Divulgada nesta quarta-feira (09/09/2026), a pesquisa estadual da Real Time Big Data sobre as eleições na Bahia mostra um cenário de empate técnico entre Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil) na disputa pelo Governo do Estado. No cenário estimulado, o governador registra 45% das intenções de voto, diante de 44% do ex-prefeito de Salvador; em uma simulação de segundo turno, Jerônimo aparece com 46% e Neto com 45%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 04 e 08/09/2026, tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro BA-01568/2026. Na disputa pelas duas vagas ao Senado, Rui Costa (PT) lidera o consolidado com 26%, enquanto a administração de Jerônimo registra 53% de aprovação.
Jerônimo e ACM Neto estão tecnicamente empatados na disputa estadual
A pergunta espontânea, na qual os entrevistados não recebem previamente uma lista de candidatos, mostra Jerônimo Rodrigues com 20% e ACM Neto com 19%. Rui Costa foi citado por 1%, outros nomes somaram 2% e brancos ou nulos atingiram 9%. A maior parcela, entretanto, é formada pelos eleitores que não souberam ou não responderam: 49%.
O quadro se altera quando os nomes são apresentados. No cenário estimulado, Jerônimo alcança 45%, enquanto ACM Neto marca 44%. Ronaldo Mansur (PSOL) e Estevão (DC) aparecem com 1% cada; outros somam 1%; votos nulos ou brancos representam 5% e não sabem ou não responderam, 3%. O relatório informa ainda que Ariel Capistrano (DC), Aroldo Félix (UP) e Maria Bona (PCO), somados, alcançaram 1%.
Como a diferença entre os dois primeiros colocados é de apenas um ponto percentual e a margem informada para a amostra total é de ±2 pontos, os números não permitem estabelecer vantagem estatisticamente segura de um candidato sobre o outro. O resultado configura, portanto, empate técnico na amostra estadual.
A comparação entre as perguntas espontânea e estimulada também exige cautela. O salto dos dois principais nomes quando a lista é apresentada revela que uma parcela relevante do eleitorado identifica uma preferência diante das alternativas oferecidas, mas o levantamento, por si só, não permite concluir que os entrevistados indecisos na pergunta aberta estejam definitivamente convertidos em votos consolidados.
Gênero mostra comportamentos distintos entre os dois principais candidatos
Os cruzamentos apresentados na página 8 do relatório indicam diferença entre homens e mulheres. Entre os homens entrevistados, ACM Neto registra 48%, contra 42% de Jerônimo Rodrigues. Ronaldo Mansur tem 1%, Estevão 2%, brancos ou nulos 4% e não sabem ou não responderam 3%.
Entre as mulheres, a relação se inverte: Jerônimo aparece com 48%, diante de 40% de ACM Neto. Ronaldo Mansur registra 1%, outros nomes somam 2%, brancos ou nulos alcançam 6% e 3% não souberam ou não responderam.
O recorte sugere bases eleitorais distintas segundo o gênero, mas o documento apresenta margem de erro apenas para a amostra estadual completa. Não há, no material fornecido, margem específica para homens ou mulheres. Por isso, as diferenças internas devem ser interpretadas como cruzamentos descritivos da pesquisa, sem atribuição automática de significância estatística própria.
Jerônimo tem números maiores entre eleitores mais jovens; Neto avança entre os mais idosos
O levantamento também segmenta as intenções de voto por faixa etária. Entre os entrevistados de 16 a 34 anos, Jerônimo registra 47%, enquanto ACM Neto tem 44%. Entre os eleitores de 35 a 59 anos, o governador aparece com 45% e Neto, com 43%.
A tendência se modifica entre os entrevistados de 60 anos ou mais: ACM Neto alcança 47%, diante de 42% de Jerônimo Rodrigues. Nesse grupo, brancos ou nulos representam 6% e não sabem ou não responderam 4%.
Assim como ocorre no recorte por gênero, o relatório não apresenta margens de erro próprias para cada faixa etária. Os percentuais permitem identificar diferenças internas da amostra, mas não autorizam, isoladamente, afirmar que as distâncias observadas representem vantagens estatísticas consolidadas em cada segmento.
Renda apresenta a maior diferenciação entre Jerônimo e ACM Neto
O cruzamento por renda, exibido na página 10, registra diferenças mais amplas. Entre entrevistados com renda de até dois salários mínimos, Jerônimo alcança 49%, contra 39% de ACM Neto. Ronaldo Mansur e outros nomes registram 1% cada; brancos ou nulos somam 6% e 4% não sabem ou não responderam.
No segmento de dois a cinco salários mínimos, o resultado se inverte: ACM Neto aparece com 51%, enquanto Jerônimo tem 39%. Ronaldo Mansur e Estevão registram 2% cada; outros somam 1%, brancos ou nulos 4% e não sabem ou não responderam 1%.
Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, ACM Neto alcança 65%, enquanto Jerônimo registra 29%. Ronaldo Mansur e Estevão aparecem com 1% cada, brancos ou nulos com 2% e não sabem ou não responderam com 2%.
Recortes exigem cautela estatística
As diferenças de renda são relevantes para a leitura política do levantamento, mas a própria estrutura metodológica disponível impõe uma limitação: a margem de ±2 pontos percentuais é informada para o universo geral de 1.600 entrevistas, não para cada subdivisão. Quanto menor o número de entrevistados em um grupo, maior tende a ser a incerteza associada ao recorte, razão pela qual não é adequado transportar automaticamente a margem estadual para essas subdivisões.
A composição da amostra informa que 67% dos entrevistados recebem até dois salários mínimos, 23% estão entre dois e cinco e 10% recebem mais de cinco. As mulheres representam 53% da amostra e os homens, 47%. Por idade, 32% têm entre 16 e 34 anos, 47% entre 35 e 59 anos e 21% possuem 60 anos ou mais.
Segundo turno mantém diferença de apenas um ponto
Na simulação apresentada para eventual segundo turno entre os dois principais candidatos, Jerônimo Rodrigues registra 46% e ACM Neto, 45%. Votos nulos ou brancos correspondem a 5%, enquanto 4% não sabem ou não responderam.
Novamente, a diferença é de apenas um ponto percentual, inferior à margem de erro declarada para a amostra geral. O cenário reproduz, portanto, a situação de equilíbrio observada no primeiro turno estimulado e não sustenta uma liderança estatisticamente definida.
Os resultados também indicam que, tanto no primeiro quanto no segundo turno testado, Jerônimo e Neto concentram a ampla maioria das intenções manifestadas. Entretanto, pesquisa eleitoral representa uma fotografia do período de campo e não uma previsão definitiva do resultado das urnas.
ACM Neto registra 45% de rejeição e Jerônimo, 43%
Na pergunta de rejeição, que permitia múltiplas respostas, ACM Neto aparece com 45%, seguido de perto por Jerônimo Rodrigues, com 43%. Ronaldo Mansur registra 22%, Estevão 16%, Ariel Capistrano 15%, Aroldo Félix 13% e Maria Bona 13%. Apenas 2% afirmaram que poderiam votar em todos e outros 2% não souberam ou não responderam.
Como a pergunta permite que uma mesma pessoa rejeite mais de um nome, os percentuais não são mutuamente exclusivos e não devem ser somados como se representassem parcelas independentes do eleitorado.
Também não é metodologicamente correto subtrair diretamente a rejeição da intenção de voto para estabelecer um suposto “saldo eleitoral”. São perguntas distintas, destinadas a medir dimensões diferentes do comportamento do entrevistado.
Governo Jerônimo tem 53% de aprovação e 45% de desaprovação
Na avaliação direta da administração estadual, 53% afirmam aprovar o trabalho de Jerônimo Rodrigues, enquanto 45% desaprovam e 2% não sabem ou não responderam.
Quando a pergunta utiliza categorias de avaliação, 30% classificam o governo como ótimo ou bom, 41% como regular e 28% como ruim ou péssimo; 1% não soube ou não respondeu. Trata-se de uma pergunta diferente daquela que mede aprovação ou desaprovação, razão pela qual os percentuais não devem ser tratados como equivalentes.
O levantamento, portanto, apresenta simultaneamente aprovação majoritária da administração e uma disputa eleitoral tecnicamente empatada. Os números demonstram que avaliação de governo e intenção de voto são indicadores relacionados ao ambiente político, mas não constituem medidas idênticas nem permitem, sem cruzamentos específicos, identificar como cada grupo de avaliadores pretende votar.
Rui Costa lidera consolidado para as duas vagas ao Senado
Na corrida ao Senado Federal, o instituto considera a possibilidade de o eleitor escolher até dois candidatos, correspondentes às duas vagas em disputa. No consolidado do primeiro e do segundo votos, reduzido pelo relatório para 100%, Rui Costa lidera com 26%, seguido por Jaques Wagner, com 19%, João Roma (PL), com 17%, e Angelo Coronel (Republicanos), com 15%.
Professora Delliana (PSOL) registra 6%. Carlos Sodré (Mobiliza), Marcelo Carvalho (Rede) e Marcelo Santtana (DC) aparecem com 1% cada. Brancos ou nulos representam 7%, mesmo percentual daqueles que não sabem ou não responderam.
O formato consolidado requer atenção: os 26% de Rui Costa, por exemplo, correspondem à distribuição das menções de primeiro e segundo votos após a redução para 100% efetuada pelo levantamento. O índice não significa que apenas 26% dos entrevistados tenham mencionado Rui em alguma das duas escolhas.
