O prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, afirmou nesta quarta-feira (12/08/2026), durante entrevista ao programa JE Meio-Dia, apresentado por Lucas Bocão, no Grupo Eldorado de Comunicação, que recusou convites de grupos adversários para disputar a vice-governadoria da Bahia nas Eleições 2026, por ter assumido o compromisso de permanecer na Prefeitura até o fim do mandato.
Na conversa, o gestor também anunciou que pretende autorizar, na segunda-feira seguinte à entrevista, o início da construção de um novo Hospital Municipal, apresentou números da rede de saúde de Feira de Santana, reafirmou apoio a ACM Neto e fez críticas ao governador Jerônimo Rodrigues e à administração estadual em áreas como regulação hospitalar, emprego, educação, segurança pública, rodovias e infraestrutura.
José Ronaldo associa quinto mandato a dedicação à gestão municipal
Ao apresentar sua trajetória política, José Ronaldo disse já ter exercido mandato de vereador, ter sido deputado estadual por três vezes e deputado federal uma vez. Atualmente, segundo destacou, está no quinto mandato como prefeito de Feira de Santana.
O gestor afirmou dedicar entre 16 e 18 horas diárias à administração municipal e disse trabalhar inclusive aos domingos, pelo menos durante parte do dia. A declaração foi utilizada para sustentar sua concepção de gestão pública, baseada, segundo ele, em presença permanente, comando administrativo e acompanhamento das ações governamentais.
Ronaldo também descreveu Feira de Santana como um dos principais entroncamentos rodoviários do país e ressaltou sua posição estratégica na circulação entre diferentes regiões brasileiras. Ao falar da dimensão urbana e econômica do município, afirmou que Feira é o segundo maior município baiano e o 33º do Brasil em população. Esses dados foram apresentados verbalmente pelo prefeito, sem referência estatística anexada à entrevista.
Hospital Municipal e Zona Azul levaram prefeito a São Paulo
José Ronaldo informou ter viajado duas vezes a São Paulo nos 90 dias anteriores à entrevista para acompanhar procedimentos relacionados a projetos da administração municipal.
A primeira viagem, conforme seu relato, esteve relacionada à licitação realizada na bolsa de valores para a Parceria Público-Privada (PPP) destinada à construção do Hospital Municipal de Feira de Santana. O prefeito afirmou que o contrato da parceria já havia sido assinado e anunciou para a segunda-feira seguinte à entrevista a ordem de serviço para o início da construção.
A segunda viagem, realizada segundo ele na semana anterior, teve como finalidade acompanhar outro processo licitatório, desta vez relacionado à implantação da Zona Azul em Feira de Santana.
Rede de saúde é apresentada como eixo da administração municipal
A saúde ocupou parte significativa da entrevista. José Ronaldo utilizou a estrutura mantida pelo Município para estabelecer um contraste entre a administração de Feira de Santana e sua avaliação sobre a assistência estadual.
Segundo o prefeito, o Município mantém uma rede formada por aproximadamente 180 unidades e serviços de saúde, incluindo postos, unidades de atenção especializada, equipamentos de saúde mental e serviços relacionados à doença falciforme.
Ronaldo afirmou ainda que a Prefeitura arca com cerca de 90% dos custos de um hospital voltado ao atendimento das mulheres de Feira de Santana e da região. O nome da unidade não foi especificado nesse trecho da entrevista. Também citou uma clínica municipal direcionada ao atendimento de pacientes com câncer, serviços específicos para pessoas com diabetes e hipertensão e uma estrutura destinada a exames de imagem.
Prefeito afirma que unidade de imagem atende de 700 a 800 pessoas por dia
De acordo com José Ronaldo, o serviço municipal de diagnóstico por imagem realiza entre 700 e 800 atendimentos diários, incluindo procedimentos como raio-X e ultrassonografia. O prefeito atribuiu ao Município a manutenção integral de diferentes estruturas especializadas, mas não apresentou na entrevista planilhas de produção, dados orçamentários ou séries históricas que permitam comparar os números.
Outro projeto citado foi o Remédio em Casa, programa destinado à entrega domiciliar de medicamentos de uso contínuo. Ronaldo afirmou que a iniciativa havia começado cerca de dois meses antes da entrevista e que contempla pessoas a partir dos 65 anos, sobretudo pacientes em tratamento contínuo para doenças como hipertensão e diabetes.
Na saúde mental, o chefe do Executivo municipal disse que a rede atende centenas de pessoas diariamente e informou que está em andamento a implantação de uma clínica que deverá funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana, destinada ao atendimento de pessoas com transtornos psiquiátricos e outras demandas de saúde mental.
