A Prefeitura de Feira de Santana formalizou, nesta segunda-feira (17/08/2026), o início da implantação do Hospital Municipal, na Avenida Maria Quitéria, bairro São João, onde funcionou durante décadas a Associação de Proteção à Infância (API). O projeto prevê 110 leitos, atendimento exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), UTI adulta, centro cirúrgico, leitos de saúde mental e parque de diagnóstico por imagem. A unidade será implantada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) de 22 anos, adjudicada à Concessionária Hospital de Feira de Santana SPE S.A., com valor global homologado de R$ 1.580.928.000. O cronograma apresentado pelos responsáveis pelo empreendimento estabelece 20 meses para a construção, após a etapa de projetos, com perspectiva de entrada em funcionamento até 2028.
Ordem de serviço leva projeto à fase de implantação
A solenidade reuniu o prefeito José Ronaldo de Carvalho, o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, o presidente da Câmara Municipal, Marcos Lima, integrantes do governo, representantes das empresas responsáveis pela PPP e lideranças políticas.
A assinatura marca a passagem de um empreendimento que percorreu etapas de estudos técnicos, audiência pública, modelagem econômico-financeira, edital, leilão realizado na B3, análise de habilitação, recursos administrativos, adjudicação e homologação para a fase de implantação física.
Na manhã desta segunda-feira também começaram os serviços de demolição das estruturas da antiga Associação de Proteção à Infância, no terreno que receberá o hospital. A Prefeitura informa área construída de aproximadamente 13,8 mil metros quadrados. A configuração divulgada na modelagem registra 13.875 m².
José Ronaldo classificou o empreendimento entre os projetos de maior significado de sua trajetória administrativa e afirmou que o hospital representa o cumprimento de um compromisso assumido com a população.
“Essa é uma das obras mais importantes da história de Feira de Santana. Estamos entregando à população um hospital que vai elevar o padrão de atendimento da nossa cidade e de toda a região, com um modelo de contratação moderno, transparente e que já é referência no país.”
A Prefeitura apresenta o empreendimento como o maior investimento já realizado pelo Município na área da Saúde. A caracterização deve ser compreendida como posição institucional da administração municipal; o conteúdo disponibilizado não apresenta uma comparação financeira exaustiva com todos os investimentos anteriores da rede para aferição independente dessa classificação.
Hospital terá 110 leitos, UTI, saúde mental e diagnóstico por imagem
A estrutura assistencial anunciada prevê 110 leitos hospitalares, sendo 100 especializados e 10 destinados à Unidade de Terapia Intensiva adulta. Entre os serviços planejados estão internações de retaguarda, procedimentos cirúrgicos, ambulatórios e exames de maior complexidade.
Rodrigo Matos anunciou ainda 20 leitos destinados à saúde mental, integrados à estrutura hospitalar. Pelo material apresentado, esses leitos fazem parte da configuração assistencial anunciada para a unidade e não devem ser adicionados aos 110 como capacidade suplementar sem confirmação contratual.
“A ideia é promover inclusão e garantir que o paciente de saúde mental seja tratado de forma digna, dentro de uma estrutura hospitalar completa. Teremos 20 leitos de saúde mental para cuidar das pessoas na sua integralidade, respeitando os princípios do SUS”, afirmou o secretário.
O parque de bioimagem deverá reunir equipamentos para tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassonografia e ecocardiografia. Também estão previstos ambulatórios, espaços para formação profissional, ensino, pesquisa e capacitação.
A comunicação da Prefeitura divulgada em 17/08/2026 informa quatro salas cirúrgicas de grande porte, voltadas, entre outros procedimentos, à ortopedia e à cirurgia geral.
Hospital funcionará pelo SUS e assistência continuará pública
Apesar da utilização de uma parceria público-privada para implantação e operação da infraestrutura, a assistência médico-hospitalar permanecerá sob responsabilidade do Município.
O modelo contratual atribui ao parceiro privado a construção, equipagem, manutenção e execução dos serviços não assistenciais, enquanto médicos, enfermeiros, demais profissionais de assistência, regulação de pacientes, protocolos clínicos e definição das políticas públicas de saúde permanecerão no âmbito municipal.
Entre as atividades de apoio associadas à concessionária estão funções relacionadas à infraestrutura, manutenção, segurança, lavanderia, logística e outros serviços necessários ao funcionamento físico do complexo.
Essa divisão é relevante porque a conclusão da obra civil e a instalação dos equipamentos não serão suficientes, isoladamente, para colocar o hospital em funcionamento. A Prefeitura precisará estruturar quadro assistencial, regulação, protocolos, financiamento das atividades médicas e integração da nova unidade aos demais equipamentos municipais.
Unidade será hospital regulado, e não nova porta de emergência
A configuração apresentada para o Hospital Municipal estabelece prioridade para pacientes encaminhados pela rede de saúde, em vez da adoção de um modelo irrestrito de porta aberta para urgências e emergências.
Informações anteriores do projeto indicam funcionamento em regime de “porta fechada”, com internações, cirurgias, diagnósticos e demais procedimentos acessados por meio da regulação. As UPAs e policlínicas municipais deverão continuar como portas iniciais para ocorrências de urgência e emergência.
A definição permite compreender a função do hospital dentro da rede: ampliar principalmente a capacidade de internação, retaguarda clínica, cirurgias eletivas, ortopedia, exames de maior complexidade e outros procedimentos que dependem de estrutura hospitalar.
Rodrigo Matos afirmou que o planejamento considerou dados epidemiológicos e necessidades identificadas na rede municipal.
“A unidade deverá ampliar a capacidade assistencial de Feira de Santana, fortalecer a rede própria e oferecer uma nova estrutura para o atendimento da população. É um dos maiores projetos estruturantes da história da saúde pública municipal e uma entrega que vai resultar positivamente nos indicadores de saúde.”
Localização central é defendida com base no acesso pelo SUS
O novo hospital ocupará uma área da antiga API na Avenida Maria Quitéria, em posição central dentro da malha urbana de Feira de Santana.
Segundo Rodrigo Matos, a escolha buscou facilitar o acesso tanto dos moradores da sede quanto de pacientes provenientes dos distritos. O secretário relacionou a decisão aos princípios de equidade, universalidade e integralidade do SUS.
“Esse hospital estará no centro da cidade para garantir que as pessoas que não têm condições de ter um plano de saúde também tenham acesso a um serviço de qualidade, em uma localização de fácil acesso. Isso é pensar de forma técnica e responsável. Existe um princípio fundamental do SUS, que é a equidade: dar mais a quem precisa mais, garantindo, assim, a universalidade e a integralidade do atendimento.”
O secretário argumentou ainda que o projeto foi concebido para atender às demandas da cidade nas próximas décadas e reduzir dificuldades relacionadas à necessidade de encaminhamento de pacientes para serviços de maior complexidade.
PPP tem prazo de 22 anos e valor global homologado de R$ 1,58 bilhão
A Licitação nº 14-2026-11L — Concorrência Presencial nº 14-2026-CP foi adjudicada e homologada em 12/08/2026 em favor da Concessionária Hospital de Feira de Santana SPE S.A.
O ato publicado pelo Município estabelece como objeto a concessão administrativa para construção e operação dos serviços não assistenciais do Hospital de Feira de Santana, além de outros investimentos e serviços necessários à implantação e ao funcionamento. O valor homologado é de R$ 1.580.928.000.
A estruturação oficial da PPP estabelece prazo de 22 anos, período que abrange não apenas a construção, mas a relação contratual de longo prazo e as obrigações assumidas pela concessionária. Documentos e comunicações municipais publicados desde a fase de audiência pública mantêm essa duração.
Por essa razão, o valor de R$ 1,58 bilhão não corresponde ao custo isolado da construção do prédio. Trata-se do valor global homologado para uma concessão administrativa de longo prazo, envolvendo implantação, infraestrutura, serviços não assistenciais, manutenção e demais responsabilidades previstas contratualmente.
Valores divulgados sobre investimento precisam ser diferenciados
Os diferentes números apresentados durante a estruturação do hospital correspondem a etapas e conceitos distintos — e parte deles ainda precisa ser reconciliada documentalmente.
Na comunicação divulgada pela Prefeitura em 17/08/2026, o contrato é apresentado com R$ 130 milhões destinados à construção e outros R$ 40 milhões à aquisição de equipamentos, totalizando R$ 170 milhões nesses dois componentes.
Em fases anteriores, entretanto, foram divulgadas outras referências. Na audiência pública de dezembro de 2025, a estimativa era de aproximadamente R$ 154 milhões. Posteriormente, durante a preparação do edital, passaram a ser anunciados investimentos superiores a R$ 260 milhões. O material consolidado do projeto registra investimento inicial estimado em R$ 286 milhões.
Consórcio inicialmente vencedor da B3 foi inabilitado
Outra distinção necessária diz respeito à proposta de aproximadamente R$ 6,287 milhões, apresentada durante o leilão realizado na B3 em 15/05/2026.
Naquela data, o Consórcio Saúde Feira de Santana ficou inicialmente em primeiro lugar, com proposta de aproximadamente R$ 6,287 milhões e deságio de 19,8%. A B3 registrou publicamente o grupo como vencedor do leilão naquele estágio do procedimento.
A classificação, entretanto, não se converteu na adjudicação definitiva. Em 09/06/2026, a Comissão Especial de Licitação informou ter identificado inconsistências e irregularidades na documentação de habilitação apresentada pelo primeiro colocado. Segundo a comunicação oficial citada no material, as questões impediram o reconhecimento do cumprimento integral das exigências do edital.
Após a tramitação dos recursos administrativos, Rodrigo Matos ratificou, em 28/07/2026, a decisão que manteve a inabilitação e declarou habilitado e vencedor o Consórcio Hospital Feira de Santana, segundo colocado no certame. O grupo reúne a Metro Engenharia e Consultoria e a SM Assessoria Empresarial e Gestão Hospitalar. Posteriormente, as empresas passaram a integrar a Concessionária Hospital de Feira de Santana SPE S.A., à qual o Município adjudicou definitivamente a concessão.
Empresas apresentam experiência no setor hospitalar
O diretor da Metro Engenharia e Consultoria, Mauro de Oliveira Prates, afirmou que a empresa ficará diretamente vinculada à construção do complexo e citou experiências anteriores em projetos hospitalares.
Segundo Prates, o grupo participou de obras de unidades em Alagoinhas, Valença e Paulo Afonso, do anexo do Hospital Geral Clériston Andrade, em Feira de Santana, e do Hospital Couto Maia, em Salvador.
Marcelo Mariani Andrade, diretor da SM Assessoria Empresarial e Gestão Hospitalar, declarou que a empresa possui cerca de 30 anos de experiência na operação hospitalar e afirmou que o grupo pretende entregar o padrão previsto no projeto.
“Vamos entregar um serviço de excelência”, afirmou o representante da operadora.
Cronograma prevê projetos e 20 meses de construção
Mauro Prates informou que o cronograma considerado pelo consórcio contempla quatro meses para desenvolvimento dos projetos e 20 meses para construção do prédio, formando horizonte aproximado de dois anos até as etapas necessárias à entrada em operação.
José Ronaldo também mencionou 20 meses de obra. A Prefeitura projeta que o hospital esteja concluído e em funcionamento até 2028.
José Ronaldo anuncia homenagem a Gislene Pimentel
Durante a solenidade, José Ronaldo anunciou a intenção de denominar o futuro equipamento em homenagem à empresária Gislene Neves Gomes, conhecida como Gislene Pimentel.
Segundo o prefeito, a família de Gislene está relacionada à doação do terreno onde funcionou a antiga Associação de Proteção à Infância, e a homenagem pretende reconhecer sua atuação social em Feira de Santana.
“Esse hospital prestará homenagem a Gislene Pimentel por todo o serviço social que ela prestou em nossa cidade. É uma forma de expressar nossa gratidão e reconhecimento a ela e à sua família, que doou este terreno ao Município”, declarou José Ronaldo.
Câmara Municipal acompanhará execução da parceria
O presidente da Câmara Municipal, Marcos Lima, destacou que o Legislativo participou da estruturação institucional do empreendimento ao deliberar sobre a autorização necessária à parceria público-privada.
Segundo o vereador, a implantação de um hospital municipal responde a uma demanda acumulada por internação e acesso à regulação. Marcos Lima afirmou que caberá também ao Legislativo exercer suas funções de fiscalização ao longo da execução contratual.
A extensão de 22 anos da concessão amplia a relevância desse acompanhamento. Além da fase de obras, a fiscalização alcançará manutenção da infraestrutura, serviços não assistenciais, indicadores de desempenho e obrigações financeiras assumidas durante sucessivas administrações municipais.
Impactos esperados dependem da implantação integral da unidade
No campo assistencial, a principal consequência projetada é o aumento da capacidade própria do Município para internações, cirurgias, atenção de média e alta complexidade e exames de imagem.
Rodrigo Matos argumentou que parte dessas demandas atualmente pode exigir encaminhamentos e deslocamentos para outras unidades. A nova estrutura deverá ampliar a oferta municipal de leitos de retaguarda e proporcionar maior capacidade de resolução dentro da própria rede.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Dezembro de 2025 — Durante a fase de audiência pública da PPP, o Município apresenta estimativa de aproximadamente R$ 154 milhões para investimento e estrutura a concessão com prazo de 22 anos. O processo inaugura a discussão pública formal sobre a modelagem.
- Março de 2026 — Com o avanço para a fase do edital, a Prefeitura passa a divulgar investimentos superiores a R$ 260 milhões, mantendo a previsão de 110 leitos e a concessão administrativa de longo prazo.
- 15/05/2026 — A B3, em São Paulo, realiza o leilão da PPP. O Consórcio Saúde Feira de Santana ocupa inicialmente o primeiro lugar, com proposta de aproximadamente R$ 6,287 milhões e deságio de 19,8%.
- 09/06/2026 — A Comissão Especial de Licitação informa ter identificado inconsistências e irregularidades na documentação do primeiro colocado e decide pela sua inabilitação, assegurando a tramitação dos recursos administrativos.
- 28/07/2026 — O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, ratifica a manutenção da inabilitação e declara habilitado e vencedor o Consórcio Hospital Feira de Santana, formado por Metro Engenharia e SM Assessoria Empresarial e Gestão Hospitalar.
- 12/08/2026 — O Município adjudica e homologa a Licitação nº 14-2026-11L — Concorrência Presencial nº 14-2026-CP em favor da Concessionária Hospital de Feira de Santana SPE S.A., pelo valor global de R$ 1.580.928.000.
- 17/08/2026 — José Ronaldo e Rodrigo Matos formalizam o início da implantação do Hospital Municipal. Começa a demolição das antigas instalações da API, são reiterados os 110 leitos, a previsão de 20 meses de construção, os 20 leitos de saúde mental e a intenção de denominar o equipamento em homenagem a Gislene Pimentel.









Deixe um comentário