A Operação Aposta Suja, deflagrada nesta quinta-feira (13/08/2026) pelos Ministérios Públicos da Bahia e do Rio de Janeiro, cumpriu sete mandados de busca e apreensão na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo contra investigados por suposta participação em uma organização criminosa voltada à exploração de apostas online sem autorização, aplicação de golpes contra clientes e lavagem de dinheiro. Em Feira de Santana, a ordem judicial foi cumprida em um condomínio de luxo e teve como alvo o empresário Bruno Karttos, apontado pelo Correio como um dos proprietários do Feira Futebol Clube (Feira FC) e da Mansão Green. Segundo um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) citado na investigação, empresas e pessoas investigadas aparecem relacionadas a mais de 800 comunicações de operações suspeitas entre 2022 e 2026, envolvendo movimentações financeiras superiores a R$ 1,4 bilhão.
Operação Aposta Suja chega a Feira de Santana e apreende veículos e equipamentos
Na Bahia, a operação contou com a atuação do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A investigação é conduzida pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Gaeco do Ministério Público do Rio de Janeiro, o CyberGaeco do MPRJ, responsável pela apuração que deu origem às medidas judiciais.
O mandado cumprido em Feira de Santana ocorreu em um condomínio de luxo. Durante a diligência, os agentes apreenderam dinheiro em espécie, inclusive moeda estrangeira, um tablet, um aparelho celular e dois veículos de alto padrão. Os valores encontrados em espécie não foram divulgados no material disponibilizado sobre a operação.
A reportagem do Correio identificou Bruno Karttos como o alvo da diligência realizada no município. Segundo o veículo, o mandado foi cumprido na residência do empresário. Karttos não foi preso na operação, que, nesta etapa, concentrou-se no cumprimento de ordens de busca e apreensão.
Ao todo, foram cumpridos sete mandados nos três estados. As ordens foram expedidas pela 3ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa. Além do CyberGaeco do Rio de Janeiro e do Gaeco baiano, a operação contou com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ (CSI), do CyberGaeco do Ministério Público de São Paulo e com a colaboração da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.
Investigação apura bets sem autorização, empresas de fachada e bloqueio de saques
O núcleo da investigação está na suspeita de funcionamento de diversos sites de apostas sem autorização do Ministério da Fazenda. De acordo com as apurações divulgadas pelos Ministérios Públicos, as plataformas seriam utilizadas dentro de uma estrutura empresarial e financeira destinada tanto à exploração irregular das apostas quanto à circulação dos recursos obtidos.
Segundo a versão dos investigadores, os depósitos feitos pelos usuários nas plataformas seriam encaminhados a empresas de fachada. Essa estrutura teria a função de receber e distribuir recursos vinculados à operação dos sites investigados, dificultando a identificação imediata do destino final do dinheiro e dos beneficiários das movimentações financeiras.
Outra suspeita apresentada pela investigação envolve a relação das plataformas com seus próprios usuários. Conforme o Ministério Público, os sites investigados teriam impedido clientes de sacar valores disponíveis em suas contas, circunstância que integra a apuração sobre possíveis golpes cometidos contra apostadores.
A investigação busca, portanto, estabelecer não apenas quem administrava ou se beneficiava economicamente das plataformas, mas também de que maneira os depósitos eram captados, quais empresas recebiam os recursos, como funcionavam os mecanismos de pagamento e quais pessoas físicas e jurídicas participavam das diferentes etapas do fluxo financeiro.
O conjunto de indícios levou os investigadores a analisar uma segunda dimensão do suposto esquema: a lavagem de dinheiro. Segundo as informações tornadas públicas, recursos seriam convertidos em criptoativos, distribuídos entre múltiplas contas e enviados ao exterior.
A pulverização financeira descrita pelos investigadores teria como finalidade dificultar o rastreamento do dinheiro. Depois da circulação entre contas, ativos digitais e remessas internacionais, os valores seriam reintroduzidos na economia formal, completando, segundo a linha investigativa, o processo de ocultação ou dissimulação de sua origem.
A participação da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, insere na investigação o órgão federal diretamente relacionado à supervisão administrativa do mercado de apostas. No caso da Operação Aposta Suja, uma das questões centrais é justamente a suspeita de que os sites investigados funcionariam sem autorização do Ministério da Fazenda.
Coaf aponta mais de 800 comunicações e movimentações superiores a R$ 1,4 bilhão
A dimensão financeira constitui um dos principais elementos da Operação Aposta Suja. Conforme o material divulgado pelo MPBA, um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf registra mais de 800 comunicações de operações suspeitas entre 2022 e 2026 relacionadas a empresas e pessoas investigadas.
As movimentações financeiras associadas pelo relatório ao universo investigado ultrapassam R$ 1,4 bilhão. O volume coloca o rastreamento financeiro no centro da apuração e deverá orientar a análise das contas, empresas, transações e demais elementos reunidos durante a investigação.
