O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou, nesta quarta-feira (05/08/2026), em Brasília, a escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente da República em sua chapa nas Eleições 2026. A indicação, apresentada no último dia reservado às convenções partidárias, estabelece uma composição formada exclusivamente por integrantes do Partido Liberal e encerra semanas de negociações nas quais a campanha buscou atrair outras legendas e avaliou nomes femininos para completar a candidatura presidencial.
Anúncio encerra período de indefinição sobre a candidatura a vice
A definição de Alfredo Gaspar ocorreu após o PL não conseguir formalizar uma aliança presidencial com partidos do centro e da direita. Progressistas, União Brasil, Republicanos e Podemos optaram por não integrar oficialmente a coligação nacional no primeiro turno, embora lideranças dessas siglas possam apoiar Flávio Bolsonaro em estados específicos. Diante desse cenário, a direção liberal adotou uma solução interna e consolidou uma chapa denominada, no vocabulário político, “puro-sangue”.
Durante o anúncio, o candidato à Presidência apresentou Gaspar como um político identificado com o enfrentamento ao crime organizado, a atuação do Ministério Público e a defesa de aposentados investigada no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social. O senador afirmou que a trajetória profissional e parlamentar do deputado foi determinante para a escolha.
O parlamentar alagoano, por sua vez, declarou que participará da campanha com compromisso de lealdade ao candidato presidencial e prometeu concentrar sua atuação nos temas da corrupção, da criminalidade organizada e da economia. Em sua primeira manifestação como candidato a vice, ressaltou a origem nordestina, a trajetória profissional e a disposição para atuar ao lado do senador durante a disputa nacional.
Chapa do PL busca ampliar presença eleitoral no Nordeste
A origem regional de Alfredo Gaspar constitui um dos componentes centrais da estratégia adotada pelo PL. Natural de Maceió, o deputado representa Alagoas na Câmara dos Deputados e deverá ser apresentado pela campanha como uma liderança nordestina capaz de ampliar a interlocução da candidatura com uma região historicamente decisiva nas eleições presidenciais.
A escolha ocorre em um contexto no qual o partido procura estruturar palanques estaduais e reduzir dificuldades de articulação encontradas em unidades da Federação onde siglas de centro e direita mantêm alianças regionais com diferentes candidatos presidenciais. A coordenação da campanha sustenta que mais de 20 palanques estaduais estão sendo organizados, número superior ao alcançado pela candidatura de Jair Bolsonaro em 2022. A informação, contudo, representa uma projeção divulgada pelos dirigentes e dependerá das composições efetivamente registradas nos estados.
A presença de um candidato nordestino na vice também pretende produzir uma identificação regional para além das bases tradicionais do bolsonarismo. Esse objetivo dependerá, entretanto, da capacidade da chapa de construir alianças locais, integrar candidaturas estaduais, organizar estruturas municipais e apresentar propostas relacionadas às condições econômicas, sociais e de segurança vivenciadas pelos estados da região.
Segurança pública torna-se eixo central da campanha
Alfredo Gaspar de Mendonça Neto nasceu em 13/08/1970, em Maceió, é advogado e exerce seu primeiro mandato como deputado federal, iniciado em fevereiro de 2023. Ele foi eleito originalmente pelo União Brasil, transferiu-se para o Partido Liberal em março de 2026 e assumiu o comando estadual da legenda em Alagoas.
Antes de ingressar no Congresso Nacional, construiu carreira no Ministério Público de Alagoas, onde atuou como promotor e procurador-geral de Justiça. Também exerceu o cargo de secretário estadual da Segurança Pública, experiência utilizada pela campanha para associar seu nome às pautas de combate ao crime organizado, fortalecimento das forças policiais e endurecimento da legislação penal.
