Os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jerônimo Rodrigues avançam na articulação entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede privada e filantrópica para ampliar a atenção especializada na Bahia. Neste sábado (05/09/2026), os dados disponíveis indicam a previsão de 18.273 procedimentos, financiados com R$ 49.988.339,48, em unidades localizadas em seis municípios baianos. A iniciativa integra o programa federal Agora Tem Especialistas, implementado no estado com participação da gestão estadual e dos gestores locais.
A composição dos números exige uma distinção importante: os 18.273 atendimentos não correspondem integralmente a cirurgias. Do total anunciado, 8.460 serão procedimentos cirúrgicos, equivalentes a aproximadamente 46,3%, enquanto 9.813, ou 53,7%, correspondem às chamadas Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs), que reúnem consultas, exames e etapas diagnósticas ou terapêuticas relacionadas a uma especialidade.
Os contratos contemplam instituições de Alagoinhas, Feira de Santana, Irecê, Itaberaba, Itabuna e Salvador. O desenho permite utilizar estruturas privadas e filantrópicas para atender pacientes encaminhados pelo SUS, ampliando a capacidade instalada disponível sem exigir que todos os procedimentos sejam executados exclusivamente em hospitais públicos.
Bahia terá 8.460 cirurgias e 9.813 atendimentos integrados
A distribuição mostra diferenças importantes entre os municípios. Itabuna concentra o maior volume, com 6.612 procedimentos, o equivalente a aproximadamente 36,2% de toda a programação baiana. Em seguida aparecem Itaberaba, com 4.008, e Salvador, com 3.384. Somadas, as três cidades concentram cerca de 76,6% dos procedimentos previstos.
Em Alagoinhas, o Hospital das Clínicas deverá executar 1.431 procedimentos: 273 OCIs e 1.158 cirurgias.
Em Feira de Santana, a Santa Casa de Misericórdia deverá receber 1.788 procedimentos, dos quais 1.728 serão OCIs e apenas 60 serão cirúrgicos. A configuração mostra que, no município, o programa está concentrado principalmente em consultas, exames e cuidado integrado, e não na realização direta de cirurgias.
Irecê terá 1.050 cirurgias, todas previstas no Hospital de Cirurgias Sim.
Em Itaberaba, o Hospital da Chapada Empreendimentos Médico-Hospitalares deverá realizar 4.008 procedimentos, divididos entre 3.492 OCIs e 516 cirurgias.
A programação de Itabuna chega a 6.612 procedimentos. O Hospital de Olhos Beira Rio ficará responsável por 984 cirurgias, enquanto o Hospital de Olhos Ruy Cunha terá 5.628 atendimentos, dos quais 3.984 OCIs e 1.644 cirurgias.
Já Salvador terá 3.384 procedimentos. A Real Sociedade Portuguesa de Beneficência 16 de Setembro deverá realizar 648 atendimentos, sendo 336 OCIs e 312 cirurgias. A Associação das Obras Sociais Irmã Dulce, responsável pelo Hospital Santo Antônio, terá 2.736 cirurgias.
Feira de Santana terá 1.788 procedimentos, mas somente 60 cirurgias
A composição destinada a Feira de Santana merece atenção específica. Embora a cidade tenha sido incluída entre os seis municípios contemplados e receba 1.788 procedimentos, apenas 60 estão classificados como cirúrgicos.
Isso significa que cerca de 96,6% da programação da Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana corresponde às Ofertas de Cuidados Integrados, enquanto aproximadamente 3,4% está diretamente relacionado a cirurgias.
As OCIs procuram reunir diferentes etapas do atendimento especializado, reduzindo a fragmentação do percurso do paciente entre consulta, exame, diagnóstico e retorno. A lógica é evitar que o usuário precise ingressar repetidamente em novas filas para concluir cada etapa do tratamento.
A participação da Santa Casa no programa já havia sido anunciada em fevereiro de 2026, durante agenda envolvendo os governos federal e estadual. Na mesma ocasião, foi destacada a ampliação da estrutura cirúrgica do Hospital Santo Antônio, em Salvador, iniciativa apresentada pelo Governo da Bahia como parte da cooperação com o Governo Federal para fortalecimento da rede filantrópica vinculada ao SUS.
Rede privada será remunerada por créditos financeiros federais
O modelo adotado pelo Agora Tem Especialistas utiliza hospitais e clínicas particulares e filantrópicas para executar procedimentos destinados aos usuários do SUS. Parte da remuneração ocorre por meio de créditos financeiros que podem ser utilizados no abatimento de tributos federais.
A estrutura jurídica foi consolidada pela Lei nº 15.233, de 7 de outubro de 2025, que instituiu o Agora Tem Especialistas. Entre seus objetivos estão ampliar a oferta de serviços de saúde e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e outros procedimentos especializados.
O Ministério da Saúde também mantém chamamentos públicos para credenciamento de instituições privadas, com ou sem fins lucrativos, interessadas em oferecer serviços especializados. Os contratos são celebrados no âmbito da implementação pelos gestores responsáveis, seguindo as regras estabelecidas pelo programa.
Na prática, o Governo Federal procura incorporar capacidade instalada que já existe fora da rede estatal diretamente administrada, transformando leitos, centros cirúrgicos, equipamentos e equipes médicas do setor privado ou filantrópico em oferta complementar para pacientes do SUS.
Governo Jerônimo participa da programação e regulação do programa na Bahia
Embora o financiamento e o desenho nacional sejam conduzidos pelo Ministério da Saúde, a execução do programa na Bahia envolve a estrutura estadual do SUS.
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) mantém uma área específica para o Agora Tem Especialistas, com programação física e financeira das OCIs, unidades habilitadas, acompanhamento do sistema de regulação e documentos destinados à execução estadual da política.
A Resolução CIB nº 049/2026, da Comissão Intergestores Bipartite da Bahia, tratou da distribuição dos recursos destinados ao programa em 2026. O documento estabelece critérios para componentes ambulatoriais e cirúrgicos e registra programação financeira que ultrapassa R$ 250 milhões no conjunto desses dois componentes para o exercício, considerando R$ 50.168.969,29 para OCIs e R$ 200.674.461,86 para o componente cirúrgico. Esses valores se referem à programação estadual mais ampla e não devem ser confundidos com os R$ 49,99 milhões vinculados aos contratos privados e filantrópicos agora destacados.
A resolução também determina que a distribuição do componente cirúrgico observe critérios populacionais e condições relacionadas à execução prévia dos recursos destinados aos gestores.
Esse arranjo evidencia que a ampliação da assistência especializada depende de coordenação entre União, Estado, municípios e prestadores, especialmente porque o paciente precisa entrar no fluxo do SUS, ser regulado e encaminhado para a unidade contratada.
Ministério prevê mais de 600 mil procedimentos no país
Nacionalmente, o Ministério da Saúde informa que já formalizou cerca de R$ 1 bilhão em créditos financeiros com 259 instituições distribuídas por 21 estados, com previsão superior a 600 mil procedimentos.
Desse conjunto, aproximadamente 458 mil correspondem às Ofertas de Cuidados Integrados, enquanto 142 mil são procedimentos cirúrgicos.
As maiores programações estão concentradas em oftalmologia, com cerca de 170 mil procedimentos anuais, seguida por cardiologia, com 133 mil; ortopedia, 113 mil; e oncologia, 72 mil. Também estão previstas ações em ginecologia e otorrinolaringologia.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o objetivo é acelerar o acesso dos pacientes às consultas, exames e cirurgias e reduzir o tempo de espera dentro do SUS.
A política complementa outras frentes do Agora Tem Especialistas. Em agosto de 2026, o Ministério informou que a Bahia tinha 64 médicos especialistas em atividade, com chegada prevista de outros 43 profissionais para atuação em 13 municípios.
Terapia renal substitutiva passa a integrar estratégia
Outro componente incorporado ao programa é a Terapia Renal Substitutiva (TRS), destinada principalmente ao atendimento continuado de pacientes que dependem de hemodiálise.
No país, 136 instituições estavam vinculadas a essa modalidade. Os contratos destinam aproximadamente R$ 350 milhões ao serviço, com capacidade anunciada para assistência de cerca de 40 mil pacientes por mês.
A inclusão da terapia renal amplia o programa para além de procedimentos eletivos ou diagnósticos pontuais, alcançando pacientes que necessitam de atendimento recorrente e permanente.








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