Primeiro voto coloca Rui Costa em posição mais ampla
Quando apenas o primeiro voto é considerado, Rui Costa alcança 39%. João Roma registra 19%, Jaques Wagner, 18%, e Angelo Coronel, 13%. Professora Delliana aparece com 5%; Marcelo Santtana, 2%; Carlos Sodré e Marcelo Carvalho, 1% cada. Brancos ou nulos e não sabem ou não responderam registram 1% cada.
Já na escolha declarada como segundo voto, Jaques Wagner ocupa a primeira posição, com 20%, seguido por Angelo Coronel, com 16%. Rui Costa e João Roma aparecem empatados numericamente, com 14% cada, e Professora Delliana registra 7%. Carlos Sodré tem 1%.
Nesse segundo voto, brancos ou nulos representam 14% e não sabem ou não responderam outros 14%, percentual consideravelmente superior ao registrado na primeira escolha. A diferença reforça a necessidade de analisar separadamente a primeira preferência, a segunda opção e o consolidado elaborado pelo instituto.
Metodologia e alcance da pesquisa
A pesquisa foi realizada com 1.600 eleitores do Estado da Bahia, entre 04 e 08 de setembro de 2026. O documento informa margem de erro de ±2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A divulgação ocorreu em 09/09/2026, sob o registro BA-01568/2026.
O perfil da amostra é composto por 53% de mulheres e 47% de homens. Quanto à escolaridade, 38% possuem até o ensino fundamental completo, 45% até o ensino médio completo e 17% ensino superior incompleto ou escolaridade superior. Em renda, dois terços da amostra estão concentrados na faixa de até dois salários mínimos.
O material disponibilizado apresenta resultados estaduais e cruzamentos por gênero, idade e renda, mas não informa, nas páginas analisadas, o número de entrevistas nem margens específicas para cada subgrupo. Essa ausência limita inferências estatísticas mais fortes sobre diferenças internas da amostra.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 04 a 08/09/2026 — Coleta dos dados: a Real Time Big Data realizou 1.600 entrevistas com eleitores da Bahia, utilizando uma amostra para a qual foram informados margem de erro de ±2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
- 09/09/2026 — Divulgação do levantamento: a pesquisa estadual foi divulgada sob o registro BA-01568/2026, apresentando os cenários para governador, eventual segundo turno, rejeição, avaliação administrativa e Senado.
- 09/09/2026 — Cenário eleitoral estadual: Jerônimo aparece com 45% e ACM Neto com 44% no cenário estimulado, diferença compatível com empate técnico considerando a margem declarada para a amostra geral.
- 09/09/2026 — Cenários complementares: o levantamento apresenta 46% a 45% para Jerônimo no segundo turno, aprovação de 53% ao governo e liderança de Rui Costa, com 26%, no consolidado para o Senado.
A pesquisa apresenta uma eleição estadual de elevada competitividade. Jerônimo Rodrigues e ACM Neto estão separados por apenas um ponto tanto no primeiro turno estimulado quanto na simulação de segundo turno, resultado insuficiente para estabelecer liderança estatística considerando a margem declarada para a amostra geral. A proximidade também aparece na rejeição, embora essa variável seja medida por pergunta múltipla e não possa ser comparada diretamente à intenção de voto.
Os cruzamentos revelam diferenças relevantes na composição das preferências. Jerônimo registra percentuais maiores entre mulheres, eleitores mais jovens e entrevistados de menor renda, enquanto Neto apresenta números superiores entre homens, pessoas com 60 anos ou mais e segmentos de renda mais elevada. Esses padrões são politicamente significativos como descrição da amostra, mas o relatório não oferece margens específicas que permitam afirmar significância estatística para cada subdivisão.
Outro ponto central é a coexistência de 53% de aprovação do governo com apenas 45% de intenção estimulada de voto em Jerônimo. A diferença demonstra que aprovação administrativa e escolha eleitoral não são conceitos equivalentes. Da mesma forma, a rejeição de 43% ao governador não pode ser tratada automaticamente como um teto eleitoral, sobretudo porque o indicador permite múltiplas respostas e mede uma dimensão diferente da preferência positiva.
No Senado, Rui Costa lidera o consolidado, enquanto Jaques Wagner, João Roma e Angelo Coronel formam o grupo seguinte. Como estão em disputa duas vagas e cada eleitor pode declarar dois votos, a leitura exige atenção especial ao método de consolidação. O núcleo factual do levantamento é, portanto, uma disputa estadual sem vantagem estatisticamente definida, combinada a diferenças importantes entre segmentos sociais e a uma corrida ao Senado com quatro nomes concentrando as principais escolhas. Os próximos levantamentos registrados, a evolução das candidaturas e a fiscalização da Justiça Eleitoral serão fundamentais para verificar se esse quadro permanece ou se novos movimentos produzirão mudanças consistentes.








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