O Nelson Wilians Advogados (NWADV), uma das maiores bancas jurídicas do país, enfrenta disputas judiciais envolvendo mais de R$ 526 mil em aluguéis e encargos de imóveis comerciais em Campinas e São Paulo. Nesta quarta-feira (12/08/2026), os processos colocam em evidência contratos referentes a espaços corporativos utilizados ou projetados para a expansão do escritório: em Campinas, cobranças relacionadas a quatro conjuntos chegam a R$ 378 mil; na capital paulista, uma disputa superior a R$ 148,6 mil terminou recentemente em acordo. A banca afirma que mantém normalmente a prestação de serviços e atribui a desocupação de espaços a um plano de reorganização interna iniciado em 2025.
Disputas judiciais ultrapassam R$ 526 mil
As duas principais controvérsias locatícias começaram no fim de 2025. Embora envolvam a mesma banca de advocacia, os processos têm contratos, imóveis e proprietários distintos e, portanto, precisam ser analisados separadamente.
Em Campinas, o escritório assinou dois contratos para locar quatro conjuntos comerciais pertencentes à Galícia Desenvolvimento Imobiliário Ltda. e à Gran Floridian Empreendimentos. Os espaços ficam no quinto andar de uma das torres do Galleria Corporate, empreendimento empresarial localizado no município paulista.
Segundo a petição mencionada no processo, os contratos foram firmados em 21/08/2025, com duração prevista até agosto de 2030. O negócio estabelecia dois meses de carência para o pagamento do aluguel. A controvérsia surgiu já no primeiro mês em que a obrigação financeira deveria ser cumprida.
Campinas: cobrança chega a R$ 378 mil
De acordo com os autos citados pela Folha de S.Paulo, em outubro de 2025 não foi realizado o pagamento do aluguel dos espaços em Campinas, estipulado em R$ 63,1 mil, ao qual se somavam despesas de condomínio e IPTU. As proprietárias recorreram à Justiça.
Em 12/11/2025, as locadoras ajuizaram ação de despejo por falta de pagamento e obtiveram decisão liminar determinando a desocupação. As diligências registradas no processo indicam, entretanto, que os conjuntos comerciais não chegaram a ser efetivamente ocupados pelo escritório e permaneceram vazios até a devolução das chaves, em meados de dezembro.
A devolução do imóvel encerrou a questão relacionada à posse dos conjuntos, mas não eliminou automaticamente as controvérsias financeiras decorrentes do contrato. Os valores reclamados pelas duas proprietárias passaram a ser discutidos em processos específicos de cobrança.
Processo de despejo foi extinto, mas discussão financeira continua
Em 23/07/2026, o juiz Guilherme Fernandes Cruz Humberto, da 9ª Vara Cível de Campinas, extinguiu a ação de despejo. A decisão, porém, atribuiu ao Nelson Wilians Advogados o pagamento das custas e dos honorários processuais.
O valor atribuído à causa de despejo supera R$ 1,5 milhão. Esse montante não deve ser confundido com o valor dos aluguéis efetivamente cobrados: trata-se do valor processual da ação. As cobranças individualizadas apresentadas pela Galícia e pela Gran Floridian referentes aos aluguéis atrasados somam aproximadamente R$ 378 mil.
Em 03/08/2026, a banca apresentou embargos de declaração contra a decisão, questionando especificamente a imposição dos honorários. Com isso, embora a ação de despejo tenha sido encerrada, permanecem pendentes questões processuais e as cobranças financeiras apresentadas pelas proprietárias.
São Paulo: disputa envolveu andar do Centro Empresarial Nações Unidas
A segunda frente judicial envolve imóveis situados no Centro Empresarial Nações Unidas, na zona sul de São Paulo, complexo onde funciona a matriz do Nelson Wilians Advogados. O processo dizia respeito a salas que compõem o 17º andar da torre oeste, pertencentes a seis empresas.
Segundo as informações processuais, o contrato foi firmado em junho de 2024 e previa aluguel mensal de R$ 38,3 mil, além das despesas condominiais. Os proprietários alegaram ausência de pagamentos em quatro meses mencionados na ação — outubro, janeiro, fevereiro e março.
Considerados os valores devidos individualmente às locadoras e as despesas de condomínio, a cobrança superava R$ 148,6 mil. A controvérsia, entretanto, teve desfecho diferente do caso de Campinas.
Acordo encerrou disputa na capital paulista
As partes chegaram a um acordo pouco mais de duas semanas antes da publicação das informações, em 12/08/2026. Segundo apuração da Folha, foram pagos aproximadamente R$ 150 mil para encerrar a disputa relacionada ao imóvel.
A desocupação do 17º andar não significa, segundo a defesa, que a banca tenha deixado o Centro Empresarial Nações Unidas. O escritório informou que sua matriz permanece instalada no 25º andar do mesmo complexo e que a prestação de serviços continua normalmente.
A posição apresentada pelo NWADV é de que a retirada do espaço discutido judicialmente deve ser compreendida dentro de um programa mais amplo de adequação da estrutura física da banca, iniciado em 2025 e ainda em execução.
Defesa atribui disputas a divergências contratuais e reorganização
Em manifestação encaminhada à reportagem, o sócio-diretor Santiago Schunck afirmou que situações específicas surgidas durante a reorganização exigiram ajustes tratados individualmente. Segundo ele, as controvérsias relacionadas à entrega dos imóveis decorrem de divergências de natureza contratual.
A banca sustenta que o processo de reorganização não se limita à redução ou redistribuição de áreas ocupadas. De acordo com Schunck, as medidas integram um planejamento destinado a preservar a continuidade das operações. O escritório também afirmou manter compromisso com legalidade, ética, transparência, conformidade e segurança jurídica.
A manifestação constitui a versão formal do escritório sobre as disputas. Nos processos, por outro lado, proprietários de imóveis apresentaram cobranças por valores que consideram inadimplidos. No caso paulista houve composição entre as partes; em Campinas, parte das questões financeiras e processuais permanece sem solução definitiva.
Escritório reúne mais de mil advogados e atua nacionalmente
Fundado em 1999, o Nelson Wilians Advogados construiu uma estrutura de atuação nacional e mantém presença em todos os estados brasileiros. A banca reúne mais de mil advogados, segundo as informações divulgadas sobre sua estrutura.
Em entrevista concedida à Folha em fevereiro de 2025, Nelson Wilians afirmou que o escritório administrava aproximadamente 450 mil processos e participava de mais de 3 mil audiências por mês, números que dimensionam a escala operacional alcançada pela organização jurídica.
Esse porte amplia a relevância das controvérsias comerciais porque os processos não atingem uma estrutura jurídica de atuação localizada, mas uma organização com presença nacional, elevado volume de causas e ampla exposição no mercado de serviços jurídicos.
Disputas locatícias ocorrem após investigações de repercussão nacional
Os processos de aluguel são de natureza contratual e devem ser separados juridicamente das investigações criminais e tributárias que alcançaram endereços relacionados à banca. A coexistência temporal desses episódios não autoriza concluir que as cobranças locatícias sejam consequência das investigações nem que constituam evidência de responsabilidade criminal.
Em setembro de 2025, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca na residência e no escritório de Nelson Wilians durante um desdobramento da investigação sobre os descontos associativos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. Foram apreendidos, na ocasião, veículos de luxo e obras de arte.
A Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal com participação da Controladoria-Geral da União, investiga um sistema de cobranças associativas sem autorização em benefícios previdenciários. A apuração mais ampla estima em cerca de R$ 6,3 bilhões os descontos analisados entre 2019 e 2024, montante que se refere ao conjunto do esquema investigado e não pode ser atribuído individualmente a Nelson Wilians ou ao seu escritório.
Nelson Wilians negou participação em fraude no INSS
Em 18/09/2025, Nelson Wilians compareceu à comissão parlamentar que investigava o caso e rejeitou qualquer participação nas irregularidades relacionadas ao INSS. A investigação havia identificado movimentações financeiras consideradas atípicas ou suspeitas relacionadas ao advogado e à banca, mas a existência de relatórios financeiros e medidas de busca não representa, isoladamente, comprovação de participação em fraude.
A reportagem publicada em 12 de agosto registra que, segundo apuração do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a banca movimentou R$ 4,3 bilhões em operações classificadas como suspeitas entre 2019 e 2024. A classificação utilizada em relatórios de inteligência financeira não equivale, por si, à comprovação de ilicitude dos valores movimentados. Nelson Wilians nega participação na fraude investigada.
A investigação previdenciária possui objeto próprio, agentes públicos e privados específicos e procedimentos independentes das cobranças de aluguel.
Operação Distrato apura créditos de ICMS superiores a R$ 3,8 bilhões
Em 15/07/2026, outra investigação alcançou a estrutura ligada ao escritório. A Operação Distrato, conduzida em São Paulo, apura um suposto sistema de comercialização de créditos inexistentes de ICMS utilizados por empresas para reduzir o imposto recolhido.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo e o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos, os procedimentos fiscais já haviam produzido autos de infração superiores a R$ 3,8 bilhões. A investigação apontou o escritório de Nelson Wilians entre os núcleos sob apuração no modelo investigado.
O valor de R$ 3,8 bilhões corresponde aos créditos tributários constituídos nas fiscalizações e não significa que a totalidade desse montante tenha sido apropriada pela banca, que haja condenação definitiva ou que todo o valor esteja definitivamente perdido para o Estado. As responsabilidades deverão ser individualizadas nos procedimentos administrativos e judiciais.
Na ocasião das buscas, o NWADV informou ter recebido a medida de forma colaborativa e afirmou permanecer à disposição das autoridades para esclarecimento dos fatos. A investigação continua sujeita à análise dos documentos apreendidos, ao contraditório e às decisões das autoridades competentes.
Outras cobranças judiciais também são mencionadas
Além das disputas envolvendo os imóveis de Campinas e São Paulo, a reportagem registra que o escritório enfrenta outras cobranças na Justiça. Entre elas estão demandas relacionadas a pagamentos reclamados por uma assessoria de imprensa, por uma empreiteira responsável por reformas no escritório de Salvador e controvérsias envolvendo serviços tributários prestados a clientes.
As informações disponíveis não detalham, no conteúdo analisado, os valores, o estágio processual, as alegações integrais das partes ou eventuais decisões definitivas nesses processos. Por essa razão, essas demandas não permitem conclusões adicionais sobre responsabilidade ou extensão financeira.
O quadro documentado até o momento, portanto, reúne situações juridicamente diferentes: uma disputa locatícia encerrada por acordo em São Paulo; processos de cobrança e questões processuais ainda pendentes em Campinas; outras demandas comerciais; e investigações independentes nas áreas previdenciária e tributária.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 1999 — É fundado o Nelson Wilians Advogados, que posteriormente amplia sua estrutura para todos os estados brasileiros e passa a reunir mais de mil advogados.
- Junho de 2024 — O escritório firma contrato de locação referente a espaços do 17º andar da torre oeste do Centro Empresarial Nações Unidas, em São Paulo, com aluguel mensal de R$ 38,3 mil, além de condomínio.
- 21/08/2025 — São assinados dois contratos para quatro conjuntos do Galleria Corporate, em Campinas, pertencentes à Galícia Desenvolvimento Imobiliário e à Gran Floridian Empreendimentos, com término previsto para agosto de 2030.
- Setembro de 2025 — Endereços ligados a Nelson Wilians são alvo de buscas no âmbito das investigações relacionadas à Operação Sem Desconto, que apura irregularidades em descontos sobre benefícios do INSS.
- Outubro de 2025 — No primeiro mês em que deveria começar o pagamento dos espaços de Campinas após a carência contratual, as locadoras apontam falta de pagamento de R$ 63,1 mil em aluguel, além de IPTU e condomínio.
- 12/11/2025 — As proprietárias dos conjuntos em Campinas ajuízam ação de despejo por falta de pagamento e obtêm liminar de desocupação.
- Meados de dezembro de 2025 — Representantes do escritório devolvem as chaves dos espaços de Campinas, que, segundo as diligências processuais, não chegaram a ser ocupados.
- 2025 — Segundo o NWADV, tem início o plano de reorganização e adequação dos espaços físicos da banca, posteriormente apresentado como contexto para a desocupação de parte dos imóveis.
- 15/07/2026 — A Operação Distrato cumpre mandados de busca e apreensão em investigação sobre créditos supostamente inexistentes de ICMS. A fiscalização paulista registra mais de R$ 3,8 bilhões em créditos tributários constituídos.
- 23/07/2026 — A 9ª Vara Cível de Campinas extingue a ação de despejo, mas determina que o escritório arque com custas e honorários processuais.
- Julho de 2026 — A disputa relacionada ao espaço do 17º andar do Centro Empresarial Nações Unidas é encerrada por acordo. Segundo apuração publicada posteriormente, foram pagos cerca de R$ 150 mil.
- 03/08/2026 — O NWADV apresenta embargos de declaração contra a decisão do processo de Campinas, contestando a obrigação referente aos honorários.
- 12/08/2026 — Tornam-se públicos novos detalhes das disputas locatícias, que, consideradas as cobranças de Campinas e São Paulo, ultrapassam R$ 526 mil. A banca afirma permanecer em funcionamento e sustenta que a redução dos espaços integra sua reorganização interna.








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