O Governo Federal reuniu, nesta segunda-feira (24/08/2026), representantes dos nove estados do Nordeste e de municípios da região para discutir medidas de preparação e resposta diante dos possíveis impactos do El Niño em 2026 e 2027. O encontro virtual “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027” contou com mais de 400 participantes e foi coordenado pela Casa Civil.
A reunião teve como objetivo apresentar informações técnicas sobre os cenários climáticos projetados para o Nordeste e orientar gestores estaduais e municipais sobre ações preventivas, monitoramento, segurança hídrica, abastecimento de alimentos, saúde, prevenção de incêndios e mecanismos de acesso a recursos federais.
Entre os cenários considerados estão chuvas abaixo da média, elevação das temperaturas e períodos de seca. A partir dessas projeções, representantes do governo federal apresentaram instrumentos disponíveis para antecipar medidas de preparação e organizar estruturas de resposta em estados e municípios.
Segurança hídrica concentra investimentos no Nordeste
A segurança hídrica foi um dos principais temas tratados durante a reunião. De acordo com as informações apresentadas aos gestores, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê R$ 10,2 bilhões em investimentos no Nordeste, destinados a obras estruturantes nos nove estados.
O conjunto de projetos inclui 2.800 quilômetros de canais e adutoras, 2,2 milhões de metros cúbicos em novos reservatórios, recuperação de 162 barragens e implantação de 172,4 mil cisternas. As medidas têm como finalidade ampliar a infraestrutura de armazenamento, distribuição e acesso à água.
Também foram apresentados projetos relacionados ao Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). Entre as intervenções estão os ramais do Apodi e do Salgado, o Cinturão das Águas, a ampliação do bombeamento do Eixo Norte e a Adutora do Agreste. Essas obras somam R$ 4,8 bilhões e, segundo o governo, alcançam aproximadamente 12 milhões de pessoas.
Operação Carro-Pipa atende comunidades em situação de escassez
Em situações de emergência relacionadas à falta de água, a Operação Carro-Pipa permanece como um dos mecanismos utilizados para o abastecimento de comunidades atendidas pelo programa. Desde 2023, a iniciativa recebeu R$ 2,1 bilhões e atende, em média, 1,6 milhão de pessoas por mês.
O governo também apresentou as ações de monitoramento dos reservatórios e das condições meteorológicas e hidrológicas. O acompanhamento dos dados é utilizado para orientar decisões relacionadas à preparação e à resposta a períodos de seca ou outros eventos climáticos.
Atualmente, dos 354 açudes monitorados no Nordeste, 68 estão com menos de 20% da capacidade, situação que demanda acompanhamento das condições locais. O monitoramento permite identificar alterações no nível dos reservatórios e subsidiar decisões dos órgãos responsáveis pela gestão hídrica e pela proteção e defesa civil.
Monitoramento climático terá ampliação de equipamentos
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) está ampliando a instalação de equipamentos pluviométricos nos municípios nordestinos. Para essa expansão, estão previstos R$ 28 milhões em investimentos.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também está ampliando e modernizando sua rede de estações meteorológicas. Desde janeiro de 2023, foram incorporadas 162 novas estações, elevando o total para 171. A previsão apresentada é alcançar 272 estações em 2027.
A ampliação da estrutura busca aumentar a disponibilidade de informações sobre chuva, temperatura e demais condições meteorológicas. Os dados produzidos pelos órgãos oficiais são utilizados no acompanhamento dos cenários climáticos e na definição de medidas de prevenção e resposta.
Municípios recebem orientações para preparação e resposta
A Defesa Civil Nacional apresentou ainda o cronograma das Oficinas Regionais de preparação, que serão realizadas presencialmente em diferentes regiões do país. A proposta é compartilhar metodologias e orientar gestores sobre planejamento, organização das estruturas locais e resposta a emergências.
Durante a reunião, os gestores também receberam informações sobre os procedimentos para solicitar reconhecimento federal de situação de emergência ou estado de calamidade pública. O reconhecimento permite que estados e municípios solicitem apoio financeiro da União para ações de resposta e recuperação.
Em 2026, o Nordeste registrou 838 reconhecimentos relacionados a secas e estiagens e 174 relacionados a chuvas. Os pedidos de reconhecimento e de recursos federais são encaminhados por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID).
