Presidente Lula se reúne com senador Alcolumbre e amplia diálogo com Hugo Motta para destravar PEC da escala 6×1 e agenda do Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na manhã desta quarta-feira (12/08/2026), no Palácio da Alvorada, em Brasília, em uma nova etapa da tentativa de recompor a relação entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Congresso. O encontro, acompanhado pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), ocorre enquanto o Executivo busca acelerar a PEC 221/2019, que extingue a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal para 40 horas, além da PEC da Segurança Pública, do projeto sobre minerais críticos e da medida provisória relacionada à chamada “taxa das blusinhas”. Paralelamente, reportagens apontam negociações eleitorais e articulações para as presidências da Câmara e do Senado em 2027, mas não há anúncio público de acordo sobre essas disputas.

Reunião no Alvorada consolida retomada do diálogo

A reunião desta quarta-feira foi o segundo encontro entre Lula e Alcolumbre em agosto. Os dois haviam se reunido em 04/08/2026, durante um jantar na residência do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com a presença do ministro Cristiano Zanin. A conversa representou a retomada do contato direto após meses de distanciamento entre os chefes do Executivo e do Senado.

Segundo o SBT News, Lula e Alcolumbre estavam reunidos no Alvorada na manhã desta quarta-feira. Até a última atualização das fontes consultadas, porém, não havia comunicado conjunto com compromissos, calendário de votações ou resultado formal da conversa. A expectativa de avanço das matérias permanece, portanto, no campo da articulação política.

A apuração publicada por O Globo atribui ao governo uma estratégia de dupla finalidade: aprovar propostas de apelo social antes do primeiro turno das eleições e estabelecer entendimentos com partidos do centro político para o segundo turno e para a reorganização do Congresso em 2027. Não houve confirmação oficial, entretanto, de oferta de cargos, divisão de espaços em eventual novo governo ou compromisso do PT com candidaturas ao comando das Casas legislativas.

PEC da escala 6×1 concentra pressão do Governo Lula

A principal vitrine social da ofensiva é a PEC 221/2019. A Câmara dos Deputados aprovou a proposta em dois turnos em 27/05/2026. O texto recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno e 461 votos a favor e 19 contra no segundo. Encaminhada ao Senado no dia seguinte, a matéria estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, distribuída em cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial.

O substitutivo aprovado pelos deputados prevê uma transição de 14 meses. Dois meses após uma eventual promulgação, passariam a valer dois dias de repouso remunerado por semana e o limite de 42 horas semanais. Doze meses depois, a carga máxima cairia para 40 horas. A mudança ainda depende da aprovação do Senado em dois turnos, por pelo menos 49 dos 81 senadores, sem alteração de mérito; se o texto for modificado, deverá retornar à Câmara.

Em 02/06/2026, Alcolumbre afirmou que o Senado não votaria a proposta diretamente em plenário e que o texto teria de passar pelas comissões. A Casa promoveu debates com parlamentares, centrais sindicais e representantes empresariais, mas não definiu um calendário conclusivo.

Em 07/07/2026, após cobrança pública feita pela liderança petista na Câmara, o presidente do Senado declarou, em nota divulgada pela Agência Senado, que a pauta da Casa “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”.

Governo quer votação antes das eleições, mas Senado não deu garantia

Lula aumentou a pressão pública ao afirmar nas redes sociais que “os trabalhadores não podem mais esperar”. Para o Planalto, a aprovação antes do primeiro turno permitiria apresentar a mudança como resultado concreto da agenda social do governo. A curta janela de funcionamento do Congresso durante o período eleitoral, entretanto, reduz a possibilidade de conclusão da tramitação.

Há divergência entre o objetivo do governo e as sinalizações atribuídas a Alcolumbre. Enquanto o Executivo tenta votar a matéria nas semanas de esforço concentrado, reportagem da Folha de S.Paulo informa que o presidente do Senado não se comprometeu com a deliberação antes do pleito e admite, a interlocutores, a possibilidade de analisar o texto somente a partir de novembro.

A reunião desta quarta-feira poderá reduzir a tensão institucional, mas não substitui os atos formais necessários à tramitação da PEC.

MP das remessas internacionais impõe prazo imediato ao Congresso

Outra matéria urgente é a Medida Provisória 1.357/2026, relacionada à redução da tributação federal sobre remessas internacionais e conhecida como MP da “taxa das blusinhas”. O Congresso convocou para esta quarta-feira a reunião de instalação da comissão mista responsável pela análise da proposta. Na atualização oficial das 11h01, a página da matéria no Congresso Nacional ainda registrava a situação “aguardando instalação da comissão”.

A MP recebeu 112 emendas e precisa ser deliberada até 08/09/2026, conforme o calendário atualizado do Congresso. Sem aprovação nas duas Casas dentro do prazo constitucional, a medida perde eficácia.

A convocação da comissão representa um avanço procedimental, mas ainda será necessário eleger presidente e vice-presidente, designar a relatoria, aprovar um parecer e submeter o texto aos plenários da Câmara e do Senado.

O prazo cria um teste objetivo para a reaproximação entre Planalto e Congresso. Diferentemente das negociações sobre 2027, cuja confirmação depende de decisões partidárias futuras, a tramitação da MP pode ser medida por atos públicos: instalação da comissão, apresentação de relatório, votação nas duas Casas e eventual sanção ou promulgação das alterações aprovadas.

Segurança Pública e minerais críticos completam pauta prioritária

A PEC 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, chegou ao Senado para análise em 29/07/2026, após aprovação na Câmara. O texto reorganiza o sistema de segurança, constitucionaliza diretrizes de cooperação entre União, estados e municípios e altera mecanismos de financiamento.

A versão aprovada pelos deputados também trata do compartilhamento de dados, da atuação integrada contra organizações criminosas e da proteção às vítimas.

O projeto dos minerais críticos é o PL 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta foi aprovada pela Câmara e aguarda deliberação no Senado. O tema combina interesse econômico, política industrial, transição energética e soberania sobre recursos utilizados em cadeias tecnológicas, o que amplia sua importância para o governo e para diferentes grupos empresariais.

Na Câmara, o PLP 114/2026, chamado de PLP dos Combustíveis, também integra a negociação da semana. A proposta trata de benefícios tributários destinados a reduzir efeitos de oscilações no setor de energia e passou a ser discutida como possível veículo para incentivos relacionados a fertilizantes e minerais críticos.

A inclusão de novos temas e o conteúdo final ainda dependem da votação parlamentar, razão pela qual não podem ser tratados como decisões consumadas.

Hugo Motta declara apoio a Lula e aproxima Câmara do Planalto

Na Câmara, a reaproximação ganhou dimensão eleitoral explícita. Em 10/08/2026, Hugo Motta (Republicanos-PB) declarou apoio à reeleição de Lula, depois de o Republicanos adotar neutralidade nacional na disputa presidencial.

No dia seguinte, o presidente telefonou ao deputado para agradecer a manifestação e sugeriu uma reunião presencial ainda nesta semana, segundo a CNN Brasil.

A neutralidade nacional permite que os diretórios estaduais sigam alianças próprias. Na Paraíba, Motta afirmou que seu grupo caminhará com Lula. O presidente da Câmara também busca renovar seu mandato de deputado federal e trabalha pela eleição do pai, Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado.

Esse arranjo contém, contudo, uma pendência importante. Lula já declarou apoio à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), que disputa uma das vagas em jogo no estado e concorre no mesmo campo eleitoral de Nabor.

O conteúdo fornecido informa que aliados de Motta esperam gestos do presidente em favor do candidato do Republicanos, mas não há confirmação de mudança no apoio presidencial já anunciado nem de compromisso para uma candidatura específica ao Senado paraibano.

Sucessão no Congresso em 2027 entra no cálculo político

Segundo a apuração jornalística que originou o conteúdo, Motta busca o apoio do PT para tentar permanecer na presidência da Câmara em 2027, enquanto Alcolumbre trabalha para conservar influência e disputar novo mandato no comando do Senado. Os movimentos ocorrem diante da possibilidade de crescimento de bancadas de direita e centro-direita nas eleições legislativas de 2026.

A reportagem também atribui ao senador o interesse de fortalecer seu grupo no Amapá, onde o aliado Clécio Luís enfrentaria dificuldades eleitorais. Trata-se de uma avaliação de bastidores, não de justificativa apresentada oficialmente por Alcolumbre.

As presidências das duas Casas têm peso direto sobre a pauta, a distribuição de relatorias, a instalação de comissões e a condução de votações. Por essa razão, a escolha dos comandos em 2027 interessa tanto ao futuro governo quanto aos partidos que pretendem ampliar influência no Legislativo.

Ainda assim, não existe apoio formal do PT às pretensões de Motta ou Alcolumbre apresentado nas informações disponíveis.

A mesma cautela se aplica às conversas atribuídas ao PT com partidos do chamado Centrão. Segundo a reportagem de origem, dirigentes discutem alianças para um eventual segundo turno e participação em uma possível nova gestão de Lula.

A neutralidade do Republicanos e da federação formada por União Brasil e PP é considerada favorável pelo Planalto por impedir, neste momento, uma adesão nacional desses partidos a um adversário. Petistas ouvidos pela imprensa, porém, interpretam a posição como cálculo eleitoral das siglas, e não como alinhamento automático ao governo.

Rejeição de Jorge Messias explica ruptura com Alcolumbre

O principal antecedente da crise entre Lula e Alcolumbre foi a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal. Em 29/04/2026, o plenário do Senado rejeitou o nome por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Eram necessários ao menos 41 votos a favor.

Foi a primeira rejeição de uma indicação ao STF em 132 anos. Messias havia sido indicado para a vaga aberta pela aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, ocorrida em outubro de 2025. Embora o nome tenha sido aprovado anteriormente na Comissão de Constituição e Justiça por 16 votos a 11, não alcançou a maioria absoluta no plenário.

Aliados de Lula atribuíram a derrota à atuação política de Alcolumbre, que preferia a indicação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG). O presidente da Casa negou ter articulado contra Messias e sustentou que a rejeição refletiu uma insatisfação dos senadores.

Portanto, a participação direta de Alcolumbre na derrota permanece como versão atribuída a interlocutores e adversários, não como fato oficialmente reconhecido por ele.

Interlocutores ouvidos pela imprensa afirmam que Alcolumbre passou a demonstrar menor resistência a uma futura escolha presidencial para o Supremo, mas não há apoio público a Messias ou a outro nome.

Conforme as regras explicadas pelo Senado, Lula pode apresentar outro candidato a qualquer momento; o mesmo nome rejeitado não pode ser submetido novamente na mesma sessão legislativa.

Aproximação ainda depende de votos e decisões formais

A intensificação das conversas produziu sinais verificáveis: o encontro de Lula com Alcolumbre, o telefonema presidencial a Motta, a declaração de apoio do deputado e a convocação da comissão da MP das remessas internacionais. Esses acontecimentos indicam restabelecimento do canal político entre Executivo e Legislativo.

Não há, contudo, confirmação de que a PEC da escala 6×1 será votada antes das eleições, de que o PT apoiará Motta ou Alcolumbre em 2027, de que Lula fará campanha por Nabor Wanderley ou de que partidos do Centrão integrarão um eventual novo governo.

Também permanecem dependentes de deliberação parlamentar a PEC da Segurança Pública, o projeto de minerais críticos, o PLP dos Combustíveis e a MP 1.357/2026.

