A indústria química brasileira avalia ampliar a diversificação de seus mercados internacionais diante do aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A análise é da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), que examinou o Plano de Diversificação de Exportações “Caminhos + Negócios”, lançado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Em 2025, as exportações brasileiras de produtos químicos somaram US$ 15,5 bilhões, dos quais US$ 2,13 bilhões tiveram os Estados Unidos como destino. O mercado norte-americano respondeu, portanto, por cerca de 14% das exportações químicas do país.
Apesar da participação dos EUA, as vendas brasileiras para esse mercado estão concentradas em determinados grupos de produtos. Cinco categorias responderam por mais de 74% das exportações químicas brasileiras destinadas aos Estados Unidos, segundo os dados apresentados pela Abiquim.
Exportações aos EUA concentram cinco grupos de produtos
O grupo de outros químicos inorgânicos liderou as exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025, com participação de 43,7% e US$ 931 milhões. Em seguida apareceram outros químicos orgânicos, com 12,5% e US$ 267 milhões, e outros químicos diversos, que representaram 9% e US$ 192 milhões.
Também integram a lista os aditivos de uso industrial, responsáveis por 5,7% das exportações, equivalentes a US$ 122 milhões, e os materiais médico-hospitalares, com participação de 3,6% e US$ 76 milhões.
Para o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, a atual conjuntura reforça a necessidade de transformar a diversificação dos mercados externos em uma estratégia permanente para a indústria química brasileira.
Segundo declaração divulgada pela entidade, o Brasil já dispõe de empresas, produtos e relações comerciais estabelecidas em diferentes países. O objetivo, de acordo com a avaliação da associação, é identificar mercados com potencial de expansão e criar condições para que as empresas brasileiras ampliem o acesso a compradores internacionais.
América Latina, China e Europa formam base para expansão
Fora dos Estados Unidos, a indústria química brasileira mantém presença comercial em China, Colômbia, Chile, México e Uruguai. Na Europa, Espanha, Itália e França também aparecem entre os mercados que recebem produtos químicos brasileiros.
A Abiquim considera que esses destinos constituem uma base para a abertura de novas oportunidades comerciais. A estratégia proposta passa pelo aprofundamento de relações comerciais já existentes, em vez de depender exclusivamente da busca por mercados completamente novos.
Entre os segmentos apontados para uma possível ampliação das vendas estão químicos orgânicos, aditivos industriais e materiais médico-hospitalares, categorias que apresentam maior concentração das exportações brasileiras nos Estados Unidos.
A entidade ressalta que a diversificação não significa necessariamente substituir o mercado norte-americano por outros destinos. A proposta é reduzir a exposição do setor a mudanças específicas em determinado mercado e, simultaneamente, aumentar a participação brasileira em países onde já existem demanda e relações comerciais.
Plano da ApexBrasil prevê ações para ampliar exportações
Entre as medidas contempladas pelo Plano de Diversificação de Exportações “Caminhos + Negócios”, a Abiquim destacou as rodadas de negócios, a consultoria especializada, a Bolsa Exportação e o Painel de Diversificação.
As iniciativas buscam ampliar o suporte às empresas brasileiras na identificação de oportunidades e na aproximação com potenciais compradores internacionais. Para o setor químico, essas ferramentas podem contribuir para transformar relações comerciais existentes em novos negócios e ampliar a presença de produtos brasileiros no exterior.
Paralelamente à abertura de novos mercados, a Abiquim defende a continuidade da articulação institucional em Washington para buscar a ampliação das isenções tarifárias aplicáveis a produtos brasileiros.
Estratégia combina manutenção do mercado dos EUA e novos destinos
Na avaliação da associação, a resposta às mudanças no comércio exterior deve combinar a defesa dos interesses da indústria brasileira no mercado norte-americano com a expansão das exportações para outros destinos.
O cenário coloca a diversificação como uma estratégia para reduzir vulnerabilidades decorrentes da concentração de determinados produtos em um único mercado. Ao mesmo tempo, a manutenção das negociações com os Estados Unidos busca preservar oportunidades comerciais já estabelecidas.
Com uma pauta de exportações químicas de US$ 15,5 bilhões em 2025 e presença em mercados da Ásia, América Latina e Europa, a indústria brasileira parte de uma rede comercial existente para ampliar sua inserção internacional. A estratégia apresentada pela Abiquim combina, assim, diversificação de destinos, expansão de produtos e negociação tarifária.








Deixe um comentário