Joaci Góes critica STF após sessão do Caso Master e questiona atuação de Moraes, PGR, PF e relação da Corte com governo Lula

Salvador — quinta-feira (17/09/2026). O escritor e articulista Joaci Góes publicou, na Tribuna da Bahia, o artigo intitulado originalmente “Supremo Tribunal da sem-vergonhice Nacional”, no qual apresenta críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministros da Corte e à atuação de instituições como a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O texto foi publicado em 17 de setembro de 2026, às 6h, dois dias depois da sessão extraordinária do STF relacionada aos desdobramentos do Caso Banco Master.

No artigo, Góes interpreta a crise envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça como expressão de um processo de deterioração institucional do Supremo. O autor utiliza linguagem de forte caráter opinativo e formula acusações contra integrantes da Corte, especialmente Moraes, além de associar o episódio ao relacionamento político entre parte dos ministros e o governo Lula.

Na sessão extraordinária de terça-feira (15/09/2026), o Plenário examinou uma questão de ordem relacionada à Petição 16.662, originada de relatório da Polícia Federal contendo informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O mérito das questões envolvendo Moraes não chegou a ser examinado.

Sessão do STF terminou sem julgamento do mérito

Segundo o próprio Supremo, a discussão realizada em 15 de setembro tratava da possibilidade de julgamento conjunto das Petições 16.662 e 16.704, procedimentos relacionados, respectivamente, às informações envolvendo Alexandre de Moraes e aos questionamentos sobre a regularidade da atuação de autoridades nas investigações. O julgamento foi interrompido depois de um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

A Petição 16.662 teve origem em material produzido pela PF a partir de informações encontradas no telefone de Daniel Vorcaro. O procedimento foi inicialmente conduzido pelo ministro André Mendonça, que posteriormente encaminhou os autos à Presidência do Tribunal. Em 12/09/2026, o presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria da petição e manteve sua apreciação pelo Plenário.

Ao abrir a sessão extraordinária, Fachin defendeu colegialidade, independência institucional, respeito às regras processuais e análise dos fatos pelo Plenário. Esses elementos integram o contexto institucional no qual deve ser interpretado o artigo de Góes, que apresenta avaliação substancialmente mais crítica sobre o funcionamento da Corte.

Joaci Góes concentra críticas em Alexandre de Moraes

Um dos principais eixos do artigo é a atuação de Alexandre de Moraes. Joaci Góes sustenta que episódios relacionados às investigações do Caso Master justificariam questionamentos sobre a conduta do ministro e utiliza expressões de caráter acusatório para caracterizar sua atuação.

As formulações do articulista devem ser compreendidas como opiniões e acusações atribuídas ao autor, e não como conclusões judiciais. Até o estágio processual documentado pelo STF após a sessão de 15 de setembro, o mérito das informações relacionadas a Moraes não havia sido decidido pelo Plenário, nem havia naquele julgamento pronunciamento definitivo estabelecendo responsabilidade criminal do ministro.

Góes também dirige críticas aos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino, que apresenta como integrantes de um grupo politicamente alinhado dentro do Tribunal. O artigo emprega qualificações pessoais contra alguns magistrados, mas não apresenta, no trecho publicado, decisões judiciais que comprovem as acusações criminais utilizadas pelo autor para caracterizá-los.

Artigo relaciona crise do STF ao governo Lula

Outro eixo do texto é a relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do Supremo. Góes sustenta que existiria uma aliança política entre o Executivo e parte da Corte e associa essa interpretação à atual crise institucional.

O articulista também estabelece uma sequência histórica que envolve o Mensalão, as investigações da Operação Lava Jato, episódios relacionados ao INSS e o Caso Banco Master. Esses acontecimentos pertencem a períodos, investigações e situações jurídicas distintas. No artigo, porém, são apresentados como partes de uma interpretação mais ampla sobre a relação entre poder político, instituições de controle e corrupção no Brasil.

Góes afirma ainda que Lula atuaria para impedir investigações envolvendo pessoas próximas ao governo. O artigo reproduzido não apresenta documentação que, por si só, comprove essa afirmação, razão pela qual ela deve permanecer identificada como acusação do articulista. O texto também faz uma generalização depreciativa sobre parcela do eleitorado de Lula, formulação que constitui opinião do autor e não é acompanhada, no artigo, de pesquisa ou evidência empírica que a sustente.

PGR e Polícia Federal também entram nas críticas

No encerramento do artigo, Góes amplia os questionamentos para a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, afirmando que as instituições estariam submetidas a suspeitas em decorrência da condução dos procedimentos relacionados à crise no STF.

Os documentos oficiais revelam que a própria regularidade das investigações passou a integrar o objeto dos procedimentos. Em 03/09/2026, Fachin determinou que Alexandre de Moraes, André Mendonça, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues apresentassem esclarecimentos sobre diferentes aspectos da condução das investigações. A Presidência do STF ressaltou que a medida não representava antecipação de conclusão sobre responsabilidade ou regularidade dos atos.

Em 09/09/2026, Fachin também suspendeu decisões conflitantes relacionadas ao afastamento e à reintegração de Andrei Rodrigues na condução de procedimentos, além de convocar a sessão extraordinária de 15 de setembro. As decisões evidenciam que havia uma disputa processual sobre competência, regularidade das diligências e organização das investigações, sem resolução definitiva naquele momento.

O STF posteriormente disponibilizou 25,3 GB de documentos, vídeos e áudios, reunindo aproximadamente 4 mil arquivos ligados à Petição 15.556 e a procedimentos relacionados ao Caso Master. Entre os autos disponibilizados estava a Petição 16.662, ampliando o acesso público ao material utilizado no debate institucional.

Artigo utiliza crítica institucional e referências históricas

Joaci Góes recorre também à história do Supremo para sustentar sua argumentação. O articulista contrapõe a situação atual à trajetória de 135 anos da Corte e menciona Rui Barbosa, utilizando a memória institucional do Tribunal como referência para questionar o estágio atual do Judiciário brasileiro.

A crítica alcança ainda o Congresso Nacional, sobretudo pela tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Para o autor, a ausência de avanço dessas iniciativas teria contribuído para ampliar o espaço político ocupado pelo Judiciário. Trata-se novamente de uma interpretação apresentada pelo articulista sobre a relação entre Legislativo e STF.

O núcleo argumentativo do texto pode ser sintetizado na tese de que a concentração de poder, a proximidade entre instituições e as controvérsias envolvendo agentes responsáveis pela investigação e pelo julgamento de autoridades exigiriam maior controle institucional. Embora o artigo empregue linguagem acusatória para defender essa posição, os procedimentos relativos ao Caso Master continuam submetidos à análise judicial, ao contraditório e às regras próprias do Supremo.

Caso Master amplia debate sobre governança do STF

Os acontecimentos posteriores à publicação do artigo confirmaram que o Caso Master passou a afetar questões que ultrapassam o destino individual dos procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça. Reportagens e decisões do próprio STF passaram a tratar de temas como competência processual, impedimentos, relatoria, atuação policial, controle externo das investigações e organização interna do Plenário.

A crise também colocou em debate mecanismos de transparência e regras de conduta aplicáveis aos integrantes da Corte. A existência de questionamentos públicos não equivale, entretanto, à comprovação automática das acusações feitas por articulistas, agentes políticos ou partes interessadas. Suspeitas precisam ser diferenciadas de fatos comprovados, e responsabilidade criminal depende de investigação, contraditório e decisão das autoridades competentes.

Após o pedido de vista apresentado por Flávio Dino, permanece pendente a definição sobre o tratamento conjunto das Petições 16.662 e 16.704. O prosseguimento dos processos deverá determinar de que forma o STF examinará as informações referentes a Moraes e os questionamentos sobre a atuação das autoridades responsáveis pelas investigações, mantendo o Caso Master no centro do debate institucional sobre transparência, controle e funcionamento da Suprema Corte.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading