos. A geografia eleitoral será tão importante quanto o percentual estadual agregado.
Obras e políticas públicas formam uma plataforma potencial de conversão
No levantamento, a presença administrativa do Estado nos 417 municípios, com obras, escolas, hospitais, estradas, equipamentos e políticas públicas, constitui um dos principais ativos eleitorais de Jerônimo.
Esses elementos não são medidos pelo Paraná Pesquisas e precisam ser documentados por dados governamentais e verificações independentes em cada área. Do ponto de vista eleitoral, porém, sua importância está na possibilidade de territorializar a campanha.
Uma obra só se converte em recurso eleitoral quando o cidadão a reconhece, percebe seus efeitos e identifica quem foi politicamente responsável por sua execução. A simples existência de investimentos não produz transferência automática de votos.
Escolas ampliadas, hospitais, unidades de saúde, estradas, sistemas de abastecimento e equipamentos públicos podem fortalecer a imagem do governo, especialmente quando associados a demandas locais antigas e a entregas visíveis.
A campanha governista precisará apresentar esses investimentos não como uma sequência abstrata de números, mas como mudanças concretas na vida das comunidades. O objetivo será transformar presença administrativa em confiança política.
Fator Lula pode reduzir o voto dividido na Bahia
A influência do presidente Lula constitui outro recurso potencial da candidatura governista. A hipótese é que a elevada identificação de parcela do eleitorado baiano com Lula possa ser transferida, ao menos parcialmente, para Jerônimo.
Essa transferência não é automática. Um eleitor pode apoiar Lula para a Presidência e votar em ACM Neto para o Governo da Bahia. A existência desse comportamento dividido é uma das explicações possíveis para a diferença entre a força do campo lulista no estado e o desempenho atual do governador.
A estratégia governista deverá reduzir esse voto cruzado por meio da associação entre os governos federal e estadual, da apresentação de programas conjuntos e da defesa de uma continuidade política entre Brasília e Salvador.
Quanto mais nacionalizada se tornar a campanha, maior poderá ser a influência de Lula. Jerônimo terá interesse em enquadrar a eleição baiana como parte de uma disputa nacional entre o projeto lulista e os setores da direita.
ACM Neto, por sua vez, tende a buscar a estadualização do confronto. Seu interesse é separar a escolha para governador da eleição presidencial e preservar o apoio de eleitores lulistas que não desejam manter o PT no comando estadual.
Baixa força do bolsonarismo não se transfere automaticamente para Jerônimo
A leitura governista também parte da avaliação de que o bolsonarismo apresenta desempenho historicamente limitado na Bahia. Esse fator pode dificultar candidaturas excessivamente associadas à direita nacional e favorecer a nacionalização pretendida pelo PT.
Entretanto, ACM Neto não pode ser analisado apenas como representante eleitoral do bolsonarismo. Sua votação potencial é superior à base tradicional da direita radical no estado e inclui segmentos moderados, eleitores de centro e cidadãos que podem apoiar Lula nacionalmente e preferir a oposição na esfera estadual.
A tentativa de associar ACM Neto integralmente ao bolsonarismo pode mobilizar o eleitorado petista, mas terá eficácia limitada caso o oposicionista preserve uma identidade própria e consiga apresentar-se como alternativa administrativa independente.
A baixa performance eleitoral da direita bolsonarista constitui uma oportunidade para Jerônimo, não uma garantia de vitória. O efeito dependerá da configuração presidencial, das alianças formais e da capacidade de cada candidatura de impor seu enquadramento à disputa.
Militância petista e voto 13 ampliam capacidade de mobilização
O PT possui uma organização territorial construída ao longo de sucessivos governos estaduais, com diretórios municipais, parlamentares, sindicatos, movimentos sociais, lideranças comunitárias e militantes capazes de atuar no contato direto com o eleitor.
Essa estrutura tende a ganhar importância à medida que a campanha avança. Pesquisas anteriores ao período de maior mobilização podem não captar integralmente os efeitos da militância, da propaganda, das agendas municipais e das redes partidárias.
A defesa do “voto 13 em todos os campos” representa uma tentativa de reduzir a fragmentação entre as escolhas para presidente, governador, Senado e cargos proporcionais. Politicamente, significa incentivar o eleitor a votar de forma coordenada no mesmo campo partidário.
O desempenho de Rui Costa e Jaques Wagner para o Senado oferece à campanha governista nomes com peso eleitoral próprio. Rui lidera com 44,6%, seguido por Wagner, com 35,1%; João Roma alcança 24,1% e Angelo Coronel registra 21,9%.
Esses resultados mostram força do campo governista, mas também revelam que o voto de chapa ainda não está plenamente consolidado. Rui supera Jerônimo, enquanto Wagner aparece abaixo do governador. Não é possível concluir quantos eleitores pretendem combinar os dois candidatos governistas ao Senado com ACM Neto para o governo.
A militância poderá trabalhar para reduzir essas escolhas cruzadas, mas a transferência dependerá da disposição individual do eleitor e da capacidade de integrar politicamente as diferentes candidaturas.
Carisma pessoal pode ajudar, mas não é medido pela pesquisa
O carisma pessoal atribuído a Jerônimo representa uma variável qualitativa. O Paraná Pesquisas não perguntou aos entrevistados sobre simpatia, proximidade, autenticidade, capacidade de comunicação ou identificação pessoal com o governador.
Ainda assim, atributos de liderança podem influenciar a campanha, sobretudo nas agendas presenciais, nos debates, nas entrevistas e no contato com comunidades do interior.
Jerônimo poderá utilizar sua origem social, seu estilo de comunicação e a circulação territorial para construir uma imagem de proximidade. Esse recurso seria especialmente importante entre os eleitores que aprovam o governo, mas ainda não decidiram apoiar sua reeleição.
O carisma, contudo, somente produzirá efeito mensurável se estiver associado a resultados administrativos, confiança e capacidade de liderança. A simpatia pessoal pode reduzir resistências, mas dificilmente compensará, isoladamente, uma rejeição de 41%.
Perfis sociais mostram onde cada candidato precisa crescer
ACM Neto apresenta seus melhores resultados entre eleitores economicamente ativos, pessoas com escolaridade mais elevada e integrantes das faixas etárias intermediárias.
Entre os entrevistados de 25 a 34 anos, registra 52,6%, contra 33,3% de Jerônimo. Dos 35 aos 44 anos, a vantagem é de 52,9% a 33,5%. Entre os eleitores com Ensino Superior, ACM Neto alcança 53,8%, enquanto o governador aparece com 36,5%.
Na população economicamente ativa, os percentuais são de 52,4% para ACM Neto e 35,6% para Jerônimo. Esses segmentos concentram algumas das maiores dificuldades enfrentadas pela candidatura governista.
Jerônimo apresenta maior competitividade entre mulheres, idosos, pessoas com Ensino Fundamental e integrantes da população não economicamente ativa. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, registra 46,2%, diante de 43,8% de ACM Neto. Entre os não economicamente ativos, os resultados são de 44% e 43%, respectivamente.
Essas pequenas vantagens não devem ser classificadas como estatisticamente comprovadas. Os subgrupos possuem amostras menores e margens superiores aos 2,7 pontos informados para o resultado geral.
A conclusão é que Jerônimo se mostra mais competitivo nesses segmentos. Para produzir uma virada, precisará ampliar suas margens entre idosos, mulheres e eleitores de menor escolaridade, ao mesmo tempo em que reduz a diferença entre trabalhadores, jovens adultos e pessoas com formação média ou superior.
Eleitorado feminino oferece maior espaço de recuperação
Entre os homens, ACM Neto registra 51,4%, diante de 37,6% de Jerônimo, diferença de 13,8 pontos. Entre as mulheres, os percentuais são de 46,7% e 39,7%, reduzindo a distância para sete pontos.
A aprovação do governo também é maior entre as mulheres. Esse eleitorado reúne menor rejeição a Jerônimo, maior reconhecimento administrativo e uma diferença eleitoral menos desfavorável.
O segmento feminino, portanto, constitui uma das principais fronteiras para a recuperação governista. A ampliação da intenção de voto dependerá da capacidade de associar políticas de saúde, educação, segurança alimentar, assistência social, emprego e proteção às mulheres à continuidade do governo.
Qual é o caminho matemático para uma virada?
A diferença atual entre ACM Neto e Jerônimo é de 10,2 pontos. Uma transferência direta de pouco mais de 5,1 pontos do primeiro colocado para o governador seria suficiente para inverter numericamente as posições, porque cada eleitor transferido reduz um ponto de um candidato e acrescenta um ponto ao outro.
Esse movimento representaria a mudança de pouco mais de um décimo dos atuais eleitores de ACM Neto. Não é uma alteração pequena, mas tampouco é matematicamente impossível em uma campanha polarizada.
O caminho seria mais difícil se Jerônimo dependesse exclusivamente dos indecisos, votos brancos e nulos e candidatos menores. Esses grupos somam aproximadamente 12,3%. Para ultrapassar ACM Neto sem retirar votos diretamente do adversário, o governador precisaria conquistar mais de dez pontos líquidos desse universo, enquanto o líder permaneceria praticamente sem crescimento.
Essa hipótese é pouco provável. A distribuição dos eleitores residuais tende a beneficiar mais de uma candidatura, e parte dos que declaram voto branco ou nulo pode manter essa escolha.
A rota plausível para uma virada é híbrida: converter eleitores que aprovam o governo, conquistar parte dos indecisos, reduzir a rejeição e retirar votos atualmente atribuídos a ACM Neto.
A tese da vitória de Jerônimo possui fundamentos, mas ainda é uma projeção
Na avaliação editorial de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia, Jerônimo vencerá a eleição porque dispõe de uma combinação de forças ainda não integralmente refletidas na pesquisa: aprovação administrativa, presença territorial, obras e serviços públicos, apoio de Lula, militância petista, voto coordenado no número 13, baixa performance do bolsonarismo e atributos pessoais do governador.
“Jerônimo vai vencer e tem municípios onde ACM Neto vai ter poucos votos. A aprovação do governo mostra potencial eleitoral, somado ao fator Lula, à baixa performance do bolsonarismo, à militância petista, ao voto 13 em todos os campos, às obras nos 417 municípios, às escolas, aos hospitais e ao carisma pessoal do governador.”
Essa interpretação possui fundamentos políticos identificáveis. A aprovação de 55,2% representa uma reserva potencial; a estrutura partidária pode ampliar a mobilização; o apoio presidencial pode reduzir o voto dividido; e a atuação municipal pode elevar a votação governista em áreas onde o oposicionista possui menor presença.
A pesquisa, contudo, não mede diretamente o fator Lula, a eficiência da militância, o carisma, a distribuição territorial das obras ou o desempenho municipal das candidaturas. Esses elementos devem ser tratados como variáveis explicativas e hipóteses para a campanha, e não como resultados demonstrados pelo levantamento.
A afirmação de uma eventual vitória também precisa ser distinguida do cenário efetivamente registrado no momento. Os dados disponíveis mostram ACM Neto na liderança, com vantagem superior à margem de erro geral da pesquisa e índice de rejeição inferior ao de seu principal adversário. Nesse contexto, a tese de uma vitória de Jerônimo Rodrigues depende de uma mudança futura no comportamento do eleitorado que, até agora, não apareceu de forma consistente na série histórica do Paraná Pesquisas. As projeções favoráveis ao governador, portanto, constituem interpretações prospectivas, fundamentadas no conjunto de dados, indicadores políticos e referências comparativas disponíveis ao cientista social.
Projeção de maior votação considera desempenho do governo e força territorial
Carlos Augusto também projeta que Jerônimo Rodrigues poderá encerrar o primeiro turno com a maior votação nominal da história política da Bahia.
“Jerônimo pode terminar o primeiro turno com a maior votação nominal da história política da Bahia.”
A avaliação do cientista social não se limita ao retrato momentâneo apresentado pelas pesquisas eleitorais. A projeção parte de uma leitura mais ampla da conjuntura, que considera os indicadores de desempenho do Governo da Bahia, a presença administrativa nos municípios, o volume de investimentos públicos, a execução de obras, a ampliação dos serviços e a capacidade do governador de transformar ações governamentais em reconhecimento político e apoio eleitoral.
Outro componente central dessa análise é a adesão de cerca de 380 prefeitos baianos ao projeto de reeleição de Jerônimo Rodrigues. O número representa uma base territorial expressiva, equivalente à maior parte dos municípios do estado, e amplia a capacidade de mobilização política, organização de agendas, comunicação das realizações governamentais e aproximação da campanha com o eleitorado do interior.
Nessa interpretação, o desempenho eleitoral de Jerônimo deve ser analisado não apenas pela intenção de voto registrada atualmente, mas também pelo potencial de crescimento decorrente da exposição das entregas do governo, da mobilização da base aliada e da capilaridade política construída em todas as regiões da Bahia. O apoio dos prefeitos pode funcionar como uma estrutura territorial de sustentação da candidatura, especialmente em municípios nos quais as lideranças locais exercem influência sobre a formação das preferências eleitorais.
Essa ampla rede, formada por gestores municipais, vice-prefeitos, vereadores, parlamentares, partidos governistas, movimentos sociais e lideranças comunitárias, tende a contribuir para interiorizar a campanha e ampliar o alcance eleitoral do governador à medida que a disputa se tornar mais competitiva. A presença de aliados nos municípios também favorece a associação entre investimentos estaduais, obras públicas, serviços e a imagem política de Jerônimo Rodrigues.
A projeção considera, ainda, que parte dos efeitos políticos de uma administração não aparece imediatamente nas pesquisas. Investimentos em infraestrutura, saúde, educação, segurança pública, desenvolvimento regional e políticas sociais podem produzir resultados eleitorais de forma gradual, especialmente quando as ações passam a ser identificadas diretamente com o governante.
Desse ponto de vista, a campanha teria a função de converter desempenho administrativo, presença institucional, entregas públicas e força territorial em intenção de voto. A combinação entre os resultados do governo e o apoio declarado de aproximadamente 380 prefeitos constitui, portanto, a base política e analítica da projeção de que Jerônimo Rodrigues poderá alcançar uma votação nominal histórica, embora a confirmação dessa hipótese dependa da evolução da campanha e da efetiva transferência da força municipal para o comportamento do eleitorado.
Senado mostra força governista, mas elevada indefinição
Na disputa pelas duas vagas ao Senado, Rui Costa lidera com 44,6%, seguido por Jaques Wagner, com 35,1%. João Roma aparece com 24,1%, enquanto Angelo Coronel registra 21,9%.
Como cada entrevistado podia escolher até dois candidatos, os percentuais não devem ser somados nem interpretados como uma eleição de voto único. O levantamento mede o desempenho individual dos nomes, mas não revela todas as combinações pretendidas pelos eleitores.
A liderança de Rui e Wagner demonstra força eleitoral do campo governista, mas não significa transferência automática para Jerônimo. Parte do eleitorado pode escolher ACM Neto para o governo e votar em um ou dois candidatos ligados à base estadual para o Senado.
Na consulta espontânea, 73,7% não indicaram candidato ao Senado. O percentual mostra baixo grau de cristalização e uma disputa muito mais aberta do que a corrida pelo Governo da Bahia.
A campanha do voto coordenado poderá beneficiar a chapa governista, mas terá de enfrentar a personalização das escolhas e a possibilidade de voto cruzado.
Linha do tempo da pesquisa mostra estabilidade
Maio de 2026 — Registro TSE BA-03619/2026
ACM Neto registra 47,8% das intenções de voto, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues aparece com 38,7%. A vantagem do ex-prefeito de Salvador é de 9,1 pontos percentuais.
Julho de 2026 — Registro TSE BA-04848/2026
ACM Neto alcança 49,2%, enquanto Jerônimo recua nominalmente para 37,5%. A diferença entre os dois candidatos aumenta para 11,7 pontos percentuais.
31 de julho a 2 de agosto de 2026 — Registro TSE BA-03043/2026
O Instituto Paraná Pesquisas realiza 1.400 entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais em 60 municípios da Bahia, para medir as intenções de voto para o Governo do Estado e o Senado, além da avaliação das administrações estadual e federal.
Agosto de 2026 — Registro TSE BA-03043/2026
ACM Neto registra 48,9% das intenções de voto, enquanto Jerônimo retorna ao patamar de 38,7%. A distância entre os dois recua para 10,2 pontos percentuais, sem alteração estrutural no cenário eleitoral apresentado pelos três levantamentos.
A sequência não mostra crescimento contínuo de ACM Neto nem recuperação consolidada de Jerônimo. Para caracterizar uma tendência de virada, será necessário observar redução sucessiva da diferença, expansão do governador para além da margem de erro e mudança consistente nos índices de rejeição.
Crescer acima da margem, reduzir a rejeição e aproximar intenção de voto
A pesquisa Paraná estabelece um ponto de partida objetivo: ACM Neto lidera com vantagem real, possui maior lembrança espontânea, menor rejeição e aparece numericamente acima de 50% quando são consideradas apenas as intenções nominais. O levantamento, porém, também revela que essa liderança permanece estável, sem trajetória contínua de crescimento, enquanto Jerônimo conserva uma base próxima de 39% e governa com aprovação majoritária.
A possibilidade de virada está associada à capacidade de converter aprovação em voto, territorializar obras e serviços, mobilizar a estrutura petista, reduzir o voto dividido entre Lula e ACM Neto, ampliar o voto 13 e explorar regiões nas quais a oposição possa ter desempenho reduzido. Esses fatores oferecem fundamentos políticos à projeção de vitória governista, mas ainda não aparecem de maneira mensurável na série. A rejeição de 41%, a diferença de 10,2 pontos e o desempenho inferior entre trabalhadores, jovens adultos e eleitores mais escolarizados formam obstáculos concretos.
O próximo movimento decisivo não será uma oscilação isolada, mas a ruptura do padrão observado desde maio. Jerônimo precisará crescer acima da margem, reduzir a rejeição e aproximar intenção de voto e aprovação administrativa; ACM Neto terá de preservar a liderança durante a fase de maior confronto e evitar aumento de resistência ao seu nome. A vitória governista e uma eventual votação histórica permanecem como projeções políticas possíveis, mas dependerão de mudanças substanciais que deverão ser confirmadas por pesquisas sucessivas, recortes territoriais e pelo comportamento efetivo do eleitorado.
Metodologia exige cautela nos recortes demográficos
O levantamento utilizou uma amostra de 1.400 eleitores distribuídos em 60 municípios. A coleta foi realizada presencialmente entre 31 de julho e 2 de agosto.
A seleção ocorreu em três etapas: sorteio probabilístico dos municípios, sorteio das localidades e escolha dos entrevistados por quotas proporcionais de gênero, idade, escolaridade e renda domiciliar. Pelo menos 30% dos questionários foram auditados.
O instituto informa nível de confiança de 95% e margem estimada de 2,7 pontos para os resultados gerais. Essa margem não se aplica individualmente aos recortes de gênero, faixa etária, escolaridade ou situação econômica.
O relatório também não apresenta resultados regionais. A ausência impede identificar onde cada candidato concentra sua força e limita a análise sobre diferenças entre Salvador, Região Metropolitana, grandes cidades, municípios médios e áreas do interior.
A pesquisa registra o estado da opinião pública durante três dias de coleta. Não constitui previsão do resultado eleitoral nem incorpora integralmente fatores como comparecimento, abstenção diferenciada, efeitos da campanha, mudanças de alianças e acontecimentos políticos posteriores.








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