Na Câmara, o parlamentar ampliou sua projeção nacional ao exercer a relatoria da CPMI do INSS, criada para investigar descontos indevidos e outras irregularidades envolvendo aposentados e pensionistas. O relatório apresentado por Gaspar propôs mais de 200 indiciamentos, mas foi rejeitado por 19 votos a 12, e a comissão encerrou os trabalhos sem aprovar um parecer final. Apesar do desfecho, a atuação no colegiado fortaleceu sua presença no debate político nacional e passou a ser explorada pelo PL como credencial de fiscalização e combate à corrupção.
Indicação altera disputa pelo Senado em Alagoas
A entrada de Alfredo Gaspar na chapa presidencial modifica diretamente o cenário eleitoral de Alagoas. Na terça-feira (04/08/2026), um dia antes de ser anunciado como candidato a vice-presidente, o deputado havia lançado sua candidatura ao Senado pelo estado. A mudança exige uma reorganização das alianças e das candidaturas majoritárias construídas pelo PL alagoano.
Até então, Gaspar vinha articulando uma composição para disputar uma das duas vagas ao Senado em conjunto com o deputado federal Arthur Lira, vinculado ao Progressistas. A indicação para a chapa presidencial retira, em princípio, um dos principais nomes da direita da corrida senatorial e abre espaço para que o partido avalie um substituto ou redefina sua participação na coligação estadual.
A alteração também repercute na estrutura partidária sob responsabilidade do próprio deputado, que assumiu a presidência do PL em Alagoas após deixar o União Brasil. Caberá à direção estadual ajustar as candidaturas proporcionais, os palanques e as alianças locais ao novo papel nacional atribuído ao parlamentar.
Participação feminina permanece no discurso da campanha
A indicação de Alfredo Gaspar contrariou a expectativa de aliados que aguardavam a escolha de uma mulher para a candidatura a vice-presidente. Durante as negociações, foram mencionados nomes como a senadora Tereza Cristina, do Progressistas, e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos. As tratativas não avançaram porque os respectivos partidos decidiram não integrar formalmente a chapa presidencial do PL.
Tereza Cristina participou do evento e declarou que havia recebido o convite, mas não poderia aceitá-lo por razões partidárias. A senadora afirmou, contudo, que deverá colaborar com a campanha. Daniella Marques também manifestou apoio ao projeto e ressaltou sua intenção de contribuir para a elaboração de propostas econômicas e sociais.
Flávio Bolsonaro procurou manter a pauta feminina em destaque durante o anúncio, citando parlamentares e dirigentes presentes no palco e defendendo políticas relacionadas à autonomia financeira e à economia dos cuidados. A campanha deverá utilizar a participação de lideranças femininas para ampliar a interlocução com esse segmento do eleitorado, embora a composição formal seja formada por dois homens do mesmo partido.
Chapa interna evidencia limites das alianças nacionais
A escolha de um integrante do próprio PL oferece unidade programática e partidária à candidatura, mas também demonstra que as negociações para uma composição mais ampla não produziram uma coligação nacional até o encerramento das convenções. A direção liberal buscava um nome capaz de agregar tempo de propaganda, estrutura regional e apoio de uma legenda diferente, mas encontrou resistência entre partidos interessados em preservar autonomia no primeiro turno.
Progressistas e Republicanos, embora possuam integrantes próximos ao bolsonarismo, avaliaram que a neutralidade nacional permitiria maior liberdade para construir coligações estaduais. Essa decisão impediu a participação de Tereza Cristina ou Daniella Marques na chapa sem que elas contrariassem as orientações das respectivas agremiações.
A candidatura presidencial tentará compensar essa limitação por meio de apoios individuais e palanques regionais. Durante o lançamento, dirigentes afirmaram que lideranças de partidos de centro e direita continuarão participando da campanha, mesmo sem uma aliança formal entre as direções nacionais.
Quem é Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro
Alfredo Gaspar de Mendonça Neto nasceu em 13/08/1970, em Maceió, capital de Alagoas. Advogado, graduou-se em Direito pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió e concluiu pós-graduação em Direito Público. Antes de ingressar na política eleitoral, também atuou como professor universitário, lecionando em instituições de ensino superior e na Escola Superior do Ministério Público de Alagoas.
Gaspar ingressou no Ministério Público de Alagoas em 1996, onde exerceu o cargo de promotor de Justiça e atuou em comarcas do interior, promotorias criminais da capital e investigações relacionadas à corrupção e ao crime organizado. Coordenou por dois períodos o grupo estadual especializado no enfrentamento às organizações criminosas, presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas e comandou o Ministério Público alagoano como procurador-geral de Justiça entre 2017 e 2020. Também ocupou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas em dois períodos: de 2015 a 2016 e de 2021 a 2022.
A entrada na disputa eleitoral ocorreu em 2020, quando concorreu à Prefeitura de Maceió pelo MDB e chegou ao segundo turno, encerrando a eleição com 156.704 votos, equivalentes a 41,36% dos votos válidos. Em 2022, foi eleito deputado federal por Alagoas com mais de 102 mil votos, assumindo o mandato em 01/02/2023 pelo União Brasil. Filiado ao PL desde 2026, passou a integrar a bancada da legenda na Câmara dos Deputados e foi escolhido para compor, como candidato a vice-presidente, a chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro nas Eleições 2026.
Linha do tempo da formação da chapa Flávio Bolsonaro–Alfredo Gaspar
- 25/03/2026 — Alfredo Gaspar deixa o União Brasil, filia-se ao PL e assume a presidência estadual da legenda em Alagoas.
- 20/07/2026 — Começa o período oficial de convenções partidárias para definição de candidaturas e coligações nas Eleições 2026.
- 25/07/2026 — O PL realiza convenção nacional em São Paulo e homologa Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, mantendo em aberto a definição do vice.
- 31/07/2026 — O Progressistas confirma neutralidade na disputa presidencial, reduzindo a possibilidade de indicação de Tereza Cristina para a chapa.
- 04/08/2026 — Alfredo Gaspar lança sua candidatura ao Senado por Alagoas, projeto abandonado no dia seguinte com a indicação nacional.
- 05/08/2026 — Flávio Bolsonaro anuncia Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente no último dia das convenções partidárias.
- 15/08/2026 — Termina, às 19 horas, o prazo para que partidos e coligações apresentem os pedidos de registro das candidaturas à Justiça Eleitoral.
- 16/08/2026 — Começa oficialmente a propaganda eleitoral nas ruas e na internet.
- 04/10/2026 — Será realizado o primeiro turno das Eleições Gerais. Caso necessário, o segundo turno ocorrerá em 25/10/2026.
A escolha de Alfredo Gaspar produz dois efeitos políticos simultâneos. De um lado, oferece à campanha um candidato a vice com experiência no sistema de Justiça, atuação na segurança pública e projeção parlamentar recente. De outro, evidencia os limites encontrados pelo PL para formar uma coligação presidencial mais abrangente, capaz de reunir formalmente partidos do centro e da direita no primeiro turno.
A origem nordestina do deputado poderá ser utilizada como elemento de aproximação regional, mas sua eficácia eleitoral dependerá da presença de palanques competitivos, alianças municipais, recursos partidários e propostas relacionadas aos problemas concretos da região. Da mesma forma, a tentativa de manter o protagonismo feminino no discurso precisará ser acompanhada por compromissos programáticos verificáveis, uma vez que a expectativa inicial de uma mulher como candidata a vice não se concretizou.
A formalização da chapa encerra a fase de indefinição interna, mas abre uma etapa de reorganização política e jurídica. O PL terá de registrar a candidatura no TSE, substituir Gaspar na disputa ao Senado em Alagoas, consolidar apoios estaduais e demonstrar como as bandeiras de segurança pública e combate à corrupção serão transformadas em propostas nacionais. Esses movimentos determinarão o alcance da composição e deverão permanecer sob acompanhamento da Justiça Eleitoral, dos partidos, da imprensa e da sociedade.








Deixe um comentário