A XP Inc. (NASDAQ: XP) divulgou nesta segunda-feira (17/08/2026), em São Paulo, os resultados do segundo trimestre de 2026, com receita bruta de R$ 5,056 bilhões, crescimento de 8% na comparação anual, lucro líquido ajustado de R$ 1,384 bilhão, alta de 5%, e EBT ajustado de R$ 1,565 bilhão, avanço de 15%. Os ativos totais de clientes chegaram a R$ 2,2 trilhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 22,5%. A companhia também registrou captação líquida de aproximadamente R$ 28 bilhões, ampliou as operações do Banco de Atacado e marcou a chegada de Gustavo Alejo à função de diretor financeiro, o CFO. A página de Relações com Investidores da empresa confirma que os resultados do 2T26 foram apresentados em 17 de agosto de 2026.
Receita, lucro e rentabilidade avançam no segundo trimestre
O desempenho financeiro da XP no 2T26 combinou crescimento de receita com avanço mais acelerado do resultado antes dos tributos. Enquanto a receita bruta aumentou 8% sobre o mesmo trimestre de 2025, para R$ 5,056 bilhões, o lucro líquido ajustado avançou 5%, alcançando R$ 1,384 bilhão. O EBT ajustado, por sua vez, cresceu 15%, para R$ 1,565 bilhão.
A margem EBT ajustada ficou em aproximadamente 32%, em um trimestre no qual, segundo a empresa, as despesas operacionais — SG&A — cresceram abaixo da receita. A combinação indica ganho de eficiência operacional no período, embora os valores absolutos e as taxas específicas de crescimento das despesas não tenham sido apresentados nas informações disponibilizadas.
O ROE atingiu 22,5%, com expansão sequencial de 80 pontos-base. A XP informou ainda que seu índice de Basileia permanece em níveis considerados confortáveis pela companhia e acima da faixa de guidance de 16% a 19%, sem apresentar, no conteúdo analisado, o percentual exato do indicador no trimestre.
Ativos de clientes alcançam R$ 2,2 trilhões e captação chega a R$ 28 bilhões
Um dos indicadores de escala destacados no balanço foi o volume de ativos totais de clientes, considerando AuC, AuM e AuA, que alcançou R$ 2,2 trilhões no período. O montante representa crescimento de 17% em relação ao segundo trimestre de 2025.
A captação líquida total, identificada pela companhia como NNM, ficou próxima de R$ 28 bilhões, praticamente o triplo do observado no mesmo período do ano anterior. O varejo respondeu por aproximadamente R$ 20 bilhões dessa captação.
Os números reforçam a expansão da base de recursos administrados, custodiados ou vinculados às diferentes atividades da instituição. A informação fornecida, entretanto, não discrimina quanto do crescimento anual dos ativos de clientes decorreu da captação líquida, da valorização dos ativos ou de outros efeitos.
Varejo mantém captação e XP amplia diversificação de receitas
O segmento de varejo manteve participação relevante na entrada de recursos durante o segundo trimestre, com aproximadamente R$ 20 bilhões em captação.
Além da captação, a companhia atribuiu parte do desempenho do segmento à diversificação das receitas e à ampliação da participação de novas linhas de negócio. A estratégia apresentada pela XP envolve a integração de investimentos, crédito, serviços bancários, seguros e soluções destinadas a empresas.
Essa ampliação do portfólio integra a tentativa da instituição de aprofundar o relacionamento financeiro com clientes pessoas físicas e jurídicas, reduzindo a concentração das atividades exclusivamente na distribuição e assessoria de investimentos.
Banco de Atacado cresce 32% e alcança receita de R$ 1,175 bilhão
O Banco de Atacado apresentou uma das maiores taxas de expansão entre os indicadores divulgados. A unidade alcançou R$ 1,175 bilhão em receita, crescimento de 32% em relação ao segundo trimestre de 2025, desempenho atribuído principalmente às operações de Corporate.
A evolução do segmento ocorre enquanto a XP busca ampliar sua atuação financeira junto a empresas. No segundo trimestre, a companhia informou o lançamento de novos serviços destinados ao público PJ, incluindo a entrada em adquirência e cartão para pessoas jurídicas.