O resultado da articulação será definido menos pela frequência das reuniões do que pela conversão do diálogo em calendário, pareceres, maiorias e votações. Sem esses atos, a aproximação terá relevância política, mas não produzirá os efeitos legislativos pretendidos pelo Planalto.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 20/11/2025 — Lula anuncia Jorge Messias para a vaga aberta no STF; a escolha encontra resistência no Senado e aprofunda a disputa política sobre a sucessão de Luís Roberto Barroso.
  • 29/04/2026 — O Senado rejeita Messias por 42 votos a 34; o resultado rompe um intervalo de 132 anos sem rejeição de indicado ao Supremo e amplia a tensão entre Lula e Alcolumbre.
  • 27/05/2026 — A Câmara aprova, em dois turnos, a PEC 221/2019, com jornada máxima de 40 horas, escala 5×2 e manutenção dos salários; a proposta segue ao Senado.
  • 28/05/2026 — A PEC do fim da escala 6×1 chega ao Senado; a Casa passa a controlar o ritmo e as etapas restantes da tramitação.
  • 02/06/2026 — Alcolumbre informa que a PEC deverá passar pelas comissões do Senado e rejeita uma votação imediata em plenário.
  • 01/07/2026 — Alcolumbre se reúne com senadores governistas e centrais sindicais; participantes relatam disposição para discutir a proposta, mas não é definido calendário de votação.
  • 07/07/2026 — O presidente do Senado reage à pressão da liderança petista e afirma que a tramitação não será submetida a ultimatos político-eleitorais.
  • 15/07/2026 — O Senado anuncia semanas de esforço concentrado entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, criando janelas reduzidas para votações antes das eleições.
  • 29/07/2026 — A PEC 18/2025, da Segurança Pública, chega ao Senado após ser aprovada pela Câmara.
  • 04/08/2026 — Lula e Alcolumbre voltam a conversar em jantar na residência de Alexandre de Moraes, com a presença de Cristiano Zanin; o encontro reabre o diálogo após meses de afastamento.
  • 04/08/2026 — O Republicanos formaliza neutralidade na eleição presidencial, liberando seus grupos estaduais para firmar apoios próprios.
  • 10/08/2026 — Hugo Motta declara apoio à reeleição de Lula e vincula sua posição ao alinhamento político do Republicanos na Paraíba.
  • 11/08/2026 — Lula telefona para Motta, agradece o apoio e propõe um encontro; líderes do governo também organizam as pautas prioritárias do esforço concentrado.
  • 12/08/2026 — Lula recebe Alcolumbre no Palácio da Alvorada, com José Guimarães e Teresa Leitão; no mesmo dia, é convocada a reunião para instalar a comissão mista da MP 1.357/2026.
  • 08/09/2026 — Termina o prazo informado pelo Congresso para a deliberação da MP relacionada à “taxa das blusinhas”; sem aprovação, a medida perde eficácia.

A reaproximação de Lula com Alcolumbre e Motta revela a lógica do presidencialismo de coalizão em um Congresso fragmentado: o Executivo necessita dos presidentes das Casas para transformar prioridades em pauta, enquanto os dirigentes legislativos dependem de alianças partidárias para preservar influência depois das eleições. A coincidência entre agenda social, calendário eleitoral e sucessão parlamentar torna legítima a negociação institucional, mas exige transparência sobre os compromissos assumidos e seus efeitos sobre políticas públicas.

A PEC da escala 6×1 é o melhor indicador da diferença entre discurso e capacidade de entrega. A Câmara já aprovou o texto por ampla maioria, mas o Senado ainda controla as etapas decisivas. A sinalização de Alcolumbre de que a votação pode ficar para depois das eleições contrasta com a urgência defendida pelo governo. A MP 1.357/2026 oferece teste ainda mais imediato, pois possui prazo de validade definido e tramitação pública verificável. Retomada do diálogo entre o Planalto, o Senado e a Câmara, acompanhada por uma tentativa de acelerar propostas de impacto trabalhista, econômico e institucional.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading