O candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, apresentou na segunda-feira (31/08/2026), durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, um conjunto de propostas para a administração paulista, com ênfase no combate ao crime organizado, reorganização do sistema de saúde, valorização dos professores, revisão de contratos estaduais, segurança hídrica e diálogo com a Assembleia Legislativa. Entre as posições de maior repercussão, defendeu a criação de um gabinete antifacção comandado pelo governador, declarou-se pessoalmente favorável à proibição das apostas esportivas — bets e afirmou que pretende colocar a educação estadual entre as cinco melhores do país. Também criticou aspectos das políticas do governo de Tarcísio de Freitas, especialmente nas áreas de segurança, educação e gestão fiscal.
Haddad propõe gabinete antifacção e integração das forças de segurança
Na área de segurança pública, Haddad colocou a integração institucional no centro de sua proposta de enfrentamento às organizações criminosas. Segundo apresentou durante a entrevista, o Estado deveria constituir um gabinete antifacção, presidido pelo próprio governador e integrado pelas polícias Civil, Militar e Penal, além da Polícia Federal, da Receita Federal e dos Ministérios Públicos.
A proposta parte do entendimento de que organizações criminosas com estruturas financeiras, territoriais e econômicas complexas não podem ser enfrentadas exclusivamente por operações policiais isoladas. Haddad defendeu uma atuação interfederativa baseada em compartilhamento de inteligência e criticou disputas entre instituições por protagonismo.
Como referência para esse modelo, mencionou a Operação Carbono Oculto, atribuída no relato à atuação da Receita Federal. Para Haddad, iniciativas desse tipo demonstram a importância do rastreamento econômico e financeiro como instrumento de combate ao crime organizado.
PCC, Comando Vermelho e discussão sobre terrorismo
Questionado sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, Haddad tratou a controvérsia como uma “questão menor” diante do desafio mais amplo de combater as organizações criminosas e reduzir a impunidade.
A posição apresentada pelo candidato desloca o debate da nomenclatura jurídica ou política atribuída aos grupos para a capacidade operacional do Estado de investigar suas estruturas, identificar patrimônio, interromper fluxos financeiros e responsabilizar integrantes e colaboradores.
A declaração, entretanto, não encerra a controvérsia sobre eventuais consequências jurídicas, diplomáticas ou operacionais decorrentes da classificação de organizações criminosas como terroristas. Esses aspectos não foram detalhados no material disponibilizado e dependeriam de análise das legislações e atos oficiais envolvidos.
Haddad critica política de segurança do governo Tarcísio
Haddad também dirigiu críticas ao governo de Tarcísio de Freitas. Segundo o candidato, a administração paulista teria falhado na valorização das forças policiais e na incorporação de tecnologias capazes de ampliar a capacidade de investigação e prevenção criminal.
Ele mencionou especificamente a utilização de recursos tecnológicos e de inteligência artificial como instrumentos que deveriam ser incorporados de maneira mais consistente à segurança pública.
As declarações constituem uma avaliação política de Haddad sobre a administração estadual. O conteúdo fornecido não apresenta dados independentes sobre investimentos, remuneração policial, sistemas tecnológicos ou indicadores de segurança capazes de confirmar ou refutar essas críticas.
Saúde: Haddad propõe reformular regulação e reduzir filas
Na saúde pública, um dos principais eixos apresentados foi a reformulação do sistema de regulação de vagas e atendimentos. Haddad defendeu mudanças na CROSS, estrutura responsável pela regulação de serviços de saúde, associando a reorganização do sistema à necessidade de acelerar exames, procedimentos e cirurgias.
A proposta envolve a adoção de modelos de cuidado integral e ambulatorial, com uma organização do atendimento que reduza etapas administrativas e diminua o tempo entre diagnóstico, encaminhamento e tratamento.
A entrevista, conforme o resumo disponibilizado, não apresentou projeções de custo, prazos de implantação ou metas quantitativas de redução das filas. Esses elementos serão necessários para avaliar posteriormente a viabilidade administrativa e financeira das propostas.
Farmácia Popular Móvel prevê entrega de medicamentos
Outro projeto anunciado foi a criação da Farmácia Popular Móvel, que teria como finalidade levar medicamentos até a residência dos pacientes.
A medida busca alterar a lógica tradicional de retirada presencial de remédios e aproximar o serviço de pessoas que enfrentam dificuldades de deslocamento ou acesso às unidades de distribuição.
Os critérios de atendimento, medicamentos contemplados, estrutura logística, integração com municípios e custos do programa não foram detalhados nas informações apresentadas.
Central de compras para Santas Casas
Haddad também propôs organizar um pool de compras entre Santas Casas, com o objetivo de ampliar o poder de negociação dessas instituições e reduzir custos na aquisição de medicamentos, equipamentos e outros insumos hospitalares.
A proposta baseia-se na concentração das compras para obter preços mais baixos por meio de ganho de escala. O candidato também mencionou a necessidade de atuar sobre o endividamento das instituições, defendendo processos de renegociação de dívidas.
A sustentabilidade financeira das Santas Casas aparece, dessa maneira, integrada à estratégia de saúde apresentada pelo candidato, combinando redução de despesas operacionais com reorganização dos passivos.
Haddad diz que situação fiscal de São Paulo é a pior em 30 anos
Na discussão econômica, Haddad afirmou que o Estado de São Paulo enfrenta sua pior situação fiscal em 30 anos. A afirmação foi apresentada como avaliação do candidato durante o programa e não vem acompanhada, no material fornecido, de séries históricas, documentos fiscais ou indicadores comparativos que permitam verificar a metodologia utilizada para essa conclusão.
Em vez de aumentar impostos para enfrentar a situação das contas estaduais, Haddad defendeu uma revisão dos contratos firmados pelo Estado.
A proposta pressupõe buscar espaço fiscal pela análise das despesas e obrigações contratuais existentes. Entretanto, não foram indicados contratos específicos, estimativas de economia ou critérios para eventual revisão.
Bets: Haddad afirma ser favorável à proibição
Um dos posicionamentos mais claros da entrevista envolveu o mercado de apostas esportivas, conhecido como bets.
Haddad declarou-se pessoalmente favorável à proibição dessas atividades. Ao mesmo tempo, reconheceu que uma mudança dessa dimensão exigiria discussão pública e participação do Congresso Nacional.
A posição diferencia uma preferência política pessoal do candidato de uma medida que poderia ser implementada exclusivamente por um eventual governo estadual. Uma eventual proibição ou mudança abrangente na regulação nacional das apostas dependeria das competências legislativas e institucionais correspondentes.
Juros elevados e impacto sobre a dívida pública
Ao abordar política econômica, Haddad retomou um tema associado à sua atuação na área fiscal: o efeito da taxa de juros sobre a dívida pública.
Segundo argumentou, juros elevados prejudicam a dinâmica da dívida e aumentam o peso financeiro do endividamento público. O candidato defendeu uma calibração da política monetária, indicando que considera necessário ajustar a relação entre combate à inflação, atividade econômica e custo fiscal dos juros.
A definição da política monetária nacional, contudo, não constitui competência do Governo do Estado de São Paulo. O tema surgiu na entrevista como parte das posições econômicas mais amplas de Haddad.
Educação: candidato critica posição de São Paulo no IDEB
Na educação, Haddad afirmou que São Paulo caiu para a 10ª posição no IDEB do ensino médio, utilizando o dado para criticar a política educacional estadual.
A posição indicada no programa precisa ser compreendida como informação apresentada pelo entrevistado. O material disponibilizado não inclui a tabela do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) ou documento oficial que permita conferir a classificação e os critérios de comparação utilizados.
A educação aparece como um dos setores em que Haddad procura estabelecer diferença mais clara em relação ao modelo adotado pelo atual governo paulista.
Concursos públicos e críticas à “plataformização”
Entre suas propostas, Haddad defendeu a realização de concursos públicos para professores e a redução da dependência dos profissionais temporários enquadrados na denominada “categoria O”.
Ele também criticou o que definiu como excesso de “plataformização” das aulas, sustentando uma política educacional que amplie novamente a autonomia e a valorização profissional dos docentes.
Como meta política, comprometeu-se a colocar a rede estadual paulista entre os cinco melhores sistemas de ensino do país. O material fornecido, contudo, não detalha quais indicadores seriam utilizados para medir esse objetivo nem o prazo necessário para alcançá-lo.
Clima, segurança hídrica e proteção ao agronegócio
As mudanças climáticas também integraram a agenda discutida no programa. Haddad defendeu o fortalecimento de planos de segurança hídrica para aumentar a capacidade de resposta do Estado diante de períodos de estiagem, eventos extremos e pressões sobre o abastecimento.
Na área rural, propôs ampliar o seguro rural paramétrico, modalidade destinada a oferecer proteção financeira aos produtores diante de determinados eventos climáticos previamente definidos.
A discussão associa política ambiental e política agrícola, reconhecendo que fenômenos climáticos extremos podem produzir efeitos econômicos sobre a produção, a renda dos agricultores e o abastecimento.
Haddad promete diálogo com a Assembleia Legislativa
Ao ser questionado sobre governabilidade, Haddad afirmou que pretende estabelecer uma relação de diálogo republicano com a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP).
Segundo ele, uma eventual administração estadual deveria buscar construir consensos em torno de “pautas de Estado”, mesmo diante de divergências partidárias.
Como argumento em favor dessa capacidade de articulação, Haddad mencionou a experiência acumulada nas negociações com o Congresso Nacional durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda. A declaração apresenta sua experiência federal como referência para uma eventual relação entre Executivo e Legislativo paulistas.
Entrevista concentra propostas em cinco grandes áreas
A participação no Roda Viva reuniu propostas que atravessam áreas com diferentes níveis de responsabilidade estadual e federal.
Segurança pública, saúde, educação, gestão fiscal e recursos hídricos estão diretamente relacionadas ao cotidiano administrativo de um governo estadual. Já questões como política monetária, classificação internacional de organizações criminosas e proibição nacional das bets envolvem decisões ou competências que ultrapassam o Palácio dos Bandeirantes.
Essa distinção será relevante durante a campanha porque permitirá avaliar quais compromissos poderão efetivamente ser executados pelo governador e quais dependerão de articulação com o Governo Federal, Congresso Nacional, municípios, órgãos autônomos ou outras instituições.
Propostas ainda exigem detalhamento financeiro e operacional
Embora a entrevista tenha delineado prioridades, várias medidas ainda aparecem em estágio de formulação política, sem informações suficientes para uma avaliação completa de custo, prazo e capacidade de implementação.
É o caso do gabinete antifacção, da Farmácia Popular Móvel, da reorganização da CROSS, do pool de compras das Santas Casas, dos concursos para professores e da ampliação do seguro rural paramétrico.
A próxima etapa de acompanhamento jornalístico deverá observar a eventual apresentação de programas de governo, documentos orçamentários, metas mensuráveis e fontes de financiamento capazes de transformar essas diretrizes em políticas públicas verificáveis.
Os principais aspectos abordados por Fernando Haddad
Segurança pública e crime organizado
- “Quero criar um gabinete antifacção presidido pelo governador.”
Síntese da proposta de integrar Polícias Civil, Militar e Penal, Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos no enfrentamento às facções. - “O combate ao crime organizado exige inteligência e cooperação interfederativa, não disputa por protagonismo.”
Resume a defesa de atuação conjunta entre União, Estado e instituições de investigação. - “A classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas é uma ‘questão menor’.”
Haddad sustentou que a prioridade deve ser combater efetivamente o crime organizado e a impunidade.
Saúde pública
- “É preciso reformular a CROSS e organizar o cuidado para acelerar exames e cirurgias.”
A proposta prevê mudanças no sistema de regulação e maior integração do atendimento ambulatorial. - “Quero criar uma Farmácia Popular Móvel para levar medicamentos à casa das pessoas.”
A medida apresentada prevê entrega domiciliar de medicamentos.
Economia e apostas
- “Sou pessoalmente favorável à proibição das bets.”
Haddad defendeu que o tema seja submetido a debate com a sociedade e com o Congresso Nacional. - “São Paulo vive a pior situação fiscal dos últimos 30 anos.”
Segundo Haddad, o caminho deveria passar pela revisão dos contratos estaduais, e não pelo aumento de impostos. - “Juros elevados pioram a dinâmica da dívida pública.”
O candidato defendeu uma calibragem da política monetária diante do impacto dos juros sobre o endividamento.
Educação
- “São Paulo precisa voltar a estar entre os cinco melhores sistemas de ensino do país.”
Haddad estabeleceu essa posição como meta e criticou a queda do Estado no IDEB do ensino médio, além da dependência de professores temporários e da excessiva “plataformização” das aulas.
Meio ambiente e governabilidade
-
“É preciso combinar segurança hídrica, proteção ao produtor rural e diálogo republicano com a Assembleia Legislativa.”
A síntese reúne a defesa de planos de segurança hídrica, expansão do seguro rural paramétrico e construção de pautas de Estado com a ALESP.








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