Salvador perde população no ciclo ACM Neto–Bruno Reis e expõe paradoxo entre solidez fiscal, baixa renda, favelização e modelo urbano | Por Carlos Augusto

Nesta segunda-feira (31/08/2026), os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que Salvador voltou a perder população: a estimativa oficial para 2026 aponta 2.559.945 habitantes, redução de 4.259 moradores, ou 0,17%, em relação aos 2.564.204 estimados em 2025. Foi a maior retração percentual registrada entre as capitais brasileiras no período. O resultado se soma à redução de aproximadamente 258 mil habitantes entre os Censos de 2010 e 2022 e amplia o debate sobre a capacidade da capital baiana de reter moradores durante o ciclo político iniciado com ACM Neto, em 2013, e continuado por Bruno Reis, desde 2021. Os dados disponíveis permitem atribuir a retração demográfica a um conjunto de falhas na política pública das gestões dos magalhistas.

A nova estimativa do IBGE, com data de referência em 1º de julho de 2026 e divulgada em 28/08/2026, mantém Salvador como o quinto município mais populoso do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza. Enquanto a população brasileira foi estimada em 214,2 milhões, a capital baiana apresentou movimento contrário ao crescimento nacional.

A retração de 0,17% entre 2025 e 2026 foi a maior entre as capitais. Natal registrou queda de 0,13%, Belém de 0,08% e Belo Horizonte de 0,02%. A comparação anual é feita entre estimativas populacionais e, portanto, possui natureza metodológica distinta da comparação direta entre censos.

A tendência de longo prazo é mais expressiva. O Censo de 2010 registrou 2.675.656 moradores em Salvador. Na base atualmente disponível do Censo 2022, são 2.417.678, diferença de 257.978 habitantes. Na divulgação inicial do levantamento, que contabilizava 2.418.005 pessoas, a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia apontou Salvador como a capital com maior perda populacional absoluta e relativa no intervalo censitário.

Queda da fecundidade e migração metropolitana ajudam a explicar fenômeno

A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) identifica dois componentes importantes da transformação demográfica: a redução da fecundidade e o provável aumento dos fluxos migratórios da capital em direção aos municípios vizinhos. Segundo a instituição estadual, Salvador já apresenta níveis de fecundidade abaixo da taxa de reposição desde o período do Censo de 2000.

Paralelamente, municípios da Região Metropolitana cresceram. Entre 2010 e 2022, Camaçari passou de 242.970 para 299.579 habitantes, enquanto Lauro de Freitas avançou de 163.449 para 203.334. A SEI também aponta expansão populacional ao longo da Linha Verde, evidência compatível com um processo de desconcentração residencial metropolitana.

Observa-se que durante a maior parte do intervalo de retração populacional, a capital permaneceu administrada pelo mesmo grupo político dos Magalhães, sem reversão da tendência demográfica.

Renda baixa permanece

Os indicadores econômicos ajudam a compreender as limitações estruturais da cidade. Em 2024, o rendimento médio real habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas em Salvador foi de R$ 2.699, queda de 4,8% em relação aos R$ 2.835 registrados em 2023. O valor foi o menor da série iniciada em 2012 e o mais baixo entre as capitais brasileiras naquele ano, conforme dados da PNAD Contínua.

O diagnóstico de longo prazo, contudo, incorpora a recuperação posterior. No trimestre encerrado em dezembro de 2025, o IBGE estimou rendimento médio real de R$ 3.128 para os trabalhadores de Salvador, contra R$ 2.972 no mesmo trimestre de 2024. A taxa de desocupação passou de 9,8% para 8,2% na mesma comparação. O instituto classificou estatisticamente essas variações como estáveis, o que recomenda cautela antes de caracterizar uma mudança estrutural.

O problema mais consistente é a persistência de renda relativamente baixa, informalidade elevada e desigualdade, mesmo em períodos de expansão do emprego.

Pobreza e desigualdade mantêm pressão sobre desenvolvimento social

Levantamento do FGV IBRE, elaborado com dados de 2023, estimou para Salvador renda domiciliar per capita média de R$ 1.824, Índice de Gini de 0,562 e Índice de Palma de 4,5. Esse último indicador representa a relação entre a massa de renda apropriada pelos 10% de maior rendimento e aquela recebida pelos 40% mais pobres.

Naquele ano, 34,4% da população estava abaixo da linha de pobreza e 6,4% em extrema pobreza. A desocupação alcançava 13,7% e a informalidade, 53,7%. O FGV IBRE agrupou Salvador, Recife e Fortaleza entre as grandes capitais nordestinas caracterizadas simultaneamente por níveis relativamente baixos de renda e elevada desigualdade.

Também existem sinais econômicos em sentido contrário. Segundo a Prefeitura, com base no Caged, Salvador acumulou saldo de 13.921 empregos formais no primeiro trimestre de 2025. Nos dois primeiros meses do mesmo ano, foram abertos 12.173 CNPJs, diante do fechamento de 5.748 empresas. São indicadores de dinamismo empresarial e formalização que precisam ser considerados juntamente com renda, produtividade e qualidade dos postos de trabalho.

Mais de 1 milhão de moradores vivem em favelas e comunidades urbanas

A dimensão habitacional representa uma das principais contradições do desenvolvimento de Salvador. O Censo 2022 identificou 1.033.258 moradores em favelas e comunidades urbanas, correspondentes a aproximadamente 42,7% da população, distribuídos por 262 territórios classificados pelo IBGE.

O fato de mais de quatro em cada dez moradores viverem em áreas classificadas como favelas e comunidades urbanas evidencia a escala do desafio envolvendo habitação, urbanização, saneamento, regularização fundiária, contenção de riscos e acesso à infraestrutura. A responsabilidade por essas políticas é compartilhada entre Município, Estado e União, mas o ordenamento territorial e parte expressiva da gestão do solo urbano pertencem à esfera municipal.

BR-324 evidencia necessidade de documentação específica sobre avanço das ocupações

Na entrada de Salvador pela BR-324, especialmente no eixo vindo de Simões Filho, assentamentos, ocupações de encostas e moradias populares formam parte da paisagem urbana associada à expansão periférica da capital.

O fenômeno é compatível com o quadro geral de elevada urbanização informal revelado pelo Censo e evidenciam graves falhas na política urbana das administrações de ACM Neto e Bruno Reis.

Ocupação do espaço público coloca fiscalização municipal em debate

Outro aspecto da política urbana aparece na utilização econômica de praias, calçadas, praças e demais espaços públicos. A existência de vendedores ambulantes e permissionários possui função econômica importante numa cidade marcada historicamente por elevada informalidade, mas o licenciamento precisa ser compatibilizado com o direito coletivo de circulação e uso do espaço.

O Porto da Barra tornou-se um caso emblemático. Em 23/01/2025, após reclamações relacionadas ao excesso de cadeiras, mesas e sombreiros na faixa de areia, a Secretaria Municipal de Ordem Pública estabeleceu regras com os 30 permissionários que atuavam entre os fortes São Diogo e Santa Maria. Cada trabalhador passou a ter limite de 10 kits, com delimitação de área e reforço da fiscalização.

Em 17/02/2025, o Ministério Público da Bahia instaurou inquérito civil para apurar possíveis falhas de fiscalização do Município e denúncias relacionadas à ocupação excessiva da areia, preços, limpeza, ruído e práticas comerciais. A abertura do procedimento não representa reconhecimento de responsabilidade da Prefeitura ou dos permissionários, mas demonstra que a disputa sobre o caráter público da praia adquiriu dimensão institucional.

O tema permaneceu em discussão. Em agosto de 2026, o MPBA programou audiência pública para tratar da organização dos serviços prestados por barraqueiros e da aplicação da legislação municipal que passou a disciplinar a instalação de equipamentos na areia.

Desigualdade econômica também se materializa no território

A desigualdade de Salvador ultrapassa os indicadores monetários. O projeto QUALISalvador, conduzido por pesquisadores da UFBA em parceria com Uneb e participação da Uefs, constatou que aproximadamente 60% dos bairros apresentavam qualidade urbano-ambiental classificada entre regular e muito ruim. Apenas 18,75% estavam nas categorias muito boa ou excelente.

