Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, divulgados na quarta-feira (05/08/2026) pelo Ministério da Educação, colocam Vitória da Conquista na liderança das dez cidades mais populosas da Bahia nas duas etapas do ensino fundamental. A rede municipal obteve 6,1 nos anos iniciais, do 1º ao 5º ano, e 4,9 nos anos finais, do 6º ao 9º ano.
Em comparação com 2023, o município avançou 0,5 ponto nos anos iniciais, quando havia registrado 5,6, e 0,8 ponto nos anos finais, que tinham nota 4,1. A análise das planilhas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostra que a evolução ocorreu tanto na aprendizagem medida pelo Saeb quanto nas taxas de aprovação — aspecto importante porque afasta a interpretação de que o crescimento teria sido provocado apenas pelo aumento do fluxo escolar. Os dados estão disponíveis nas planilhas oficiais do Ideb 2025.
A posição de destaque entre os grandes centros, entretanto, não significa liderança absoluta na Bahia. Consideradas todas as redes municipais com resultado divulgado, Vitória da Conquista ocupa a 47ª posição nos anos iniciais e a 54ª nos anos finais. O contraste revela duas realidades: o desempenho conquistense é o mais elevado entre as maiores estruturas urbanas do estado, mas ainda existe distância significativa em relação aos municípios que lideram o ranking estadual.
Vitória da Conquista lidera as dez maiores cidades nos anos iniciais
O recorte populacional foi estabelecido com base na estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para 1º de julho de 2025. As dez cidades mais populosas da Bahia são Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari, Juazeiro, Lauro de Freitas, Itabuna, Ilhéus, Porto Seguro e Barreiras. A seleção utiliza a estimativa municipal oficial do IBGE.
Nos anos iniciais, Vitória da Conquista foi a única das dez maiores cidades a superar a marca de 6,0. A nota 6,1 deixou o município 0,4 ponto à frente de Barreiras, segunda colocada, com 5,7, e 0,5 ponto acima de Salvador, que registrou 5,6.
O ranking do Ideb 2025 nos anos iniciais do ensino fundamental ficou assim:
- Vitória da Conquista — população estimada de 396.613 habitantes; Ideb passou de 5,6, em 2023, para 6,1, em 2025; avanço de 0,5 ponto.
- Barreiras — população de 171.634 habitantes; Ideb passou de 4,9 para 5,7; crescimento de 0,8 ponto.
- Salvador — população de 2.564.204 habitantes; Ideb passou de 5,3 para 5,6; alta de 0,3 ponto.
- Juazeiro — população de 256.122 habitantes; Ideb passou de 5,3 para 5,5; avanço de 0,2 ponto.
- Camaçari — população de 321.636 habitantes; Ideb passou de 5,1 para 5,3; crescimento de 0,2 ponto.
- Porto Seguro — população de 182.630 habitantes; Ideb passou de 5,1 para 5,3; avanço de 0,2 ponto.
- Feira de Santana — população de 660.806 habitantes; Ideb passou de 4,4 para 4,9; crescimento de 0,5 ponto.
- Itabuna — população de 196.344 habitantes; Ideb passou de 4,3 para 4,8; alta de 0,5 ponto.
- Lauro de Freitas — população de 219.564 habitantes; Ideb passou de 4,6 para 4,8; crescimento de 0,2 ponto.
- Ilhéus — população de 189.149 habitantes; Ideb passou de 4,1 para 4,6; avanço de 0,5 ponto.
Todas as dez maiores cidades avançaram nessa etapa. Barreiras apresentou o maior crescimento absoluto, de 0,8 ponto, mas permaneceu atrás de Vitória da Conquista. A média simples do grupo passou de 4,87 para 5,26, crescimento aproximado de 0,4 ponto.
Liderança também é mantida nos anos finais
Nos anos finais, o desempenho geral foi mais baixo, fenômeno observado em praticamente todo o país. Ainda assim, Vitória da Conquista voltou a liderar o grupo, com 4,9, apenas 0,1 ponto acima de Barreiras, que alcançou 4,8.
A vantagem conquistense nessa etapa é, portanto, mais estreita. O crescimento de 0,8 ponto, contudo, foi expressivo: o município saiu de 4,1 para 4,9 e apresentou a maior evolução entre as dez cidades, ao lado de Barreiras, que avançou 0,7 ponto.
Liderança também é mantida nos anos finais
O ranking das dez cidades mais populosas nos anos finais do ensino fundamental apresentou a seguinte configuração:
- Vitória da Conquista — Ideb passou de 4,1, em 2023, para 4,9, em 2025; crescimento de 0,8 ponto.
- Barreiras — Ideb passou de 4,1 para 4,8; avanço de 0,7 ponto.
- Salvador — Ideb passou de 4,2 para 4,5; crescimento de 0,3 ponto.
- Porto Seguro — Ideb passou de 4,2 para 4,3; alta de 0,1 ponto.
- Juazeiro — Ideb recuou de 4,3 para 4,2; queda de 0,1 ponto.
- Camaçari — Ideb passou de 4,0 para 4,1; crescimento de 0,1 ponto.
- Ilhéus — Ideb passou de 3,8 para 3,9; avanço de 0,1 ponto.
- Feira de Santana — Ideb passou de 3,5 para 3,7; crescimento de 0,2 ponto.
- Itabuna — Ideb passou de 3,3 para 3,7; alta de 0,4 ponto.
- Lauro de Freitas — Ideb recuou de 3,6 para 3,4; queda de 0,2 ponto.
Oito dos dez municípios melhoraram. As exceções foram Juazeiro, que caiu de 4,3 para 4,2, e Lauro de Freitas, que recuou de 3,6 para 3,4. A média simples do grupo aumentou de 3,89 para 4,15.
Aprendizagem e aprovação avançam simultaneamente
O Ideb resulta da multiplicação de dois componentes: o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Saeb e o indicador de rendimento, calculado a partir das taxas de aprovação. Por isso, uma nota elevada exige, simultaneamente, aprendizagem e progressão escolar adequada.
Nos anos iniciais de Vitória da Conquista, a nota padronizada do Saeb subiu de 6,02 para 6,27. Em Matemática, o resultado avançou de 220,15 para 226,91 pontos; em Língua Portuguesa, passou de 211,86 para 218,49 pontos. O indicador de rendimento aumentou de 0,929 para 0,971, enquanto a aprovação geral da etapa passou de 93% para 97%.
Nos anos finais, a evolução foi ainda mais acentuada. A nota padronizada de aprendizagem cresceu de 4,94 para 5,32. Matemática avançou de 245,31 para 258,66 pontos, alta de 13,35 pontos, e Língua Portuguesa passou de 250,86 para 260,80, crescimento de 9,94 pontos. Paralelamente, o indicador de rendimento subiu de 0,833 para 0,923, com a aprovação geral aumentando de 82,8% para 92%.
Os números confirmam que o avanço não decorreu exclusivamente da aprovação de mais estudantes. Houve melhoria mensurável no desempenho acadêmico. Nos anos finais, porém, o componente do fluxo escolar cresceu mais rapidamente do que a aprendizagem, o que recomenda atenção permanente à consolidação dos conhecimentos de Português e Matemática.
Posição estadual exige leitura diferente
Na comparação estadual, a rede municipal de Vitória da Conquista ficou na 47ª posição nos anos iniciais, entre 416 municípios baianos com nota publicada. Paramirim foi o único município sem resultado municipal divulgado nessa etapa.
A colocação é compartilhada com Barro Alto, Cristópolis, Ibiassucê, Ituaçu, Jiquiriçá, Marcionílio Souza, Tremedal e Urandi, todos com 6,1. Isso significa que somente 46 redes municipais apresentaram nota superior. Em um ranking com empates, Vitória da Conquista está na faixa dos aproximadamente 11% melhores resultados do estado.
Nos anos finais, a nota 4,9 corresponde à 54ª posição, compartilhada por 14 municípios. Apenas 53 redes municipais tiveram resultado superior. Cinco cidades — Alcobaça, Cipó, Ibirapitanga, Lençóis e Ouriçangas — não apresentaram nota municipal nessa etapa, reduzindo o universo comparável para 412 municípios.
Em 2023, utilizando o mesmo critério — notas iguais recebem a mesma posição — Vitória da Conquista estava na 57ª colocação nos anos iniciais e na 139ª nos anos finais. O município avançou dez posições na primeira etapa e 85 na segunda. Mais relevante do que a mudança ordinal é a redução do número de redes com desempenho superior: de 56 para 46 nos anos iniciais e de 138 para 53 nos finais.
Pequenos municípios permanecem na dianteira estadual
O maior Ideb municipal da Bahia nos anos iniciais foi registrado por Itatim, com 8,6. Na sequência aparecem Licínio de Almeida e Malhada de Pedras, ambas com 7,9, e Novo Horizonte, com 7,6. A diferença entre Itatim e Vitória da Conquista chega a 2,5 pontos.
Nos anos finais, Licínio de Almeida e Malhada de Pedras lideraram com 6,6, seguidos por Adustina, com 6,2, e Jacaraci, com 6,0. Vitória da Conquista está 1,7 ponto abaixo das duas primeiras colocadas.
A comparação exige cautela. Redes menores podem concentrar seus estudantes em um número reduzido de escolas e apresentar maior oscilação de uma edição para outra. Grandes municípios administram sistemas mais complexos, marcados por diferenças territoriais, sociais e pedagógicas. Isso não diminui o mérito dos líderes estaduais, mas impede que tamanho populacional, estrutura da rede e resultado educacional sejam tratados como variáveis equivalentes.
Liderança depende do recorte adotado
A afirmação de que Vitória da Conquista ocupa o primeiro lugar precisa informar qual grupo está sendo considerado:
- Entre as dez cidades mais populosas, Vitória da Conquista é a primeira nos anos iniciais e finais.
- Entre os 13 municípios com mais de 150 mil habitantes, também lidera as duas etapas.
- Entre as 18 cidades baianas com mais de 100 mil habitantes, lidera os anos iniciais, mas fica em segundo lugar nos anos finais, atrás de Paulo Afonso, que obteve 5,3.
- Entre todas as redes municipais com resultado publicado, ocupa a 47ª posição nos anos iniciais e a 54ª nos anos finais.
Essa distinção é indispensável para evitar que uma liderança dentro de determinado grupo populacional seja apresentada como primeiro lugar absoluto na Bahia.
Resultado supera a Bahia, mas desafio permanece nos anos finais
Considerando todas as redes públicas e privadas, a Bahia passou de 5,3 para 5,7 nos anos iniciais e de 4,2 para 4,5 nos finais. Apenas na rede pública, o estado registrou, respectivamente, 5,4 e 4,2. No Brasil, a rede pública alcançou 6,1 nos anos iniciais e 5,0 nos finais. Os dados estaduais e nacionais foram divulgados pelo Inep.
Desse modo, Vitória da Conquista igualou a média nacional da rede pública nos anos iniciais e ficou 0,1 ponto abaixo dela nos anos finais. Em relação à rede pública baiana, apresentou vantagem de 0,7 ponto nos anos iniciais e de 0,7 nos finais. A comparação é apenas referencial, porque o indicador estadual reúne redes de diferentes dependências administrativas.
A Prefeitura de Vitória da Conquista atribuiu o resultado ao planejamento, ao acompanhamento pedagógico, à formação dos profissionais e aos investimentos na rede. A prefeita Sheila Lemos classificou o desempenho como um marco, enquanto o secretário municipal de Educação, Edgard Larry, destacou o trabalho de professores, gestores, servidores, estudantes e famílias. As declarações foram divulgadas no comunicado municipal sobre o Ideb.








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