Recursos federais podem financiar resposta e recuperação
Na fase de resposta, os recursos federais podem ser empregados em socorro, assistência às vítimas e restabelecimento de serviços essenciais. Desde 2024, os recursos destinados à assistência humanitária também podem contemplar ações de acolhimento de animais domésticos resgatados durante situações de desastre.
Na etapa de recuperação, os recursos podem financiar a reconstrução de infraestrutura pública destruída ou danificada por desastres, conforme os procedimentos estabelecidos no S2ID.
A orientação aos municípios busca facilitar o conhecimento dos instrumentos federais disponíveis antes da ocorrência de situações emergenciais. A preparação inclui a organização das estruturas municipais de proteção e defesa civil, a atualização dos planos de contingência e o acompanhamento das informações produzidas pelos órgãos oficiais.
Prevenção de incêndios integra planejamento climático
A prevenção e o combate aos incêndios florestais também fizeram parte da agenda. As ações seguem as diretrizes da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo e envolvem a articulação entre União, estados e municípios.
Segundo os dados apresentados, R$ 521 milhões já foram destinados a estados e municípios para medidas de prevenção e combate a incêndios florestais. Desse total, R$ 371 milhões foram direcionados a nove estados da Amazônia Legal e R$ 150 milhões a cinco estados e ao Distrito Federal.
Os recursos podem ser utilizados para aquisição de veículos e equipamentos, estruturação de bases operacionais e capacitação de brigadas voluntárias e comunitárias. A aplicação dos recursos está relacionada ao fortalecimento das estruturas utilizadas na prevenção e no combate aos incêndios.
Área queimada no Nordeste está abaixo da média histórica
Entre 1º de janeiro e 20 de agosto de 2026, o Nordeste registrou 562.422 hectares de área queimada. Para o mesmo período entre 2012 e 2025, a média histórica foi de 1.029.446 hectares.
O volume registrado em 2026 representa uma redução de 45,37% em relação à média histórica considerada para o período. Os números integram o acompanhamento das condições ambientais e dos riscos associados à ocorrência de incêndios na região.
A apresentação dos dados aos gestores faz parte da estratégia de preparação para os cenários climáticos previstos. O monitoramento de áreas queimadas contribui para orientar ações preventivas e a mobilização de estruturas de resposta quando necessário.
Estoques de alimentos e preparação da saúde
A preparação diante dos possíveis impactos climáticos também inclui medidas relacionadas à produção e ao abastecimento de alimentos. O governo prevê ampliar os estoques públicos para 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho.
O semiárido nordestino está entre as regiões consideradas para a destinação dos estoques de milho. A medida integra o planejamento relacionado à segurança alimentar diante de possíveis efeitos de eventos climáticos sobre a produção agrícola e o abastecimento.
Na área da saúde, está prevista a implantação de oito Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) nas cinco regiões do país. Os centros deverão reunir e analisar informações sobre impactos epidemiológicos associados a eventos como ondas de calor, secas, incêndios, chuvas intensas e inundações.
União, estados e municípios articulam medidas preventivas
A reunião “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027” integra a estratégia de articulação entre União, estados e municípios para preparação diante dos cenários climáticos previstos para os próximos períodos.
As orientações apresentadas incluem a organização das estruturas municipais de proteção e defesa civil, a elaboração e atualização dos planos de contingência, o acompanhamento de informações meteorológicas e hidrológicas e a articulação permanente com os governos estaduais.
Também estão entre as medidas recomendadas a adoção de protocolos de monitoramento e mobilização, comunicação com a população e estabelecimento de salas de situação. A proposta é ampliar a capacidade de antecipação e resposta dos municípios diante de situações de emergência.
A iniciativa federal busca, portanto, integrar informações técnicas e instrumentos administrativos e financeiros antes da ocorrência de eventos climáticos. Para o Nordeste, a preparação envolve principalmente o acompanhamento de seca, disponibilidade hídrica, temperaturas, incêndios, abastecimento, saúde e possíveis ocorrências associadas a chuvas intensas, com participação coordenada dos diferentes níveis de governo.








Deixe um comentário