Governo Jerônimo amplia Body Scan nos presídios da Bahia; tecnologia registra 232 alterações e detecções crescem mais de 320%

O Governo Jerônimo Rodrigues, por meio da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap), ampliou o emprego de scanners corporais no controle de acesso às unidades prisionais do estado. Entre janeiro e julho de 2026, o sistema Body Scan registrou 232 alterações durante inspeções, número mais de 320% superior ao verificado no mesmo intervalo de 2025, segundo dados da Seap divulgados nesta segunda-feira (31/08/2026).

O equipamento realiza a inspeção corporal por meio de baixas doses de raios-X e produz imagens utilizadas pelos policiais penais para identificar objetos ou substâncias ocultados nas roupas ou no corpo da pessoa submetida à verificação. Entre os materiais que podem ser identificados estão celulares, smartwatches, carregadores e drogas. O procedimento dispensa o contato físico durante a primeira etapa da inspeção.

Os 232 registros de alterações não equivalem necessariamente a 232 apreensões confirmadas. O Body Scan funciona como instrumento de triagem: ao indicar uma anormalidade na imagem, os servidores aplicam os protocolos previstos para averiguação. Dependendo da situação, a confirmação pode exigir observação, nova inspeção ou exame médico complementar, especialmente quando existe suspeita de objeto ou substância no interior do organismo.

Body Scan reduz tempo de inspeção e Seap amplia treinamento dos policiais penais

A comparação operacional divulgada sobre o equipamento indica redução do tempo de inspeção de aproximadamente 30 minutos, em procedimentos convencionais, para cerca de sete segundos na passagem pelo scanner. Os dados informados sobre o uso da tecnologia apontam ainda que aproximadamente 90% dos visitantes podem ser dispensados de procedimentos de revista íntima após a triagem eletrônica, reduzindo a necessidade de contato físico.

A expansão do sistema ocorreu ao longo de 2026. Em 16/04/2026, a Seap informou que o Presídio de Salvador havia iniciado a utilização do scanner corporal no controle de acesso de pessoas e visitantes. Segundo a secretaria, o equipamento passou a atuar em conjunto com o cadastro e com os protocolos operacionais adotados pela unidade.

Entre 04 e 06/05/2026, a secretaria realizou uma capacitação no Complexo Penitenciário de Salvador envolvendo aproximadamente 50 policiais penais. O treinamento compreendeu interpretação de imagens, identificação de materiais ilícitos e aplicação dos protocolos de segurança. Foram incluídos equipamentos da Cadeia Pública de Salvador, do Presídio de Salvador — Anexo e da Penitenciária Lemos de Brito — Módulo II.

Balanço de 2025 registrou drogas, celulares e 91 pessoas encaminhadas à polícia

Os dados divulgados anteriormente pela Seap permitem observar a utilização do sistema antes do crescimento registrado em 2026. Ao longo de 2025, o Body Scan auxiliou na identificação e retenção de 5,018 kg de entorpecentes e 24 aparelhos eletrônicos, entre celulares e relógios inteligentes, nas unidades prisionais baianas.

Naquele ano foram informadas 111 ocorrências, com 91 pessoas encaminhadas à autoridade policial após flagrantes envolvendo materiais proibidos. Entre as drogas registradas no balanço estavam maconha, cocaína, crack e haxixe. As estatísticas anuais de 2025 e o indicador de alterações divulgado para 2026 utilizam classificações distintas e, por isso, não devem ser comparados automaticamente como se representassem exatamente a mesma variável.

O aumento de mais de 320% informado para o período de janeiro a julho de 2026 refere-se especificamente ao comparativo das alterações identificadas pelo equipamento com o mesmo intervalo de 2025. O crescimento pode refletir uma combinação de fatores, entre eles maior utilização dos scanners, ampliação das unidades atendidas e aumento da capacidade de interpretação das imagens. Os dados disponíveis, porém, não permitem atribuir isoladamente o resultado a uma dessas variáveis.

Casos em Irecê e Lauro de Freitas mostram aplicação do scanner na rotina prisional

Um dos registros ocorreu no Conjunto Penal de Irecê, em 15/04/2026. Durante a entrada de visitantes, o Body Scan apontou alteração compatível com possível ocultação interna. Uma visitante foi encaminhada ao Hospital Regional de Irecê, onde uma tomografia confirmou a existência de corpo estranho. Após procedimento médico, foram constatados aproximadamente 0,60 grama de substância análoga à cocaína. A mulher foi conduzida à 14ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior para as medidas legais.

Outro episódio ocorreu em 12/08/2026, no Conjunto Penal de Lauro de Freitas, durante o retorno de internos beneficiados por saída temporária relacionada ao Dia dos Pais. O equipamento apontou alteração na imagem de um custodiado. Posteriormente, policiais penais localizaram dois invólucros com substância análoga à maconha, expelidos pelo interno. Ele recebeu atendimento no Hospital Menandro de Faria e depois foi encaminhado à delegacia.

No mesmo procedimento, o Body Scan apontou alteração em um segundo custodiado. O interno apresentou mal-estar e sofreu convulsão, sendo levado para atendimento hospitalar. No hospital, expeliu dois invólucros com substância análoga à cocaína, enquanto exames de imagem apontaram outros pacotes na região superior do estômago. O episódio demonstrou que a identificação feita pelo scanner funciona como sinal inicial para adoção de medidas posteriores de segurança e assistência médica.

STF proíbe revista íntima vexatória e determina prioridade para scanners nos presídios

A ampliação da tecnologia ocorre também em um contexto de mudança dos parâmetros jurídicos nacionais para a fiscalização de visitantes. Em 02/04/2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento do Tema 998 da repercussão geral, no ARE 959.620, e estabeleceu que a revista íntima vexatória, com desnudamento ou exames invasivos destinados a causar humilhação, é inadmissível.

O Supremo fixou ainda prazo de 24 meses, contado do julgamento, para aquisição e instalação de equipamentos como scanners corporais, esteiras de raios-X e portais detectores de metais nos estabelecimentos penais. A Corte determinou prioridade desses equipamentos no planejamento administrativo e orçamentário dos estados e da União. O processo teve trânsito em julgado em 14/08/2025.

A decisão admite procedimentos adicionais em situações excepcionais, quando os equipamentos forem inexistentes ou ineficazes e houver indícios robustos, tangíveis e verificáveis de ocultação de materiais. Nesses casos, a medida deve ser fundamentada, observar protocolos nacionais, preservar a dignidade do visitante e depender das condições estabelecidas pelo STF. A implantação dos scanners na Bahia, portanto, está inserida também no processo nacional de substituição de revistas invasivas por mecanismos tecnológicos de controle.

Governo da Bahia integra scanners a investimentos em monitoramento, inteligência e estrutura prisional

O Body Scan integra um conjunto mais amplo de investimentos realizado durante o Governo Jerônimo Rodrigues na administração penitenciária. Em 23/08/2024, o Estado entregou 34 viaturas e equipamentos de monitoramento à Seap, dentro de um investimento superior a R$ 8,5 milhões. Também foram destinados 17 kits de videomonitoramento, com 544 câmeras, para unidades do Complexo da Mata Escura e da Região Metropolitana de Salvador.

As medidas tecnológicas funcionam paralelamente às operações de inteligência e intervenção nas unidades. Em 27/07/2026, por exemplo, Seap, Secretaria da Segurança Pública e Ministério Público da Bahia deflagraram a Operação Angerona II no Conjunto Penal de Feira de Santana, com foco na produção de informações de inteligência, controle da unidade e redução da capacidade de articulação de organizações criminosas a partir do sistema prisional.

A modernização dos mecanismos de revista, entretanto, responde a apenas uma parte dos problemas estruturais do sistema penitenciário. Dados da Seap referentes a 22/05/2026, reunidos em estudo acadêmico da Universidade Estadual de Feira de Santana, indicavam 18.357 pessoas privadas de liberdade para uma capacidade operacional de 11.258 vagas, diferença de 7.099 custodiados. Nesse contexto, scanners, videomonitoramento, inteligência e capacitação podem ampliar o controle de acesso, mas permanecem associados a desafios de capacidade física, efetivo, gestão e ressocialização que exigem acompanhamento permanente das políticas penitenciárias.


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