José Ronaldo diz que cerca de 99% dos casos de urgência foram conduzidos na rede municipal
Ao abordar a regulação hospitalar, José Ronaldo apresentou números referentes ao período entre janeiro e junho. Segundo ele, aproximadamente 150 mil atendimentos foram realizados na rede municipal de urgência e emergência de Feira de Santana durante o intervalo.
O prefeito declarou que apenas cerca de 1% desses pacientes precisaram ser encaminhados para regulação e sustentou que aproximadamente 99% tiveram seus casos conduzidos pela própria estrutura municipal. Acrescentou que nem todos os pacientes inseridos na regulação chegaram a ser transferidos, pois alguns teriam apresentado melhora clínica e recebido alta enquanto aguardavam uma vaga. Os percentuais foram utilizados pelo prefeito para defender a capacidade de resolução dos equipamentos municipais.
Novo hospital é apresentado como ampliação da capacidade de atendimento
José Ronaldo relacionou a construção do novo Hospital Municipal à estratégia de ampliar a capacidade própria de assistência e reduzir a dependência de transferências hospitalares.
Ao falar sobre a preparação da PPP, referiu-se a uma fundação de São Paulo, registrada na transcrição como “FESP”, à qual atribuiu 93 anos de história e participação na elaboração do projeto. O material disponibilizado não apresenta a razão social completa da instituição nem o contrato correspondente, o que impede uma identificação documental segura apenas a partir da entrevista.
A expectativa anunciada pelo prefeito é de que a ordem de serviço marque o início de uma nova etapa do projeto. Os prazos de execução, valores globais, obrigações da concessionária, contraprestações públicas e cronograma físico-financeiro não foram detalhados na conversa.
Regulação hospitalar concentra críticas ao Governo da Bahia
A discussão sobre a saúde estadual assumiu caráter político quando José Ronaldo passou a criticar o sistema de regulação da Bahia. O prefeito classificou a situação como grave e associou as dificuldades de transferência de pacientes à necessidade de mudanças na administração estadual.
Em uma das declarações de maior impacto da entrevista, Ronaldo afirmou que 700 pessoas teriam morrido, no ano anterior, enquanto aguardavam regulação somente em Feira de Santana.
Prefeito relata casos de pacientes à espera de transferência
José Ronaldo afirmou ter visto, dias antes da entrevista, um vídeo publicado nas redes sociais no qual familiares de um paciente em Porto Seguro pediam ajuda para conseguir transferência hospitalar. Ele citou o episódio como exemplo das dificuldades que atribui ao sistema estadual de regulação.
O prefeito mencionou ainda cidades como Teixeira de Freitas, Eunápolis, Porto Seguro, Itabuna, Ilhéus, Juazeiro e Paulo Afonso para defender que o problema deveria ser analisado em escala estadual. Entretanto, não apresentou números específicos de cada município.
Na avaliação política de Ronaldo, a regulação é uma responsabilidade que precisa ser assumida pelo governo responsável pelo sistema. “Quando a gente é governante, a gente tem de prestar conta. Quando a gente é governante, a gente tem de dar satisfação à sociedade”, afirmou ao defender que gestores apresentem explicações públicas sobre problemas sob sua responsabilidade.
Desemprego, educação e segurança entram no confronto político
Além da saúde, José Ronaldo utilizou indicadores de emprego, educação e segurança pública para sustentar críticas ao Governo da Bahia.
O prefeito afirmou que a Bahia teria o maior número de desempregados do país, estaria na última posição em avaliação educacional associada por ele ao Ideb e registraria o maior número de mortes violentas. Também classificou a regulação baiana como a pior do Brasil.
Rodovias e pontes são usadas para ampliar críticas à administração estadual
A infraestrutura viária também integrou a avaliação do prefeito. José Ronaldo criticou as condições de rodovias estaduais e mencionou reclamações recebidas de diferentes regiões da Bahia.
Entre os exemplos citados estão trechos nas regiões de Irecê, envolvendo Canarana, Barro Alto e Barra do Mendes, e uma estrada entre Cícero Dantas e Paripiranga. Segundo o prefeito, moradores vêm reclamando da quantidade de buracos e da demora de intervenções.
Ronaldo também citou problemas na ligação entre Feira de Santana e Salvador e fez comentários sobre a Ponte do Rio Jequitinhonha e o projeto da Ponte Salvador-Itaparica. As declarações foram feitas em tom crítico e não vieram acompanhadas, na entrevista, de informações do Governo da Bahia, dos órgãos rodoviários competentes ou das empresas responsáveis pelos respectivos projetos.
