A Prefeitura de Feira de Santana realizou, nesta segunda-feira (17/08/2026), a solenidade de assinatura da ordem de serviço para a construção do novo Hospital Municipal, na Avenida Maria Quitéria, bairro São João, dando início à fase de implantação de uma das maiores intervenções já executadas pelo Município na área da saúde. Sob a liderança do prefeito José Ronaldo de Carvalho, o projeto prevê 110 leitos, investimento inicial estimado em R$ 286 milhões e uma Parceria Público-Privada (PPP) cujo valor global homologado alcança R$ 1.580.928.000. A concessão foi atribuída à Concessionária Hospital de Feira de Santana SPE S.A., constituída a partir do consórcio formado pela Metro Engenharia e Consultoria e pela SM Assessoria Empresarial e Gestão Hospitalar.
José Ronaldo destaca significado pessoal e político do projeto
Durante a solenidade, José Ronaldo fez um discurso extenso sobre sua trajetória pessoal, administrativa e política, associando a construção do Hospital Municipal a projetos executados em diferentes períodos de seus mandatos e ao compromisso assumido com a ampliação da rede de saúde.
“Aqui hoje é um dia especial na minha vida.”
A afirmação sintetizou o tom adotado pelo prefeito ao apresentar o Hospital Municipal como um projeto de especial significado em sua trajetória. Em outra passagem, José Ronaldo afirmou que a administração municipal procura enfrentar os problemas identificados na rede e relacionou o hospital a ações já executadas ou planejadas para diagnóstico, internação e assistência especializada.
O prefeito também destacou o processo de estruturação da PPP e a realização do leilão na B3, em São Paulo. Segundo ele, a opção buscou conferir segurança institucional à seleção do parceiro privado. A B3 efetivamente realizou o leilão da concessão em 15/05/2026.
José Ronaldo defendeu ainda a capacidade técnica das empresas que assumiram o projeto, ressaltando a necessidade de experiência específica para construção, manutenção e operação da infraestrutura de uma unidade hospitalar.
Hospital será nomeado Gislene Pimentel
Outro anúncio feito pelo prefeito durante o evento foi a intenção de denominar o futuro hospital em homenagem a empresária Gislene Neves Gomes, conhecida Gislene Pimentel. Segundo relato de José Ronaldo, a área onde o equipamento será construído foi doada ao Município pela família da empresária, que atuou junto à antiga Associação de Proteção à Infância. O prefeito atribuiu a Gislene Pimentel uma trajetória de atuação social em Feira de Santana e disse que a homenagem representa reconhecimento por essa contribuição.
Vereador Marcos Lima destaca participação da Câmara na autorização da PPP
O presidente da Câmara Municipal, vereador Marcos Lima, afirmou na solenidade que o Legislativo participou da estruturação institucional do projeto ao analisar e autorizar a adoção do modelo de parceria público-privada.
Segundo Marcos Lima, a construção de um hospital municipal responde a uma demanda acumulada por internação hospitalar e acesso à regulação. O vereador atribuiu à Câmara a responsabilidade de fiscalizar, legislar e participar das decisões necessárias à implantação do equipamento.
Prazo indicado é de quatro meses para projetos e 20 meses de construção
O diretor da Metro Engenharia e Consultoria, Mauro de Oliveira Prates, informou durante a solenidade que o cronograma considerado pelo consórcio prevê quatro meses de projeto e 20 meses para construção do prédio, completando aproximadamente dois anos até a etapa prevista para entrada em operação.
José Ronaldo, ao encerrar sua manifestação, também mencionou 20 meses de obra. O cumprimento do prazo, entretanto, dependerá da evolução dos projetos executivos, licenças, mobilização do canteiro, execução física, instalação dos equipamentos, testes e demais etapas contratuais. O prazo deve, portanto, ser acompanhado a partir dos marcos formais estabelecidos pela concessão.
Prates afirmou que a Metro ficará diretamente ligada à construção, enquanto a SM Assessoria Empresarial e Gestão Hospitalar atuará na operação hospitalar vinculada às responsabilidades da concessionária. Ele citou obras e experiências anteriores do grupo no setor hospitalar como demonstração de capacidade técnica; essas referências foram apresentadas pelo próprio representante empresarial durante o evento.
Já Marcelo Mariani Andrade, diretor da SM, declarou que a empresa atua há cerca de 30 anos na operação de hospitais e afirmou que o grupo buscará cumprir os padrões previstos no projeto de Feira de Santana. Trata-se de declaração da própria empresa durante a solenidade.
Ordem de serviço leva Hospital Municipal da fase de planejamento para a execução
A assinatura representa a passagem de um projeto iniciado ainda em 2025, submetido a estudos técnicos, audiência pública, modelagem de PPP, edital, leilão na B3, recursos administrativos e homologação, para a fase efetiva de implantação da unidade.
O Diário Oficial do Município registrou em 12/08/2026 a adjudicação e homologação da Licitação nº 14-2026-11L — Concorrência Presencial nº 14-2026-CP em favor da Concessionária Hospital de Feira de Santana SPE S.A. O objeto abrange a construção do hospital, a operação dos serviços não assistenciais e outros investimentos necessários ao funcionamento. O valor homologado foi de R$ 1.580.928.000.
A concessão administrativa foi estruturada com prazo de 22 anos. O parceiro privado ficará encarregado da infraestrutura e dos serviços de apoio previstos contratualmente, enquanto a prestação médico-assistencial continuará sob responsabilidade do poder público municipal.
Hospital ficará na Avenida Maria Quitéria, em área da antiga API
A nova unidade será construída em uma área localizada na Avenida Maria Quitéria, no trecho do bairro São João onde funcionou a antiga Associação de Proteção à Infância (API). A localização é central em relação à malha urbana e foi defendida pela administração municipal como forma de facilitar o deslocamento dos pacientes regulados.
Na configuração divulgada quando do lançamento do edital, o projeto passou a considerar 13.875 metros quadrados, com estrutura hospitalar voltada à média e alta complexidade. A Prefeitura também informou que o terreno possui possibilidade de acesso por diferentes vias, característica apontada durante a definição da localização do empreendimento.
O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, afirmou durante a solenidade que a posição central foi uma decisão deliberada. Segundo ele, o princípio de equidade do Sistema Único de Saúde exige que a população dependente do SUS também disponha de equipamentos de maior complexidade em áreas acessíveis da cidade.
O secretário citou, como exemplo, um morador do distrito de Jaguara que necessite deslocar-se para uma cirurgia ortopédica, argumentando que a localização deve facilitar a chegada dos pacientes encaminhados ao futuro hospital.
Infraestrutura prevê 110 leitos, UTI, centro cirúrgico e bioimagem
O projeto divulgado pela administração municipal estabelece capacidade total de 110 leitos, dos quais 100 serão especializados e 10 destinados à Unidade de Terapia Intensiva adulta. A unidade será integralmente vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A estrutura física e assistencial anunciada inclui centro cirúrgico com duas salas amplas, ambulatórios e uma sala de treinamento para até 80 pessoas. O hospital deverá atender pacientes de média e alta complexidade encaminhados pela rede municipal.
Entre os principais componentes previstos estão:
- 110 leitos hospitalares;
- 10 leitos de UTI adulta;
- 20 leitos destinados à saúde mental, conforme anunciado por Rodrigo Matos na solenidade;
- centro cirúrgico com duas salas;
- realização de cirurgias eletivas;
- leitos de retaguarda para internação clínica;
- possibilidade de realização de cirurgias ortopédicas, segundo a explicação apresentada pelo secretário;
- parque de bioimagem;
- tomografia computadorizada;
- ressonância magnética;
- ultrassonografia;
- ecocardiografia, incluída nas apresentações técnicas anteriores;
- ambulatórios e espaços de treinamento profissional.
A inclusão de 20 leitos de saúde mental ganhou destaque na manifestação de Rodrigo Matos. O secretário sustentou que a política de inclusão dos pacientes com transtornos mentais precisa resultar em capacidade hospitalar concreta e não apenas em declarações programáticas.
PPP separa infraestrutura privada da assistência médica pública
O modelo adotado é uma PPP administrativa de natureza predominantemente não assistencial. A concessionária assume construção, equipagem, manutenção e serviços de apoio, enquanto médicos, enfermeiros, demais profissionais assistenciais, regulação dos pacientes e decisões clínicas permanecem no âmbito público. O edital e a homologação definem expressamente como objeto a construção e a operação dos serviços não assistenciais.
Entre as atividades privadas de apoio divulgadas durante a estruturação da concessão estão manutenção da infraestrutura, segurança, lavanderia, logística e outras funções necessárias à operação física do hospital.
Essa divisão de responsabilidades significa que a conclusão do prédio e a entrega de equipamentos, por si só, não encerram o processo de implantação. Caberá ao Município organizar profissionais, protocolos, regulação, financiamento assistencial e integração do equipamento à rede do SUS.
Investimento da obra e contrato da concessão são valores distintos
Os números divulgados ao longo da modelagem exigem diferenciação. Na fase inicial de audiência pública, em dezembro de 2025, o Município apresentou estimativa de investimento da ordem de R$ 154 milhões.
Quando o edital foi divulgado, em março de 2026, a Prefeitura passou a informar investimentos superiores a R$ 260 milhões para construção e implantação.
O investimento inicial é estimado em R$ 286 milhões. Já os R$ 1.580.928.000 correspondem ao valor global homologado da concessão e não devem ser interpretados como custo exclusivo da construção do prédio.
A distinção é central para a compreensão econômica da PPP: um valor está associado ao investimento inicial de implantação; o outro abrange a relação contratual de longo prazo, com serviços, manutenção e demais obrigações da concessionária.
Unidade será regulada e não substituirá UPAs e policlínicas na urgência
O Hospital Municipal foi projetado principalmente para receber pacientes encaminhados pela rede, e não para funcionar como porta aberta de urgência e emergência. José Ronaldo já havia informado que o equipamento funcionará em modelo de “porta fechada”, com atendimento de pacientes regulados. As ocorrências de urgência e emergência deverão continuar sendo recebidas inicialmente pelas UPAs e policlínicas municipais.
Essa característica ajuda a definir a função da nova unidade dentro da rede: absorver internações, procedimentos cirúrgicos, diagnósticos de maior complexidade e demandas encaminhadas pelos serviços municipais, evitando sobreposição integral com os equipamentos de pronto atendimento.
O projeto oficial também prevê cirurgias eletivas e leitos de retaguarda para pacientes que necessitem de internação clínica, além do parque de diagnóstico por imagem.
Primeiro colocado na B3 foi inabilitado após análise documental
O processo licitatório passou por uma mudança relevante depois do leilão realizado na B3 em 15/05/2026. Na ocasião, o Consórcio Saúde Feira de Santana ficou em primeiro lugar ao apresentar proposta de aproximadamente R$ 6,287 milhões, com deságio de 19,8%.
Em 09/06/2026, entretanto, a Comissão Especial de Licitação informou ter identificado inconsistências e irregularidades na documentação de habilitação do grupo. Segundo a nota oficial, os problemas impediram o reconhecimento do cumprimento integral das exigências do edital, levando à inabilitação do primeiro colocado.
A administração assegurou a possibilidade de recursos administrativos e contraditório. Depois da tramitação, o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, ratificou em 28/07/2026 a decisão que manteve a inabilitação e declarou habilitado e vencedor o Consórcio Hospital Feira de Santana, segundo colocado no certame.
O grupo é formado pela Metro Engenharia e Consultoria e pela SM Assessoria Empresarial e Gestão Hospitalar, posteriormente reunidas na Concessionária Hospital de Feira de Santana SPE S.A., empresa que recebeu a adjudicação definitiva.
A homologação foi formalizada em 12/08/2026, pelo valor de R$ 1.580.928.000, e publicada no Diário Oficial.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 15/04/2025 — José Ronaldo anuncia a escolha da área da antiga Associação de Proteção à Infância, na Avenida Maria Quitéria, para sediar o Hospital Municipal. A decisão inaugura a etapa de estruturação física do projeto.
- 19/12/2025 — Prefeitura realiza audiência pública para apresentar e discutir a PPP. Naquele estágio, o projeto previa 110 leitos, concessão de 22 anos e investimento estimado em cerca de R$ 154 milhões.
- 10/03/2026 — Administração anuncia o edital da PPP e detalha uma estrutura de 13.875 m², 110 leitos, 10 leitos de UTI, duas salas cirúrgicas e parque de bioimagem.
- 15/05/2026 — Leilão é realizado na B3. O Consórcio Saúde Feira de Santana fica inicialmente em primeiro lugar com proposta de R$ 6,287 milhões e deságio de 19,8%.
- 09/06/2026 — Comissão Especial de Licitação inabilita o primeiro colocado após apontar inconsistências e irregularidades na documentação apresentada.
- 28/07/2026 — Secretaria Municipal de Saúde mantém a inabilitação após recurso e declara vencedor o Consórcio Hospital Feira de Santana.
- 12/08/2026 — Licitação é adjudicada e homologada em favor da Concessionária Hospital de Feira de Santana SPE S.A., pelo valor global de R$ 1.580.928.000.
- 17/08/2026 — José Ronaldo assina a ordem de serviço para implantação do Hospital Municipal. Na solenidade, são destacados 110 leitos, os serviços projetados, o prazo de construção e a intenção de homenagear Gislene Pimentel na denominação da unidade.









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