O Ministério Público também informou que mais de R$ 100 milhões teriam sido movimentados isoladamente por uma das empresas investigadas. O material divulgado até esta etapa não identifica publicamente, porém, qual é essa pessoa jurídica.
Esses números precisam ser compreendidos dentro da natureza do documento financeiro utilizado na investigação. O valor superior a R$ 1,4 bilhão corresponde às movimentações relacionadas, segundo o RIF citado pelas autoridades, às empresas e pessoas sob apuração. A investigação ainda busca determinar a natureza de cada operação, seus participantes, a origem dos recursos e a eventual vinculação das transações aos crimes investigados.
A apreensão de celulares, tablet, dinheiro e veículos abre uma nova etapa de análise. Os investigadores poderão confrontar o material recolhido com os dados financeiros já reunidos, buscando reconstruir relações societárias, comunicações, movimentações patrimoniais e eventuais conexões entre os investigados nos diferentes estados.
A estrutura nacional da operação também demonstra que a investigação ultrapassou os limites territoriais de uma única unidade da Federação. Os mandados no Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia correspondem à suspeita de uma rede com atuação financeira e operacional distribuída entre diferentes localidades.
Bruno Karttos, Mansão Green e Feira FC entram no alcance da investigação
Em Feira de Santana, a repercussão da operação ganhou dimensão adicional pela identificação de Bruno Karttos entre os alvos. De acordo com o Correio, ele é um dos proprietários da Mansão Green e do Feira Futebol Clube, além de atuar na estruturação operacional e na expansão estratégica da empresa dedicada à gestão e monetização de influência digital.
Karttos possui presença expressiva nas redes sociais. Segundo a reportagem, seu perfil no Instagram reunia 329 mil seguidores e apresentava publicações relacionadas a apostas, futebol e aspectos de sua vida pessoal, incluindo registros de viagens, automóveis e aeronaves.
O empresário é também associado publicamente à Mansão Green, empreendimento voltado à atuação no ambiente digital. A própria reportagem que o identificou como alvo descreve sua função na estrutura operacional e na expansão estratégica da empresa.
A vinculação empresarial de Karttos ao setor digital e sua presença no universo de conteúdo relacionado a apostas tornam sua inclusão na investigação um fato de interesse público, especialmente diante da suspeita das autoridades sobre plataformas que funcionariam sem autorização e sobre fluxos financeiros destinados a empresas de fachada.
A condição de alvo de mandado de busca e apreensão, entretanto, não equivale a uma condenação. A operação encontra-se em fase investigativa, e as responsabilidades individuais dependerão do exame do material apreendido, da evolução das apurações e das decisões judiciais posteriores.
No caso específico do montante de R$ 1,4 bilhão, as informações divulgadas não atribuem esse valor individualmente a Bruno Karttos. O dado representa o conjunto de movimentações financeiras relacionado pelo relatório do Coaf a empresas e pessoas investigadas na operação.
Também não foi informado que os dois veículos de alto padrão apreendidos, o dinheiro em espécie ou os demais equipamentos constituam produto de crime. Os objetos foram recolhidos no cumprimento da medida judicial e deverão integrar a análise investigativa.
O Correio informou que não conseguiu contato com Bruno Karttos até a publicação de sua reportagem e manteve espaço aberto para esclarecimentos.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 2022 a 2026 — Comunicações financeiras: segundo o RIF do Coaf, empresas e pessoas investigadas aparecem relacionadas a mais de 800 comunicações de operações suspeitas, com movimentações superiores a R$ 1,4 bilhão. Mais de R$ 100 milhões teriam sido movimentados por uma única empresa investigada. A informação passa a integrar a base financeira da investigação.
- Período anterior a 13/08/2026 — Investigação do CyberGaeco: o Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Gaeco do MPRJ conduz apuração sobre um grupo suspeito de explorar sites de apostas sem autorização, aplicar golpes contra clientes e lavar recursos por meio de empresas, criptoativos, contas bancárias e remessas internacionais.
- 13/08/2026 — Deflagração da Operação Aposta Suja: MPBA e MPRJ, com apoio de órgãos de São Paulo e do Ministério da Fazenda, cumprem sete mandados de busca e apreensão na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo, expedidos pela 3ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa.
- 13/08/2026 — Busca em Feira de Santana: um mandado é cumprido em condomínio de luxo no município. São apreendidos dinheiro em espécie e moeda estrangeira, um tablet, um celular e dois veículos de alto padrão.
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13/08/2026 — Bruno Karttos é identificado como alvo: reportagem do Correio informa que a busca realizada em Feira de Santana ocorreu na residência de Bruno Karttos, ligado à Mansão Green e ao Feira FC. O empresário não foi preso.








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