José Ronaldo atribui problemas da Bahia ao modelo de gestão
Questionado sobre as razões pelas quais dificuldades persistiriam em diferentes regiões do estado, o prefeito resumiu sua avaliação: “Eu acho que é gestão mesmo”.
José Ronaldo afirmou manter uma relação pessoal respeitosa com Jerônimo Rodrigues e descreveu o governador como uma pessoa educada no tratamento que mantém com ele. Separou, porém, essa relação pessoal da avaliação administrativa.
O prefeito argumentou que, na sua concepção, gestão exige liderança cotidiana da máquina pública, acompanhamento dos secretários, dedicação permanente e busca por soluções. Também criticou a prioridade que, em sua visão, seria atribuída a reuniões de natureza político-partidária.
Crítica a Jerônimo é acompanhada de defesa por alternância política
Ao ser questionado sobre grupos políticos que permanecem longos períodos no poder, Ronaldo rejeitou a ideia de continuidade baseada apenas no argumento de que não se deve alterar uma estrutura vencedora.
Segundo ele, a permanência de um grupo deveria estar condicionada aos resultados apresentados em áreas como emprego, educação, infraestrutura e segurança. Na avaliação do prefeito, os problemas que ele identifica nesses setores justificariam uma mudança de comando na Bahia.
A argumentação se insere diretamente no cenário das Eleições 2026, no qual José Ronaldo declarou apoio ao projeto eleitoral liderado por ACM Neto. A entrevista, nesse trecho, assumiu explicitamente caráter de posicionamento político de uma liderança vinculada à oposição estadual.
Episódio de 2022 é tratado como questão superada
O programa também retomou os acontecimentos eleitorais de 2022, quando José Ronaldo foi mencionado nas articulações para a composição de uma chapa majoritária.
O prefeito afirmou que ACM Neto já reconheceu publicamente erros relacionados ao episódio e pediu desculpas em entrevistas, reuniões e pronunciamentos. “2022 acabou”, declarou Ronaldo, ao considerar superadas as divergências daquele período.
Para o prefeito, os acontecimentos deixaram uma experiência política que teria influenciado a forma como Neto passou a conduzir negociações e ouvir lideranças. Ronaldo descreveu uma rotina recente de reuniões intensas com representantes de municípios baianos e disse participar diretamente desse processo.
Prefeito relata jornada de reuniões com ACM Neto até meia-noite
José Ronaldo afirmou que, na segunda-feira anterior à entrevista, esteve com ACM Neto em uma agenda política iniciada por volta das 9h30 e encerrada aproximadamente à meia-noite.
Segundo ele, foram recebidas delegações de diversos municípios da Bahia. Ronaldo utilizou o episódio para sustentar que o grupo de oposição está realizando um trabalho amplo de articulação e escuta de lideranças.
O prefeito declarou estar “muito confiante” em uma vitória eleitoral no dia 4 de outubro e disse acreditar que a eleição para governador pode ser definida no primeiro turno. A afirmação constitui uma projeção política do entrevistado e não uma conclusão baseada em dados apresentados durante a entrevista.
Ronaldo diz ter recusado convites dos dois campos políticos
Um dos principais pontos políticos da conversa foi a revelação de que José Ronaldo teria recebido propostas de grupos adversários para participar da disputa pela vice-governadoria da Bahia em 2026.
“Não fui convidado só de um lado. Fui convidado dos dois lados”, afirmou. Durante a pergunta, Lucas Bocão relacionou os convites aos campos políticos de Jerônimo Rodrigues e ACM Neto. Ronaldo, entretanto, concentrou sua resposta na razão pela qual recusou qualquer candidatura.
Segundo o prefeito, o impedimento foi o compromisso assumido com os eleitores de Feira de Santana durante a campanha municipal que o reconduziu ao Executivo. Ele afirmou ter prometido permanecer no cargo até o encerramento do mandato.
“Dei a palavra e estou cumprindo”, afirma prefeito
José Ronaldo declarou que nenhum convite seria suficiente para fazê-lo deixar novamente a Prefeitura neste momento.
“Dei a palavra e estou cumprindo a palavra”, afirmou, vinculando a decisão a um compromisso eleitoral com a população do município.
Assim, apesar de participar das articulações estaduais e declarar apoio a ACM Neto, Ronaldo apresentou sua permanência em Feira de Santana como prioridade administrativa.
A permanência no Executivo municipal não significa afastamento das articulações eleitorais. José Ronaldo deixou claro que continuará participando da campanha e das movimentações políticas relacionadas à sucessão estadual.
Ele afirmou estar envolvido nas reuniões, na interlocução com lideranças municipais e na construção da candidatura apoiada por seu grupo. Ao mesmo tempo, reiterou que seguirá exercendo a função de prefeito.








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