A expansão evidencia o peso crescente das atividades bancárias corporativas dentro da estratégia empresarial apresentada pela XP. O conteúdo divulgado, porém, não detalha a participação percentual do Banco de Atacado na composição consolidada das receitas nem fornece a decomposição dos resultados entre as diferentes linhas corporativas.
Thiago Maffra destaca expansão do modelo de negócios
Ao comentar os números, o CEO da XP Inc., Thiago Maffra, atribuiu o desempenho à expansão do portfólio e à execução da estratégia da instituição.
“O segundo trimestre materializa a força do nosso modelo de negócios e a consistência da nossa execução. Seguimos crescendo, ampliando a satisfação dos nossos clientes e fortalecendo nosso portfólio com soluções cada vez mais completas para pessoas físicas e empresas. Continuaremos ampliando a relevância da XP na vida financeira dos clientes e fortalecendo nossa posição para alcançar a liderança em investimentos no Brasil ao longo da próxima década”, afirmou Maffra.
A declaração expressa a avaliação da própria administração sobre o desempenho e os objetivos de longo prazo da instituição. A meta de alcançar a liderança em investimentos, portanto, deve ser compreendida como uma ambição estratégica declarada pela companhia, e não como resultado já alcançado.
Recompra de ações e dividendos integram estratégia de capital
Além do crescimento operacional, a XP manteve iniciativas direcionadas à remuneração dos acionistas e à administração de seu capital.
A companhia informou ter concluído um programa de recompra de ações de R$ 1 bilhão e iniciado a execução de um novo programa também de R$ 1 bilhão. Paralelamente, realizou o pagamento de aproximadamente R$ 500 milhões em dividendos.
O lucro por ação diluído ajustado, o EPS, cresceu 8% em relação ao segundo trimestre de 2025. Segundo a XP, os programas de recompra contribuíram para esse avanço, uma vez que a redução da quantidade de ações em circulação pode aumentar o resultado atribuído a cada papel, mantidas as demais condições.
A evolução do EPS foi superior ao crescimento de 5% registrado pelo lucro líquido ajustado no mesmo intervalo, elemento que reforça a influência da política de recompras sobre a métrica por ação.
Despesas crescem abaixo da receita e investimentos continuam
A XP informou que as despesas operacionais, reunidas na rubrica SG&A, cresceram em ritmo inferior ao da receita durante o segundo trimestre, movimento apontado pela empresa como evidência de ganho de eficiência operacional.
Ao mesmo tempo, a instituição afirmou manter investimentos em tecnologia, inteligência artificial, produtividade, digitalização e expansão da força comercial.
A estratégia combina, portanto, controle relativo das despesas com investimentos destinados à ampliação da capacidade comercial e tecnológica. O material analisado não apresenta os valores individualizados investidos nessas frentes, o que impede mensurar a participação específica de cada uma na estrutura de custos da companhia.
Gustavo Alejo assume como novo CFO da XP
A apresentação dos resultados também marca a chegada de Gustavo Alejo à função de CFO da XP Inc., responsável pela direção financeira da companhia.
A mudança ocorre enquanto o grupo amplia a escala das operações bancárias e busca aprofundar sua atuação em diferentes segmentos do sistema financeiro.
Ao comentar sua chegada, Alejo destacou a combinação entre estratégia de longo prazo, tecnologia e disciplina na utilização do capital.
“Estou entusiasmado por me juntar a uma companhia que combina visão de longo prazo, disciplina na alocação de capital e foco contínuo na geração de valor para clientes e acionistas. Vejo um potencial significativo para aprofundarmos ainda mais a personalização dos serviços financeiros, apoiados por tecnologia, inovação e uma proposta cada vez mais completa”, afirmou.
A atuação do novo CFO passa a integrar uma fase em que expansão das operações bancárias, eficiência de capital, rentabilidade e diversificação de receitas figuram entre os principais eixos apresentados pela empresa.
XP informa ter mais de 4,8 milhões de clientes ativos e 18 mil assessores
A XP Inc. se apresenta como uma das maiores instituições financeiras independentes do país e controla marcas como XP, Rico, Clear, XP Educação e InfoMoney.
Segundo os dados fornecidos pela própria companhia, o grupo reúne mais de 4,8 milhões de clientes ativos, os já mencionados R$ 2,2 trilhões em ativos totais de clientes e uma rede superior a 18 mil assessores de investimentos.
A instituição informa ainda atuar há mais de 25 anos no mercado brasileiro. A dimensão da base de clientes e da rede comercial ajuda a contextualizar o impacto dos indicadores divulgados no segundo trimestre e a escala necessária à expansão para novas linhas bancárias e empresariais.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Há mais de 25 anos — A XP inicia e desenvolve sua atuação no mercado financeiro brasileiro, posteriormente ampliando o modelo para investimentos, crédito, banking, seguros, educação e serviços empresariais.
- Segundo trimestre de 2026 — Os ativos totais de clientes alcançam R$ 2,2 trilhões, crescimento anual de 17%, e a captação líquida soma aproximadamente R$ 28 bilhões.
- Segundo trimestre de 2026 — A receita bruta atinge R$ 5,056 bilhões, o lucro líquido ajustado chega a R$ 1,384 bilhão e o EBT ajustado alcança R$ 1,565 bilhão.
- Segundo trimestre de 2026 — O Banco de Atacado registra R$ 1,175 bilhão em receita, alta anual de 32%, enquanto a empresa lança serviços de adquirência e cartão para pessoas jurídicas.
- Segundo trimestre de 2026 — O ROE alcança 22,5%, com expansão sequencial de 80 pontos-base, enquanto o EPS diluído ajustado cresce 8% na comparação anual.
- Segundo trimestre de 2026 — A XP informa a conclusão de um programa de recompra de ações de R$ 1 bilhão, o início de outro de igual valor e o pagamento de aproximadamente R$ 500 milhões em dividendos.
- 17/08/2026 — A XP divulga os resultados do 2T26 em São Paulo e a apresentação do trimestre marca a chegada de Gustavo Alejo como novo CFO da instituição. A área de Relações com Investidores registrou a divulgação nessa data.
Os resultados do segundo trimestre mostram crescimento simultâneo de escala, receita e rentabilidade, mas em velocidades diferentes. O EBT ajustado avançou 15%, quase o dobro da expansão de 8% da receita, enquanto o lucro líquido ajustado cresceu 5%. Associados à margem EBT próxima de 32% e ao crescimento das despesas abaixo da receita, esses dados indicam melhora operacional dentro dos parâmetros apresentados pela companhia. A análise, contudo, deve distinguir resultados ajustados de resultados contábeis não ajustados, que não foram detalhados no conteúdo disponibilizado.
A expansão para R$ 2,2 trilhões em ativos de clientes e a captação líquida de R$ 28 bilhões confirmam ganho de escala, mas os dois indicadores não devem ser interpretados como equivalentes. O primeiro representa o estoque total de ativos vinculado à plataforma e suas atividades, enquanto o segundo registra entrada líquida de recursos no período. Sem a decomposição dos efeitos de mercado e outros componentes, não é possível atribuir exclusivamente à captação o crescimento anual de 17% dos ativos.
O avanço de 32% da receita do Banco de Atacado, significativamente superior ao crescimento consolidado, coloca a diversificação bancária entre os elementos que merecem acompanhamento nos próximos balanços. Também permanecem pontos que exigem documentação financeira mais detalhada para avaliação independente: o conteúdo não apresenta o valor absoluto das despesas SG&A, o índice exato de Basileia, a decomposição completa da receita por negócios nem os resultados individualizados dos novos serviços para empresas. Há ainda alternância entre as expressões “receita total” e “receita bruta” para os R$ 5,056 bilhões, razão pela qual a classificação contábil deve seguir a documentação financeira oficial da companhia.
O núcleo factual do 2T26 é a combinação de R$ 5,056 bilhões em receita bruta, R$ 1,384 bilhão em lucro líquido ajustado, R$ 2,2 trilhões em ativos de clientes, ROE de 22,5% e crescimento de 32% no Banco de Atacado. A relevância pública e econômica decorre da escala da XP no sistema financeiro e da transformação de seu modelo, que avança para serviços bancários e corporativos enquanto mantém a plataforma de investimentos. Os próximos resultados deverão mostrar se Thiago Maffra, Gustavo Alejo e a administração da companhia conseguirão preservar a expansão com eficiência, disciplina de capital e níveis adequados de rentabilidade enquanto os novos negócios ganham participação.








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