O Índice de Qualidade Urbano-Ambiental de Salvador (IQUASalvador) variou entre 0,34 e 0,83, numa escala de zero a um, com média municipal de 0,54. O indicador combina condições físico-naturais, socioeconômicas, serviços, infraestrutura, cultura, cidadania e bem-estar.

Outro estudo acadêmico da UFBA, voltado à relação entre política urbano-ambiental e vegetação entre 2004 e 2020, identificou forte desigualdade na cobertura vegetal entre bairros e apontou que 66% deles apresentavam percentual de cobertura inferior a 10%. A pesquisa associa a distribuição desigual da vegetação a riscos socioambientais e às limitações do planejamento urbano.

BRT representa uma escolha de mobilidade que permanece sujeita a avaliação

A mobilidade urbana constitui outro eixo de análise do ciclo iniciado em 2013. Uma correção histórica é necessária: ACM Neto não abandonou unilateralmente o metrô para construir o BRT. Em 22/04/2013, o Município transferiu ao Estado da Bahia a totalidade de suas ações na então Companhia de Transporte de Salvador, operação ratificada em assembleia em maio daquele ano. O Governo do Estado assumiu a estrutura metroviária e sua expansão.

A escolha municipal posterior foi investir em corredores estruturados de ônibus, culminando no BRT de Salvador. A questão relevante é avaliar se um modal rodoviário de ônibus, associado a grandes intervenções físicas, representa a solução de longo prazo mais adequada para corredores de elevada demanda de uma metrópole com mais de 2,5 milhões de habitantes.

O projeto também passou por fiscalização federal. Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o Trecho 2, com orçamento estimado em aproximadamente R$ 311 milhões, registrou indícios de irregularidades envolvendo edital, orçamento e anteprojeto e confirmou parte das ocorrências após análise. O procedimento não equivale, por si só, à responsabilização criminal dos gestores.

A discussão ganha nova dimensão diante da expansão de sistemas sobre trilhos promovida pelo Governo da Bahia, envolvendo metrô, VLT e novas conexões metropolitanas. A coexistência dos modelos torna possível avaliar, no longo prazo, capacidade, tempo de viagem, custo operacional, impacto ambiental, integração e demanda efetivamente transportada.

Equilíbrio fiscal é um dos principais resultados das administrações municipais

Se os indicadores sociais e territoriais permanecem problemáticos, a situação fiscal apresenta resultados diferentes. Em 2025, Salvador registrou superávit primário de R$ 129 milhões e resultado orçamentário positivo de R$ 84 milhões, de acordo com o relatório apresentado pela Secretaria Municipal da Fazenda.

A capacidade fiscal também sustentou investimentos públicos significativos. Em 2024, o Município informou aproximadamente R$ 2 bilhões em investimentos, alta de 28% sobre 2023. Os gastos executados superaram R$ 3 bilhões na saúde e alcançaram R$ 2,7 bilhões na educação.

Em 2025, as despesas municipais com saúde ultrapassaram R$ 3,1 bilhões, enquanto os recursos próprios aplicados no setor passaram de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,7 bilhão, conforme a administração. Esses números afastam a hipótese de ausência generalizada de investimento e deslocam a investigação jornalística para outra questão: qual foi a capacidade desses recursos de produzir transformação social, territorial e econômica proporcional à solidez financeira do Município?

IPTU ampliou capacidade arrecadatória

O IPTU ocupa posição central na discussão sobre o custo de permanecer em Salvador. Em 2013, primeiro ano da administração ACM Neto, a Prefeitura promoveu ampla revisão da Planta Genérica de Valores utilizada no cálculo do imposto.

Naquele momento, o então secretário municipal da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, projetou incremento de aproximadamente R$ 480 milhões na arrecadação decorrente das mudanças, numa base em que a receita citada era de cerca de R$ 270 milhões. A administração defendia que a reforma atualizaria valores defasados, ampliaria isenções e redistribuiria a carga conforme a capacidade contributiva.

A política posterior, entretanto, passou a limitar os reajustes anuais gerais à inflação. Para 2026, aproximadamente 555 mil imóveis estavam sujeitos ao imposto, corrigido em 4,46%, correspondente à variação do IPCA considerada pela administração. A Prefeitura afirmou tratar-se do 12º ano consecutivo sem aumento real generalizado.

Imóveis ociosos revelam necessidade de reconversão de áreas consolidadas

O esvaziamento ou a subutilização de imóveis em regiões tradicionalmente valorizadas constitui outra dimensão da transformação urbana.

Em 25/02/2026, a Prefeitura publicou decretos autorizando a tomada de posse de 36 unidades imobiliárias abandonadas no bairro do Comércio, com fundamento na legislação municipal sobre propriedades urbanas abandonadas. A própria administração classificou a ociosidade imobiliária como obstáculo à revitalização da área central.

Na Pituba, o antigo complexo operacional dos Correios, desativado desde 2018, foi arrematado em junho de 2026 por R$ 97,76 milhões para implantação de empreendimento predominantemente residencial. O negócio demonstra uma mudança de função urbana de um grande imóvel corporativo, mas não comprova isoladamente uma desvalorização generalizada do mercado imobiliário comercial.

Saúde e educação exigem análise sobre qualidade do gasto

Os dados fiscais também obrigam a tratar com cautela críticas genéricas à saúde e à educação municipais. Em 2024, Salvador executou mais de R$ 3 bilhões na saúde, alta de 20,5%, e aproximadamente R$ 2,7 bilhões na educação, crescimento de 17,7%.

Isso não significa que os serviços sejam homogêneos ou suficientes. Volume orçamentário não mede sozinho tempo de atendimento, condições físicas das unidades, cobertura territorial, resultados educacionais ou satisfação dos usuários. Uma avaliação conclusiva exige indicadores de atendimento, inspeções, auditorias, dados do CNES, filas, desempenho escolar e condições específicas das unidades.

Na educação, existe ainda um contraste visível com o padrão arquitetônico implantado em parte da rede estadual de tempo integral. Em 17/07/2026, por exemplo, o Governo da Bahia entregou a modernização do Colégio Estadual de Tempo Integral Duque de Caxias, na Liberdade, com 31 salas de aula, oito laboratórios, biblioteca, teatro, quadra coberta, campo society e espaços especializados, atendendo mais de 1.500 estudantes. As redes estadual e municipal atendem etapas educacionais diferentes e possuem estruturas orçamentárias distintas, circunstância que impede uma comparação financeira direta.

O paradoxo urbano de Salvador

O conjunto de indicadores revela uma cidade que não pode ser descrita nem como administração sem investimento nem como caso de transformação estrutural concluída. O ciclo ACM Neto–Bruno Reis consolidou capacidade arrecadatória, equilíbrio fiscal, grandes intervenções urbanas, BRT e investimentos relevantes em serviços públicos.

Ao mesmo tempo, Salvador chega a 2026 com mais de 1 milhão de moradores vivendo em favelas e comunidades urbanas, desigualdade territorial persistente, histórico recente de baixa renda, elevados contingentes de pobreza e informalidade, problemas de ocupação do espaço público e uma população municipal novamente em retração.

A questão central deixa, portanto, de ser se houve capacidade para arrecadar, investir ou executar obras — porque os números mostram que houve — e passa a ser quanto dessa capacidade foi convertida em desenvolvimento econômico e social capaz de reduzir desigualdades e tornar Salvador suficientemente atraente e acessível para reter população.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 2010 — Censo registra 2.675.656 habitantes em Salvador; número torna-se referência para mensuração da retração demográfica posterior.
  • Janeiro de 2013ACM Neto assume a Prefeitura de Salvador, iniciando o ciclo político mantido posteriormente por Bruno Reis.
  • 22/04/2013 — Município transfere ao Estado da Bahia as ações da companhia responsável pelo metrô; Governo estadual passa a responder pela estrutura metroviária.
  • 2013 — Reforma do IPTU e da Planta Genérica de Valores amplia a base de arrecadação municipal; o então secretário Mauro Ricardo Costa projetou acréscimo de aproximadamente R$ 480 milhões.
  • 2018 — Complexo operacional dos Correios na Pituba é desativado; o imóvel permaneceria ocioso até sua venda em 2026.
  • 13/05/2020 — TCU registra auditoria sobre o Trecho 2 do BRT, com orçamento estimado de R$ 311 milhões, confirmando parte dos indícios de irregularidades examinados.
  • 2021Bruno Reis assume a Prefeitura, mantendo a continuidade do grupo político iniciado com ACM Neto.
  • 2022 — Censo registra atualmente 2.417.678 habitantes em Salvador; a retração desde 2010 aproxima-se de 258 mil pessoas.
  • 2022 — IBGE identifica 1.033.258 pessoas vivendo em 262 favelas e comunidades urbanas de Salvador, equivalentes a aproximadamente 42,7% dos moradores.
  • 2023 — FGV IBRE calcula pobreza em 34,4%, extrema pobreza em 6,4%, Gini de 0,562 e Palma de 4,5 em Salvador.
  • 2024 — Rendimento médio dos ocupados cai para R$ 2.699, menor resultado entre as capitais naquele ano; Prefeitura executa mais de R$ 3 bilhões em saúde e R$ 2,7 bilhões em educação.
  • 23/01/2025 — Semop limita a 10 kits por permissionário a ocupação da faixa de areia do Porto da Barra, após reclamações sobre excesso de equipamentos.
  • 17/02/2025 — Ministério Público instaura inquérito civil relacionado à fiscalização e à atuação de permissionários no Porto da Barra.
  • 2025 — Salvador fecha o exercício com superávit primário de R$ 129 milhões e resultado orçamentário positivo de R$ 84 milhões.
  • Dezembro de 2025 — PNAD Contínua estima desocupação de 8,2% e rendimento real habitual de R$ 3.128 no trimestre encerrado naquele mês em Salvador.
  • 25/02/2026 — Prefeitura autoriza posse municipal de 36 unidades abandonadas no Comércio como parte de política de revitalização.
  • Junho de 2026 — Antigo complexo dos Correios na Pituba é arrematado por R$ 97,76 milhões, com previsão de nova destinação imobiliária.
  • 17/07/2026 — Governo da Bahia entrega modernização do Colégio Estadual de Tempo Integral Duque de Caxias, na Liberdade.
  • 28/08/2026 — IBGE divulga população estimada de 2.559.945 habitantes para Salvador, queda de 0,17% sobre 2025 e maior retração percentual entre as capitais.
  • 31/08/2026 — O novo dado demográfico recoloca no debate público a relação entre capacidade fiscal, desenvolvimento econômico, política urbana, habitação, mobilidade e retenção populacional.

O fato de o mesmo grupo político governar Salvador desde 2013 torna legítima a avaliação de como suas escolhas urbanas, fiscais e econômicas responderam à tendência de perda demográfica. O contraste mais significativo está entre os indicadores fiscais e sociais. Salvador demonstra capacidade de arrecadação, mantém resultados orçamentários positivos e executa bilhões de reais em saúde, educação e infraestrutura. Paralelamente, mais de quatro em cada dez moradores foram classificados pelo Censo como residentes de favelas e comunidades urbanas, enquanto os indicadores recentes registraram períodos de renda baixa, pobreza elevada e desigualdades territoriais profundas. O problema público central, portanto, não é simplesmente a quantidade de recursos disponível, mas a eficiência distributiva e transformadora das políticas financiadas por esses recursos.

O núcleo é inequívoco: Salvador perdeu aproximadamente 258 mil habitantes entre os Censos de 2010 e 2022 e voltou a registrar a maior retração percentual entre as capitais nas estimativas de 2025 para 2026. A relevância pública do fenômeno está em confrontar essa trajetória com a capacidade fiscal acumulada pelo Município. Prefeitura, Câmara Municipal, Governo da Bahia, União, órgãos de controle, universidades e instituições responsáveis por habitação, mobilidade, desenvolvimento econômico e planejamento terão papel na resposta a uma questão que ultrapassa disputas eleitorais: como converter recursos públicos e investimentos urbanos em renda, moradia adequada, qualidade territorial e condições econômicas capazes de manter e atrair população.

*Carlos Augusto, jornalista, cientista social e editor do Jornal Grande Bahia.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading