Ex-ministro Rui Costa destaca regionalização da saúde na Bahia, R$ 1,674 bilhão do Novo PAC e critica modelo municipal de Salvador

Nesta sexta-feira (07/08/2026), dois dias após o Dia Nacional da Saúde, o ex-governador da Bahia e candidato ao Senado pelo PT, Rui Costa, colocou a expansão da rede pública de saúde no centro de seu discurso político ao defender a política de regionalização adotada pelo Estado, destacar investimentos federais do Novo PAC Saúde, apontados por ele em R$ 1,674 bilhão na Bahia, e criticar a capacidade instalada dos serviços municipais de Salvador. A manifestação ocorreu originalmente na quarta-feira (05/08/2026) — data oficial do Dia Nacional da Saúde — e reuniu referências a hospitais estaduais, policlínicas, serviços de alta complexidade, novos projetos hospitalares e à parceria entre o Governo da Bahia e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A data de 5 de agosto é reconhecida oficialmente pelo Ministério da Saúde como Dia Nacional da Saúde.

Rui Costa associa regionalização à mudança do atendimento no interior

Ao abordar a evolução da assistência pública no estado, Rui Costa afirmou que a concentração de procedimentos especializados em Salvador obrigava pacientes de municípios do interior a percorrer grandes distâncias em busca de atendimento. Segundo o ex-governador, a ampliação de hospitais regionais, unidades especializadas e policlínicas modificou progressivamente esse fluxo.

“Antes dos nossos governos, uma fila de ambulâncias se formava na entrada de Salvador, com pacientes vindos do interior para serem atendidos nos hospitais da capital.”

A regionalização da saúde, contudo, não constitui princípio criado por um governo ou partido específico. Trata-se de uma das diretrizes de organização do Sistema Único de Saúde (SUS), ao lado da descentralização, da hierarquização da rede e da cooperação entre os entes federativos. A particularidade da política desenvolvida na Bahia está na estratégia adotada pelos sucessivos governos estaduais para ampliar estruturas regionais, organizar consórcios interfederativos e interiorizar serviços especializados.

Rui sustenta que esse processo permitiu ampliar a disponibilidade, fora da capital, de serviços como UTI, neurocirurgia, cardiologia, oncologia, terapia intensiva pediátrica e assistência a gestantes de alto risco. Durante seus dois mandatos como governador, entre 2015 e 2022, foram implantados ou ampliados equipamentos que passaram a compor a estratégia estadual de descentralização assistencial.

Hospitais e policlínicas formam eixo da estratégia estadual

Entre as unidades citadas pelo candidato estão o Hospital da Mulher, em Salvador; o Hospital Regional Costa do Cacau, em Ilhéus; o Hospital Geral Prado Valadares, em Jequié; o Hospital do Oeste, em Barreiras; o Hospital Estadual Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas; e o Hospital Estadual do Litoral Norte, em Alagoinhas.

O Hospital da Mulher iniciou suas atividades em janeiro de 2017. Em dezembro do mesmo ano, foi inaugurado o Hospital Regional Costa do Cacau, em Ilhéus, estruturado para atender pacientes de dezenas de municípios do sul baiano e oferecer procedimentos de média e alta complexidade, inclusive nas áreas cardíaca, neurológica e ortopédica.

Em maio de 2018, o Governo da Bahia entregou a ampliação do Hospital Geral Prado Valadares, em Jequié. O investimento informado na época foi de R$ 38 milhões, com expansão da unidade para 276 leitos e atendimento regional estimado para cerca de 600 mil habitantes.

Já em maio de 2024, durante o governo Jerônimo Rodrigues, foi inaugurado o Hospital Estadual Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas. A unidade recebeu investimento superior a R$ 200 milhões, foi estruturada com 216 leitos, dos quais 30 de UTI, e tornou-se referência para 21 municípios do Extremo Sul. Em maio de 2026, o Governo da Bahia informou que o hospital havia ultrapassado 290 mil atendimentos em dois anos de operação.

Rede de policlínicas começou a ser implantada em 2017

Outro eixo da regionalização destacado por Rui Costa é formado pelas Policlínicas Regionais de Saúde, estruturadas principalmente por meio de consórcios públicos interfederativos entre o Estado e municípios.

A primeira unidade desse modelo foi inaugurada em Teixeira de Freitas, em 17/11/2017, com investimento aproximado de R$ 25 milhões. Nos anos seguintes, o sistema foi expandido para diferentes regiões do território baiano.

No fim de 2025, a Bahia contava com 26 policlínicas em funcionamento. Dados divulgados pela Secretaria da Saúde do Estado apontavam mais de 9 milhões de atendimentos acumulados e cobertura dos municípios participantes dos consórcios. O modelo oferece consultas especializadas e exames como tomografia, ressonância magnética e outros procedimentos diagnósticos.

Em 30/06/2026, foi inaugurada a Policlínica Regional de Camaçari, primeira unidade do gênero construída no Brasil no âmbito do Novo PAC Saúde. O empreendimento recebeu R$ 49 milhões, somados recursos federais e estaduais, e foi projetado para atender Camaçari, Conde, Dias d’Ávila, Mata de São João, Pojuca e Simões Filho, alcançando uma população estimada em 620 mil habitantes. A entrega elevou para 27 o número de policlínicas da rede baiana.

Modelo baiano passou a influenciar política federal de atenção especializada

Rui Costa também relacionou a experiência baiana à expansão das policlínicas dentro da política federal de saúde. O Novo PAC passou a financiar esse tipo de estrutura em outros estados, integrando-as à estratégia nacional de ampliação da atenção especializada.

O Novo PAC Seleções prevê 55 novas policlínicas, com investimento federal de aproximadamente R$ 1,65 bilhão e alcance projetado de 19,2 milhões de pessoas no país. As unidades são direcionadas principalmente a regiões com vazios assistenciais e devem oferecer consultas especializadas, exames gráficos, diagnóstico por imagem e pequenos procedimentos.

O movimento foi complementado pelo programa Agora Tem Especialistas, criado pelo Governo Federal para reduzir o tempo de espera por consultas, exames, tratamentos e cirurgias eletivas. A política reúne ações de ampliação de horários, unidades móveis, Telessaúde, mutirões, atendimento hospitalar e reorganização da atenção especializada.

Na Bahia, uma das primeiras iniciativas vinculadas ao programa destinou R$ 100 milhões às então 26 policlínicas regionais, permitindo ampliação de horários e previsão de aproximadamente 581 mil exames adicionais até o primeiro trimestre de 2026.

Novo PAC amplia investimentos federais na saúde da Bahia

No conteúdo divulgado por Rui Costa, o candidato informa que o conjunto de investimentos do Novo PAC Saúde na Bahia alcança R$ 1,674 bilhão, considerando obras, equipamentos, unidades básicas, maternidades, Centros de Atenção Psicossocial, ambulâncias do Samu 192 e unidades odontológicas móveis. O valor integra o discurso do candidato sobre a retomada da cooperação entre o Governo Federal e o Estado a partir do terceiro mandato do presidente Lula.

Investimentos federais recentes confirmam a execução de diferentes frentes do programa no estado. Em fevereiro de 2026, o Ministério da Saúde anunciou um pacote de aproximadamente R$ 345 milhões, incluindo 107 ambulâncias do Samu, 32 Unidades Odontológicas Móveis, 575 kits de Telessaúde e mais de mil conjuntos de equipamentos destinados à atenção básica. Também foram autorizadas novas policlínicas regionais.

Em março, outra etapa do Novo PAC alcançou 170 municípios baianos, com entrega de unidades odontológicas móveis, ambulâncias, equipamentos para unidades básicas e autorizações para construção de UBS e CAPS.

No plano nacional, o Novo PAC Saúde prevê R$ 32,2 bilhões para obras, equipamentos e veículos, destinados à expansão e modernização da infraestrutura do SUS.

Hospital do Litoral Norte reforça regionalização em Alagoinhas

Um dos exemplos mais recentes apontados no debate sobre interiorização da alta complexidade é o Hospital Estadual do Litoral Norte, inaugurado em Alagoinhas em 01/07/2026 pelo presidente Lula e pelo governador Jerônimo Rodrigues.

A unidade foi a primeira entrega hospitalar do Novo PAC Saúde no Brasil. O investimento chegou a R$ 214,3 milhões, entre obras e equipamentos. O hospital possui 213 leitos, dos quais 30 de UTI, e foi estruturado para atender moradores de 34 municípios.

O perfil assistencial inclui neurologia, neurocirurgia, oncologia, cardiologia, cirurgia geral, pediatria, ortopedia, cirurgia vascular e medicina intensiva, além de serviços de diagnóstico por imagem. A estrutura foi concebida para reduzir deslocamentos para Salvador e ampliar a capacidade de resolução da macrorregião Nordeste da Bahia.

A inauguração também materializa uma etapa da cooperação entre os governos federal e estadual no financiamento da expansão hospitalar. A unidade está integrada ao Agora Tem Especialistas, conectando a ampliação física da rede à estratégia federal de aumento da oferta de procedimentos especializados.

Novos hospitais estão em construção no interior

A regionalização continua em expansão durante o governo Jerônimo Rodrigues. Entre os principais empreendimentos em andamento estão hospitais em Serrinha, Paulo Afonso, Valença, Jacobina e Gandu, além de ampliações de estruturas hospitalares já existentes.

Em Serrinha, as obras do Hospital e Maternidade Regional do Sisal representam investimento superior a R$ 173 milhões. O complexo terá 210 leitos, incluindo UTIs adulta e neonatal, emergência, centro cirúrgico, centro obstétrico e serviços de diagnóstico por imagem.

Em Valença, o Hospital e Maternidade Regional da Costa do Dendê recebe aproximadamente R$ 154 milhões do Novo PAC e deverá acrescentar 255 leitos à rede pública do Baixo Sul. A conclusão da fase de construção é prevista para o primeiro semestre de 2027.

Em Paulo Afonso, a construção do Hospital e Maternidade Regional Universitário recebeu ordem de serviço em novembro de 2025. O investimento informado foi de R$ 148,9 milhões, reunindo recursos do Novo PAC, Governo da Bahia e outros parceiros institucionais.

Em Gandu, o Estado autorizou a construção de uma nova unidade hospitalar às margens da BR-101, com investimento superior a R$ 60 milhões, destinada a reforçar a assistência de média e alta complexidade no Sul da Bahia.

Rui Costa apresenta expansão estadual como ativo político

No pronunciamento relacionado ao Dia Nacional da Saúde, Rui Costa afirmou que a Bahia possui atualmente 56 hospitais estaduais e associou a expansão da rede à interiorização de especialidades antes concentradas na capital.

“Não existia serviço de cardiologia no interior, não existia neurocirurgia no interior, não existia tratamento de câncer e vários outros procedimentos.”

A declaração integra a argumentação política do candidato ao Senado. Dados divulgados pela Secretaria da Saúde da Bahia em abril de 2026 apontavam, em outro recorte estatístico, 13 novos hospitais entregues entre 2023 e 2026, mais de 5,5 mil leitos abertos e 26 policlínicas em operação naquele momento. Os números não são diretamente comparáveis, porque um se refere ao total alegado de hospitais da rede estadual e o outro às entregas recentes registradas pela administração.

Rui também defendeu o modelo de cooperação federativa utilizado durante seus governos e no atual mandato de Jerônimo Rodrigues, afirmando que decisões sobre investimentos em saúde não devem depender da vinculação partidária dos prefeitos.

“A gente investe nas cidades pelo interesse da população.”

O candidato contrapôs essa atuação à relação que, segundo ele, existiu entre o Governo da Bahia e o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando dificuldades no credenciamento federal de leitos abertos durante sua administração estadual. A afirmação é uma posição política de Rui Costa sobre o período e demanda análise específica dos processos de habilitação, financiamento e credenciamento para eventual mensuração integral de seus efeitos.

Rui Costa critica estrutura municipal da saúde de Salvador

A parte mais diretamente política da manifestação foi direcionada à administração municipal de Salvador, governada pelo União Brasil. Rui questionou a dimensão da rede hospitalar municipal da capital e afirmou que a pressão sobre hospitais estaduais seria ampliada pela insuficiência da estrutura mantida pelo município.

Ao formular a crítica, o candidato mencionou aproximadamente 200 leitos no Hospital Municipal de Salvador e afirmou que a unidade não possui emergência de porta aberta.

“Salvador tem quase 3 milhões de habitantes e o maior hospital municipal tem 200 leitos, com porta fechada.”

Os dados oficiais da própria Prefeitura exigem duas precisões. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o Hospital Municipal de Salvador possui atualmente 220 leitos, incluindo 40 de UTI adulta e pediátrica, e atende urgências e emergências por meio de encaminhamento referenciado, inclusive pela regulação e pelo Samu. Portanto, a ausência de atendimento irrestrito por demanda espontânea não equivale à inexistência de serviço de emergência.

Também há diferença entre a população mencionada no discurso e a estimativa demográfica oficial. O IBGE calculou para Salvador 2.564.204 habitantes em 2025, abaixo dos “quase 3 milhões” utilizados como aproximação pelo candidato.

Salvador mantém rede municipal de UPAs e atenção básica

Rui Costa também criticou a dependência de grandes municípios em relação à rede estadual de média e alta complexidade. Nesse ponto, a discussão envolve a divisão de responsabilidades estabelecida pelo SUS entre municípios, estados e União.

Em Salvador, a rede municipal não se limita ao Hospital Municipal. A Secretaria Municipal da Saúde mantém Unidades Básicas de Saúde, Unidades de Saúde da Família, CAPS e Unidades de Pronto Atendimento. As UPAs recebem pacientes por demanda espontânea e funcionam como estruturas intermediárias para urgências e emergências de baixa e média complexidade.

Dessa forma, a crítica de Rui Costa deve ser compreendida como um questionamento sobre a proporção, capacidade e participação municipal na assistência hospitalar, e não como inexistência absoluta de serviços próprios. A avaliação comparativa da rede exige observar cobertura da atenção primária, número de equipes, capacidade hospitalar, produção assistencial, tempo de espera, regulação, disponibilidade de leitos e resultados sanitários.

O ex-governador também afirmou que Salvador apresenta dificuldades em indicadores de pré-natal e cobertura da atenção básica. Esses resultados precisam ser confrontados com as bases atualizadas do Ministério da Saúde e com séries históricas comparáveis antes que posições específicas em rankings nacionais sejam apresentadas como conclusão definitiva.

Linha do tempo da regionalização e expansão da rede

  • 09/01/2017 — Hospital da Mulher: Governo da Bahia inaugura a unidade especializada em Salvador, ampliando assistência ginecológica, mastológica e oncológica.
  • 17/11/2017 — Primeira Policlínica Regional: unidade de Teixeira de Freitas inaugura o modelo posteriormente expandido pelo Estado.
  • 15/12/2017 — Hospital Regional Costa do Cacau: unidade é inaugurada em Ilhéus para reforçar a alta complexidade no Sul da Bahia.
  • 21/05/2018 — Hospital Prado Valadares: ampliação da unidade em Jequié eleva estrutura para 276 leitos.
  • 10/05/2024 — Hospital Estadual Costa das Baleias: equipamento é inaugurado em Teixeira de Freitas com 216 leitos e atendimento regional.
  • 2025 — Agora Tem Especialistas: programa federal passa a reforçar atendimento especializado; na Bahia, R$ 100 milhões são destinados às policlínicas para ampliar produção e horários.
  • 30/06/2026 — Policlínica de Camaçari: primeira policlínica construída pelo Novo PAC Saúde é inaugurada, elevando a rede baiana para 27 unidades.
  • 01/07/2026 — Hospital Estadual do Litoral Norte: presidente Lula e governador Jerônimo inauguram, em Alagoinhas, o primeiro hospital entregue pelo Novo PAC Saúde no país, com R$ 214,3 milhões de investimento e 213 leitos.
  • 2026 e próximos anos — nova fase de expansão: avançam hospitais em Serrinha, Paulo Afonso, Valença e Gandu, além de outros projetos e ampliações destinados a reforçar os polos regionais de atendimento.


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